ANÁLISE: UFC 2009 lidera top nacional da semana

Anunciado na E3 2013 e protagonista de algumas das maiores polêmicas dos últimos tempos nos games, "The Division" é a nova superprodução em mundo aberto da Ubisoft. O jogo chega acompanhado de muita desconfiança dos jogadores em virtude de uma série de adiamentos e mudanças significativas na parte visual do título desde a primeira vez em que foi mostrado ao público.

Mas chegou a hora da verdade: será que o hype foi correspondido e a espera valeu à pena? É isso o que você vai conferir abaixo na análise de "The Division", baseada na versão para Playstation 4. O título também está disponível para PC e Xbox One

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História
Uma guerra biológica que falha em ser interessante

A história de "The Division" mostra o ápice de uma guerra bioterrorista que não tem prazo para terminar. O local é Manhattan (Nova York), onde um vírus geneticamente criado a partir da fusão de alguns dos vírus mais destrutíveis do mundo se espalhou e culminou na aniquilação do maior centro financeiro do planeta.

 

Os que restaram agora lutam para sobreviver buscando água, comida e mantimentos que possam a prolongar a sua vida já condenada. O jogador, parte do grupo militar que dá nome ao game (A Divisão), é encarregado de encontrar amostras virais para possibilitar a fabricação de uma possível vacina. Alguns aliados se juntam nessa jornada que, num primeiro momento, desperta muita curiosidade, sobretudo porque uma realidade deste tipo não está tão distante assim dos dias atuais.

É interessante conhecer as origens dos problemas e as intenções dos personagens para achar uma solução urgente. Só que esses mesmos personagens não têm exatamente personalidades que criem uma identificação por parte do jogador, que precisa se apoiar em vídeos, áudios e documentos recolhidos pelos cenários para receber alguma contextualização mais concreta. Os diálogos são bacanas e explicam o básico do que acontece na trama, mas não têm força o suficiente para manter a atenção do jogador na tela. 

No fim das contas, nada verdadeiramente épico, surpreendente ou que não seja clichê, acontece, fazendo com que o enredo não alcance a profundidade necessária para se tornar relevante dentro da proposta como um todo. O resultado é apenas mediano e praticamente ninguém vai se sentir fisgado a continuar jogando pelo desenvolvimento do enredo, caracterizando uma baita oportunidade perdida, ainda mais se levarmos em conta a grandiosidade da experiência de "The Division".


Jogabilidade
Mecânica de recompensas combina MMO, RPG e TPS: o vício é garantido

Sem rodeios, o ponto mais forte de "The Division" é a jogabilidade e sua complexa infraestrutura de gameplay. A mecânica combina com maestria elementos sólidos de RPG, MMO e tiro em terceira pessoa (TPS) numa fórmula viciante que privilegia o jogador que gosta de caçar recompensas. Essa dependência pela busca constante dos melhores equipamentos surge naturalmente logo nos primeiros momentos, em que apenas passear por Manhattan garante alguns confrontos contra as milícias locais.

Os combates são dinâmicos e acontecem à base de muita cobertura na espera pela melhor oportunidade de atacar, criando emboscadas e aproveitando os momentos mais propícios para gerar o máximo de dano possível. Os inimigos respondem da mesma forma: a inteligência artificial não é revolucionária, mas cumpre seu papel de não ficar à mercê das ações do jogador. Os inimigos se movimentam constantemente e costumam agir em grupo, podendo correr em direção à proteção para evitar serem varridos do mapa.

Quando mortos, os inimigos derrubam uma diversidade de itens, que podem ser lixo, armas, acessórios ou qualquer outro tipo de sucata que, num primeiro momento, nem parece muito importante, mas que mais tarde se transforma numa ótima fonte de recursos básicos para desenvolver o seu soldado. Todo o sistema de evolução do jogo é baseado na aquisição de experiência (XP), conquistado por causar danos nos inimigos, descobrir novas localidades, cumprir missões principais, secundárias, eventos aleatórios e coletar uma imensidão de colecionáveis pelos cenários.

Como "The Division" tem um sistema bem balanceado e condizente com a estrutura da mecânica, o jogador sente que está naturalmente evoluindo com os recursos que têm em mãos, sem nunca ter aquela sensação inquietante de que está sendo escravizado à-toa simplesmente porque a quantidade de experiência para subir ao próximo nível é muito maior do que antes. Por este motivo e pela extensa quantidade de atividades para fazer, o jogo tem excelente longevidade e, o melhor de tudo, não enjoa, nem mesmo se você chegar ao nível 30, o máximo possível na aventura, e seguir jogando depois disso.  

Alcançar um novo nível garante a possibilidade de usar equipamentos condizentes com este mesmo nível. Isso inclui armas principais e secundárias, coletes, luvas, joelheiras, coldres, mochilas. Todos podem ser modificados, desmantelados ou melhorados para condicionar a experiência da aventura à favor do jogador. As possibilidades de combinação para montar o seu soldado são muitas, exatamente do jeito de que espera de um RPG bem organizado que se apoia no que realmente importa na mecânica de jogabilidade, e não simplesmente em banalidades estéticas. 

Os equipamentos ainda têm graus de raridade, que se dividem nas cores cinza, verde, azul, roxo e laranja. O primeiro é o mais comum; o último, o lendário, mais potente e objetivo máximo do jogador. Quanto maior for o nível sugerido para iniciar uma missão, maior o grau de raridade da recompensa final recebida após vencê-la. É dessa maneira que se conquista os melhores itens do jogo, ganhando acesso a atributos extras que potencializam as funções e estatísticas mais básicas destes equipamentos, como aumentar a porcentagem de experiência recebida, a taxa de acerto de headshots ou o alcance dos danos causados por uma granada incendiária.

Já o mapa de "The Division" traz os elementos típicos dos games da Ubisoft, com dezenas de pontos que indicam os objetivos disponíveis no momento. O local de maior destaque é a Base de Operações, o centro de descanso momentâneo do jogador que pode ser evoluído três alas: médica, segurança e tecnologia. Cada uma delas funciona como desdobramentos acrescentam ainda mais variedade de customização ao game, conferindo novas opções de habilidades passivas que não chegam a ser extremamente essenciais para progredir, mas que podem fazer a diferença em entre a vida e a morte combate, dependendo do perfil de quem e com quem joga.

Levando tudo isso em contra, parece que a mecânica de jogabilidade de "The Division" é perfeita. Só que não. Existem alguns pontos que evidenciam problemas de execução que poderiam ter recebido um pouco mais de atenção antes do lançamento. 1) O botão que aciona a cobertura é o mesmo do rolamento: essa dualidade atrapalha nos momentos mais críticos do jogo e pode comprometer horas de jogatina adentro em missões que exigem cooperativo em níveis altos. 2) Existe um leve atraso na captação de dano infligido: você sabe que mirou e atingiu o alvo, mas algumas das balas não são computadas, causando uma breve sensação de raiva por ter desperdiçado munição e pelos combates durarem mais do que deveriam.

3) O jogo segue uma única fórmula de progressão: elimine os inimigos pelo caminho, acione alguns dispositivos, entre em elevadores e vença o chefe final para cumprir as missões. Esse padrão se repete em toda a jogatina e definitivamente vai afastar alguns jogadores. Não chega a ser um caso extremo como "Destiny", que mal tinha opções para driblar o marasmo da repetição exaustiva, pois a Ubisoft caprichou na quantidade e na diversidade de missões secundárias e em eventos aleatórios para compensar esse sistema. Ainda assim, fica a ressalva que poderia haver mais elementos que ao menos disfarçassem essa restrição da mecânica.


Multiplayer online
Onde os fracos não têm vez

Jogar "The Division" sozinho é legal, mas não se compara à diversão proporcionada pelo cooperativo. O verdadeiro potencial do game só é atingido quando se joga com outros jogadores: toda a estrutura de organização e desenvolvimento das missões evidencia essa premissa o tempo inteiro.

Mesmo entrando em partidas com jogadores aleatórios, sem qualquer tipo de comunicação estabelecida, a experiência se torna muito mais completa e alcança um patamar de comprometimento e diversão muito superior à maioria dos outros jogos que também entregam modos cooperativos. Uma vez que se experimenta essa opção, é quase certo que você não vai querer voltar a jogar como um soldado solitário.  

Mas é na Zona Cega (Dark Zone) que os jogadores mais dedicados de "The Divison" vão se aventurar. Esse é tradicional modo PvP, que coloca todos os jogadores em contato para medir forças globais. Você pode perambular sozinho ou seguir acompanhado de amigos, também precisando completar uma série de objetivos para ter acesso aos melhores itens.

Do primeiro jeito, as chances de sobrevivência são muito pequenas; no segundo, o jogo se transforma numa experiência que obriga o jogador a analisar e balancear os riscos pela aquisição das recompensas. E essa compensação nem sempre acontece da melhor forma possível: você pode acabar saindo de mãos vazias. 

Como não é possível usar os itens assim que você os coleta, é preciso chamar um helicóptero para extraí-los do local. Só que o ponto de extração é marcado no mapa para todos os outros agentes próximos, incluindo novos inimigos controlados pela inteligência artificial e por outros jogadores aleatórios. É preciso defender esse ponto por 90 segundos para ter o direito de, mais tarde, reclamar os itens conquistados.

É aqui que a verdadeira disputa começa: você está vulnerável, vendo as ameaças chegarem por todos os cantos, e praticamente todo mundo quer tirar uma casquinha do que já foi assegurado por você e seus amigos, colocando em risco todo o trabalho realizado até aquele momento.

Também haverá horas em que você fará parte dos grupos de ladrões querem roubar itens de outros grupos que batalharam duro para sobreviver e conquistar itens valiosos. Se quiser, ainda pode trair seus companheiros que fazem a extração e tentar ganhar exclusivamente os brindes que todos batalharam juntos para obter. Quando isso acontece, você se transforma em Rogue por um tempo limitado, passando a ser o alvo prioritário dentre todos eles.

Aqui aparecem duas opções: matar todos que aparecerem pela frente para ficar com o prêmio ou fugir e deixar o contador zerar, recebendo grandes quantias de experiência e dinheiro para investir em novos recursos. No final das contas, é uma competição bastante acirrada, carregada de altas doses de diversão nos momentos de triunfo e de frustração completa nos de derrota.    


Gráficos
Ambientação espetacular é o destaque, mesmo com downgrade no visual

A questão mais polêmica em "The Division" são os gráficos. Esqueça os primeiros vídeos de apresentação do jogo que surgiram na E3 2013. O visual está abaixo do padrão mostrado no evento, caracterizando downgrade evidente na versão final. Isso quer dizer que o game está feio? De jeito nenhum: no geral, os gráficos são bons e estão compatíveis com as capacidades das plataformas atuais, conseguindo sustentar bem a proposta de mundo aberto da Ubisoft.

 

E como de costume em qualquer título da produtora francesa, a ambientação é o ponto mais forte em "The Division". Os cenários são extremamente detalhados, com inúmeros recursos visuais de preenchimento que sugam o jogador para dentro da experiência. Grande parte deste mérito é da Snowdrop, a engine de neve criada exclusivamente para o jogo, atuando como um elemento base na sua composição gráfica ao adicionar clima dinâmico e efeitos bem convincentes de nevasca e neblina; O resultado é ainda mais bacana nos tiroteios noturnos.

Fora isso, os reflexos de luz em superfícies metálicas e em poças de águas fazem jus ao que se vê nos outros jogos atualmente. Já as texturas são bem empregadas em boa parte do tempo, mas às vezes estão embaçadas demais em alguns objetos menos importantes, além de não ser raro presenciar carregamentos tardios em superfícies e estruturas mais grandiosas, como outdoors e  cartazes estendidos em grandes edificações. No mais, o desempenho do jogo garante os 30 quadros por segundo constantes, condição típica nos jogos do videogame.


Áudio
Plasticidade sonora de primeira qualidade

"The Division" também apresenta um excelente trabalho de áudio. A trilha sonora marca certeiramente o ritmo da jogatina. Da exploração silenciosa dos cenários gelados de Manhattan aos épicos tiroteios contra os chefes no final das missões, a sonoridade sempre joga a favor para que o jogador tenha a sensação de que faz parte de um grupo militar em que todos os membros são essenciais para cumprir os objetivos. É comum, nestes momentos, se sentir observado, ameaçado e impotente diante de tantos tipos de ameaças, que costumam ser mais fortes que você e perambulam por todos os cantos do mapa.

Esse mesmo vigor foi transportado para a localização do game para o português brasileiro. Além de textos e menus totalmente adaptados a nossa língua, as dublagens estão bastante naturais e condizentes com o que se espera de uma superprodução, destacando o cuidado da Ubisoft em contratar profissionais experientes para emprestarem suas vozes, já conhecidas em filmes e séries de TV, aos personagens do jogo. As interpretações dos papéis e a intonação para cada tipo de situação pelos dubladores são bem convincentes e quase nunca estranhas, mais uma vez mostrando o pioneirismo da empresa no ramo.        

"The Division" é uma experiência grandiosa em muitos sentidos. Além da ambientação descomunal, a mecânica de jogabilidade combina RPG, MMO e tiro em terceira pessoa com maestria, resultando num mundo recheado de coisas para fazer e itens para conquistar.

Os gráficos não correspondem ao anúncio do jogo e a história não consegue ser interessante, mas isso é compensado pela gigantesca gama de opções para customizar seu soldado, pela imersão da jogatina cooperativa e pelas dezenas de horas de diversão na guerra online do modo Dark Zone (PvP). Resumidamente, é o melhor jogo de 2016 até agora.

Conclusão

 

Avaliação: UFC 2009 lidera top nacional da semana

História
6.0
Jogabilidade
9.5
Multiplayer
9.0
Gráficos
8.0
Áudio
8.5

 

 

PRÓS
Diversão absoluta por dezenas de horas, seja em jogatina solo ou com os amigos 
Mecânica combina os gêneros MMO, TPS e RPG de forma bem estruturada
Cenários absurdamente detalhados e muitos convidativos à exploração
Sistema de evolução é extremamente viciante na busca pelas melhores recompensas
Criar itens, modificar equipamentos e evoluir habilidades garantem muitas customizações 
Facilidade em criar e organizar partidas competitivas ou cooperativas
Dark Zone e sua selvageria online trazem momentos de pura felicidade ou desespero 
Localização em português brasileiro é sensacional
CONTRA
História mal aproveitada
Obrigatoriedade online, inclusive em jogatina solo
Mesmo botão para usar cobertura e rolamento atrapalha nas piores horas
Fórmula repetitiva pode cansar antes do previsto
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.