ANÁLISE: Rise of the Tomb Raider

Por João Gabriel Nogueira 09/11/2015 18:02 | atualizado 13/08/2019 15:22 comentários Reportar erro

Rise of The Tomb Raider é o aguardado segundo título do reboot das aventuras de Lara Croft e tem sido um forte argumento de venda para a Microsoft. O game chegou primeiro ao Xbox One e se for tão bom ou melhor quanto o primeiro, certamente vai incentivar alguns compradores incertos a optarem pelo console para poderem jogar antes. Mas será que ele segura essa responsabilidade toda? Vamos tentar responder isso em nossa análise!

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AVISO: Há informações aqui que podem ser consideradas SPOILERS deste jogo e do seu antecessor também

História

É triste começar falando de um ótimo jogo justo pelo seu ponto mais fraco, mas, infelizmente, é a história de The Rise of The Tomb Raider a parte que mais deixa a desejar neste título. Ela se distancia demais da excelente história do primeiro, dando um pouco a impressão que a Square Enix queria garantir que jogadores novos pudessem mergulhar direto nessa aventura, garantindo uma maior abrangência.

Essa decisão, por si só, não é um grande problema, mas em mais de uma vez acabam ficando lacunas incômodas. Por exemplo, como pode a Sam, por quem o jogador se arrisca durante todo o primeiro título para salvar, nem dar as caras por aqui? Ou, num exemplo que considero pior ainda, onde estão as pistolas duplas que o jogador herda de Roth no jogo anterior? O momento foi emocional e nostálgico, dando à Lara as armas que são sua característica mais marcante para concluir o game com chave de ouro. Aqui elas não são nem mencionadas. A falta de vínculo com o jogo de antes, porém, não é o suficiente para criticar tanto a história.

A história não é ruim, mas é a parte que mais deixa a desejar em Rise of The Tomb Raider

A decepção maior aqui é porque ela falha em impressionar. Não é ruim, mas nunca alcança uma emoção maior do que ser apenas uma desculpa recheada de clichês pra fazer as coisas seguirem adiante. É a mesma jornada de sempre, atrás de uma relíquia que ninguém acredita existir, exceto a própria Lara e um grupo paramilitar cheio de soldados pro jogador enfrentar. Nada muito fora do esperado acontece.


Jogabilidade

A jogabilidade, mais uma vez, é o ponto principal deste game, mas perde alguns pontinhos por não trazer muitas inovações em relação ao anterior. Ou seja, ela continua tão sólida e divertida quanto antes, mas teria sido bom se Lara tivesse mais alguns truques novos.

Uma evolução aqui é que o jogo não lhe lança mais incontáveis hordas de inimigos o tempo todo, dando mais atenção aos momentos de escalada solitária e saltos mirabolantes. Quando o jogador é obrigado a enfrentar inimigos, a furtividade ganhou mais destaque e ficou mais raro ser obrigado a participar de um tiroteio, e isso tudo são mudanças bem-vindas. A nova possibilidade de pegar objetos do cenário para distrair os inimigos ou até fazer armas com eles traz uma dinâmica muito bacana ao jogo.

Além disso, foi tirado de vez o já ignorado multiplayer. Agora, para o jogo ter elementos online e a Square Enix poder empurrar algumas microtransações, existe um novo modo "Expedições", onde o jogador pode passar trechos específicos da campanha em busca de fazer o menor tempo e conseguir pontos para o ranking mundial. Nesse modo há "cartas" que modificam o gameplay, ajudando o jogador e diminuindo a recompensa em pontos, ou o contrário, atrapalhando o jogador, mas trazendo mais pontos. Não chega a ser um modo super atrativo, mas é uma adição interessante para os jogadores mais competitivos.

As tumbas são, definitivamente, a melhor parte do jogo.

 

O mais bacana do jogo, entretanto, são as tumbas. São várias espalhadas por todo o game, com puzzles muito bem bolados e excelentes designs de seus cenários, onde o jogador se sente interagindo com todo o ambiente, para resolver um quebra-cabeças gigante. Dentro de uma tumba, pensando como chegar ao objetivo e sem estar cercado de inimigos, bate aquele sentimento nostálgico de como eram os primeiros jogos da franquia, antes do reboot. E isso é bom. E uma novidade das tumbas aqui é que, ao concluí-las, o jogador sempre é premiado com uma nova habilidade pra Lara, tornando ainda mais atrativa a exploração desses lugares que deram nome à franquia. São tão divertidos que seria bom vê-los dentro da campanha, e não de fora apenas como lugares opcionais.

Por fim, a jogabilidade acaba perdendo alguns pontos por inovar muito pouco. Na campanha principal, a maior parte do tempo o jogador tem um sentimento de déjà vu, tendo que liberar de novo várias habilidades que ele teve que conseguir no primeiro game, como as flechas com corda, execuções depois da esquiva, etc.

Gráficos

Se minhas comparações com o jogo anterior até o momento pendiam pro lado do que já foi, agora com certeza temos uma melhora indiscutível. Os gráficos estão excelentes, especialmente levando-se em conta que o jogo está rodando num console. As texturas são incríveis, com destaque especial para a neve do jogo. A experiência é fluida a maior parte do tempo, com algumas quedas de frames, por mais estranho que pareça, apenas nas cutscenes.

E não são apenas as texturas e fluidez, mas a qualidade do design dos cenários aqui conta bastante também. Eles são todos construídos com muito capricho e cuidado, criando uma excelente imersão no jogador e, mais do que isso, vontade de explorar cada canto que é encontrado, um aspecto muito importante pra esse jogo. Em especial nas tumbas que, como descrevi anteriormente, acabam se tornando belíssimos puzzles gigantes com partes móveis.

Esperamos que ele seja portado com o mesmo cuidado e atenção aos detalhes para suas próximas plataformas.

Áudio

O som do jogo acaba sendo ponto de destaque também. A trilha sonora não é a mais incrível do mundo, mas o trabalho de vozes está excelente. A começar porque há MUITOS idiomas para se escolher e, entre eles, temos o português brasileiro. Pessoalmente, não gostei muito da voz da Lara em português, mas isso de maneira alguma significa que a dubladora não tenha feito um excelente trabalho. O resultado final é bastante imersivo e serve de exemplo que seguimos caminhando em localizações cada vez melhores para o Brasil.

Mas não só isso, o áudio aqui vai contar pontos por finalmente termos um título no Xbox One que retoma a possibilidade de trocar o idioma das vozes no menu, dentro do jogo, não precisando mudar o idioma de todo o sistema. E isso é ótimo porque possibilita ouvir o game em inglês, mantendo a Lara com seu icônico sotaque britânico, e mantendo as legendas em português, tornando mais fácil de acompanhar a história. Pontos pra Square Enix.

Rise of The Tomb Raider é um ótimo jogo que, talvez por medo de inovar e errar, acabou perdendo a chance de ser ainda melhor. É importante a gente lembrar que ele tinha uma expectativa difícil de alcançar, já que o primeiro jogo do reboot da série foi tão bom. O título com certeza vale a pena, mas ele deixa de brilhar em alguns momentos que parece que estamos jogando o game anterior de novo. Só que com mais neve.

Rise of The Tomb Raider é um ótimo jogo que, talvez por medo de inovar e errar, acabou perdendo a chance de ser ainda melhor.

Dá a impressão que a Square Enix ficou com medo de "mexer no time que está ganhando" e apenas trouxe uma nova história para uma fórmula que eles já sabiam que dá certo. Como este é apenas o segundo game dessa "nova vida" de Tomb Raider, ainda estamos dispostos a perdoar os repetecos, mas se a produtora pretende trazer ainda um novo game (e é provável que vai), é bom que ela esteja disposta a seguir o exemplo de sua própria heroína e ser um pouco mais corajosa no desenvolvimento do próximo jogo.

Conclusão

 

Avaliação: Rise of the Tomb Raider

História
7.5
Jogabilidade
8.0
Gráficos
9.5
Áudio
9.0

PRÓS
Gráficos incríveis e cenários caprichados
Tumbas divertidas e nostálgicas
Experiência fluida e jogabilidade dinâmica
Inúmeros lugares ocultos para se explorar
CONTRA
História fraca cheia de clichês
Pouca novidade em relação ao game anterior
Falta de puzzles fora das tumbas
Assuntos
  • Redator: João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira

    João Gabriel Nogueira se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2015 e curte games desde muito antes. Começou com o Master System e o gosto pelos jogos eletrônicos trouxe o gosto pela tecnologia. Escrever notícias e análises de jogos, hardware e dispositivos móveis para o Adrenaline, além de trabalho é uma alegria e um aprendizado.