ANÁLISE: Nvidia Shield Tablet

ANÁLISE: Nvidia Shield Tablet

Se o Nvidia Shield original não era o portÁtil com que todos sonhÁvamos, ele ao menos foi um aparelho inovador. Com design bem diferente e a última versão do sistema Android, ele tentava se justificar utilizando a biblioteca de jogos do sistema da Google, além da possibilidade de jogar games de PC por streaming. Isso resultou num aparelho de boa qualidade, mas ainda assim de proposta limitada e com foco num nicho muito específico.

É para resolver esses problemas que chega o Shield Tablet. Com um design mais tradicional que o do Shield portÁtil, ele ganha utilidade para ser usado como um tablet comum. Navegar na internet, assistir a vídeos e usar redes sociais são atividades que fazem mais sentido num aparelho do tipo, expandindo consideravelmente o público potencial. Mas serÁ que a mudança vai causar uma crise de identidade na linha Shield? 

Design e Tela

Ano passado, no Shield portÁtil, a Nvidia não exagerou na tela, colocando apenas um display HD. A empresa repete a fórmula de evitar exageros no tablet, que possui display IPS de 8 polegadas e resolução 1920 x 1200. Isso resulta numa densidade de pixels de 294 ppi, um pouco menor do que os 326 ppi do iPad Mini 3 e os 323 ppi do Nexus 9. Mesmo assim, a tela é de excelente qualidade, com ótimos ângulos de visão e atende todas as necessidades do aparelho. DÁ para dizer sem medo que a Nvidia acertou em cheio nesse aspecto.

Na parte do design, o corpo do aparelho consiste, em sua maioria, de plÁstico. Mesmo assim, o Shield Tablet não chega a parecer algo barato ou mal trabalhado. Muito pelo contrÁrio. Ele se encaixa bem na mão, e é até agradÁvel de segurar, apesar de ser um pouco mais grosso, com seus 9.1 mm de espessura. Não espere, porém, que o tablet da Nvidia vÁ se equiparar a um iPad Mini. Ao menos não no aspecto design.

Na parte frontal, encontra-se uma câmera e dois alto falantes, que proporcionam boa qualidade sonora de maneira bem direcionada. Nas laterais, podemos encontrar a entrada para cartão SD e o lugar onde fica a caneta stylus. Também é aqui que estão os únicos 3 botões do aparelho, que servem para aumentar e diminuir o volume, além de ligÁ-lo e desligÁ-lo. Tenho que dizer que, de início, achei os botões de ruim acesso, além de pouco responsivos. A sensação diminuiu conforme fui me acostumando com o tablet, mas ainda me incomodo um pouco com eles.

  

Funcionalidades

Além de (obviamente) fazer tudo que um tablet faz, o Shield tem uma excelente gama de funcionalidades extras. Talvez o meu recurso favorito continue sendo o Gamestream, que jÁ estava presente no portÁtil Shield. Ele permite que se jogue, no tablet, um game que estÁ rodando em seu PC, através de streaming.

HÁ uma lista de roteadores recomendados, mas a maioria dos aparelhos de 5 GHz deverÁ funcionar bem. Também é possível usar a função fora de casa, mas a internet onde estÁ conectado o PC precisa ter 10 Mbps (cerca de 1.2 MB/s) de velocidade de upload.

No ano passado, quando analisei o Shield portÁtil, um dos principais pontos negativos era a falta de jogos para Android. Agora, eu diria que a situação melhorou um pouco. Jogos como Final Fantasy VI, Hearthstone: Heroes of Warcraft e Asphalt 8 trouxeram mais algumas opções de boa qualidade para o sistema. 

Para o Shield Tablet e seu chip Tegra K1, as coisas estão ainda melhores. Até o momento, são 11 jogos otimizados especialmente para o processador da Nvidia, que incluem Trine 2 (que jÁ vem na Tablet), War Thunder e The Talos Principle. Isso sem contar os jogos que jÁ estavam otimizados para o Tegra 4 e que, consequentemente, também trazem essa vantagem para o Shield Tablet. Para completar, ainda hÁ os ports de Half-Life 2 e Portal, que são jogos exclusivos para os aparelhos da Nvidia.

Não hÁ como negar que é uma grande evolução em relação ao ano passado, quando jÁ tínhamos jogos como Real Racing 3 e vÁrios jogos da série GTA (GTA III, GTA: Vice City e GTA: San Andreas). Mesmo assim, ainda hÁ opções melhores para jogos portÁteis, como o PS Vita com títulos do nível de Uncharted: Golden Abyss e Tearaway e, principalmente, o Nintendo 3DS, com Pokémon X e Y, The Legend of Zelda: Ocarina of Time e Super Smash Bros.

E talvez aí é que esteja o diferencial do Shield Tablet. Afinal, o Shield portÁtil não tinha como brigar com esses consoles pois não oferecia nada a mais do que eles oferecem. JÁ o novo dispositivo tem exatamente a vantagem de ser um tablet! Que ainda por cima traz Android 4.4, com a confirmação de que serÁ atualizado para a versão 5.0 Lollipop em breve. Ou seja, ele ganha utilidade para ser usado na escola ou no trabalho, por exemplo, e até mesmo para simplesmente navegar na internet e ver vídeos ou séries de TV em casa. O Shield portÁtil até permitia esse tipo de coisa, mas seu formato de controle acabava atrapalhando o uso.

O tablet ainda uma câmera frontal e outra traseira, ambas de 5 MP e sem flash. A qualidade delas é apenas o suficiente para fazer o bÁsico, mas imagino que o público-alvo desse aparelho não consista de pessoas que tiram fotos com tablets. E podem ficar tranquilos: a câmera frontal não tem essa qualidade toda para tirar "selfies", mas sim para fazer transmissões na Twitch TV.

O que permite que o Shield tablet tenha a funcionalidade de transmitir games é a arquitetura Kepler da GPU do Tegra K1. Isso significa que o dispositivo ainda consegue utilizar a tecnologia ShadowPlay para gravar gameplays. Assim como o Gradiente Tegra Note, o Shield tablet ainda traz uma stylus, que pode ser usada para desenhar. Aqui, o destaque são os efeitos que podem ser simulados, como o de tinta a óleo num quadro, graças a potência do processador.

Desempenho e Autonomia

Essa é a seção onde o Shield Tablet mais se destaca dos outros aparelhos. O Tegra K1 é um monstro de um processador, que simplesmente aniquilou todos os nossos recordes de desempenho em dispositivos móveis.

Ele vai muito além de proporcionar uma experiência de uso sem travamentos no dia-a-dia. Ele também roda todos os jogos de Android no mÁximo, com raríssimos slowdowns. Nem o ShadowPlay gravando chega a atrapalhar o frame rate.

Mesmo com todo o desempenho observado nos benchmarks acima, a duração de bateria (de 5197 mAh) não fica comprometida. A Nvidia promete 10 horas de uso contínuo quando se estÁ navegando na internet e assistindo vídeos, e foi por volta disso que eu obtive no meu uso.

Mas, para isso, tive que ligar a economia de bateria, que limita o clock do Tegra K1 e ativa algumas outras otimizações. Mesmo assim o aparelho continua sem nenhum travamento no uso cotidiano e em praticamente todos os jogos.

Só nos games mais exigentes que é necessÁrio ativar o modo de "mÁximo desempenho", que libera a total potência do processador. A contrapartida é que a bateria dura bem menos nesse modo, fazendo com que seja possível jogar games exigentes apenas por umas 2 ou 3 horas.

Conclusão

O portÁtil Nvidia Shield era um excelente aparelho feito para um número muito pequeno de pessoas. JÁ Shield Tablet é um produto que interessa um público muito maior, afinal estÁ entre os melhores tablets com sistema Android. Por US$ 299, ele custa, no mínimo, US$ 100 a menos que seus principais concorrentes, o que lhe confere um bom custo/benefício. Isso sem contar suas variadas funcionalidades extras.

Assim como acontecia no portÁtil Shield, esses recursos extras têm apelo maior para PC Gamers, especialmente aqueles que possuem placa de vídeo da Nvidia com arquitetura Kepler ou Maxwell. Afinal, este é um requisito para usar o GameStream, tecnologia que permite jogar os games de seu PC no tablet.

O único porém é que é necessÁrio ter um controle para aproveitar ao mÁximo essas funções. A Nvidia vende separadamente um controle especial para o tablet, que custa US$ 60. Ele funciona por Wi-Fi Direct, dando um tempo de resposta mais rÁpido que o de dispositivos Bluetooth. mesmo com a adição do controle, o Shield Tablet segue mais barato que seus principais competidores. Por isso, me arrisco a dizer que este é o melhor tablet Android de menor tamanho.

PRÓS
Melhor desempenho entre os tablets que jÁ testamos
Recursos para games, como GameStream e ShadowPlay
Preço menor que o de seus concorrentes diretos, mesmo comprando o controle
Android atualizado e quase puro
CONTRA
Design pior que o dos concorrentes
Botões físicos pouco responsivos de difícil acesso
  • Redator: Carlos Felipe Estrella

    Carlos Felipe Estrella

    Apaixonado por games desde os 6 anos de idade, quando ganhou um Playstation, época em que também se divertia com o Super Nintendo dos outros. Em 2005 migrou para o PC, e aí começou a se interessar por tecnologia também. Apesar disso, nunca conseguiu largar a preferência por jogos de corrida e de esporte, principalmente os de futebol. Estuda jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina.