ANÁLISE: Murdered: Soul Suspect

ANÁLISE: Murdered: Soul Suspect

Depois do sucesso do game "L.A Noire", desenvolvido pela Rockstar, a Square Enix deve ter pensado "acho que podemos fazer um jogo de detetive também!" e acabaram produzindo "Murdered: Soul Suspect".

Porém, por mais que Cole Phelps tenha sido aclamado pela crítica, Ronan O'Connor não conseguiu chegar nem perto de seus pés: "Murdered: Soul Suspect" é um jogo pequeniníssimo, com grÁficos mal acabados, uma dublagem de voz péssima e uma jogabilidade tão fÁcil que chega a ser imbecil (sério, parece que você sempre estÁ no Tutorial). Nem o roteiro, que possuía algumas novidades como as características "físicas" de fantasma e um crime onde o assassinado tenta achar seu assassino, salvou. 

Preciso saber quem me matou

Tudo começa com o protagonista Ronan O'Connor caindo de uma janela do quarto andar de um prédio em Salem, Massachusetts, e sofrendo uma experiência de quase morte. Aqui você jÁ pode perceber um dos principais erros do game: uma falsa e desnecessÁria interação, que acaba seguindo por toda a história. "Murdered" te obriga a voltar para o corpo esparramado no chão mesmo sem ter nenhum efeito na história (pode deixar parado e ir comer que a história fica ali, todo mundo te espera!).

Logo após, um homem encapuzado vai ao encontro de Ronan e dÁ vÁrios tiros em seu peito, resultando naqueles furos que o fantasma possui durante todo o tempo. O rosto do assassino é encoberto de sombras, e o seu objetivo é descobrir quem era aquele cara - se você não descobrir a tempo, demônios provavelmente te atacarão e você não poderÁ encontrar sua mulher, falecida jÁ hÁ anos.

Demônios tão desafiantes quanto Goombas 

Falando dos demônios, eles são o segundo erro principal: a única coisa que existe no jogo para te atrapalhar, para te oferecer um desafio ou para dar aquele clima de perigo, não faz nada disso. Os demônios são todos iguais, lentos e não te matam nenhuma vez no jogo. Mesmo se você fizer esforço para morrer!

Outro problema sobre os inimigos é a pergunta "como que Ronan O'Connor sabe exorcizar demônios?". A primeira vez que você se livra de um, o tutorial te ensina, claro. Mas ninguém nunca ensinou o protagonista! Ele simplesmente chega atrÁs de um demônio, sua mão começa a brilhar magicamente e "adeus demônio". Realmente, nossas mães ensinam exorcismo logo depois de nos ensinar a usar a privada...

Acabamentos que deviam ter sido acabados

Entendo que, como "Murdered: Soul Suspect" também foi lançado para a geração passada, os grÁficos não poderiam ser tão impressionantes; mas, pô, Airtight Games, podia ter caprichado mais. 

As vozes dos personagens do game são bem feitas e bem audíveis. O problema é que o som não acompanha o movimento de suas bocas. Felizmente, esse é o único problema sonoro perceptível numa primeira jogada -o resto da sonoplastia, como efeitos e música são satisfatórios, mas nada excelente. 

JÁ sobre os grÁficos, houve preguiça por parte dos produtores: Ronan O'Conner é bem estilizado, tem uma roupa legal e é bem característico, enquanto outros personagens são efeitos de "copy & paste"; o cenÁrio possui texturas feias em lugares que não são parte do caminho da história principal; a provas dos crimes são parecidas (outro fruto de "copy & paste"); e é comum você salvar um dos fantasmas presos e, depois de seguir a história, você voltar e encontrÁ-los novamente pedindo por ajuda (pelo menos a missão não pode ser repetida!).

E só um último problema que me irritou, mais precisamente quando você incorpora o gato preto para escalar a casa paroquial: por que Ronan precisa possuir o gato novamente para descer se ele não morre e nem quebra as pernas? Era só ele pular da porcaria da janela como ele fez na primeira parte do game! 

Mas Murdered não é todo morto 

"Então o jogo é horrível?". Não é para tanto. Por mais fÁcil e cheio de erros que ele possa ser, resolver os casos e procurar as pistas escondidas ainda é uma experiência divertida. Ajudar os outros fantasmas presos também é reconfortante e te deixa com um sentimento de "bom samaritano".

Além do que algumas novidades de "Murdered: Soul Suspect" também merecem ser lembradas: é bem divertido passar por objetos que, em outros jogos, te bloqueariam pelo cenÁrio; a sacada de entrar na cabeça das pessoas e influenciÁ-las para tirar informações de lembranças foi inteligente; e, por mais clichê que seja o crime, a história não deixa de ter suspense e mistério.


Conclusão 

"Murdered: Soul Suspect" é um jogo mal acabado e bem pequeno, não valendo os R$ 84,99 que a Steam estÁ pedindo. Porém, ainda vale a pena ser jogado pela experiência de ser um detetive fantasma (talvez na Summer Sale ele fique com um preço mais vÁlido).

Era um jogo com potencial: podia ter sido melhor em todos os aspectos e explorado mais a ideia dos demônios e das habilidades fantasmas. Talvez, se a produtora tivesse se empenhado mais e levado mais tempo para produzir o game, ele teria sido melhor. 

PRÓS
A experiência de ser um detetive fantasma é interessante
As side quests são recompensadoras sentimentalmente
Procurar pistas e entrar na cabeça das pessoas é divertido
CONTRAS
GrÁficos, vozes e enredo mal acabados
Muito fÁcil
Interatividade falsa e desnecessÁria
Inimigos que não apresentam nenhum perigo
Muito pequeno
"Zerou acabou" - Depois de fechar o game você, provavelmente, não vai jogÁ-lo de novo
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  • Redator: Luiz Menezes

    Luiz Menezes

    Estudante de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina desde o segundo semestre de 2012 e gamer desde 1999, quando teve a oportunidade de jogar "Adventure" no Atari (mesmo não passando nem da segunda fase). Hoje é estressado com o Xbox 360 e com os ADCs noobs que sempre feedam o Draven. Trabalha na Adrenaline por causa da paixão por games e porque precisa de dinheiro para comprar consoles novos.