ANÁLISE: Samsung Galaxy Note 4

Ótima tela e design, mas os novos sensores pouco adicionam e o preço assusta
Por Diego Kerber 13/02/2015 20:08 | atualizado 13/08/2019 19:50 comentários Reportar erro

A Samsung atualizou seu popular phablet da linha Note com mudanças sutis, mas interessantes. Apesar de manter a tela de 5,7 polegadas, o Note 4 reduziu suas medidas e atualizou o hardware com novos chips e recursos. Este aparelho merece sua atenção (leia-se: seu dinheiro)? Vejamos no restante da análise!



LG G3

Galaxy Note 4

Xperia Z3

Moto Maxx

iPhone 6 Plus
Processador (CPU)
Snapdragon 801,
quad-core, 2.5GHz
Exynos 7, octa-core, 
Snapdragon 805, quad-core
Snapdragon 801,
quad-core, 2.5GHz
Snapdragon 805,
quad-core, 2.7GHz
A8 (64 bits) e M8, dual-core, 1.4Ghz
Chip Gráfico (GPU)
Adreno 330 Mali-T760/
Adreno 330
Adreno 330 Adreno 420 PowerVR GX6450
Armazenamento
16/32GB (interna)
+ 128GB (microSD)
16/32GB (interna)
+ 128GB (microSD)
16/32GB (interna) +
128GB (microSD)
64GB (interna)
16/64/128 GB (interna)
Memória RAM
2/3GB 3GB 3GB 3GB 1GB
Sistema operacional
Android 4.4.2/
upgrade para 5.0
Android 4.4.2/
upgrade para 5.0
Android 4.4/
upgrade 5.0
Android 4.4.4/
upgrade para 5.0
iOS 8
Câmeras
Traseira 13MP /
Frontal 2.1MP
Traseira 16MP/
Frontal 3.7MP
Traseira 20.7MP /
 Frontal 2.2MP
Traseira 20.7MP /
Frontal 2MP
Traseira 8MP /
Frontal 1.2MP
Tela
IPS LCD 5.5''
(1440 x 2560)
Super AMOLED 5.7"
 (1440 x 2560)
LED IPS LCD 5.2''
(1080 x 1920)
AMOLED 5.2''
 (1440 x 2560)
LED IPS 5.5''
 (1080 x  1920)
Dimensões
146.3 x 74.6 x 8.9 mm 153.5 x 78.6 x 8.5 mm 146 x 72 x 7.3 mm 73,3 x 143,3 x 8,3-11,2 mm 158.1 x 77.8 x 7.1 mm
Peso
149g 176g 152g 176g 172g
Dual-SIM
Li-Ion 3000 mAh Li-Ion 3220 mAh Li-Ion 3100 mAh Li-Po 3900 mAh Li-Po 2915 mAh
LTE
TV Digital
Resistência
À prova d'água e poeira
Resistência à água

Preço (15/01)
R$1.499,00 R$2.399,00 R$2.100,00 R$1.999,00 R$3.899,00

Design e tela

A Samsung trouxe refinamentos ao projeto do Note 4. Apesar de manter o mesmo tamanho de tela, com 5.7 polegadas, a resolução trouxe um incremento para 1440 x 2560, o QuadHD, comparado aos 1080 x 1920 (FullHD) do Note 3. Com este aumento, a densidade de pixels saltou da casa dos 300 pontos por polegada para mais de 500, o que significa que a linha Note volta a brigar em equilíbrio com os aparelhos topo de linha Android neste aspecto.

Apesar de discutível a diferença entre o FullHD e o QuadHD em um espaço tão compacto como a tela de um smartphone, quanto maior o display, maior a importância de resoluções superiores. O salto de qualidade é mais evidente nessa tela de 5.7", pois os 380 ppi do Note 3 aproximavam o phablet da densidade de pixels dos smartphones do segmento intermediário.

A resolução QuadHD é bem-vinda em uma tela maior, trazendo a densidade de pixels para uma qualidade capaz de brigar com os demais Androids topo de linha

 

O display do Note 4 tem excelente balanço de cores e também se sai muito bem em contrastes. Na parte de brilho, a luminescência de pouco mais de 300 nits não chega a ser impressionante comparado a outros modelos, mas é o suficiente para ver os conteúdos mesmo em locais mais claros.

Mesmo mantendo o tamanho da tela do Note 3, a Samsung reduziu as bordas na lateral em 1 milímetro, porém aumentou a altura em 2 milímetros. Apesar de ser uma diferença "no detalhe", o estreitamento nas laterais é bem-vindo por facilitar na hora de segurar o aparelho. Na hora da ergonomia, outra diferença faz efeito: as novas bordas metálicas. Enquanto os modelos anteriores traziam um formato arredondado, o Note 4 traz um acabamento em metal com linhas mais anguladas, o que torna o encaixe mais firme na mão.

 

Em termos gerais, o acabamento do Galaxy Note 4 é superior ao Galaxy S5. Apesar de também ser um plástico, a traseira traz um efeito que simula o couro, dando um aspecto muito mais atraente que o "estilo band-aid" do smartphone da linha S. Outra mudança importante é a borda no estilo metálico: ela é muito menos suscetível a descascar, e tem linhas mais discretas. 

Diferente do muito criticado Galaxy S5, os acabamentos do Galaxy Note 4 são caprichados e de bom gosto

 

Como todo aparelho passando das 5 polegadas, o Note 4 não é um aparelho fácil de se manusear com apenas uma mão. Junto com o Zenfone 6, este aparelho entrou no grupo dos smartphones que fui incapaz de utilizar com apenas uma das mão - isto que tenho dedos longos - principalmente por conta de acionamentos acidentais nos botões da base. Era tentar alcançar o topo da tela que, além de um complicado jogo de pulso, acionava acidentalmente o botão voltar na base. Assim como muitos phablets, o Note 4 é mais confortável se usado com as duas mãos. 

Performance e autonomia

O Galaxy Note traz duas opções de chips: o Qualcomm Snapdragon 805, um SoC quad-core operando em 2.7Ghz (o mesmo do Moto Maxx), e o modelo de nossa análise, o SM-N910C equipado com o SoC da Samsung Exynos 7, um chip de oito núcleos, sendo quatro Cortex-A53 em 1.3GHz e quatro Cortex-A57 em 1.9GHz.

Apesar de ser impressionante imaginar um chip de smartphone de oito núcleos. O que nos importa é a capacidade do sistema e dos aplicativos de explorarem o componente.

[+update]: Após report nos comentários, formatamos o Note para o padrão de fábrica e refizemos os benchmarks, o que resultou em uma melhora significativa nos scores em diversos dos testes. 

Em performance geral do sistema, teste feito pelo Antutu e Basemark OS, o Note 4 apresentou o maior desempenho entre todos os aparelhos Android, incluindo o Qualcomm Snapdragon 805 que equipa o Moto Maxx.

O 3DMark é um teste focado na performance gráfica, e nele o Note 4 não ficou no topo, mas não passou longe.  Mali-T760, chip gráfico que acompanha o Exynos, não chegou a bater o Adreno 420, mas ficou logo atrás e conquistou o segundo lugar em nosso comparativo. O score de 19 mil colocou o aparelho na frente da maioria dos topo de linha desta geração.

Como muitos phablets, a principal vantagem do Note 4 não é a tela maior. Com mais espaço disponível, as fabricantes aproveitam para caprichar na bateria, e a Samsung não foi exceção. Os 3220 mAh de sua bateria só não superam os 3900 do Moto Maxx, e o resultado é uma excelente autonomia, próxima dos aparelhos com melhor desempenho neste aspecto.

Em nosso teste prático, com alto consumo e todos os sensores e 3G constantemente ativos, o Galaxy Note 4 conseguiu fechar um dia de uso e ainda aguentar algumas horas do dia seguinte. Maneirando, podemos utilizá-lo confortavelmente por dois dias antes de precisar recarregá-lo.

Apesar do resultado ser bom, a Sony segue em vantagem neste aspecto, esticando para quase três dias a autonomia do Xperia Z3 graças a um software melhor otimizado. Considerando a "estupidez" de bateria que a Motorola colocou, a diferença entre o Maxx e o Note 4 em autonomia não é muito grande no uso cotidiano.

O Note 4 é capaz de segurar um dia com uso intenso e todos os sensores ativos. Maneirando no uso, dá para ter tranquilamente dois dias de autonomia

Câmera

O Galaxy Note vem equipado com um sensor de 16MP e um sistema de foco híbrido, que combina tanto o modo phase quanto o por contraste. Como resultado, o smarpthone é rápido e eficiente na hora de fazer o foco, principalmente por uma característica do software da Samsung: o smartphone fica constantemente testando o foco e a exposição, antes mesmo do usuário apertar para fazer a foto.


Câmara frontal 

O software da Samsung é inteligente na medida que verifica a cena e busca o melhor ajuste por conta própria. Em cenas escuras, por exemplo, ele não "sai ligando" o flash indiscriminadamente, e  busca aumentar a exposição para tentar bater uma foto mantendo as características de iluminação natural da cena. A estratégia funciona bem em ambientes pouco movimentados, mas basta alguma coisa se mexer ou você não manter firme o aparelho para a foto ficar borrada - mesmo com a ajuda da estabilização óptica.

Na hora dos vídeos, o aparelho é capaz de fazer imagens em resolução 4K, e a qualidade da imagem acompanha o nível de qualidade das fotos, fazendo excelentes imagens e, graças ao auxílio da estabilização óptica, realizando gravações com qualidade mesmo com muito movimento.

Uma adição interessante do software da câmera é a possibilidade de baixar novos modos. Existe uma "loja de configurações" para as fotos no Note 4, que podem ser baixados e assim trazer novas funcionalidades como panorâmicas ou  fotos em modo esporte (com pouco tempo de exposição).

Softwares e recursos adicionais

A Samsung é famosa por sua intervenção pesada no Android. A relação de amor/ódio com as mexidas no sistema começam pela interface TouchWiz, que não é de todo o mal, ao inserir coisas úteis como atalhos dos sensores na barra de notificações e também um sistema de busca, o "S Finder". Em contrapartida, a interface da Samsung é mal-vista por ser considerada responsável por uma menor performance do aparelho e também ocupar muito espaço do armazenamento.

O Note insere dois novos sensores: no botão Home está um leitor de digitais, enquanto na parte traseira, junto ao flash, fica o sensor de batimentos cardíacos. Apesar de adições interessantes, tenho minhas ressalvas em relação a eles. O sensor de digitais é bastante específico na forma como você precisa deslizar o dedo para que ele seja reconhecido, o que significa que obrigatoriamente você terá que usar as duas mãos para desbloquear o aparelho, se pretende usar sua digital como mecanismo de segurança. Para colocar em perspectiva, o iPhone consegue identificar a digital só de encostar com o dedo no botão, o que significa que em um único gesto de apertar o botão você consegue ao mesmo tempo desbloquear o aparelho e também realizar a identificação por biometria. Já com o modelo da Samsung, a necessidade de deslizar o dedo é tão pouco prática que pode até desmotivar a usar este recurso.

Os sensores de batimentos cardíacos e de digital são adições interessantes, mas pouco práticas

 

O sensor de batimentos é acionado através do app S Health, já embarcado com o dispositivo e operando sempre em segundo plano. Em poucos segundos, o sensor é capaz de indicar o ritmo dos batimentos cardíacos, porém é preciso manter o dedo no sensor e não se mexer muito, o que torna o processo menos prático que utilizar um vestível. Considerando o tamanho do Note 4, ele também não é um bom companheiro para uma corrida ou atividade em ambiente aberto, e a necessidade de parar para ver os batimentos diminui sua praticidade frente a acessórios mais especializados.

Além dos batimentos, ele é capaz de medir a oximetria do pulso, que representa a saturação de oxigênio na corrente sanguínea. Para os entusiastas de exercícios, este indicador não vale muito a pena: a maioria das pessoas saudáveis se situam entre 95 e 100% de spO2 de forma constante, logo medir este fator não servirá para acompanhar a sua evolução em atividades físicas. As medições sempre ficarão nesta casa, a menos que possua alguma doença respiratória. Abaixo dos 80%, por exemplo, seus órgãos já não funcionam mais corretamente.

Além dos sensores, o Note 4 traz uma série de apps e funções embarcadas. A última tela da esquerda, na interface inicial, já possui embutido o aplicativo Flipboad, um popular app de organização e leitura de conteúdos. Outros aplicativos "praticamente obrigatórios" como o Evernote, Facebook e o Dropbox também já estão no aparelho, o que é interessante para usuários mais leigos que preferem que o aparelho venha "já pronto", mas que pode desagradar os que preferem o aparelho com mais espaço disponível e quer instalar apenas os apps que vai usar.

O grande diferencial da linha Note é a caneta Stylus. Além da excelente precisão, o Note tem como grande vantagem já trazer em seu design o encaixe para mantê-la sempre disponível. Ao puxá-la, o software já identifica o uso do acessório e abre uma paleta com opções do que fazer. O grau de precisão é absurdo, e mesmo antes de tocar a tela já há uma marcação de onde a caneta está prestes a tocar. Um botão secundário também possibilita outras interações e abre novamente o menu pop-up, sendo assim bastante útil.

A S Pen continua como o grande diferencial da linha Note, com uma precisão impecável e grande praticidade na hora de usar

 

O Galaxy Note 4 traz refinamentos pontuais em relação ao Note 3, em termos de design. Seu grande diferencial é a maior resolução de tela, que trouxe novamente o display para o patamar das telas com melhor definição. 

Em termos gerais, o Note 4 mantém as principais características que tornam este aparelho um dos principais sucessos de vendas da sul-coreana: alta performance, excelente tela, uma eficiente caneta, bom design e excelente duração de bateria. Essa combinação torna este phablet o melhor modelo de maiores dimensões disponível no mercado. 

Porém, este modelo mantém também as características negativas da Samsung em seus smartphones. O sistema traz muita coisa embarcada e modificações pesadas no sistema Android. Na mesma medida que isto traz funções úteis, também resulta em uma grande quantidade de coisas que você nem usará e acabará desabilitando. Os sensores vem na mesma balada, e a falta de praticidade em usá-los fará com que a maioria dos usuários simplesmente os ignorem.

A Samsung segue inserindo recursos sem torná-las eficientes, antes. O resultado são sensores e funcionalidades que você irá desabilitar ou nunca mais usar

Com um preço na casa dos R$ 2.800, este aparelho traz um custo bastante alto. Modelos como o LG G3, que tem um display apenas 0.2" menor, pode ser encontrado pelo custo de R$ 1.400 e não fica devendo em nada comparado ao modelo da Samsung, em termos de especificações. O diferencial mais importante entre os dois modelos é a caneta Stylus, e a menos que você faça questão dos sensores adicionais ou deste acessório, a compra do Galaxy Note 4 pode não compensar.

Conclusão

 

Avaliação: Samsung Galaxy Note 4

Design
9.0
Desempenho
9.5
Funcionalidades
8.0
Câmera
9.0
Preço
6.0

 


PRÓS
Ótima tela
Bom acabamento e materiais
Câmera de alta qualidade
Caneta stylus precisa e eficiente
Sensores de digital e batimentos cardíacos
CONTRA
Excesso de alterações da Samsung no Android
Novos sensores não são muito práticos de se usar
Tamanho difícil de manusear facilmente
Preço muito alto frente a concorrentes Android
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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".