ANÁLISE: Battlefield 1

Franquia se renova com a Primeira Guerra e entrega um dos melhores games do ano

"Battlefield 1" é a nova edição da consagrada franquia de tiro em primeira pessoa da Electronic Arts. Desenvolvido pela DICE, o game aposta tudo na temática da Primeira Guerra Mundial para entregar uma experiência completa, combinando uma campanha dramática com um robusto multiplayer online. Mas será que a espera valeu à pena e todas as expectativas foram correspondidas?

É isso o que confere na análise abaixo de "Battlefield 1", baseada na versão para Playstation 4. O jogo também está disponível para PC e Xbox One.  

História


O lado emocional da Primeira Guerra Mundial

A história de "Battlefield 1" coloca o jogador na Primeira Guerra Mundial, conflito armado que aconteceu de 1914 a 1918 e que supostamente colocaria fim a todas as outras guerras. Dividida em capítulos independentes para jogar na sequência que quiser, a narrativa mostra contextos da guerra em diferentes lugares do mundo, apresentando personagens com motivações próprias e acontecimentos que, quando não chocam, seguram o interesse durante toda a aventura. Tudo é acompanhado de frases impactantes e falas dramáticas nas entrelinhas, que realçam os sentimentos humanos em meio a um evento bélico de tamanha proporção.  

"Battlefield 1" simplesmente tem uma das histórias mais envolventes de toda a franquia. Diferentemente dos jogos anteriores, em que tudo acontece de forma gratuita como mero pretexto para os tiroteios de destruição em massa, o game realmente se esforça em contar um enredo mais elaborado, dando tempo para o jogador absorver cada cena e conseguir criar empatia pelos eventos e pelos personagens. É comum, por exemplo, começar uma fase pouco atraído pelo que se vê na tela e, ao fim desta, estar emocionalmente envolvido com alguma situação mais polêmica, que pode ser algo moralmente insuportável ou até mesmo triste.

Só que nem tudo são flores: existem trechos que geram pouco envolvimento para a grandiosidade da premissa da temática. Alguns protagonistas, inclusive, não chegam a ser tão relevantes, tornando-se esquecíveis em pouco tempo. Dessa forma, o enredo do game ainda se divide em altos e baixos. Mas os momentos altos, além de mais numerosos, são tão marcantes e os baixos ainda são superiores aos outros títulos da franquia que a experiência, no geral, se torna bastante agradável e empolgante de acompanhar, como pouco aconteceu em qualquer outro jogo da saga.   

Jogabilidade


Tiroteios realistas numa das melhores campanhas da série

"Battlefield 1" retoma os clássicos tiroteios em primeira pessoa que fizeram a fama da série: com cenários mais abertos do que outras franquias concorrentes, o game permite que o jogador se movimente livremente pelos mapas, fazendo o tradicional reconhecimento de campo na busca pelas melhores estratégias de combate. Tudo isso funciona com controles excelentes, que têm comandos de rápido aprendizado, respostas instantâneas e é absolutamente livre de falhas que possam prejudicar a experiência.

Com cerca de 6 horas de duração, a campanha de "Battlefield 1" é uma das melhores e mais empolgantes em toda a franquia. Essa impressão é percebida a partir da forma como os tiroteios, somados ao controle do jogador por tudo o que acontece na tela, são desenvolvidos durante as missões. O jogo oferece tudo o que fãs sempre adoraram na saga: combates frenéticos, explosões por todos os lados, construções desmoronando, artilharias de todos os tipos, veículos de grande porte, diversidade de localidades e muita destruição que, propulsionada por um sistema de física realista, garante momentos altamente fiéis às nuances de uma guerra.

    

As missões exploram bem os contextos históricos da Primeira Guerra Mundial, colocando o jogador no meio de situações bastante caóticas e impactantes, sempre com referências às tecnologias e aspectos culturais da época. Numa das melhores partes, é preciso atacar um objetivo controlando aviões: a mecânica acontece livremente, podendo se movimentar para qualquer lugar do cenário. O sistema de mira e a quantidade de munição explosiva também deixam o jogador ser completamente feliz. Ao final dessa mesma fase, é possível explorar um dirigível enquanto derruba outros dois dirigíveis sobre os céus de uma conhecida metrópole europeia. .  

"Battlefield 1" não se resume apenas a tiroteios gratuitos para tentar impressionar o jogador. Existem também momentos de pura calmaria e de exploração de cenários, em que é a possível marcar inimigos no mapa e seguir progredindo sorrateiramente, eliminando-os aos poucos e passando despercebido pelos objetivos. Claramente inspirada nos jogos de infiltração, essa novidade é até bem executada, funciona como se espera e garante alguns momentos de diversão, sobretudo quando "se limpa" um longo trecho abarrotado de inimigos altamente armados. Entretanto, a profundidade e desafio desse sistema estão bem longe das referências do gênero infiltração.

Tudo o que o jogador consegue fazer é jogar iscas (balas de arma), distraindo os inimigos e desferindo ataques silenciosos. Não existe nenhuma variação ou inovação em relação a todos os outros jogos que já utilizam essa mecânica, algo que pode acabar perdendo a graça em pouco tempo. Além disso, a inteligência artificial também não é das melhores: embora os inimigos possam ver o jogador ao longe e ouvir passos mais bruscos com facilidade, são facilmente enganados com novas iscas, esquecendo totalmente o perigo inicial e abrindo margem para mortes tranquilas. Felizmente, esses momentos no jogo são poucos, e não conseguem manchar os vários trechos épicos da jogabilidade na campanha de "Battlefield 1", que é altamente recomendada antes de partir para o online. 

Multiplayer


Diversão ilimitada por uma vida inteira

Por mais que a campanha seja competente, é no multiplayer online que a franquia mostra seu verdadeiro valor. Com "Battlefield 1" não é diferente: com uma ótima diversidade de modos para jogar, mapas para batalhar, objetivos para cumprir, veículos para comandar, equipamentos para desbloquear e combates divertidíssimos, existe uma quantidade bastante sólida de conteúdo para o jogador se ocupar por muitos meses sem sequer chegar perto de se cansar da experiência. Definitivamente, a fonte de diversão máxima do game está nos tiroteios pela internet. 

Além dos tradicionais modos Conquista, Cada Equipe Por Si e Dominação, em que tudo gira em torno da captura de territórios e eliminação em massa dos times inimigos, o modo Investida exige que os jogadores destruam telégrafos instalando explosivos em bases específicas. É uma adaptação contextual do conhecido modo Rush que, ainda que não seja muito diferente ou tenha novidades relevantes, garante bons momentos de adrenalina. Além disso, o inédito modo Pombo de Guerra põe duas equipes adversárias numa busca frenética por pombos-correio: a que acumular mais tempo de posse e conseguir enviar três mensagens, vence a partida.

Mas nada disso se compara à grandiosidade do também inédito modo Operações. Maior aposta da DICE no multiplayer online de "Battlefield 1", essa modalidade reproduz alguns dos combates que aconteceram em regiões específicas do mundo, numa experiência narrativa que põe os jogadores em equipes de atacantes ou defensores. É preciso passar por uma série de objetivos e pontos pelos mapas para dominar ou proteger toda uma região de conflitos armados. As partidas não apenas são maiores, como também trazem situações exclusivas que farão os fãs estamparem um largo sorriso no rosto. Numa delas, por exemplo, um dirigível aparece e apresenta uma das cenas mais memoráveis que já foram desenvolvidas em qualquer jogo de tiro online.

Algo a se reclamar do multiplayer de "Battlefield 1" é da instabilidade dos servidores online do game. Semelhante ao que aconteceu no últimos lançamentos da série, existem problemas de conexão nas partidas em que é comum ser descontado, gerando perda de experiência, de itens desbloqueados e freando a progressão natural dos combates. Em algumas ocasiões mais extremas, em combates que duram cerca de 1 hora, chega a ser frustrante gastar tanto jogando para nada. Felizmente, a situação não é tão grave quanto os problemas iniciais de "Battlefield 3" ou "Battlefield 4", mas definitivamente incomoda e com certeza vai irritar os jogadores mais impacientes.   

Gráficos


O ápice da engine Frostbite 3

Graficamente, "Battlefield 1" é facilmente um dos games mais bonitos já produzidos. Todo esse mérito vem da engine Frostbite 3, que entrega uma experiência visualmente impactante e muito bem executada em todas as frentes. Os efeitos de luz, as texturas, as expressões faciais, a modelagem dos cenários e dos personagens, os efeitos de explosão, os volumes de fumaça, de poeira e de partículas suspensas pela destrutibilidade dos ambientes são absurdamente realistas, exuberantes e muito verossímeis. Qualquer jogador mais entusiasta por gráficos certamente vai se sentir plenamente satisfeito com o que vê na tela. O título ainda roda com excelente consistência de quadros, com raros engasgos perceptíveis que em nada comprometem a diversão.  

Áudio


Plasticidade sonora impecável

"Battlefield 1" também é extremamente competente no áudio. O grande destaque são os efeitos sonoros em meio aos combates. A limpidez cristalina e a precisão realista dos ruídos de cada tipo de arma, equipamento e veículo, somado ao calor dos épicos tiroteios em massa, são extremamente convincentes e criam o clima perfeito para o jogador acreditar que realmente está no meio de uma grande guerra. A trilha sonora também tem seus momentos, combinando bastante com a maior parte da aventura, sendo intrigante nos momentos mais calmos e épica nos trechos mais decisivos. Fora isso, as dublagens em português brasileiro também estão decentes no geral, ainda que as interpretações de algumas cenas sejam um tanto forçadas e artificiais.  

"Battlefield 1" é a prova de que a DICE (EA) acertou em cheio ao abandonar as cansadas guerras modernas e partir para renovação da franquia com a Primeira Guerra Mundial. Além de uma campanha que sabe explorar os contextos da temática e de uma apresentação impecável nos quesitos mais técnicos, o título apresenta um multiplayer online que é uma verdadeira fonte inesgotável de diversão. Mais do que obrigatório para os fãs do gênero ou da saga, "Battlefield 1" é facilmente um dos melhores jogos do ano.

Conclusão

 

Avaliação: Battlefield 1

História
8.0
Jogabilidade
10
Gráficos
10
Áudio
9.5
Multiplayer
10

PRÓS
Tiroteios frenéticos prazerosos
Temática da Primeira Guerra Mundial muito bem aproveitada
Gráficos incríveis estão entre os melhores da geração
Trilha e efeitos sonoros primorosos
Campanha empolga com momentos épicos e personagens carismáticos
Física de destruição deixa qualquer jogador completamente feliz 
Multiplayer online diverte absurdos por muito tempo e sem cansar (adeus, vida social!)
Sem a incomodação do Battlelog
CONTRA
Trechos de infiltração são um tanto deslocados da proposta
Servidores com muita instabilidade no multiplayer online
Campanha curta poderia ter mais histórias e ser melhor amarrada
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.