ANÁLISE: Sonic Runners

O ouriço mais rápido e famoso do mundo dos jogos eletrônicos está de volta. "Sonic Runners" é mais uma dentre as inúmeras tentativas da SEGA em trazer tudo o que existe de bom e sempre é lembrado pelos fãs do mascote nas clássicas versões de consoles. Só que, agora, o azulão está na palma das suas mãos num game gratuito para smartphones. Será que esta é a redenção de Sonic?

Acompanhe a breve análise abaixo, baseada na versão para iOS (iPhone 6 Plus). O título também está disponível para dispositivos Android


Uma corrida infinita que fica cansativa na primeira hora

"Sonic Runners" é um jogo de corrida infinita, estilo já tradicional nas plataformas mobile. O deslocamento aqui é lateral e em 2D, mecânica que combina com o histórico dos games do mascote da Sega. Seu objetivo é pular e recolher o máximo de pedras preciosas que encontrar pelo caminho, tudo para conseguir alcançar as pontuações mais altas e seguir prosseguindo pelas fases. Só que logo nos primeiros minutos de partida já é possível perceber o primeiro dos grandes problemas de "Sonic Runners": a própria mecânica do game é bastante limitada, permitindo ao jogador apenas a ação de pular. Não é possível executar nada além disso, deixando a experiência de jogabilidade bastante passiva e automática.

Você só precisa se preocupar, de fato, em recolher os itens que surgirem, em pular sobre precipícios e desviar de armadilhas e inimigos vierem na sua direção. E ainda que a velocidade de progressão pelos cenários aumente de um estágio para outro, no fim das contas você estará sempre repetindo os mesmos cenários, coletando sempre os mesmos tipo de jóias e aneis, desviando sempre dos mesmos inimigos, saltando sempre sobre os mesmos buracos e partindo sempre na busca de pontuações cada vez mais altas para, novamente, repetir todo o processo descrito até aqui. É até legal e diverte num primeiro momento, mas não leva mais que uma hora para sacar que não haverá nenhuma novidade relevante que instigue a continuar jogando.

 

 

Se não se cansar tão rápido, coletar as moedas e as joias em cada corrida é de extrema importância. Com elas, você compra power-ups que trazem benefícios temporários, como ficar invencível por alguns segundos, atrair automaticamente mais moedas ou aumentar o multiplicador de pontuação. E ainda tem as estrelas vermelhas, os itens aparentemente mais importantes do jogo e que, quando coletados na quantidade certa, permitem girar uma roleta que pode ou garantir pequenas quantidade de moedas extras ou destravar novos personagens. Como raramente isso acontece, você estará jogando, no fim das contas, para ter cada vez mais estrelas vermelhas e poder experimentar outros mascotes da franquia, como Tails, Knuckles Amy Rose, entre outros.

Esses novos personagens até trazem variação no gameplay com habilidades exclusivas, como maior velocidade, poder voar temporariamente ou aplicar alguns golpes. Mas, no geral, a experiência não fica tão diferente assim se resolver jogar com um ou com outro. Vai mais, na verdade, do gosto do jogador com qual mais se identificar. Fora isso, as estrelas vermelhas podem ser ganhas de três maneiras bem específicas: completando alguma missão diária, encontrando alguma posicionada estrategicamente pelos cenários ou pagando por pacotes cujos preços variam de US$3.99 a $39.99.  O jogador é a todo momento incentivado a gastar dinheiro real, já que os outros dois jeitos de obter estrelas vermelhas são bem pouco eficientes, rendendo poucas e demorando bastante para conseguir desbloquear conteúdos novos. 

Outros problemas que também matam a experiência

Outros dois grandes problemas de "Sonic Sonic" estão justamente na sua característica free-to-play. Primeiro: o jogo te obriga a ter uma conexão com a internet para poder simplesmente iniciá-lo. Se não tiver, pode esquecer: você não vai conseguir jogá-lo e nem mesmo acessar a sua tela inicial, gerando frustrações iniciais gratuitas. Segundo: se conseguir, enfim, jogar, o game está lotado de propagandas de outros jogos aleatórios, com vídeos que do nada brotam na tela e fazem o jogador perder um tempo precioso, mas com duração o suficiente para irritar ao ponto de logo querer deletar o aplicativo do seu aparelho.   

Além disso, ainda tem as chateações com problemas extras do aplicativo, como fechamentos e travamentos sem qualquer explicação. Lá está você na sua melhor corrida, pronto para bater o seu próprio recorde e, sem mais nem menos, tudo desaparece e volta à tela inicial do smartphone e você perdeu tudo o que tinha conquistado na última partida, incluindo sua pontuações, extras coletados para a próxima fase, moedas e estrelas vermelhas. E que tal um freezing que te obriga a reiniciar o smartphone? Nem mesmo com as duas últimas atualizações estes contratempos estão sanados no game. Resultado: é muito aborrecimento para pouca diversão.  


Apresentação técnica convence nos gráficos e no áudio 

Lendo até agora, até parece que "Sonic Runners" é um desastre completo. Não chega a tanto. Se tem duas coisas que o game apresenta e executa bem são os gráficos e a trilha sonora. No primeiro caso, os cenários trazem traçados fortes, com camadas em movimento dinâmico e um colorido único sem exageros que combina bastante com a proposta simplista da jogabilidade. Seu único problema é que eles são sempre os mesmos: as paisagens ao fundo nunca mudam, tornando o visual enjoativo aos olhos em pouco tempo. Faltou empenho em trazer algo mais substancioso à experiência.

A trilha sonora também é bacana. Pelo menos no começo. Com batidas agitadas e efeitos felizes que remetem à franquia, os fãs mais nostálgicos certamente vão gostar. Os menus, a tela de pontuações e dos benefícios para escolher antes da partida começar também têm suas próprias melodias. Mas o problema, assim como nos gráficos, é que praticamente não existe variedade. Ou seja, a música que toca ao fundo nunca muda e não leva muito tempo para que os ouvidos logo fiquem irritados com o mesmo tipo de som sempre. Novamente, faltou diversidade.

"Sonic Runners" cumpre o papel básico de entreter por um breve tempo e trazer gráficos e áudio condizentes com a proposta. Só que a jogabilidade é tão rasa e tão repetitiva que logo o seu interesse já desconfiado sobre o game cai vertiginosamente. Nem a possibilidade de jogar com outros mascotes conhecidos na franquia salva a experiência. 

Mas os maiores problemas ficam para questões fora do jogo em si: a conexão mandatória com a internet é repugnante, o aplicativo fecha sozinho por diversas vezes e o free-to-play está claramente mascarado na compra de itens que dão vantagens absurdas a quem está disposto a abrir a carteira. Resumidamente, aqui quem manda é o dinheiro e a irritação, não a diversão.

Conclusão

 

Avaliação: Sonic Runners

Jogabilidade
4
Gráficos
7
Áudio
7

PRÓS
Visual colorido condizente com a proposta
Muitas jóias para recolher
Personagens clássicos da série na jogabilidade
Trilha sonora divertida
CONTRAS
Repetitivo ao extremo: logo fica enjoativo
Menus um tanto complicados e bagunçados 
Diálogos chatos entre as corridas
Batalhas entediantes contra chefes 
Aplicativo fecha sozinho por diversas vezes
Internet obrigatória para jogar
Muitas propagandas entre os carregamentos de telas
Muitas microtransações oportunistas
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.

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