ANÁLISE: Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration

Recheada de conteúdo, edição definitiva é só para quem não jogou antes

"Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration" é a edição definitiva da última aventura de Lara Croft, lançada em novembro de 2015 exclusivamente para Xbox One. Estreante no Playstation 4, o jogo chega numa versão recheada de conteúdos, incluindo expansões, modos inéditos e até compatibilidade com o Playstation VR (realidade virtual). Mas será que tudo isso é suficiente para valer a compra do game?

É isso o que você vai descobrir abaixo na análise de "Rise of the Tomb Raider", baseada na versão para PS4. Esta edição também está disponível para PC e Xbox One (os conteúdos extras, inclusive, podem ser adquiridos separadamente para quem já tem o jogo padrão). 

Novos Conteúdos


Nova aventura de Lara Croft está completa

O principal diferencial para jogar "Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration" são os conteúdos extras em relação ao game original. E nisso, a compilação faz o serviço completo. Primeiramente, as duas expansões "Baba Yaga: O Templo da Bruxa" e "A Escuridão Fria" adicionam boas horas de diversão, mostrando novas localidades, novas revelações para a história, novos tipos de inimigos e objetivos que pouco lembram a campanha, ainda que utilizem toda a estrutura central da mecânica de jogabilidade.  

Uma das atrações inéditas mais bacanas é a expansão da campanha "Laços de Sangue", que leva o jogador diretamente para a luxosa Mansão Croft. É preciso seguir pistas, coletar itens e resolver quebras-cabeças para desvendar trechos desconhecidos do passado de Lara Croft. A aventura, que dura cerca de 3 horas, explora bem todas as áreas do imponente lugar, faz revelações importantes sobre a infância da protagonista e ainda traz referências aos primeiros jogos da franquia, algo que os fãs certamente vão gostar muito.

Esse extra também vem acompanhado com um desdobramento chamado "Pesadelo de Lara", em que o objetivo é defender a Mansão Croft de hordas de zumbis. Nessa parte, é preciso ir atrás de armas e recursos para impedir a invasão dos mortos-vivos. No geral, a execução não tem novidades relevantes, principalmente por explorar uma temática bastante oportunista nos games. Pelo menos, consegue divertir por algum tempo, mata a curiosidade pelo distanciamento da aventura principal e adiciona algum aspecto de novidade à saga.  

Laços de Sangue tem compatibilidade com o Playstation VR. Mas não foi possível testá-lo dessa forma porque não temos o acessório na redação.

Já o modo Resistência recebeu uma opção cooperativa online: até dois jogadores podem juntar forçar, sair em busca de recursos, armamentos e criar armadilhas para sobreviver pelo maior tempo possível. As ondas de soldados e de animais selvagens chegam aos montes: coordenação, sintonia, construir mantimentos e itens de cura são essenciais para progredir. Além trazer sólidos elementos da campanha, como experiência e desbloqueio de habilidades, garante boas doses de diversão para quem curte co-op com algo a mais para oferecer. 

"Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration" ainda traz a dificuldade Sobrevivente Extremo para a campanha, algo para quem quer um desafio a mais na aventura. Se o jogador já se sentir totalmente satisfeito com a experiência após terminá-la uma vez, dificilmente vai conseguir aproveitar essa novidade. Por fim, o pacote também vem com 12 roupas para Lara Croft, 5 skins clássicas dos primeiros títulos da franquia e um baralho completo com cartas para incrementar a jogabilidade, atrações que ajudam a amenizar o estrago feito pelo alto preço cobrado no jogo (R$250).     

História e Jogabilidade


Sem mudanças: história envolvente e mecânica aprimorada

A história de "Rise of the Tomb Raider" permanece intacta no pacote "20 Year Celebration". Lara Croft parte em busca da Fonte Divina, um artefato que, segundo lendas antigas e as pesquisas do seu pai falecido, garante imortalidade ao possuidor. Só que um grupo de mercenários altamente armados, chamado Trindade, também está atrás do poderoso objeto, representando um grande perigo para a arqueóloga, seus amigos ajudantes e o destino da humanidade. 

O enredo se desenvolve aos poucos, revelando mistérios importantes e uma protagonista que, ainda sensível, se mostra cada vez mais madura e determinada a seguir os passos do pai. Além de personagens secundários carismáticos, alguns deles pouco interessantes, é preciso ressaltar, existem trechos na história bastante previsíveis e até clichês, mas que não são suficientes para estragar o interesse e o envolvimento pela aventura.   

A jogabilidade também não traz modificações ou melhorias em relação ao jogo do ano passado. Lara tem muita destreza em todos os seus movimentos, podendo caminhar, correr, se pendurar em plataformas, escalar paredes, manejar artefatos ou cavar recursos. Tudo acontece em terceira pessoa, com controles muito bem otimizados, responsivos e livre de falhas. Os tiroteios também seguem esse padrão e a arqueóloga tem uma quantidade razoável de equipamentos militares para dar conta dos combates.

Um dos grandes destaques em "Rise of the Tomb Raider" são as tumbas, cenários gigantescos dentro do progresso natural do jogo que que funcionam como verdadeiros quebra-cabeças. Fontes de muita diversão, essa áreas exigem certo grau de raciocínio para resolver alguns dos principais enigmas. É preciso analisar os arredores, calcular o alcance dos pulos de Lara, interpretar as consequências de ligar uma engenhoca na outra e que tipo de resultado haverá na estrutura inteira do local. As recompensas costumam ser enormes nestes lugares, incentivando sempre o jogador a completar cada uma delas. 

Além disso, existe toda uma mecânica de sobrevivência bastante aprimorada em relação ao reboot de 2013. Lara precisa coletar mantimentos, de pedras a galhos de madeira, além de extrair peles de animais, como ursos, galinhas e lobos selvagens, para acumular os recursos mínimos necessários para criar armas, equipamentos, itens de cura e explosivos. No mais, tudo está atrelado a um robusto sistema de experiência que, além de ser extremamente coerente com a progressão da aventura, garante novas habilidades para as funções mais básicas de Lara e também para os armamentos.    

Gráficos e Áudio


Sem mudanças: paisagens deslumbrantes e ótimas dublagens

Graficamente, "Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration" não sofreu alterações ou incrementos em relação ao ano passado. Isso não quer dizer que o resultado seja defasado, muito pelo contrário: a versão para PS4, praticamente idêntica à do XOne, continua visualmente bastante atual, constantemente surpreendendo com paisagens exuberantes, cenários imponentes e uma diversidade de lugares para explorar que nunca deixam a aventura ficar visualmente cansada. Além disso, as texturas estão bem apuradas, os efeitos de iluminação são convincentes e tudo roda com fluência constante de quadros (30 fps), sem engasgos perceptíveis.

O áudio segue esse mesmo padrão de qualidade, mesmoque não tenha novidades ou melhorias. A trilha sonora, por exemplo, aparece nos momentos certos para que cada cena seja única, envolvente e tenha o apelo preciso das emoções recriadas na tela. Cenas épicas mostram melodias agitadas e dramáticas, assim como os trechos decisivos de história costumam ter músicas mais intimistas e intrigantes. Já a dublagem mantém o alto nível do jogo original: vozes que combinam com personagens e interpretações excelentes, ainda que alguns trechos pareçam um pouco forçados. 

"Rise of the Tomb Raider", que já era um jogo excelente, se tornou obrigatório no pacote "20 Year Celebration". Ainda que o jogo principal não tenha novidades na mecânica e nos quesitos mais técnicos, a aventura recebeu diversos conteúdos extras que estendem a diversão por dezenas de horas sem parecer enrolação gratuita. É uma experiência simplesmente imperdível para quem tem um Playstation 4 ou para quem nunca havia jogado o game padrão antes nas outras plataformas.

Conclusão

 

Avaliação: Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration

Conteúdos extras
9.0
História
8.0
Jogabilidade
9.0
Gráficos
9.0
Áudio
9.0

PRÓS
Experiência definitiva: jogo + todos os extras inclusos
Resolver puzzles nas Tumbas
Equilíbrio entre exploração e tiroteios em terceira pessoa
Mecânica de sobrevivência aprimorada
Cenários deslumbrantes
História envolvente
Muitos colecionáveis
Lara Croft <3
CONTRA
Sem puzzles fora das Tumbas
Alguns personagens são descartáveis
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.