ANÁLISE: Moto E

ANÁLISE: Moto E

O Moto E é o primeiro smartphone lançado pela Motorola desde que a empresa foi comprada pela Lenovo. Com tela de 4.3 polegadas e Gorilla Glass 3, chip Snapdragon dual-core de 1.2 GHz e 1GB de memória Ram, ele se diferencia dos smartphones de entrada com os quais estamos acostumados. Mesmo assim, o plano da Motorola com o aparelho é concorrer com os feature phones. Mas será que o preço de R$ 599 é suficiente para isso?



Moto G

Moto E

Lumia 630
Processador
Snapdragon 400, quad-core, 1.2GHz Snapdragon 200, dual-core, 1.2GHz Snapdragon 400, quad-core, 1.2GHz
GPU
Adreno 305 Adreno 302 Adreno 305
Armazenamento
8GB (interna)
4GB (interna) +
32GB (microSD)

8GB (interna) +
128GB (microSD)
Memória RAM
1GB 1GB 512MB
Sistema operacional
Android 4.3
(upgrade para 4.4)
Android 4.4.2
Windows 8.1
Câmeras
Traseira 5MP /
Frontal 1.3MP
Traseira 5MP Traseira 5MP
Tela
4.5" LCD
720x1280
4.3" IPS LCD
540x960
4.5' IPS LCD
480 x 854
Proteção de tela
Corning Gorilla
Glass 3
Corning Gorilla
Glass 3
Corning Gorilla
Glass 3
Peso
129.9 x 65.9 x 11.6 mm 124.8 x 64.8 x 12.3 mm 124 x 62 x 9.3 mm
Peso
143g 142g 134g
Bateria
Li-Ion 2070 mAh Li-Ion 1980 mAh

Li-Ion 1830 mAh
LTE

NFC

Dois chips SIM

TV Digital



Preço (23/06/13)
R$ 699 R$ 599 R$ 699

Design

Quando a Motorola desenvolveu o smartphone, ela estava bem consciente da faixa de preço onde o incluiria. Por isso, não espere um design equivalente ao encontrado em dispositivos top-de-linha. A carcaça – feita de plástico – é bem simples, e a traseira não possui nenhuma textura especial. Mas isso não quer dizer que o acabamento seja ruim. O Moto E é bem melhor de segurar do que a média do segmento, principalmente pela curvatura na traseira herdada dos "irmãos" Moto X e Moto G.

Na parte frontal do aparelho há duas linhas de metal, uma cobrindo o microfone e outra na frente do auto falante. Elas conferem um estilo próprio ao aparelho, o diferenciando do resto da linha Moto. O dispositivo também possui resistência a respingos de água. Junto disso, a Motorola incluiu uma excelente surpresa: sua tela utiliza a Gorilla Glass 3, versão mais recente do famoso vidro resistente da Corning. Para quem gosta de customização, a empresa inclui 2 capas extras na caixinha da versão mais cara aparelho, que custa R$ 600. No caso do Moto E que recebemos para análise, uma das traseiras era azul e a outra amarela.

Desempenho

O desempenho do Moto E é surpreendente, especialmente quando consideramos seu preço. Tarefas básicas, como navegar na internet, acessar redes sociais e abrir aplicativos mais simples funcionam extremamente bem, sem qualquer travamento. Mas a surpresa é que ele aguenta muito bem 2 ou 3 aplicativos abertos ao mesmo tempo, permitindo que você abra uma página na internet, troque para um PDF, dê uma olhada no aplicativo do Facebook e ainda possa voltar para o navegador sem ter que recarregar o site que estava vendo.

Seu chip é o Snapdragon 200, que traz a CPU dual-core ARM Cortex-A7 de 1.2 GHz e a GPU Adreno 302. É o mesmo utilizado no Sony Xperia E1 e no LG L35, mas com uma diferença: nestes dois aparelhos, ele é acompanhado de 512 MB de Ram. No Moto E, a Motorola inclui 1 GB de Ram, o que traz uma melhora perceptível no desempenho. Além disso, o Android 4.4.3 KitKat quase puro faz a sua parte ao não pesar muito. Rodar games mais exigentes como Real Racing 3 não foi problema para o aparelho.

Funcionalidades

Até por característica da sua faixa de preço, o Moto E não exibe uma enorme lista de funcionalidades. Vendido em 2 modelos diferentes Â– um de R$ 500 e outro de R$ 600 Â– ele pode vir equipado com diferenciais bem interessantes, principalmente pelas características do mercado brasileiro. No modelo mais caro, encontra-se TV digital e suporte a 2 chips simultâneos Â– o dualSIM. A TV digital, aliás, funciona perfeitamente, e traz o recurso de gravar a programação ou até de agendar gravações, e também permite acessar a programação das emissoras em detalhes.

Em questão de autonomia, o Motorola não decepciona. No meu estilo de uso, que envolve ficar sempre com o 3G ativo (exceto quando houver wi-fi disponível), navegar na internet e jogar alguns games, a bateria de 1980 mAh chegou a durar 2 dias. Ou seja: não há porque se preocupar, o Moto E deverá, ao menos, durar até o fim de um dia de uso intenso.

Entre as funcionalidades exclusivas estão Moto Assist, Motorola Migrate e Moto Alert. O Moto Assist permite que se escolha quando você não quer ser incomodado pelo celular, como a hora em que está dormindo ou quando se está em reuniões que tenham sido cadastradas no calendário do aparelho. Enquanto isso, o Moto Alert permite que o usuário avise seus contatos de que precisa de ajuda. Ele possui um modo de emergência que ativa um alarme sonoro e avisa determinados contatos de que existe uma emergência.

Já o Motorola Migrate permite que se  importe mensagens de texto, contatos, fotos, vídeos e outras coisas de um aparelho Android anterior do usuário. Durante os testes, não levou mais do que 2 minutos para eu ter o Moto E quase do jeito que eu tinha meu Galaxy S III Â– não fosse a falta de memória interna do aparelho da Motorola. 

Aliás, a falta de memória interna é o que torna praticamente obrigatório o uso de um cartão microSD no Moto E. O aparelho possui apenas 4 GB de memória para armazenamento interno, sendo que parte disso ainda é utilizada pelo sistema. Até por isso, o dispositivo suporta cartões de memória de até 32 GB, o que deve ser suficiente para todos – ou quase todos Â– os usuários.

Câmera

Pode-se dizer que a câmera de 5 MP está dentro da proposta de celular de entrada que traz o Moto E. Não que seja uma câmera ruim , mas é que ela não possui os mesmos efeitos e opções de smartphones mais caros. Além disso, a lente não é das melhores. Mas ela até que consegue surpreender, principalmente em condições de boa iluminação.

Porém, se as conduções de luz não estão perfeitas, a imagem sofre uma perda considerável de qualidade, e não há flash para contornar esse problema. As fotos até parecem meio borradas. Mesmo assim, está dentro do que se espera de um celular do segmento de entrada, e traz até alguns recursos extras, como o HDR.

Confira abaixo algumas fotos tiradas com o aparelho:

  

   

   

Conclusão

Não há dúvidas de que o grande atrativo do Moto E é seu preço de R$ 500 (na versão básica) e R$ 600 (versão dualSIM com TV Digital). O desempenho e as funcionalidades que o aparelho oferece certamente estão acima do que costumamos ver no mercado de smartphones de entrada. Sem contar que o Android 4.4.3 Kitkat quase puro deixa tudo ainda mais suave.

A Motorola acertou a mão, e não é a primeira vez que a empresa faz isso. E isso é bom e ruim ao mesmo tempo, pois faz com que exista um forte concorrente dentro da própria empresa, que é o Moto G. Ele traz processador quad-core de 1.2 Ghz, o dobro (8 GB) de armazenamento interno, e ainda possui tela de resolução HD. Isso por R$ 650, apenas R$ 50 a mais que a versão dualSIM do Moto E. Porém, a câmera do Moto G também deixa a desejar. Além disso, há quem prefira Windows Phone. Para estes, o Lumia 630 – smartphone que também estamos analisando – pode ser uma boa pedida.

Por isso, o Moto E é mais indicado para 2 tipos de consumidores: aqueles que acham essencial a função de TV digital da versão mais cara do aparelho, e quem está saindo dos feature phones e quer começar devagar no mundo dos smartphones, pagando o mínimo possível por um aparelho que ainda entregue um bom desempenho. Para esse segundo tipo de consumidor, a versão de R$ 500 do aparelho é uma ótima pedida.

O Moto E é uma ótima escolha para quem quer ingressar no mundo dos smartphones, ou busca um aparelho barato que tenha TV digital e bom desempenho. Porém, ele enfrenta uma disputa interna com o Moto G, e forte concorrência dos Windows Phone de entrada.

PRÓS
Bom desempenho para sua faixa de preço
Android 4.4.3 KitKat quase puro
TV Digital e DualSIM na versão mais cara
Ótima autonomia
Gorilla Glass 3
CONTRAS
Câmera deixa a desejar
Preço muito próximo do Moto G
  • Redator: Carlos Felipe Estrella

    Carlos Felipe Estrella

    Apaixonado por games desde os 6 anos de idade, quando ganhou um Playstation, época em que também se divertia com o Super Nintendo dos outros. Em 2005 migrou para o PC, e aí começou a se interessar por tecnologia também. Apesar disso, nunca conseguiu largar a preferência por jogos de corrida e de esporte, principalmente os de futebol. Estuda jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina.