ANÁLISE: Shovel Knight

ANÁLISE: Shovel Knight

"Shovel Knight" é o primeiro jogo produzido pela Yacht Club Games e conta a história de um dos maiores cavaleiros da região fazendo de tudo - com uma pÁ - para salvar sua amazona amada das mãos da vilã Enchantress. Uma trama que parece ter nascido de uma daquelas ideias aparentemente idiotas que todos temos no chuveiro como, por exemplo, "e se eu fizer um jogo onde o cavaleiro mata geral com uma pÁ?!". O "pior" é que alguém realmente teve essa ideia, colocou num projeto e pediu ajuda pelo Kickstarter.

O resultado não demorou: um jogo simples, mas extremamente bem feito, com uma jogabilidade desafiante, uma pequena história com um drama amaciado por um humor bem sutil, músicas e grÁficos 8bits nostÁlgicos para qualquer gamer que jogou "Mario Bros.", "Mega Man V" ou até "The Legend of Zelda" - games que foram inspirações para "Shovel Knight" - matarem saudade.


O "Dark Souls" que deveria ter saído para SNES

Como jÁ disse antes, a Yacht Club Games tinha o propósito de produzir um jogo que lembrasse os clÁssicos dos primeiros consoles: pouca história e muita ação, sistema de mapa parecido com o de "Mario" e, principalmente, a dificuldade. Para quem reclama de jogos muito fÁceis e que te levam pela mão até o final (como eu reclamo), "Shovel Knight" é uma ótima opção, oferecendo um belo desafio.

Não é a toa que o elmo do "Shovel Knight" lembra muito "Darksouls".

A vida base do personagem é uma fachada, ela só serve para as batalhas com os chefes (e olha lÁ!). O que mais mata nosso herói é o ambiente da fase: tudo conspira contra você. São monstros aparecendo do abismo e interceptando seu pulo, ventos que te levam para os espinhos, inimigos posicionados estrategicamente para te fazer cair... não hÁ fase em que você não morra cerca de dez vezes antes de conseguir chegar no "chefão". Além do que toda vez que "Shovel Knight" morre, você perde uma quantia considerÁvel de ouro, o que te induz a ir no lugar que te matou... e morrer de novo.


Quem precisa de Unreal Engine 4 quando se tem pixels? 

Prevejo muitos entusiastas de grÁficos (ou graficistas, segundo Andrei Longen; ou Master Race, segundo Diego Kerber) reclamando da nota 10 que eu dei para essa "categoria" de "Shovel Knight". Existem jogos realistas, cartunizados, desenhados e existem jogos pixelados, no qual se encaixa o game. Não podemos dar nota baixa para "Limbo", por exemplo, simplesmente porque ele é preto e branco.

Pensando assim, os grÁficos de "Shovel Knight" são extremamente belos e agradÁveis. Os personagens são bem animados, não sendo tão estÁticos quanto seus influenciadores; o cenÁrio é colorido, bem equilibrado e com uma estética bem pensada (detalhes que acabam enriquecendo o todo); e os chefes são muito bem construídos, sendo que cada um tem características bem diferentes dos outros.

Além disso, a sonoplastia "8bits" foi composta perfeitamente para cada fase. Por exemplo: no castelo do Plague Knight, a música é meio "techno" por causa da pesquisa científica do chefe; jÁ no castelo do Tinker Knight, hÁ sons metÁlicos no decorrer da fase, e na Boss Fight, hÁ uma certa comicidade no ritmo (você estÁ batendo em um cavaleiro minúsculo! Um cavaleiro minúsculo muito difícil. Mas minúsculo!). É uma trilha sonora que casou perfeitamente com os grÁficos.


TASTE MY BUTT SHOVEL!

Não feliz em usar grÁficos, músicas, temÁtica, narrativa e até boss fights das primeiras gerações, a Yatch Club Games ainda ressuscitou as inúmeras cheats escondidas. São vÁrios códigos que você coloca no começo como nome do personagem e que habilitam ou desabilitam algo do novo jogo. O código IGJKKPCK, por exemplo, faz com que os inimigos tirem 2 nódulos de vida em vez de meio. Isso significa que, mesmo depois de zerar, você terÁ cerca de 300 códigos (que podem ser encontrados aqui) para te proporcionar jogabilidades e dificuldades diferentes.

Destaco o código WSWWAEAW que, na prÁtica, não muda em nada, mas que pode garantir boas risadas: todas as palavras "shovel" e "knight" são substituídas automaticamente por "butt". Isso resulta em frases como "taste my butt" e "I will show you justice! Butt justice!".

Conclusão 

"Shovel Knight" é um jogo excelente e que vale o dinheiro investido. Por mais que ele não seja um game extenso, a dificuldade e os códigos fazem com que o jogador não enjoe tão rapidamente. Além disso, a sensação de destruir geral e matar chefes enormes "a la Mega Man" com uma simples pÁ não é encontrada em nenhum outro jogo.

O único problema, talvez, é a história vazia. Diferente de muitos indie games que vemos por aí, "Shovel Knight" deixou a história um pouco de lado e se preocupou com a jogabilidade e com a saudade dos gamers. Uma pessoa que busca um roteiro elaborado pode se decepcionar ao encontrar uma trama simples de um cavaleiro em busca de sua amada em perigo. Porém, se me permitem uma reflexão, não é todo mundo que sai enfrentando tudo e todos com uma pÁ inofensiva para salvar a mulher que ama.

 

PRÓS
Um jogo nostÁlgico para todos que jogaram Atari e SNES
GrÁficos e músicas muito bem feitos e casados
Finalmente a possibilidade de realizar o sonho de matar todo mundo com uma pÁ
Códigos que possibilitam e estimulam a repetição do jogo
Dificuldade desafiante
Boss fights épicas, para não usar palavras de baixo calão
CONTRAS
História clichê e com pouca profundidade
  • Redator: Luiz Menezes

    Luiz Menezes

    Estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina desde o segundo semestre de 2012 e gamer desde 1999, quando teve a oportunidade de jogar "Adventure" no Atari (mesmo não passando nem da segunda fase). Hoje é estressado com o Xbox 360 e com os ADCs noobs que sempre feedam o Draven. Trabalha na Adrenaline por causa da paixão por games e porque precisa de dinheiro para comprar consoles novos.