ANÁLISE: DriveClub

ANÁLISE: DriveClub

Desenvolvido pela Evolution Studios, a produtora da franquia "Motorstorm", "DriveClub" é o primeiro jogo de corrida exclusivo para Playstation 4. Planejado para ser um dos títulos de estreia do console de nova geração da Sony, o game chegou a sofrer alguns adiamentos e somente agora chegou às lojas.

Mas serÁ que o jogo conseguiu justificar os atrasos e, sobretudo, vale o investimento? A resposta é: parcialmente. Mas você só vai ficar sabendo os motivos dessa opinião se ler os motivos que levaram a isso na anÁlise completa abaixo. ;) 



Jogabilidade arcade traz desafio e boa diversão, mas é limitada 

A jogabilidade de "DriveClub" é puramente arcade, ou seja, foca totalmente na rÁpida diversão em alta velocidade e ignora qualquer possibilidade de customização na mecânica dos carros. Isso quer dizer que o jogo é ruim? De jeito algum: uma coisa não é sinônima de outra. Por isso, logo aviso: jogadores que adoram gastar horas arrumando seus carros, mexendo nas peças, motores e outras opções automobilísticas, é melhor procurar outro jogo porque aqui não existe nenhum resquício de tunagem e derivados.

O mÁximo de customização que o jogo traz para os carros é na estética, com a possibilidade de criação de símbolos e adesivos para ilustrÁ-los da forma como quiser. É possível editar cor, modelagem, tipos de desenhos, tamanho e posição aonde colocÁ-los. Nada muito complexo ou diversificado, mas dÁ para o gasto. O seu avatar também pode ser editado, mas de uma forma um tanto mais simplória, com padrões de cor de pele, características faciais e roupas jÁ pré-definidas. Não que isso vÁ influenciar na diversão ou na experiência de jogo, mas estas opções estéticas poderiam ter sido melhor trabalhadas, dando maior variedade de customização ao jogador.

A melhor parte da jogabilidade de "DriveClub" é, definitivamente, a sensação de velocidade: bastante realista e empolgante, o game não "trava" a movimentação da câmera que se posiciona sobre ou dentro de um carro, trazendo um tremido característico que não atrapalha em nada a dirigibilidade, mas que traz um aspecto bem mais verdadeiro e acreditÁvel à arte de dirigir um veículo. Pisar fundo no acelerador, frear na hora certa e cumprir as tangências das curvas e suas particularidade é primordial para se dar bem. Ainda mais porque a inteligência artificial dos oponentes é uma das melhores jÁ vistas em jogos de corrida, do tipo que realmente brigam pelas melhores colocações com o jogador. A dificuldade é acima da média e, a diversão, constante. 

Com relação aos modos de jogo, "DriveClub" se desdobra em três: Tour, Evento Único e Multiplayer. O mais importante deles é o primeiro: é o tradicional modo carreira, aonde provavelmente você vai passar a maior parte do seu tempo no game. Nele, seu objetivo é cumprir todos os desafios propostos em buscas de muitas estrelas, que desbloqueiam novos torneios, pista e campeonatos bem específicos. Quanto melhor for nas provas, mais estrelas irÁ ganhar e mais rÁpido irÁ ter acesso às partes mais complexas do jogo.

Essas estrelas se resumem a completar voltas abaixo de um tempo específico, chegar entre os três primeiros colocados, completar uma série de desafios de velocidade ou drift, entre outras tarefas. O legal é que não é sempre necessÁrio chegar sempre em primeiro lugar para conseguir progredir de uma maneira tranquila - claro, quanto melhor se posicionar, mais rÁpido irÁ se desenvolver no game. E tudo o que conseguir durante as corridas é convertido em Fama, a pontuação central do jogo que turbina seu perfil de jogador. É através dessa pontuação que você alcança novos níveis e, consequentemente, desbloqueia novos carros.

Divididos em 5 classes, eles somam, no total, 55. Como dito anteriormente, não é possível melhorÁ-los ou mexer nas suas partes mais vitais (peças, motor, embreagem, etc), mas mesmo com a dirigibilidade bem arcade, todos eles possuem comportamentos, atributos de aceleração, velocidade, peso e resposta a drift que se diferenciam uns entre outros, praticamente atendendo a todos os tipos de gostos dos jogadores. Poderia haver mais carros? Com certeza. Teria bem mais variedade e um incentivo maior para continuar jogando na busca de todos eles. Mas como ter mais também não é obrigatoriamente sinônimo de ser melhor, não ter 1.000 carros não significa que os 55 presentes não sejam suficientes para divertir e que não proporcionem uma boa experiência no gênero.   


Com relação às pistas, são 55 ao todo (incluindo jÁ a variação de traçados com atalhos e direção contrÁria), divididas entre 5 países: CanadÁ, Chile, Índia, Noruega, Escócia. É bem interessante notar as diferenciações entre cada uma delas, todas mais perceptíveis na maneira como tal país se manifesta culturalmente, na composição geogrÁfica e no clima. Chile e Índia, por exemplo, tem Áreas mais arenosas e montanhosas, com cabanas e florestas estampadas pelo cenÁrio. CanadÁ, Escócia e Noruega possuem Áreas mais abertas, com rios, lagos, alguma cidadela pelo meio do caminho e muita neve distribuída pelos cenÁrios, algumas com mais, outras com menos, ou com uma longa cadeia de montanha rochosa coberta por neve estampada ao fundo, dependendo da região em que você corre. 

Aspectos sociais são intuitivos e viciantes

Uma das melhores partes em "DriveClub" são os aspectos sociais do game, ou seja, as características de jogo que põem milhares de jogadores em contato sem necessariamente você estar conectado a eles, ser obrigado a tê-los na listagem de amigos ou a propriamente ter que interagir com eles através de mensagens ou Áudio. Conectado à Playstation Network, durante as corridas você topa com desafios contra outros usuÁrios da rede que, se completados, rendem muitos pontos extras que são adicionados à pontuação de Fama no seu perfil geral.

Esses desafios se resumem a completar trechos das pistas em velocidade maior que a do oponente mostrado naquele momento na tela, a seguir corretamente e mais precisamente a tangencia das curvas que surgirem nas pistas e a superar alguma pontuação de drift em algum trecho mais sinuoso e complexo. O esquema é simples e bem funcional: o jogo mostra o momento exato em que o desafio estÁ sendo proposto, apontando a pontuação doo rival aleatório da PSN que você deverÁ superar para ganhar pontos extras. E embora esses desafios sejam bem repetitivos, é um sistema altamente viciante, instigante, e que ajuda bastante no seu progresso.

Uma outra novidade bem interessante são os Clubes, um sistema de comunidades online que reúne jogadores para competir com jogadores vinculados a outros clubes. Por ora, somente 6 pessoas podem participar de cada clube, um número consideravelmente limitado. Mas uma vez parte de um clube, você pode cumprir e criar desafios que rendem não somente Fama ao seu perfil, mas também a do clube do qual participa. Quanto mais movimentado for o clube e mais participativo você for do clube, maior prestígio terÁ o seu clube na comunidade e maior serÁ o interesse dos outros usuÁrios e clubes para propor duelos em conjunto diversificados e divertidos. 

Existe, ainda, um sistema de desafios especiais em que você pode competir, criar e convidar outros jogadores da rede também para participar. Esses desafios ficam disponíveis numa aba dedicada, separados por desafios do tipo solo e de clube, facilitando a escolha do tipo de tarefa que você queira cumprir ou deseja enfrentar, sejam algum outro jogador ou clubes específicos. O legal é que tudo o que você faz no jogo pode se transformar num desafio a outros jogadores: pode ser uma volta perfeita em tempo recorde, uma determinada pontuação atingida numa prova de drift, uma velocidade absurda atingida em determinado trecho de uma corrida e assim por diante. Cabe ao jogador usar o bom sensor para criar e enviar desafios que sejam realmente vÁlidos e únicos, ajudando na longevidade e na qualidade da comunidade.

Visual é bom, mas não se destaca

Com uma boa diversidade de cenÁrios e ótimos efeitos de luz, os grÁficos de "DriveClub" são bons no geral, mas dificilmente vão surpreender alguém ou causar o impacto que se espera de um jogo de corrida feito para uma nova geração. Isso não quer dizer quer o visual do jogo seja ruim, mas não hÁ nada aqui que jÁ não tenha sido visto no mesmo nível ou que esteja melhor do que qualquer outro game do gênero, como "Forza Motorsport 5" ou, mais recentemente, "Forza Horizon 2".

A modelagem externa dos carros, por exemplo, é até bem feita, mas não é algo que se sobressai aos olhos. JÁ a modelagem interna dos veículos não esbanja muito capricho e com certeza vai decepcionar os mais fanÁticos por automobilismo. Os cenÁrios também têm problemas: é até bem interessante ver as diferenciações entre cada um dos países visitados, seus relevos, suas expressões culturais e condições climÁticas, mas as Áreas das pistas, considerando as localizadas num mesmo país, são bem parecidas uma com as outras, com poucos elementos e pouco atrativas visualmente, não empolgando muito na hora das corridas.

Além disso, texturas em Árvores, muretas e alguns trechos no próprio asfalto às vezes têm um aspecto menos nítido que chega a incomodar, eliminando a possibilidade de trazer um vigor mais realístico aos grÁficos. As paisagens ao fundo (draw-distance) também não são muito boas, possuindo uma configuração simplória de elementos e um borrão proposital que não prejudicam em nada na diversão geral, mas comprometem um pouco a imersão. 

Lembra da promessa dos incríveis efeitos climÁticos de chuva, neve e reflexos e mudança em tempo real bem realistas numa única corrida? Infelizmente, nada disso existe por aqui, decepcionando bastante o resultado final das impressões da parte grÁfica do jogo, uma das grandes promessas anteriores ao seu lançamento. Tudo o que existe, por enquanto, são passagens de tempo que variam do amanhecer ao anoitecer, dependendo da velocidade com que você escolhe nas configurações para que essas transições aconteçam. A notícia boa aqui, talvez, é que estes elementos serão adicionados numa atualização futura prevista para dezembro, mas até lÁ, o impacto causado pela parte grÁfica do jogo não serÁ das melhores.


Motores em altíssima potência e batidas eletrônicas empolgantes

No Áudio, "DriveClub" agrada bastante nos efeitos sonoros dos carros, sobre tudo nos sons dos motores. Os de altíssima rotação são os que mais "cantam" para os ouvidos e é um verdadeiro deleite escutar toda a sua potência. Os de menos potência também são igualmente bons, mas é sempre melhor e mais prazeroso ouvir uma mistura de 12 carros muito rÁpidos correndo loucamente atrÁs da primeira posição. O que irrita um pouco nessa parte é o barulho estridente das derrapagens feitas pelos pneus em atrito com o asfalto.

JÁ a trilha sonora cumpre seu papel bÁsico de dar uma certa emoção musical às corridas, com batidas eletrônicas pesadas e empolgantes. A música do meu principal do jogo, por exemplo, é a melhor do jogo, passando uma sensação de que se estÁ se preparando para algo épico que virÁ em seguida - que são as corridas ou os desafios online. O problema é que as canções são bem repetitivas e vai chegar o momento que você vai querer diminuir parte ou todo o volume das músicas e se concentrar apenas na corrida e nos sons dos carros.  


Multiplayer

Uma pena que a Evolution Studios e a Sony não pensaram no que poderia ocorrer com os servidores do game. Aconteceu o inevitÁvel: simplesmente não funciona, ou melhor, hoje funciona mas baseado em fila. Ou seja, o servidor não suporta muitas conexões simultâneas, e para amenizar o problema, a produtora ativou um modo de "fila" onde uma vez lotado, novas conexões só serão possíveis quando algum jogador desconectar.

As consequências são enormes, incluindo o adiamento da versão gratuita para assinantes Plus que de acordo com a Sony, só serÁ lançada após os problemas serem sanados por completo. Além disso, a parte Social, o Clube e o modo de desafios também não estão funcionando mais.

Isso quer dizer que não pudemos testar o multiplayer, que foi a parte mais divulgada de Driveclub, e que seria a grande novidade.

Conclusão 

"DriveClub" é mais indicado se você prefere jogos de corrida com jogabilidade bem arcade e não gosta de gastar tempo em customizações detalhistas nos carros. Caso contrÁrio, se você é daqueles que adoram mexer em todas as peças dos veículos, explorar as potencialidades ou defeitos deles, testar diferentes tipos de motores, pneus e derivados, fique bem longe deste jogo. Simples assim.

As melhores partes de "DriveClub" são o modo Tour (carreira), que tem muitos - porém repetitivos - objetivos para cumprir, a excelente sensação de velocidade, a dificuldade bem acima da média dos oponentes controlados por computador e o sistema de interação social com outros jogadores conectados à PSN.  

Mas o jogo também derrapa bem feio em alguns aspectos primordiais a qualquer jogo de corrida. São eles: limitação de conteúdo (carros, pistas e extras que adicionem mais longevidade à experiência), grÁficos bem abaixo do prometido pela produtora (inclusive com efeitos climÁticos faltantes) e a falta de identidade e de personalidade na execução do projeto, que o diferencie verdadeiramente dos outros games do gênero, tornando-o marcante ou indispensÁvel - o que não é o caso. 

PRÓS
Modo carreira longo, desafiante e com muitos objetivos para cumprir
Aspectos sociais: interação ampla com outros jogadores rendem muitas provas extras
Inteligência artificial bem acima da média
Jogabilidade puramente arcade foca na diversão
Excelente sensação de velocidade
CONTRAS
GrÁficos não convencem: sem o vigor e os efeitos climÁticos prometidos
Repetição dos objetivos no modo carreira
Personalização ínfima nos carros e no seu avatar
Quantidade limitada de veículos
Falta personalidade  e identidade na execução do projeto
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.