ANÁLISE: Samsung Galaxy J7 Prime

Boa quantidade de RAM e belo design, mas que não se diferencia muito dos concorrentes

O Galaxy J7 Prime foi lançado no Brasil no final de 2016, chegando ao mercado com foco no "preço justo", segundo a Samsung. A primeira impressão que temos do J7 Prime é um belo acabamento que pode ser considerado como premium, mesmo sendo um smartphone intermediário. Contudo, suas especificações não trazem recursos muito além do seu irmão J7 Metal, que é, inclusive, um de seus concorrentes. 

Além de bater de frente com o J7 Metal, o J7 Prime concorre com o Zenfone 3, Quantum Fly e com o Motorola Moto G4 Plus (que teve redução em seu preço devido ao lançamento recente do Moto G5 e Moto G5 Plus - clique nos links e veja nossa análise dos aparelhos).

Site oficial do J7 Prime

Comparativo

Samsung Galaxy J7 PrimeSamsung Galaxy J7 MetalAsus Zenfone 2Motorola Moto G4 Plus

Preços

Preço no lançamentoR$ 1.599,00 R$ 1.599,00 R$ 1.399,00 R$ 1.500,00
Preço atualizadoR$ 960,00 R$ 780,00 R$ 1.299,00 R$ 1.500,00

Especificações

Armazenamento interno|16GB||32GB| |16GB| |16GB||32GB| |32GB|
Cartão microSDAté 256GB Até 128GB Até 128GB
Memória RAM3GB 2GB 4GB 2GB
Número de núcleos8 8 4 8
Portas de conexão|USB Tipo-C||Micro-USB| |Micro-USB| |Micro-USB| |Micro-USB|
Sistema OperacionalAndroid 6.0 Android 6.0 Android 5.0 Android 6.0
Update disponível para o sistemaAndroid 5.1
ProcessadorExynos 7870 Exynos 7870 Atom Z3580 Qualcomm Snapdragon 617
Clock1.6 GHz GHz1.6 GHz GHz2,3 GHz1.5 GHz
GPUMali-T830MP2 Mali-7830 PowerVR G6430 Adreno 405
Bateria 3.300 mAh mAh3300mAh mAh3000 mAh3000 mAh
Dimensões151.7 x 75 x 8 mm (5.97 x 2.95 x 0.31 in) mm151.7 x 76.0 x 7.8 mm mm152.5 x 77.2 x 10.9 mm mm153 x 76.6 x 9.8 mm
Peso167 g g169g g170 g155 g

Recursos

GPSSim Sim Sim Sim
Leitor de DigitalSim Não Sim
LTESim Sim Sim Sim
NFCNão Sim Sim Não
Número de cartões SIM2 2 2 2
RadioSim Sim Sim Sim
Tipo de cartão SIMNano SIM Micro SIM Micro SIM Micro SIM
TV DigitalNão Não Não
Bluetooth4.1 v4.1 v4.0 4.1
ExtrasZenUI, ZenMotion, DoubleTap

Display

Resolução1080 x 1920 720 x 1280 1080 x 1920 1080 x 1920
Tamanho5.5 polegadas 5.5 polegadas 5.5 polegadas 5.5 polegadas
TecnologiaTFT LCD Super AMOLED IPS IPS
ProteçãoCorning Gorilla Glass Corning Gorilla Glass 3 Corning Gorilla Glass 3

Câmera

Vídeos1080p 30 fps 1080p 30 fps 1080p 30 fps 1080p 30 fps
Traseira13MP 13 MP 13 MP 16
Frontal8MP 5 MP 5 MP 5

Design e Tela


Ótimo tamanho e uma pegada macia

O Galaxy J7 Prime possui um acabamento "macio", diferente das bordas robustas do J7 Metal. Isso acontece não só devido às suas curvas e pintura fosca, mas também às bordas no display que a Samsung teve o cuidado de adicionar neste modelo, dando a impressão do que chamamos de tela "2,5D". Como já mencionei, a primeira impressão do aparelho é o design próximo ao que vemos em linhas "premium" porque os elementos são minimalistas. Você pode notar isso na traseira do dispositivo, onde a câmera, flash e logo da Samsung não "poluem" o design ou trazem bordas/relevos como há em outros smartphones. 

A resolução da tela do J7 Prime é FullHD, sendo definida como "PLS TFT LCD". Então vamos por partes: "Plane to Line Switching", o PLS, é uma tecnologia que pode melhorar a qualidade da imagem. Ela faz isso mudando a forma dos pixels de maneira que eles emitam mais luz e aumentem o ângulo de visão. O resultado é uma tela mais brilhante, que mostra melhor as cores. Enquanto a parte do TFT LCD deixa as cores mais próximas do "real", não colocando tanto contraste e "vividez" nas cores como o AMOLED faz. 

A tela não é AMOLED, mas...

Lembrando que mostrar melhor as cores não é a mesma coisa que aumentar a saturação ou contraste. Aí fica por parte do usuário escolher se prefere AMOLED ou LCD. Pessoalmente, ainda prefiro o LCD mesmo que as cores pareçam meio "lavadas" quando comparado ao nível de saturação de cor que um display AMOLED alcança.

A Samsung acertou no design deste smartphone ao aproveitar melhor o espaço da tela. As 5,5" polegadas de display ocupam melhor o corpo do J7 Prime, motivo pelo qual suas bordas são mais finas. Assim temos um dispositivo com bom tamanho, aproveitamento de espaço e boa pegada, graças aos acabamento curvado e seu peso (164g) não tão leve para parecer que ele não existe, e nem tão pesado para se tornar incômodo. O único problema em seu design se comparado ao J7 Metal (vou fazer muitas comparações entre esses dois modelos porque são "praticamente o mesmo aparelho") é essa maciez. O J7 Prime é muito bom de segurar, mas dá a sensação de que vai escorregar a qualquer momento. Já o Metal tem acabamento robusto e por isso passa mais segurança enquanto está sendo manejado. 

Como de costume, o Galaxy J7 Prime traz o icônico botão Home com sensor de digital e os capacitivos multitarefa e voltar. A resposta do sensor de digitais em comparação à outros dispositivos como Xiaomi Redmi 3S (leia nossa análise) e o Motorola Moto G5 Plus é lenta. É possível perceber um delay entre o desbloqueio da tela, seja apertando o botão ou usando as digitais, e o sensor acendendo. Mas nada muito lerdo a ponto de irritar o usuário.

Outro ponto sobre o leitor de digitais do qual eu tive um probleminha foi o cadastramento. É importante cadastrar pelo menos duas vezes suas digitais com posições diferentes de segurar o smartphone. Nem sempre eu desbloqueio o aparelho com ele reto na minha mão, e quando queria desbloquear ele na diagonal, logo após tirará-lo do bolso, o leitor simplesmente não reconhecia nada. A impressão é de que, como o botão home é maior do que o dos aparelhos concorrentes, fica mais difícil "encaixar" o dedo sobre toda área para ele ler a biometria.

Sensor de biometria não é dos mais eficientes, mas nada que faça o usuário desistir de usá-la

Seu design também conta com alguns reposicionamentos que a Samsung fez. Na lateral, há duas gavetas: uma para o chip SIM principal e outra para cartão microSD e chip SIM 2. Como os compartimentos são separados, não é necessário remover o chip para colocar um cartão e vice-versa. Lembrando que a bateria neste aparelho não é removível, já a do J7 Metal, é.

Da mesma forma que seu design total que mostra leveza e bordas arredondadas, os botões de volume e bloqueio do J7 Prime também são mais finos com pontas curvadas. Esses detalhes dão a leveza e a impressão premium mencionada anteriormente. Embaixo dele há uma porta P2 para fones de ouvido e conexão microUSB, mantendo os padrões comuns do mercado, sem migrar para o USB Tipo-C que já começa a despontar em alguns dispositivos.

O último rearranjo feito aqui é a saída da caixa de som. Nem embaixo, nem atrás, mas na lateral. É na lateral que a Samsung decidiu colocar sua saída de áudio, nada inovador porque outras fabricantes já fizeram isso, mas com certeza é o diferencial. O posicionamento da caixa evita que o som fique abafado nas mãos, já que a caixa de som atrás ou embaixo será abafada em algum momento quando o smartphone estiver sobre uma mesa ou na posição horizontal para que o usuário possa jogar ou ver vídeos. Além disso, a caixa de som "mais fina" na lateral contribui para que a traseira do dispositivo seja mais "limpa", evitando o grotesco quadrado que existe no J7 Metal, por exemplo.

O deslocamento da caixa de som para a lateral talvez seja a cereja do bolo do design. Mas isso não altera a qualidade do som, visto que é uma caixa de som simples, semelhante à do J7 Metal. O som é apenas dentro da média, sem muita definição nas múltiplas faixas de áudio e sem chegar a muita intensidade (o popular volume). Ruim, mas dentro do que vemos geralmente equipando smartphones.

O deslocamento da caixa de som para a lateral talvez seja a cereja do bolo do design

 

Performance e Autonomia


Mais RAM, menos autonomia. E aí?

A performance do J7 Prime promete muito com seus 3GB de RAM. É possível utilizar tranquilamente os aplicativos que ficaram em segundo plano. A alternância entre os apps acontece de maneira rápida como a quantidade de RAM promete. Isso faz do aparelho um bom modelo intermediário para usuários que utilizam muitas redes sociais, apps, e recursos como câmera e galeria, sem ter que fechá-los para que o sistema não fique lento.

Apesar de gostar bastante do J7 Prime, houve alguns travamentos bizarros durante o uso: como a tela do Twitter ficar preta durante digitação ou a barra de notificações se sobrepor à outros aplicativos mesmo quando "empurrada pra cima". Claro que aconteceram por culpa do sistema (Android Marshmallow) ou algumas "mexidas" que a Samsung deve ter dado no aparelho. Mas nada recorrente durante as 3 semanas que estive com ele. Inclusive, o processador deste smartphone é um Exynos octa-core de 1,6 GHz, o mesmo do J7 Metal. 

Em alguns jogos mais pesados para mobile, como os de corrida da EA, seu desempenho foi bom para usuários que não são entusiastas de gráficos perfeitos e fluidez extrema. Ele dá conta do recado para quem quer um bom smartphone que consiga gerenciar muitos aplicativos.

 

 

Em bateria, o J7 Prime fica atrás de seu irmão J7 Metal. Mesmo não impressionando, é muito fácil passar um dia ou um dia e meio sem carregá-lo. Em uso normal, interagindo em redes sociais, vendo alguns vídeos no YouTube e jogando esporadicamente, ele aguenta numa boa - e ainda com folga. Isso se conectado sempre ao Wi-Fi.

Já a rede móvel, como sempre, consome mais bateria. Para comparação, passei duas horas em redes sociais enquanto viajava (com o sinal oscilando entre 3G e 4G) e no final da viagem o aparelho gastou 15% de bateria. Seus 3.300mAh podem fazer alguém feliz ao ver que pouca bateria foi consumida quando se trata de 3G/4G.

É um aparelho que consegue ter bateria suficiente para seu tipo de público, mas não chega a ter tanta autonomia quanto outros modelos que competem com ele. Não é um "gastador", mas também não surpreende. 

Câmera

Chegando no Brasil pelo preço de R$ 1.599, era de se esperar que a Samsung pelo menos desse mais atenção à câmera e recursos de fotografia presentes do J7 Prime. Isso não aconteceu. Quando anunciado, o dispositivo prometeu "preço justo" e uma boa briga com aparelhos como o Zenfone 3, mas esse marketing não faz jus ao seu custo, valor bem mais alto do que o Motorola Moto G5 Plus, que foi bem elogiado em sua análise

Boa luz


J7 Prime, J7 Metal, Zenfone 2 e Quantum Fly

Pouca luz


J7 Prime, J7 Metal, Zenfone 2 e Quantum Fly

Flash


J7 Prime, J7 Metal, Zenfone 2 e Quantum Fly

 

O J7 Prime possui câmera traseira de 13MP e frontal de 8MP. Ele tem capacidade de fazer imagens melhores em ambientes com pouca luz, já que a abertura do diafragma é de f/1.9. Essa abertura permite mais entrada de luz, deixando fotos tiradas em ambientes escuros um pouco mais nítidas. E é isso. Alguns megapixels a mais em relação à câmera frontal do J7 Metal (5MP). Não há muitas opções para quem gosta de tirar fotos no modo manual, ou até mesmo um software dedicado para estabilização de filmagens. 

Certamente, este não é um aparelho para quem tem como prioridade fazer fotos. A qualidade das imagens é boa. O HDR deixa as fotos muito bonitas e vívidas, mas quem quiser mexer nas configurações manualmente só terá as opções de ISO e balanço de branco (que é bem ruim, por sinal). É melhor usar a câmera no automático do que se aventurar em configurações de fotografia. O Zenfone 2 é um aparelho que faz isso (modo manual) muito bem.

[LG K10 2017] Aparelho bonito e bom pra selfie, mas que sofre contra concorrência

Há também os recursos de embelezamento de rosto (tom de pele, afinar rosto e aumentar olhos) que não fazem bem a sua função. Tudo é bem exagerado e percebemos que detalhes da pele se perdem ao serem aplicados. O Zenfone 2 também têm esse recurso, mas com mais "níveis" para otimizar, dando a opção de não ficar nos extremos entre "não faz diferença" ou "que pele fake".

A crítica sobre a câmera do J7 Prime não envolve a qualidade das imagens em si, visto que ela tem muitos megapixels e faz fotos ótimas. A questão é que pelo preço de lançamento a Samsung poderia ter otimizado os recursos da câmera, dando mais atenção principalmente ao modo manual. 

O J7 Prime não é um aparelho para quem gosta de fazer fotos em modo manual

O pós-processamento do J7 Prime é bom e não decepciona tanto. Ele não é desagradável como o Quantum Fly, aparelho que está no comparativo desta review. Normalmente, os softwares dos smartphones intermediários tentam compensar a falta de megapixels deixando cores mais vivas, mas muito mentirosas. Um exemplo é o logo do Adrenaline, que em algumas imagens fica rosa, e não vermelho, dependendo do aparelho.

Mesmo assim, o software sempre tenta dar uma suavizada nas fotos, escondendo alguns detalhes de superfícies como pelos, cabelos e tecidos fofos. Ao habilitar o HDR, essa "suavização" não aparece muito.

Percebam nas fotos abaixo: a textura do cabelo na câmera frontal (pós-processamento); a foto do carequinha das views (@kerberdiego) está com o modo embelezamento no máximo; o modo HDR foi utilizado na foto da cachorra na beira-mar em um dia nublado no final de tarde. 




Sistema e recursos

O Galaxy J7 Prime chegou com sistema Android Marshmallow e com algumas alterações, como de costume da Samsung. Ele tem sua Touchwiz, interface que já é bem familiar para usuários da empresa, customizável, podendo mover ou descartar livremente aplicativos. Ela oferece ferramentas básicas como gerenciador de arquivos e aplicativos do pacote Microsoft Office. E quem não quiser utilizar a interface padrão, pode substituí-la com aplicativos que modificam o visual.

Um recurso que fez falta e que há nos smartphones mais recentes é o sensor de luz, que adapta o brilho da tela de acordo com a luz ambiente. Assim o usuário não precisa ficar gerenciando o brilho toda hora que mudar de lugar. Outras otimizações básicas do sistema são facilmente acessadas, mostrando que é um smartphone que não traz algo de muito diferente se comparado às outras linhas de intermediários. 

O Galaxy J7 Prime é um smartphone voltado ao consumidor intermediário, que não faz questão de uma boa câmera ou hardware muito potente para jogos. O diferencial deste aparelho está em seus 3GB de RAM, podendo manter o usuário entretido com diversos aplicativos em execução ao mesmo tempo. Além da RAM, o J7 Prime tem um design muito bonito com seus detalhes curvados e tela 2.5D. Seu formato permite uma pegada ergonômica, e a caixa de som deslocada para a lateral deixa o aparelho com cara de premium já que não polui a traseira do aparelho como acontece no J7 Metal. Este é um ótimo modelo para quem procura um smartphone leve, bonito e capaz de gerenciar apps - além de contar com leitor biométrico.

Porém, o J7 Prime perde quando falamos de autonomia de bateria, mesmo tendo os mesmos 3.300mAh do seu concorrente "interno" J7 Metal. Sua câmera pode não agradar usuários que gostam de fotos no modo manual ou ajustes mais precisos. O preço do J7 Prime ainda está caro no Brasil se comparado com concorrentes que podem até mesmo ser melhores do que ele - como o Moto G5 Plus. Mas certamente é uma ótima opção para usuários intermediários que gostam de um smartphone bonito que consegue "dar conta" do recado em questão de gerenciar diversos aplicativos. Basicamente, o que fará o comprador decidir entre o J7 Prime e o J7 Metal é a preferência por ou autonomia e robustez, ou design e RAM. 

Conclusão

 

Avaliação: ANÁLISE: Samsung Galaxy J7 Prime

Design
9
Câmera
7,5
Desempenho
9
Autonomia
8
Recursos
8
Preço
7,5

PRÓS
Design bonito com acabamento arredondado e tela 2,5D
Pegada ergonômica
Bom desempenho em multitarefa
Flash frontal
CONTRAS
Sem ajuste de luminosidade automático para a tela
Leitor de digital não é tão preciso
Sem recursos para fotografias mais exigentes
  • Redator: Mariela Cancelier

    Mariela Cancelier

    Estudo Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), fui estagiária do Adrenaline/Mundo Conectado entre 2015 e 2017. Gosto de jogos de luta (o que marcou minha infância foi Tekken 4) e MOBAs. Atualmente sou colaboradora de ambos sites e apareço de vez em quando em alguns vídeos e reviews dos canais. Assista lá, o conteúdo é legal ;D