ANÁLISE: Intel Core i7-6950X

O melhor e mais caro processador desktop já lançado tem 10 núcleos e 20 threads

Há anos a Intel vem entregando uma cadência mais lenta para sua linha de processadores de alta performance para usuários domésticos, a HEDT (High-End Desktop). Enquanto nas linhas mainstream os modelos já são baseados na microarquitetura Skylake, a Intel introduziu recentemente a linha Broadwell-E para seu segmento "super entusiasta". Enquanto seu antecessor, a Haswell-E, lançado em 2014, havia ampliado os limites da linha de consumidores da Intel para até 8 núcleos e consequentemente 16 threads, a nova linha entrega uma quantidade ainda mais massiva de núcleos: os processadores podem chegar a até 10 núcleos e 20 threads através do Core i7-6950X, o modelo dessa análise.

Site oficial Intel Core i7-6950X

A linha Broadwell-E é composta inicialmente pelos modelos Intel Core i7-6800K, Core i7-6850KCore i7-6900K e o topo de linha Core i7-6950X. Eles possuem de 6 a até 10 núcleos, com 28 canais PCIe no caso do 6800K, e 40 canais nos demais. Além da maior quantidade de núcleos, os processadores Broadwell-E introduzem o suporte a memórias DDR4 operando a até 2400MHz em quad-channel e um L3 Cache mais amplo, chegando a até 25MB no modelo topo de linha.

Comparativo


Intel Core i7-6950X

Intel Core i7-5960X

Intel Core i7-4960X

Intel Core i7-3960X

Preços

Preço no lançamentoU$ 1.723,00 U$ 999,00 U$ 999,00 U$ 999,00
Preço atualizadoR$ 8.000,00 R$ 5.000,00 R$ 5.000,00 R$ 2.890,00

Especificações

Canais de memóriaquad-channel quad-channel quad-channel quad-channel
Conjunto de instruções64-bit 64-bit 64-bit 64-bit
Multiplicador desbloquadoSim Sim Sim Sim
Número de núcleos10 8 6 6
Processo de fabricação14nm 22nm 22nm 32nm
SocketLGA2011-v3 LGA2011-v3 LGA2011 LGA2011
Threads20 16 12 12
CodinomeBroadwell-E Haswell-E Ivy Bridge-E Sandy Bridge-E
TDP140 140 130 130
Cache L325 20 15 15
Clock3000 3000 3600 3300
Clock (Turbo)4000 3500 4000 3900
Memórias suportadasDDR4 DDR4 2133 DDR3 1333/1600/1866 DDR3 1066/1333/1600
PCI Express3.0 3,0 3.0 2.0
Canais PCI Express40 40 40 40

Vídeo Integrado

GPUSEM V͍DEO INTEGRADO SEM V͍DEO INTEGRADO SEM V͍DEO INTEGRADO SEM V͍DEO INTEGRADO

Características Gerais

Acompanha cooler?Não Não Não Sim

Tecnologias Broadwell-E

Uma das principais novidades introduzidas nos processadores Broadwell-E é a litografia: enquanto os processadores Haswell-E foram desenvolvidos em 22 nanômetros, a microarquitetura Broadwell introduz os transistores de 14 nanômetros. Isso possibilitou avanços em quantidade de transistores e performance, tudo mantendo o TDP de 140W, o mesmo da geração Haswell-E.

Principais novidades: mais núcleos, frequências de memórias mais altas e litografia menor

Com a nova microarquitetura e a maior quantidade de núcleos, a Intel direciona esse produto para os criadores de conteúdos e consumidores que desejam extrair alto desempenho dos múltiplos núcleos das CPUs Broadwell-E. A Intel foca esses processadores como os ideais para criadores de conteúdo, que necessitam de alto poder de processamento, além de indicá-los para games (essa segunda parte um pouco mais controversa, como indicam nosso testes de performance e o custo envolvido na aquisição desses produtos).

 

Uma das características mais interessantes do Broadwell-E é o soquete utilizado: o LGA 2011-v3, o mesmo dos processadores Haswell-E, o que significa que placas-mãe X99 serão compatíveis com os novos produtos, bastando um update de BIOS para que operem corretamente. Isso significa que modelos de placas-mãe que estão no mercado desde 2014, da linha voltada aos CPUs Extreme Edition, poderão ser usadas com os novos Broadwell-E.

O Broadwell-E é compatível com as placas-mãe X99, as mesmas da linha Haswell-E

Outra novidade é o Turbo Boost Max 3.0 (TBM3). Diferente da tecnologia Turbo Boost 2.0, onde vemos um aumento de frequência em múltiplos núcleos buscando maximizar performance, o TBM3  traz um enfoque em softwares ou processos que não fazem bom uso de múltiplos núcleos. Em funções exclusivamente single-thread, essa tecnologia irá "acelerar" apenas um núcleo, definindo o mais eficiente disponível e assim sendo possível subir mais a frequência nessas situações em que o funcionamento de apenas um core é "acelerado". Como resultado, o TBM3 é mais eficiente em lidar com softwares e aplicações que fazem mal uso da grande quantidade de núcleos presentes nos Broadwell-E.


Fotos
Abaixo algumas fotos do Core i7-6950X, que teve pequenas mudanças físicas comparadas aos processadores da linha Haswell-E, logicamente nada que envolva mudança necessária por parte dos fabricantes de mainboards ou coolers, já que ele mantem total compatibilidade com a primeira leva de mainboards X99, desde que essas tenham a BIOS atualizada.

Nas fotos abaixo destacamos a diferença do 6950X (Broadwell-E) para com o 5960X (Hasswell-E). Uma delas é na parte superior, que ganhou alguns avanços sobre a estrutura superior, outra sobre a espessura do die(base do CPU). Na parte inferior também é possível ver a diferença na quantidade de componentes na parte interna.

Abaixo mais uma foto, com o Core i7-6950X ao lado de um Core i7-6800K(análise em breve), assim como de um Core i7-6700K, modelo esse da linha Skylate baseado em socket LGA 1151, bem menor como é possível notar.


Sistema utilizado
Abaixo, detalhes sobre o sistema utilizado para os testes, antes algumas fotos do sistema:

Máquinas utilizadas nos testes:
Todas os sistemas utilizaram os mesmos hardwares para os testes:

- Placas-mãe Asus X99 Strix Gaming e Gigabyte X99 Ultra Gaming (para o processador analisado)
- Placa de vídeo: NVIDIA GeForce GTX 1080 Founders Edition
- Memórias: 8 GB Kingston HyperX Predator DDR3/DDR4 2133MHz (2x4GB)
- SSD: Kingston HyperX Savage 240GB Sata 6Gb/s
- HD: Seagate Barracuda 2TB 7200RPM Sata 6Gb/s
- Cooler: Noctua NH-U12S em TODOS os sistemas
- Fonte de energia (PSU): XFX ProSeries 850W PSU

Em todos os testes utilizamos a configuração PADRÃO da BIOS, sem fazer modificações, com exceção de overclock

Sistema Operacional e Drivers:
- Windows 10 64 Bits com Updates
- Intel INF 10.1.2.19
- GeForce 368.69

Aplicativos/Games:
- CPU-Z Bench
- CineBench R15
- x264 Full HD Benchmark
- wPrime 2.10
- WinRAR 5.31

- 3DMark (DX11)
- Grand Theft Auto V (DX11)
- Hitman (DX11 e DX12)
- Metro Last Light (DX11)

CPU-Z
Abaixo a tela principal do CPU-Z mostrando algumas das principais características técnicas do CPU, sempre destacando que modelos da linha Core Extreme não possuem vídeo integrado como os modelos Core de 6ª geração por exemplo.

Overclock
Como estamos falando de um processador da linha Core Extreme, naturalmente espera-se dele alto poder de overclock, e ele tem!!! Em nossos testes, colocamos ele sem problemas trabalhando em 4.4GHz sem nenhuma mudança de tensão na Asus X99 Strix, já na placa-mãe Gigabyte X99 Ultra Gaming, sem mudanças de tensão ele ficou estável apenas em 4.2GHz, mas o resultado acabou ficando igual ou semelhante ao overclock da X99 Strix Gaming, como não tínhamos mais a placa da Asus para refazer os testes com ela, optamos por deixar os testes com a placa da Gigabyte.

Abaixo temos as telas do CPU-Z com overclock feito com as duas placas, mas vale ressaltar uma diferença. Os 4.4GHz da placa da Asus foram feitos utilizando um perfil pre-definido pela Asus, já na placa da Gigabyte não existia nenhum perfil para o Core i7-6950X ou outro Broadwell-E, apenas para processadores da linha Haswell-E, um vacilo da Gigabyte. Mas logicamente fizemos overclock com ela, como colocado, setamos manualmente em 4.2GHz que acabou resultado em desempenho semelhante ao perfil da placa da Asus. Isso acontece porque no caso do overclock manual setamos o clock de 4.2GHz para todos os núcleos, já no perfil a Asus como outras fabricantes costumam setar clocks diferentes para cada núcleo, sempre diminuíndo, isso na prática é melhor para a longevidade do processador e costuma apresentar bom resultado, especialmente se o uso do overclock for contínuo.

Os testes de overclock são com a mainboard Gigabyte X99 Gaming Ultra


Testes sintéticos

Temperatura
Começamos pelos testes de temperatura, como o sistema em modo ocioso e rodando o wPrime, aplicativo que "estressa" todos os núcleos dos processadores.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso, com o Windows em espera sem estar executando nenhuma tarefa além das tradicionais do sistema.

Rodando o wPrime
Quando colocamos os sistema rodando o aplicativo wPrime, que faz todos os núcleos trabalhem em modo full, temos os consumos abaixo:

OBS.: Refizemos todos os testes de temperatura com o mesmo cooler em todos os sistemas, exatamente o modelo Cooler Master Hyper T4, compatível com todos os sockets. Optamos por esse modelo por ele ter desempenho mediano, pouco acima de soluções BOX.

Consumo de energia
Fizemos os testes do sistema em modo ocioso e rodando o 3DMark, aplicativo que exige bastante do sistema.

É importante destacar que o consumo de energia depende bastante da placa-mãe. No caso da placa-mãe utilizada para os testes com o Core i7-4960X, uma Rampage IV Black Edition, mantem o consumo acima da média em modo ocioso e também em uso porque faz o processador trabalham sempre em seu clock padrão, já a maioria dos modelos tendem a baixar o clock do processador quando o mesmo não estiver sendo exigido por exemplo, consequentemente o consumo será menor.

IDLE (Sistema ocioso)
Começamos pelo teste com o sistema em modo ocioso.

Rodando o 3DMark
Quando colocamos os sistemas rodando o 3DMark, temos os consumos abaixo:

Testes de desempenho
Abaixo temos uma série de testes de desempenho com o sistema, comparando a placa com outros modelos do mercado utilizando os mesmos componentes e fazendo exatamente os mesmos testes, com exceção de overclock, que é diferente em cada placa-mãe/sistema.

É importante deixar bem claro que alguns testes podem tirar maior proveito de processadores com clocks mais altos, independente da arquitetura e do número de núcleos/threads

OBS #1.: Fizemos apenas alguns testes com a tecnologia Turbo Boost 3.0, especialmente alguns onde era possível mostrar o desempenho rodando com um único núcleos e com todos, dessa forma fica mais fácil de mostrar eventuais benefícios que essa tecnologia oferece.

CPU-Z Bench
Abaixo resultados dos modo "Single" e "Multi Thread" do aplicativo CPU-Z.

CineBENCH R15
Iniciamos os testes de desempenho em aplicações com o CineBench, que testa o processador convertendo uma imagem. Fizemos teste em Single e Multi Core também:

x264 Full HD Benchmark
Em um teste de conversão de vídeo Full HD, temos os seguintes resultados:

WinRAR
Outro bom teste para medir o comportamento do processador é o WinRAR, que consegue fazer bom uso de todos os cores.

wPrime
Rodando o wPrime, teste que estressa todos os cores do processador, temos os resultados abaixo:

3DMark
Começamos nossos testes com foco em vídeo com o 3DMark, mas por enquanto com a placa de vídeo dedicada.

Hitman - CPU
O Hitman lançado em 2016 trouxe um sistema de benchmark interno e, como todos sabem, o game traz além do suporte à DirectX 11, também ao novo DirectX 12, sendo uma boa opção para testes de processadores. Abaixo mostramos os testes tanto em API DX11 como em DX12:

Teste em games com foco na placa de vídeo

Nos testes em games o mais interessante é ver quanto o processador pode estar segurando o desempenho da placa de vídeo, por isso utilizamos um modelo TOP de placa, no caso uma GeForce GTX 1080. Abaixo alguns games rodando em mesma configuração utilizada para as análises de VGA, mas em FullHD:

Grand Theft Auto V
O game GTA V para PC está entre os mais exigentes da atualidade, trazendo ótima qualidade gráfica e bastante consumo do processador. Confiram abaixo o comportamento dos processadores rodando o game:

Hitman - VGA
O novo Hitman foi lançado esse ano e é um bom teste para mostrar o comportamento do sistema em DirectX 12:

Metro Last Light
Para finalizar fizemos mais um teste em games com a placa de vídeo dedicada, agora com o Metro Last Light.

Não é surpresa nenhuma que o processador mais poderoso disponível pela Intel é um monstro em termos de performance. A Intel implementou melhorias importantes em relação a geração anterior, como a redução na litografia, controladores de memória que possibilitam clocks mais altos, a nova tecnologia Turbo Boost 3.0 e, talvez a evolução mais notável, ainda mais núcleos! Nossos testes também mostraram resultados muito interessantes com overclock, com aumento de frequências considerável e, o mais importante, ganhos de desempenho nos testes que giram na casa dos 20%.

O Core i7-6950X traz uma performance impressionante, mas que só será aproveitada por consumidores que necessitam desse poder de processamento

Os resultados são muito interessantes, mas o Core i7-6950X passa pelo mesmo dilema de processadores Intel Core Extreme Edition anteriores: seu benefício ao consumidor doméstico é desproporcional ao seu custo. O alto poder de processamento, frequências elevadas e alto potencial de overclock, número impressionantes de núcleos e threads, tudo isso muitas vezes extrapola as necessidades até dos gamers mais entusiastas. É preciso tratar vídeos e imagens em qualidade absurda, com filtros extremamente pesados, usar softwares muito intensos em multi-thread ou aplicações muito específicas para começar a tirar uso do potencial presente nesse modelo.

Se o foco é um sistema direcionado para jogos, o processador consegue entregar taxa de quadros levemente superiores a um processador topo de linha do segmento "tradicional" gamer, como o Skylake Core i7-6700k, mas estamos falando de um investimento 4 vezes menor! Observando nossos testes, quando estressamos com aplicações mais intensas de processamento, é possível entender onde esse produto pode justificar seu valor, como o salto de 244% do Core i7-6700k em WinRAR, mas basta ver o pouco ganho em jogos ou, pior, casos de aplicações que não utilizam muito bem múltiplos núcleos, para nos depararmos com testes em que o modelo topo de linha entrega pouca performance a mais ou até mesmo perde para o Skylake (caso do CineBENCH R15 em modo single core), destacamos que no caso dos testes onde ele perde, a explicação está em parte no clock do CPU que ganhou, no caso o 6700K chega a 4GHz. 

O Broadwell-E TOP não se justifica para games atualmente: traz um investimento excessivamente alto para ganhos mínimos em desempenho

Observando a tecnologia Turbo Boost 3.0, temos o curioso dilema: em um processador "lotado" de núcleos, essa tecnologia busca melhorar o desempenho em aplicações que não fazem bom uso de sua quantidade massiva de threads. Houve ganhos de desempenho ao ativar o recurso porém ficou longe de impressionar, com ganhos mais expressivos não ultrapassando 10%. Pode ser que em outras aplicações a tecnologia se mostre mais interessante, não foi o caso em nossos testes.

Por fim, o Intel Core i7-6950X é em si um processador impressionante, porém não necessariamente é um bom produto de acordo com o perfil de consumidor. Seu alto "poder de fogo" atinge um nicho que se aproxima muito da High-performance computing (HPC), de quem necessita de uma quantidade monstruosa de núcleos para lidar com virtualização ou quem necessita de muita capacidade de processamento para lidar com softwares muito intensos. Tirando esses casos, gastar valores que ultrapassam os R$ 9 mil são surreais para o perfil como de gamers(em promoções encontra-se por menos de R$9k), mesmo considerando aqueles que realizaram streaming ou renderização de vídeos, que deverão ser atendido por modelos mais "modestos" como Core i7 ou i5 Skylake. Lembramos ainda que a Intel subiu mais de $700 dólares o valor do 6950X comparado ao 5960X, modelo topo da linha Haswell-E. Para se ter uma noção, um Xeon E5-2640 v4 custa cerca de U$940 dólares, possui 10 núcleos também com clock de 3.4GHz em Turbo Boost, com a possibilidade de trabalhar em conjunto com mais um CPU, ou seja, teria uma plataforma com 2 CPUs, totalizando 20 núcleos e 40 threads por preço semelhante, se é para gastar é de se pensar não? angry mesmo que ná pratica o desempenho seja bastante relacionado a aplicação utilizada.

Conclusão

 

Avaliação: Intel Core i7-6950X

Performance
10
Tecnologias
10
Overclock
10

PRÓS
O processador mais rápido do mercado, cerca de 20/30% superior ao 5960X
Menor temperatura frente a geração anterior
Quantidade gigantesca de núcleos e threads
Alto ganho de performance de overclock
CONTRA
Pouco ganho em games
Altíssimo custo
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".

  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh