ANÁLISE: Umbrella Corps

Uma afronta ao legado de Resident Evil - e aos sentimentos dos fãs

Produzido pela Capcom, "Umbrella Corps" é um jogo paralelo ao universo de "Resident Evil". Os zumbis e as outras anomalias biológicas estão de volta, mas todos os elementos pelos quais a franquia se tornou conhecida foram deixados de lado, dando lugar a tiroteios que combinam primeira e terceira pessoas. Será que essa decisão foi sensata e, principalmente, resultou num jogo que vale a pena?

É isso o que você vai descobrir na análise abaixo de "Umbrella Corps", baseada na versão para PC. O jogo também está disponível para Playstation 4.

Jogabilidade


Tentando encontrar justificativas para jogar 

A jogabilidade de "Umbrella Corps" abandona todos os elementos de suspense e tiro cadenciado da franquia "Resident Evil" para apostar todas as fichas numa mecânica de tiro em terceira pessoa. A câmera permite mudar para perspectiva em primeira pessoa apenas na hora de atirar. Os controles são acessíveis e, depois de alguns minutos de jogatina, o aprendizado das suas combinações é praticamente total. Esses são os pontos positivos deste quesito no game. Em contrapartida, todo o restante da jogabilidade, incluindo as experiências solo e online, é bastante problemático. 

Os controles, por exemplo, provam a todo momento que não é porque existe uma variedade de movimentos para cada situação que o personagem vai executar o comando exatamente do jeito que se espera. O sistema de cobertura falha nas horas mais impróprias, comprometendo a fluência da navegação e arruinando as estratégias pelos mapas. Já o sistema de mira, por mais que se esteja apontando para a cabeça dos adversários, nunca responde com 100% de aproveitamento no dano. Nem com a visão de primeira pessoa acionada, garantindo mortes frustrantes nos momentos mais apertados.

"Umbrella Corps" foi desenvolvido com foco na jogatina online. Até 6 jogadores simultâneos disputam objetivos em modos bastante tradicionais na indústria, como mata-mata individual, por equipes ou dominação de bases. A dinâmica como esses modos funcionam é igual a qualquer outro jogo de tiro: escolha uma classe, cada uma com habilidades e equipamentos específicos, e parta para os combates. Existe um sistema de progressão baseado na pontuação ao final de cada rodada que dá acesso a novos armamentos, como granadas especiais e um escudo balístico. 

Embora possam atrair jogadores mais dedicados na jogatina online, nenhum desses conteúdos é realmente inédito ou inovador quando comparado a outros títulos do gênero. A maioria desses outros games, inclusive as produções de menor calibre, não apenas executam qualquer uma dessas ideias da mecânica com uma abordagem bem mais coerente e caprichada, como também costumam apresentar novidades realmente relevantes, trazendo diferenciais que "Umbrella Corps" nunca consegue entregar. A gratuidade genérica dos tiroteios chega a ser tão repulsivo que querer encontrar justificativas para jogar é simplesmente impossível.   

A gratuidade dos tiroteios genéricos é repulsivo e não há justificativas válidas para jogar Umbrella Corps

Uma possível diferenciação de "Umbrella Corps" poderiam ser os zumbis e as outras mutações biológicas (cachorros, lickers e etc.) que perambulam pelos cenários durante os combates. No calor dos frenéticos tiroteios, as aberrações aparecem como desafios extras para se manter vivo pelo maior tempo possível. Só que, além de terem uma inteligência artificial bastante sofrível, funcionam mais como contratempo para praticar agilidade nos desvios do que realmente para acrescentar algum recurso de estratégia contra adversários humanos, caracterizando uma grande chance desperdiçada em oferecer algo de divertido - e positivo - na experiência como um todo.

"Umbrella Corps" ainda oferece um famigerado modo para um jogador. Chamado de "O Experimento", os objetivos são tão simples e tão banais que chega a ser ofensivo considerá-lo como campanha solo. O jogador tem acesso a algumas fases e, depois de escolher o soldado com equipamentos fixos, deve coletar amostras genéticas de zumbis ou defender áreas em determinado tempo para poder sobreviver. Os mapas são exatamente os mesmos sem inspiração da parte online e, tirando o escopo de que a dificuldade é progressiva, serve mais para treinar habilidades do que realmente como algo válido para jogar. Perda de tempo.

Gráficos e Áudio


Descaso técnico por todos os lados

"Umbrella Corps" também é desastroso nas questões mais técnicas. Desenvolvidos com a engine Unity, os gráficos estão demasiadamente ultrapassados. As texturas são lavadas, os ambientes são extremamente triviais e nenhum efeito visual consegue chamar a atenção, deixando a experiência ainda menos convidativa para jogar. 

Já o áudio falha no mais básico possível: além de serem bastante repetitivas, as melodias são forçadamente pesadas e editadas com cortes muito ríspidos, cansado rápido e se tornando enjoativas antes mesmo da primeira hora de jogatina terminar. Os sons de armas e equipamentos gerais de combates são decentes e bem empregadas, mas não suficientes para gerar qualquer tipo de envolvimento com os tiroteios.         

"Umbrella Corps" é um verdadeiro afronte ao legado da franquia "Resident Evil". A jogabilidade é tão genérica, os gráficos são tão ultrapassados e a trilha sonora é tão medíocre que é quase impossível conseguir encontrar pretextos que sirvam de incentivo para jogar ou que expliquem a sua existência. 

Este não é apenas o pior lançamento de 2016 até agora, mas também um dos piores jogos de todos os tempos. Faça um favor a si mesmo e jamais compre "Umbrella Corps". E se você for fã da saga, passe bem longe deste game, pois as chances de você se sentir ofendido por tamanha ruindade são absurdamente altas. Existe uma penca de jogos de tiro no mercado: dê preferência a todos eles antes de considerar jogar "Umbrella Corps".

Conclusão

 

Avaliação: Umbrella Corps

Jogabilidade
3
Gráficos
5
Áudio
4

PRÓS
Revisitar cenários conhecidos da franquia
Controles acessíveis
Você vai economizar por não querer comprar
CONTRA
Jogabilidade extremamente genérica e sem diferenciais
Tiroteios sem graça não vão empolgar ninguém 
Gráficos datados ofendem os mais exigentes
Trilha sonora falha de todos os jeitos possíveis
Bugs de colisão e física pavorosa 
Online problemático e vazio
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.