ANÁLISE: Intel Core i7-7700K

Boa performance, mas falta de inovação decepciona

A sétima geração Core da Intel, codinome Kaby Lake, já surge com uma pontadinha de "decepção". Incapaz de manter o ritmo de reduções na litografia, ela repete os 14 nanômetros utilizados nos processadores Broadwell e Skylake, trazendo apenas aprimoramentos na microarquitetura como seus diferenciais

Do line-up dos processadores dessa nova geração, o Core i7-7700K é topo da linha, com quatro núcleos e oito threads através da tecnologia Hyper-threading, ele é equipado com uma nova litografia "14nm+" que promete melhor eficiência e estabilidade. Será que esses processadores trarão diferenciais suficientes para justificar um upgrade? Ou temos mais uma geração com pouco a adicionar no bastante estagnado mercado das CPUs para desktop?

Comparativo


Intel Core i7-7700K

Intel Core i5-7600K

Intel Core i7-6700K

Intel Core i7-4790K

Preços

Preço no lançamentoU$ 339,00 U$ 217,00 U$ 339,00
Preço atualizadoR$ 1.260,00 R$ 1.030,00 R$ 1.350,00

Especificações

Canais de memóriadual-channel dual-channel dual-channel dual-channel
Conjunto de instruções64-bit 64-bit 64-bit 64-bit
Multiplicador desbloquadoSim Sim Sim Sim
Número de núcleos4 4 4 4
Processo de fabricação14nm 14nm 14nm 22nm
SocketLGA1151 LGA1151 LGA1151 LGA1150
Threads8 4 8 8
CodinomeKaby Lake Kaby Lake Skylake Haswell (Devils Canyon)
TDP91 91 91 88
Cache L38 6 8 8
Clock4200 3800 4000 4000
Clock (Turbo)4500 4200 4200 4400
Memórias suportadasDDR4 DDR4 DDR4 DDR3
PCI Express3.0 3.0 3.0 3.0
Canais PCI Express16 16 16 16

Vídeo Integrado

Monitores suportados3 3 3 3
GPUIntel HD 630 Intel HD 630 Intel HD 530 Intel HD 4600
Clock1150 1200 1250
DirectX12 12 11.2 11.1

Características Gerais

Acompanha cooler?Não Não Não Sim

Tecnologias Kaby Lake

A Intel não foi mais capaz de manter o seu tradicional ciclo "Tick-Tock", onde reduzia a litografia em uma geração (tick) e realizava aprimoramentos na seguinte (tock). Kabi Lake é a desaceleração desse ciclo, introduzindo o "Tick-Tock-Tock", onde uma mesma litografia é repetida por três gerações de produtos, e a Kaby Lake será a terceira da Intel a utilizar 14 nanômetros.

Apesar de se tratar da mesma litografia, os Kaby Lake trazem o processo de fabricação 14nm+, uma evolução de sua tecnologia que promete maior eficiência e estabilidade dos chips. Os processadores que utilizam esse processo de fabricação, segundo a Intel, devem ser capazes de manter clocks mais elevados. Mesmo mantendo os mesmos patamares de consumo, a promessa da empresa é que os processadores Kaby Lake serão capazes de entrar mais performance, resultando em uma maior eficiência.

Os Kaby Lake utilizam a fabricação em 14nm+, com 12 a 16% mais eficiência que os antecessores

Um dos principais enfoques da Intel nessa nova geração são os novos recursos de vídeos acelerados através do hardware. Os novos processadores Kaby Lake são preparados para lidar com novos formatos de vídeo em 4K como o HEVC 10b, utilizado pelo Netflix e que acabou tornado esses CPUs em obrigatórios para rodar em 4K nessa plataforma. Os chips também são otimizados para lidar com o VP9 utilizado no YouTube, reduzindo uso de processador de um chip de ultra baixa tensão (linha U para ultrafinos) de até 80% para abaixo de 20%. Como consequência, o consumo de energia e aquecimento são bastante reduzidos, aumentado a autonomia em dispositivos que dependem de bateria.

Além do uso dos 14nm+, a Intel busca ganhos de performance através de uma tecnologia mais eficiente de ajustes dos clocks das CPUs à demanda. O Intel Speed Shift passa o controle das frequências ao próprio processador, ao invés de deixar a cargo do Sistema Operacional. Essa tecnologia possibilita aos processadores Kaby Lake mudarem suas frequências de forma muito mais rápida em momentos que o computador necessita de mais performance, e o ajuste é muito mais preciso que os estágios pré-definidos no SO.

Em pouquíssimos milissegundos a CPU de 7ª geração (em amarelo no gráfico abaixo) consegue subir o clock e realizar a ação, enquanto o processador sem o recurso (em laranja) sobe mais gradativamente sua frequência e de forma mais lenta. Essa diferença representa uma resposta mais imediata do processador e uma sensação maior de responsividade do sistema, além de economizar energia ao finalizar mais rapidamente o processamento.

 


Fotos
Abaixo algumas fotos do Core i7-7700K junto com outros modelos, entre eles o 6700K e um FX-9590.


Sistema utilizado
Abaixo, detalhes sobre o sistema utilizado para os testes, antes algumas fotos do sistema:

Máquinas utilizadas nos testes:
Todas os sistemas utilizaram os mesmos hardwares para os testes:

- Placa de vídeo: NVIDIA GeForce GTX 1080 Founders Edition
- Memórias: 8 GB Kingston HyperX Predator DDR3/DDR4 2133MHz (2x4GB)
- SSD: Kingston HyperX 3K 240GB Sata 6Gb/s
- HD: Seagate Barracuda 2TB 7200RPM Sata 6Gb/s
- Cooler: Noctua NH-U12S em TODOS os sistemas
- Fonte de energia (PSU): XFX ProSeries 850W PSU

Em todos os testes utilizamos a configuração PADRÃO da BIOS, sem fazer modificações

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 64 Bits com Updates
- GeForce 376.33

Aplicativos/Games:
- CPU-Z Bench
- CineBench R15
- x264 Full HD Benchmark
- HWBot x265 1080p/4K Benchmark
- wPrime 2.10
- WinRAR 5.31

- 3DMark (DX11)
- Grand Theft Auto V (DX11)
- Hitman (DX11 e DX12)
- Metro Last Light (DX11)

CPU-Z
Abaixo a tela principal do CPU-Z mostrando algumas das principais características técnicas do CPU.

Overclock


A Intel tem apostado fortemente no clock de 5GHz que o Core i7-7700K chega sem maiores problemas, tanto é que as BIOS de fabricantes de placas-mãe parceiras já trazem perfis com esse clock para facilitar o overclock, mesmo utilizando coolers a ar, porém apesar do sistema ficar estável e não travar, o resultado em melhor desempenho não acontece, em nossos testes utilizando 3 placas-mãe Z270 diferentes, nenhuma delas estabilizou de forma a ter sentido utilizar esse clock, em alguns testes havia ganho, em outros o resultado era o mesmo alcançado sem o overclock, nitidamente acusando algum problema apesar de não dar nenhum erro.

Nosso sample é uma versão de engenharia e não a final

Nós conseguimos overclockar o nosso modelo até 4.9GHz de forma manual, foi o clock mais alto que conseguimos com o cooler que utilizamos, um Noctua NH-U12S, modelo de alto desempenho com resfriamento a ar. Vale destacar que nosso sample é de engenharia, ou seja, uma revisão final pode apresentar o resultado esperado pela Intel.


Consumo de energia


Fizemos os testes do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema.

É importante destacar que o consumo de energia depende bastante da placa-mãe

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso.

Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistemas rodando o 3DMark, temos os consumos abaixo:

Temperatura


Começamos pelos testes de temperatura, como o sistema em modo ocioso e rodando o wPrime, aplicativo que "estressa" todos os núcleos dos processadores.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso, com o Windows em espera sem estar executando nenhuma tarefa além das tradicionais do sistema.

Rodando o wPrime
Quando colocamos os sistema rodando o aplicativo wPrime, que faz todos os núcleos trabalhem em modo full, temos os consumos abaixo:

OBS.: Refizemos todos os testes de temperatura com o mesmo cooler em todos os sistemas, exatamente o modelo Noctua NH-U12S, compatível com todos os sockets.

Testes sintéticos


Abaixo temos uma série de testes de desempenho com o sistema, comparando o processador com outros modelos do mercado, sempre considerando testes com a mesma placa de vídeo, mesma capacidade e clock das memórias, 8GB(2x4GB) @ 2133MHz.

É importante deixar bem claro que alguns testes podem tirar maior proveito de processadores com clocks mais altos, independente da arquitetura e do número de núcleos/threads

CPU-Z Bench
Abaixo resultados dos modo "Single" e "Multi Thread" do aplicativo CPU-Z.

CineBENCH R15
Iniciamos os testes de desempenho em aplicações com o CineBench, que testa o processador convertendo uma imagem. Fizemos teste em Single e Multi Core também:

x264 Full HD Benchmark
Em um teste de conversão de vídeo Full HD, temos os seguintes resultados:

HWBOT x265 Benchmark 2.0
Outro teste de conversão de vídeo, agora além de conversão em FullHD (1920x1080), também um teste de conversão em 4K.

WinRAR
Outro bom teste para medir o comportamento do processador é o WinRAR, que consegue fazer bom uso de todos os cores.

wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, temos os resultados abaixo:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark, mas por enquanto com a placa de vídeo dedicada.

 

Devido a resultados inconsistentes, iremos refazer os testes e publicar os benchmarks com games posteriormente

Teste em games com foco na placa de vídeo


Nos testes em games o mais interessante é ver quanto o processador pode estar segurando o desempenho da placa de vídeo, por isso utilizamos um modelo TOP de placa, no caso uma GeForce GTX 1080. Abaixo alguns games rodando em mesma configuração utilizada para as análises de VGA, tanto em FullHD como em 4K:

Grand Theft Auto V
O game GTA V para PC está entre os mais exigentes da atualidade, trazendo ótima qualidade gráfica e bastante consumo do processador. Confiram abaixo o comportamento dos processadores rodando o game:

Hitman (Resultados dos FPS da VGA)
O novo Hitman foi lançado esse ano e é um bom teste para mostrar o comportamento do sistema em DirectX 12:

Tivemos que remover esses testes porque ainda não finalizamos os mesmos. MOTIVO? A proteção "denuvo" do game bloqueia o PC por 24hs a cada troca de CPU na conta

* Adicionaremos os benchmaks em breve.

The Division
Para finalizar os games, mais testes com o Tom Clancy´s The Division, novamente em Full HD e 4K.

A Intel fez o possível para trazer novidades para essa geração de processadores, mesmo não sendo capaz de reduzir a litografia e precisando repetir pela terceira vez os 14 nanômetros, assim como já usava nos Broadwells e Skylakes. A empresa foi capaz de entregar evoluções de desempenho através dos 14nm+, mantendo níveis de consumo e, como aconteceu em nossos testes, consumindo um pouco menos que antecessores em alguns momentos.

Os ganhos da nova geração são mínimos, comparados à geração passada

Apesar de existir melhorias, elas são mínimas nos testes focados em uso intenso de processador, e esses ganhos ficam ainda menos relevantes em games (estamos realizando novamente testes e devemos publicar em breve os charts). Os ganhos praticamente inexistentes tornam os Kaby Lakes um upgrade praticamente nulo para donos de processadores Skylake ou mesmo modelos mais antigo.

Os dois novos recursos da sétima geração Core tornam os processadores capazes de atingir mais rapidamente os clocks adequados a situação, seja e reduzindo clocks para economizar energia ou aumentando para realizar mais rapidamente os processos, e também há uma redução da sobrecarga do processador ao executar vídeos em 4K graças a aceleração via hardware. Ambas são muito bem-vindas em notebooks, que precisam lidar com consumo de energia e aquecimento, porém nos computadores de mesa essa evoluções não são tão impactantes na experiência do usuário.

As novas tecnologias Kaby Lake tem pouco a oferecer nos desktops

A principal vantagem para quem quer investir nessa nova plataforma, tanto comprando o CPU quanto uma placa-mãe com o novo chipset serie 200, é já estar pronto para a tecnologia Intel Optane. Essa nova forma de armazenamento de dados promete unir grande capacidade de armazenamento com velocidades de acesso dos dados capazes de rivalizar com as das memórias voláteis, como a DRAM. Apesar de ser interessante, essa é uma tecnologia em desenvolvimento, logo ainda não sabemos quando estarão disponíveis essas memórias.

Por possuirmos uma peça de engenharia, não sendo portanto um produto finalizado, o ideal é aguardar por um novo processador que deve ser enviado pela Intel para chegar a conclusões definitivas. Porém, baseado em nossas impressões iniciais, realmente as questões de aquecimento não são nada empolgantes: em stock o Core i7-7700K aqueceu mais que seu antecessor, e chegou a bater os 86ºC quando overclockado. Em contrapartida, conseguimos resultados interessantes quando "aceleramos" esse Core i7, chegando a superar os 20% de ganho em alguns de nossos testes com benchmarks sintéticos focados em CPU.

Não é a hora certa de comprar um processador

Mesmo sem trazer muito de novo, isso não tira o fato do Core i7-7700K ser um excelente processador, entre os mais poderosos disponíveis no mercado. A grande questão é: mesmo que você sinta que seu processador "deu o que tinha para dar" e está cogitando partir para um Kaby Lake para já ficar preparado para futuras tecnologias como o Intel Optane, não tem como recomendar a compra de um processador nesse momento. Com a nova geração baseada na microarquitetura Zen da AMD "surgindo no horizonte" e prometendo importante evoluções, a melhor estratégia agora é esperar pelo que o "lado vermelho da força" irá trazer de novidade, considerando que os processadores Ryzen são um novo projeto "do zero" e que devem trazer muitas surpresas (boas ou não, só esperando para saber). A menos que você não tenha escolha, agora é hora de esperar e ver como fica a disputa com os novos modelos da AMD, até porque a geração Kaby Lake tem pouco a oferecer de novo.

As tecnologias dos processadores Ryzen: clocks mais precisos, mais performance e capacidade de "predizer" o futuro

Conclusão

 

Avaliação: Intel Core i7-7700K

Performance
9.0
Tecnologias
10
Overclock
9.5
Preço
7

PRÓS
Bom desempenho
Menos consumo
Suporte a tecnologia mais recentes
Desbloqueado para overclock
Bom ganho com overclock
CONTRA
Sem cooler box
Pouca inovação
Aquecimento maior
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".

  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh