ANÁLISE: Avell Fullrange G1746 Iron

Enfim notebooks se aproximaram do desempenho de um desktop

A redução da litografia nas novas microarquiteturas Polaris e Pascal tem mostrado efeito impressionantes nos desktops, pois reduzem consumo e aquecimento, resultando em mais performance por watt consumido. Quer saber onde essas duas características são ainda mais bem-vindas? Sem dúvidas, nos notebooks. Os laptops precisam lidar com restrições sérias de alimentação de energia, por operarem com fontes compactas ou, pior, em baterias, e também aquecimento devido ao pouco espaço disponível para sistemas de dissipação de calor. 

O primeiro modelo baseado nessa nova geração de placas de vídeo é o Avell Fullrange G1746 Iron, um notebook equipado com uma Nvidia GeForce GTX 1070. A primeira característica que chama a atenção é a nomenclatura: a Nvidia tirou o M, letra que indicava que se trata de um chip gráfico para notebooks, como na antecessora GTX 970M. Será que essa confiança é um sinal de que aquela histórica diferença entre a performance de um notebook e de um desktop em games está sumindo? Vejamos no restante da análise!

Comparativo

Alienware 15Avell Fullrange G1746 IronAcer Predator 15

Preços

Preço no lançamentoR$ 7.957,00 R$ 8.999,00 R$ 17.000,00
Preço atualizadoR$ 7.957,00 R$ 8.999,00 R$ 17.000,00

Notebook-hardware

Armazenamento HD1TB 1TB 1TB
Memória RAM16GB 32GB 16GB
ProcessadorIntel Core i7-6700HQ Intel Core i7-6820HK Intel Core i7 - 6700HQ
GPUNvidia GeForce GTX 970M 4GB GDDR5 Nvidia GeForce GTX 1070 8GB GDDR5 NVIDIA GeForce GTX 980M com 8 GB DDR5
Placa-mãeAlienware 15 R2 P65 PCH Chipset HM170

Tela

Resolução1080 x 1920 1080 x 1920 1080 x 1920
Tamanho display15.6 polegadas 17.3 polegadas 15.6 polegadas
TecnologiaIPS IPS IPS
Tela sensível a toquesNão Não Não

Conexões

DisplayPort2 1
Drive ópticoNão possui Não possui Blu-ray
eSATANão Não Não
Ethernet10/100/1000 (Gigabit) 10/100/1000 (Gigabit) 10/100/1000 (Gigabit)
HDMISim Sim Sim
Leitor de cartão2-em-1 (SD/ MMC) 2-em-1 (SD/ MMC)
Leitor de DigitalNão Sim Não
S/PDIFNão Não
USB 3.03 3 4
WiFi802.1 a/c/n 802.1 a/c/n 802.1 a/c/n
Bluetooth4.1 4.0 4.1
Conector de ÁudioFone de ouvido / Line-in / Microfone Fone de ouvido / Line-in / Microfone

Especificações

Ethernet10/100/1000 (Gigabit) 10/100/1000 (Gigabit) 10/100/1000 (Gigabit)
Garantia1 ano 1 ano 2 anos
Sistema OperacionalWindows 10 Windows 10
Dimensões35,88 x 27,02 x 2,39~3,4 40,64 x 27,94 x 2,54 39,1 x 29,95 x 3,85
BateriaÍon de lítio de 8 células (92 Whr) 4 células Polymer (60WH) Li-ion de 8 células (6000 mAh)
Peso3,207 3.20 3,6
TecladoPadrão americano retroiluminado com controles de iluminação AlienFX Retroiluminado configurável Retroiluminação - Português padrão ABNT - Teclado numérico integrado
WebCam1080P 2MP 2.0 FullHD Webcam HD

Design


Design robusto e discreto, mas um tanto pesado

O Avell Fullrange G1746 Iron tem uma carcaça em metal escovado preta, com um visual ao mesmo tempo robusto e discreto. Ele possui uma boa quantidade de saídas de ar na lateral e na parte traseira. O que tira seu ar bastante discreto é o teclado: com retroiluminação colorida, dependendo da configuração usada ele pode manter a discrição ou se tornar bastante chamativo.

Notebooks com tela de 17 polegadas não são os mais atraentes quando o assunto é portabilidade, e o hardware de alto desempenho presente nesse modelo não contribuiu. Ele é pesado (mais de 3kg) e um tanto grosso (2,54cm), medidas necessárias para comportar chips potentes e o robusto sistema de resfriamento composto por três fans.

A tela é um dos destaques. Com boas cores e contrastes, baixa distorção da imagem independente do ângulo de observação e luminescência suficiente para uso confortável, seu grande destaque é a peformance em games. Outra característica interessante é o uso do acabamento fosco, que ajuda a minimizar o excesso de reflexos na tela em ambientes muito claros. A tela opera em 75Hz, o que traz maior capacidade de exibir quadros (até 75FPS são exibidos) comparado a maioria dos displays limitados aos 60Hz. Mas seu grande destaque é o suporte a tecnologia G-Sync

O G-Sync é um recurso da Nvidia que sincroniza o display com a placa de vídeo, fazendo com que a tela varie a sua atualização no mesmo ritmo que a GPU gera novos quadros. Esse recurso faz melhor uso da performance da placa e evita problemas como o tearing, causado pelo "desencontro" entre a atualização do display e a geração de novos quadros pelo chip gráfico. A tecnologia é semelhante ao Freesync, e no vídeo abaixo explicamos como é seu funcionamento:

 

Performance


Desempenho impressionante para um notebook

Diferentes situações trazem maiores cargas em diferentes componentes do PC. Nosso primeiro teste avalia o uso cotidiano do notebook, com ações leves como abrir aplicativos, navegar na internet, rodar vídeos, games mais leves e editar textos. Aqui as peças que trazem o maior diferencial são o processador, a quantidade e agilidade da RAM e o dispositivo de armazenamento dos dados, seja SSD ou HD. Equipado com um Core i7 Skylake e um SSD, o Avell Iron bateu nosso recorde e tem hoje a pontuação mais alta nesse testes de uso geral.

Partindo para os games, o astro passa a ser o chip gráfico. Em notebooks, a expectativa é quanto de performance será perdida por conta das restrições de resfriamento e alimentação da GPU. No caso da GeForce GTX 1070, temos algumas carcterísticas bem interessantes: o modelo de notebook possui mais núcleos CUDA que a versão de desktop (2048 vs 1920) e apesar de operar em uma frequência base um pouco mais baixa (notebook em 1446MHz e modelo referência de mesa em 1506MHz), seus clocks de 1446MHz e 1645MHz em modo boost são notavelmente acima dos 1100MHz de base presentes na geração 900.

 

Performance em games

Hitman
A franquia clássica ganhou mais um episódio em 2016, com desenvolvimento por conta da I/O Interactive e distribuição da Square Enix. Entre os destaques do game está o uso da API DirectX 12 já em seu lançamento, sendo um dos primeiros jogos a já contar com essa tecnologia. Com fases complexas, com até 300 personagens em cada cenário, o game é um interessante desafio para o hardware.

Rise of Tomb Raider
O mais recente game da franquia de Lara Croft, "Rise of Tomb Raider" trouxe um grande salto na qualidade sobre a versão anterior, prometendo exigir muito das placas de vídeo, mesmo os modelos de alta performance.

Tom Clancy's: The Division
O game da Ubisoft é uma proposta bastante ambiciosa de criar uma Nova Iorque "viva" em partidas com multiplayer totalmente online. The Division usa um motor gráfico próprio desenvolvido pela Ubisoft Massive, e precisa lidar com cenários complexos e grandes quantidades de partículas na tela, com destaque para a neve que ocasionalmente cai em alguns momentos.

Grand Theft Auto V
O game "GTA V" para PC está entre os maiores sucessos dos últimos anos, trazendo entre seus destaques ótima qualidade gráfica. Confiram abaixo o comportamento das placas rodando o game:

A performance em games traz o salto mais impressionante que já vimos de uma geração para a próxima. O Alienware 15 utilizado em nossos testes vem equipado com a GeForce GTX 970M, a antecessora do modelo presente nesse Avell, e o salto de desempenho foi muito próximo de... 100%! Vemos quase o dobro de desempenho, o que dá a essa GPU a capacidade de encarar QUALQUER GAME em resolução FullHD em qualidade ultra acima dos 60FPS.

A GTX 1070 entrega o dobro de desempenho que a GTX 970M

Mesmo situando entre placas de computadores de mesa, a performance é excepcional. Em gerações passadas, era comum a "queda de dois degraus": uma GTX 970M traria um desempenho um pouco acima de uma GTX 950. Aqui a GTX 1070 de notebooks tem considerável vantagem sobre uma GTX 1060 de desktop, e não fica tão atrás de uma GTX 1070 de um computador convencional. Em geral, o chip de notebook GTX 1070 se situou bem no meio do desempenho da GTX 1060 e 1070 de computadores de mesa.

O Fullrange Iron é capaz de rodar praticamente qualquer game na qualidade Ultra mantendo uma média próxima dos 75FPS indicados para seu monitor

Considerando que o display desse modelo opera em 75Hz, a GTX 1070 tem desempenho suficiente para manter a qualidade ultra com uma média acima dos 75FPS, ou seja, fazendo um uso excelente da alta taxa de atualização da tela. Esse modelo teria até capacidade de encarar alguns games em resolução QuadHD, mas pode ser mais interessante para alguns aproveitar sua taxa de atualização mais alta e ter um game ainda mais fluido que os tradicionais 60FPS.

Autonomia e aquecimento

Com clocks mais altos, foi perceptível uma operação mais intensa das ventoinhas do Avell durante os testes com games. O chip Nvidia GeForce GTX 1070 aqueceu mais que os modelo anteriores, um possível efeito de seu funcionamento em frequências mais elevadas.

Apesar desse contra, as ventoinhas não operaram em níveis excessivamente desconfortáveis, sendo que em uso cotidiano elas praticamente não produzem ruído. O aquecimento da GPU também não atinge patamares alarmantes, mas ainda assim ficou ligeiramente acima de outros modelos da Avell com chips de gerações anteriores de alto desempenho.

Quando o assunto é duração de bateria, o chip gráfico e processador de alta performance, além da ampla tela de 17 polegadas, cobram caro da bateria. Mesmo para os padrões de um notebook gamer, que já é uma classe de dispositivos que não são excepcionais quando o assunto é autonomia, o Avell Fullrange G1746 Iron tem um resultado ruim, ficando atrás de outros modelos de notebooks com hardware de alta performance e só conseguindo ficar pouco mais de 2 horas em atividade rodando aplicativos leves com baixo brilho de tela e no modo economia de energia.

Recursos adicionais e acessórios

O Fullrange G1746 Iron conta com diversos adicionais interessantes. A presença da tecnologia G-Sync e o uso de um display de 75Hz já foram mencionados em design, e outra parte interessante da experiência  é o áudio com tecnologia Sound Blaster X-FI MB5, uma plataforma que traz ajustes avançados e melhoram a experiência com games e outras multimídias, sendo uma boa pedida para os gamers quando não estão usando o headset.

Para quem gosta de biometria, o sensor de digitais no touchpad é uma boa pedida para quem deseja dispensar senhas, e prefere essa forma mais prática de segurança em seus dispositivos. O teclado é retroiluminado e seu padrão de cores pode ser definido pelo usuário, dividido em três áreas. O software não é dos mais convidativos, um erro comum nesses programas de customização de hardware gamers, mas cumpre seu papel.

O sistema triplo de fans também é importante, já que temos aqui um sistema com componentes de alto desempenho. A GeForce GTX 1070 é um chip exigente, e é preciso muita eficiência para garantir margens térmicas suficientes para subir os clocks e alcançar um alto desempenho.

Outra característica bem interessante desse modelo é a possibilidade de upgrades no armazenamento. Além de dois espaços para os tradicionais HDs/SSDs de 2,5 polegadas, há também um slot M.2, para inclusão de SSDs nesse padrão mais compacto e moderno de armazenamento dos dados. Outro elemento raro é a presença de duas conexões miniDisplayPort, pensadas para facilitar a ligação desse notebook com múltiplos monitores.

Ainda não foi hoje que vimos um notebook igualar o desempenho de um PC de mesa, mas a diferença foi reduzida. A proximidade de performance entre uma GTX 1070 de laptop e de desktop é suficiente para "aceitar" a decisão da Nvidia de parar de diferenciar as duas linhas demarcando com um "M" o final do produto. A GTX 1070 nesse notebook não ficou tão atrás da 1070 dos computadores de mesa, e foi capaz de rodar qualquer game em FullHD e qualidade Ultra acima dos 60FPS. A performance é suficiente inclusive para bater os 75FPS, mais indicados para fazer um melhor uso do monitor instalado nesse modelo.

A GTX 1070 de notebooks ainda não alcançou a GTX 1070 de desktop, mas a distância não é muita

Falando em monitor, a Avell acertou a mão em alguns de seus adicionais. Incluir a tecnologia G-Sync e um monitor com uma taxa mais alta de atualização são uma ótima pedida para tornar a experiência do gamer melhor e mais fluida com seus jogos. O teclado retroiluminado customizável também é bem-vindo, ao agradar múltiplos perfis de jogadores.

Mas o salto impressionante em desempenho não foi sem custos. A GTX 1070 aqueceu um pouoc mais que antecessores, possivelmente resultado de seus clocks mais altos, batendo a casa dos 81 graus celsius em nosso benchmark, mesmo com o sistema triplo de fans em ação. As ventoinhas também deram sinais de maior estresse, produzindo um pouco mais de ruído do que percebemos em modelos anteriores da Avell. Essa desvantagem faz parte desse delicado balanço entre obter mais desempenho e operar dentro de níveis aceitáveis de aquecimento e produção de ruído. Mexer nos clocks pode ser uma boa pedida para gamers que querem controlar melhor a temperatura e ruído, e esse notebook tem margem para baixar os clocks ainda com desempenho alto em jogos.

Fullrange G1746 Iron é uma excelente opção para quem deseja investir em um notebook com performance para rivalizar com computadores de mesa tradicionais

Por fim, o investimento de 8 mil reais não é baixo, mas está dentro da média que vemos nesse tipo de produto. Considerando os bons adicionais incluídos pela Avell, esse é um modelo muito interessante e que deve ser cogitado por quem está pensando investir alto em um notebook poderoso para games, com direito a não ficar devendo nada comparado a um desktop de alto desempenho. Agora vamos precisar aguardar pelas concorrentes como Alienware e Acer Predator, que também devem atualizar em breve seus notebooks com os novos chips, para ver como fica a disputa nesse segmento de alto desempenho.

Conclusão

 

Avaliação: Avell Fullrange G1746 Iron

Design
9.5
Tela
9.5
Performance
10
Autonomia
7
Preço
8

 

PRÓS
Altíssimo desempenho em games
Monitor G-Sync de 75Hz
Acabamento bonito e discreto
Teclado retroiluminado customizável
Bom sistema de áudio
CONTRAS
GPU aquece mais que antecessores
Preço elevado desse perfil de notebook
Pouca autonomia
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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