ANÁLISE: Song of the Deep

Um ótimo resgate subaquático da clássica fórmula "Metroidvania"

"Song of the Deep" é o primeiro game da Insomniac Games em parceria com o GameTrust Games, estúdio filiado à rede varejista norte-americana GameStop. Mas diferentemente de títulos como "Ratchet & Clank" e "Sunset Overdrive", o novo game aposta numa produção de menor orçamento e sem grandes pretensões comerciais. Será que a experiência é comprometida com essa medida?

É isso o que você vai descobrir na análise abaixo de "Song of the Deep", baseado na versão para Xbox One. O título também está disponível para PC e Playstation 4.  

História


Aventura subaquática em busca de um pai

A história de "Song of the Deep" mostra a jornada de Merryn na busca pelo seu pai, que está desaparecido no fundo do mar. Desesperada, a garota constrói seu próprio submarino e embarca numa aventura suave, envolvente e com doses controladas de emoção, características que constantemente retêm a atenção do jogador e o incentiva a continuar jogando pela curiosidade do seu desdobramento.  

O enredo não tem muita profundidade e nem precisa de uma avalanche de detalhes para explorar uma história de resgate familiar. O que é oferecido é o suficiente para instigar. O destaque fica para a maneira como os acontecimentos são contados: uma narradora sempre acompanha o progresso da protagonista, trazendo um ar que combina sensações de calmaria com épico, ao mesmo tempo em aguça a vontade de simplesmente querer dar um final feliz à dupla.       

Jogabilidade


Mecânica "Metroidvania" 2D feita do jeito certo, mas com baixo desafio

A jogabilidade de "Song of the Deep" concentra toda a sua mecânica na clássica fórmula "Metroidvania", que combina elementos de plataforma 2D e um mapa gigantesco para explorar, com muitos segredos escondidos pelo meio do caminho. Quem gosta de jogos do tipo "Super Metroid" e "Castlevania: Symphony of Night", títulos que deram origem à esquisita nomenclatura, tem tudo para se divertir com o novo game.

A diferença é que "Song of the Deep" pega todos os conceitos dessa fórmula e joga tudo no fundo do mar. Não pelo escopo ruim da coisa, mas pelo lado bom: o jogador não tem mais um plano de apoio para andar e pular, mas ganhou todo um universo subaquático para nadar e mergulhar, enfrentar inimigos, resolver alguns quebra-cabeças e coletar itens essenciais para progredir. E, no geral, a ação é bem-executada e costuma segurar o ritmo da aventura no alto.

Toda a movimentação do game acontece com o submarino de Merryn. Os controles são bem acessíveis, intuitivos e de rápida assimilação. É possível se deslocar livremente em todas as direções, sempre respeitando o plano 2D da mecânica. Comandos secundários com o transporte incluem pegar impulso para uma velocidade maior, usar um gancho para atacar, se prender em extremidades ou agarrar objetos, além de poder disparar torpedos explosivos.

Só que nenhuma dessas habilidades é disponibilizada logo de cara. É preciso explorar muito, descobrir passagens secretas, ativar mecanismos e vencer os principais chefes do jogo para visitar novos caminhos e recolher itens que dão acesso a essas habilidades. E aqui "Song of the Deep" brilha: o level-design é sensacional, com um mapa diversificado e bastante convidativo à exploração, além de ótimas intermediações interligadas por vértices bem posicionados.

Com isso, a aventura não fica cansativa; já que, a cada novo item ou habilidade encontrada, é preciso revisitar áreas já percorridas para descobrir coisas novas. As idas e vindas são constantes, mas pouco cansativas, pois é quase sempre muito agradável encontrar novidades, antes deixadas para trás, agora conquistadas através dos novos recursos da jogabilidade. A sensação de progresso equilibrado e cadenciado, nessas horas, é muito confortante. 

Fora isso, as habilidades ainda podem ser melhoradas. E isso vem com moedas recebidas dos inimigos derrotados ou por itens valiosos encontrados em locais bem escondidos nos vastos cenários. Cada melhoria exige uma certa quantidade de moedas para trocar pela sua melhor versão. Explorar bastante e não fugir dos combates é primordial para ficar mais poderoso e poder lutar de igual para igual com todas as criaturas do jogo, pois elas também evoluem com o tempo, ganhando novos tipos de ataque e mais energia de vida.             

Mas embora "Song of the Deep" seja um ótimo "Metroidvania", o game também se afoga em alguns pontos. A dificuldade, por exemplo, é baixa na maior parte da aventura. Os trechos mais desafiantes são as batalhas conta os chefes, que existem boas doses de estratégia e cuidado para vencê-los. Tirando isso, qualquer outra parte é bastante fácil de prosseguir, inclusive quando o desafio do momento é alguma estrutura mecânica para atravessar alguma área, e não um inimigo padrão que, com alguns ataques simples já morre e ainda derruba alguma energia extra que recupera a vida do jogador.

Além disso, a quantidade de saves espalhados pelos cenários é bastante generosa. Então mesmo que o jogador perca toda a sua energia ou acabe destruindo o submarino de Merryn, nunca realmente existe aquela clássica sensação de superação por passar uma sequência mais complicada de barreiras mecânicas ou alguns inimigos mais complicados. Todos os saves são, inclusive, bem próximos aos pontos mais críticos, bastando apenas repetir os últimos passos, decorar qual a dificuldade e conseguir realizar a sequência sem falhas.  

Gáficos


Beleza estilizada debaixo d'água 

"Song of the Deep" também faz bonito nos gráficos. O que garante a beleza do game é a sua direção de arte estilizada, apresentando cores vibrantes em desenhos criados e pintados à mão, destacando todo um aspecto visual compatível com a proposta subaquática da temática. 

Os cenários, além de bem variados, são ricos em detalhes extremamente bem contextualizados com o progresso da aventura. Fora isso, o título também tem uma ótima diversidade de animais, plantações, estruturas, cavernas e monstros que adicionam ainda mais identidade ao visual à experiência.  

Áudio


Uma mistura de sensações no fundo do mar 

No áudio, "Song of the Deep" capricha na trilha sonora: as ótimas composições fazem o jogador sentir uma variedade de emoções em breves intervalos de tempo. É comum, por exemplo, estar explorando e ser tomado pelo suspense de uma melodia misteriosa e intimidante e, na próxima área, ser dominado por uma sensação de paz e solidão em virtude de outra canção. 

Além disso, ainda existem ótimos efeitos subaquáticos secundários que ajudam a criar uma empatia bastante verossímil com o game, em que tudo soa de forma coerente com a ambientação, sem nunca parecer forçado ou descontextualizado com o que se vê na tela.

A parceria entre Insomniac Games e GameStop dá muito certo em "Song of the Deep". O game sabe se apropriar muito bem da consagrada fórmula "Metroidvania", trazendo uma jogabilidade convidativa à exploração, ótimos gráficos e uma trilha sonora envolvente. Tirando o baixo desafio e a ausência de quebra-cabeças mais interessantes, o jogo diverte por cerca de 7h, sendo recomendado para quem gosta dos clássicos "Super Metroid" ou "Castlevania: Symphony of the Night", mas numa experiência bem mais familiar e acessível.

Conclusão

 

Avaliação: Song of the Deep

História
8
Jogabilidade
9
Gráficos
8
Áudio
9

PRÓS
Ótimo level-design: mapa muito convidativo à exploração
Batalhas contra chefes são marcantes e diversificadas
Mecânica bem empregada resulta numa jogabilidade prazerosa 
Muitos locais para explorar e segredos para descobrir
Gráficos com cenários ricos em detalhes e cores vibrantes
Trilha sonora envolvente e marcante
CONTRAS
Dificuldade baixa: poucos desafios nos combates
Inimigos muito repetidos
Quebra-cabeças pouco inspirados
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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