ANÁLISE: Nokia Lumia 1020

ANÁLISE: Nokia Lumia 1020

Quando testamos o 808 Pureview, tínhamos um sério problema: ele era uma ótima câmera presa a um péssimo smartphone. Felizmente, a Nokia fez o que todos esperavam e trouxe o sensor de 41 megapixels para um modelo mais atualizado, com Windows Phone ao invés de Symbian, como sistema. Assim surge o Lumia 1020, smartphone que chega com a missão de ser o substituto definitivo das câmeras de mão point-and-shoot.



Lumia 1020
Galaxy S4
iPhone 5
Processador
MSM8960 Snapdragon, dual-core, 1.5GHz Cortex-A15,
Quad-core 1.6 GHz
Apple A6,
Dual-core 1.3 GHz
Armazenamento
32GB (interna)
16/32/64GB(interna)
64GB (microSD)

16/32/64GB (interna)
Memória RAM
2GB 2GB 1GB
Sistema operacional
Windows Phone 8

Android 4.2/
upgrade para 4.3

iOS 7
Câmeras
Traseira 41MP /
Frontal 1.2MP
Traseira 13MP / Frontal 2MP Traseira 8MP /
Frontal 1.2MP
Tela
4.5" AMOLED
768x1280
5" Super AMOLED
1080 x 1920
4' LCD IPS
640 x 1136
Dimensões
130.4 x 71.4 x 10.4 mm 136.6 x 69.8 x 7.9 mm
123.8 x 58.6 x 7.6 mm
Peso
158g 130g 112g
Bateria
Li-Ion 2000 mAh Li-Ion 2600 mAh Li-Po 1440 mAh
LTE

HDMI

NFC
Dois chips SIM
Preço (06/12/13)
R$ 2.099
R$ 1.699
R$ 2.299

Design e tela

O design do Lumia 1020 parece uma versão "mais magra" do Lumia 920, com 23 gramas a menos e uma tela de AMOLED ao invés do IPS LCD. Outra diferença é o carregamento: para emagrecer umas gramas, o 1020 não possui um sistema de carregamento por indução interno, como o 920. Com 1cm de espessura e 158g de peso, ele ainda é um aparelho grande e pesado ao lado de outros topo de linha, como o Galaxy S4.

Confira nossa análise do Lumia 920

 

Uma causa do peso e espessura adicionais é o sensor de 41MP. Apesar da visível evolução, comparado ao 808 Pureview, ele ainda é saliente e bastante evidente na parte traseira. Este "volume a mais" é sensível quando manejamos o aparelho, mas não chega a comprometer a ergonomia.

A tela AMOLED tem cores bastante vivas (ou saturadas, se preferirem), pouca distorção de imagem com a variação do ângulo de visão e também conta com recursos como o Clear Black, que torna o preto da imagem bastante evidente, e o Pure Motion HD+, com uma iluminação dos pixels duas vezes mais rápida, que garante uma impressão de muita fluidez a elementos em movimento na tela. O resultado é uma tela de alta qualidade, mas que perde para outros modelos que já partiram para a resolução FullHD, como o G2 e o Galaxy S4.

Em aspectos gerais, o design tem boa ergonomia e sua construção em monobloco traz uma sensação de muita robustez. Só não recomendaria para quem busca um aparelho leve e fino.

Performance e funcionalidades

Apesar desta especificação não impressionar no mundo Android, o processador dual-core de 1.5GHz é algo bastante potente para um aparelho com sistema Windows Phone.


Mesmo com a vantagem na RAM, sendo que o 1020 tem o dobro que o 920, os dois modelos ficaram empatados em benchmarks. Na experiência de uso, as diferenças entre os dois modelos são imperceptíveis, algo que não é ruim, afinal ambos rodam o sistema Windows Phone 8 sem qualquer sinal de travamento ou lentidão, especialmente quando alternamos entre aplicativos. A RAM adicional tem outra função: lidar com o processamento das gigantescas fotos do sensor de 41MP.

O papo de "o Windows Phone precisa de mais aplicativos" já não é mais uma total verdade. A loja de apps do sistema vem crescendo em um bom ritmo, e passou a incluir apps importantes como o Waze e o Instagram, recentemente. A situação agora é outra: muitos dos aplicativos ainda não estão no nível de qualidade mostrado em plataformas como o Android e o iOS. Outro problema é que basta sair do "feijão com arroz" e procurar algum app mais excêntrico ou com uma função incomum para ver que a loja de aplicativos ainda tem espaço para evoluir. Ainda assim, a disponibilidade de aplicativos já não pesa tanto como um ponto negativo deste smartphone. Ao menos, não como aconteceu em análises mais antigas de Lumias que fizemos.

A autonomia deste modelo não é excepcional. Com uso intenso, com a conexão se alternando entre o WiFi e o 3G, uso eventual do GPS, navegação na internet e algumas fotos, o Lumia 1020 sobreviveu a um dia de uso (em torno de 15 horas). Em dias que exagerei mais, o smartphone precisou fazer um "reabastecimento" no final da tarde para chegar até o fim, resultado do flash de Xenon que suga a bateria sem piedade, então se você pretende pegar pesado nas fotos, este acessório com bateria adicional deve ser cogitado.

Multimídia e fotos

Não há dúvidas que é aqui que está o grande destaque do Lumia 1020. O smartphone tem como principal enfoque sua câmera, com recursos como um sensor de 41MP, a tecnologia PureView que promete maior nitidez nas imagens e um eficiente sistema de estabilização ótica de imagem.

A câmera presente no Lumia 1020 está entre as melhores, e potencialmente a melhor, disponível em um smartphone. Além de ser muito responsiva, batendo praticamente uma foto por segundo, ela tem um ótimo foco automático e resultados especialmente impressionantes em locais de baixa luminosidade. A estabilização ótica traz resultados bastante positivos, também (mas ainda não esquecemos a picaretagem na hora de apresentar este recurso, Nokia). Este modelo é, por excelência, um gadget "killer" das câmeras amadoras portáteis, e acho pouco provável que alguém lamente a troca de sua câmera de entrada pelo Lumia 1020.





O smartphone também conta com um recurso incomum: ajuste manual das configurações da foto. O resultado disto é que alguém com mais experiência em fotografia pode arriscar cenas exóticas, com longa exposição (como nas cenas 1, 3 e 10), ou mesmo definir ISO, obturador e foco da forma como quiser. Fotógrafos só sentirão falta do ajuste do diafragma que, por conta do tamanho limitado da objetiva, não é possível de alterar em câmeras de smartphones. Nos momentos em que a longa exposição não resolver, ou se o pessoal ficar muito "irriquieto", o flash de Xenon é bastante rápido e com uma potência bem maior que os flashs de LED presentes na maioria dos concorrentes, o que traz ótimos resultados (como dá para notar nas fotos 2, 5, 6 e 12).


Foto redimensionada e detalhe sem alteração no tamanho

O sensor de 41MP resulta em fotos com dimensões absurdas, que dificilmente você irá usar totalmente (exceto se pretende imprimir um outdoor). A sacada desta resolução é o zoom: há muito espaço para fazer "cortes" na imagem, e ainda resultar em uma cena com, no mínimo, uma resolução FullHD em vídeos ou uma foto com pixels o suficiente para a impressão no tradicional formato 10 x 15 cm, por exemplo. Esta solução fica anos-luz à frente da picaretagem que é o zoom digital, e não tem o "defeito" da espessura maior do aparelho, necessária para o zoom ótico.

Mas há uma ressalva, nesta câmera, e é algo que vem sendo uma constante em todos os Lumias que testamos: problemas no ajuste automático do balanço de branco e foco. A câmera tem dificuldade em realizar este processos sozinha, muitas vezes errando o "white balance", o que resulta em fotos com cores bem distorcidas. Esta falha é ainda mais evidente em vídeos, onde dá pra perceber que além de errar, o software é bem indeciso: ora configura as coisas de uma forma, ora de outra, o que resulta em vídeos "mutantes" com alterações de cor e foco ao longo da gravação. A solução é, se possível, "setar" estas duas características manualmente. O balanço de branco é tranquilo, já o foco... deixá-lo fixo em um ponto pode complicar algumas cenas . Felizmente, nas fotos, o foco se sai melhor, e o balanço de branco pode ser compensado em softwares de edição posteriormente, inclusive em apps do próprio celular.


Teste comparativo sem flash


Teste comparativo com Flash

No comparativo, fica evidente a falha que apontamos. Na foto com flash, o Lumia 1020 se perdeu completamente no balanço de branco, "amarelando" toda a cena. Cheguei a fazer uma segunda tentativa, mas o balanço continuou desregulado. Por mais que o ajuste manual fosse resolver, acho complicado um smartphone que possui a câmera como principal recurso não ser capaz de um bom funcionamento no modo automático. Sem o flash, fica evidente como os dois modelos da Nokia se saem melhor que o Galaxy S4, especialmente pelos contrastes mais evidentes e cores mais vivas.

Conclusão

O Lumia 1020 é o smartphone com a melhor câmera. Ele une um conjunto de características como ótimas cores (quando não erra o balanço de branco), estabilização ótica, captura incrível de detalhes, zoom através de seu sensor de 41 megapixels, flash de Xenon, desempenho surpreendente em condições ruins de luz, ajustes manuais, tempo rápido de reação e softwares interessantes de edição. Há modelos que serão capazes de derrubá-lo em elementos específicos, caso como o do iPhone que acerta mais "a mão" na hora de fazer o balanço de branco no modo automático, mas quando analisamos todo o conjunto de recursos, o 1020 tem uma câmera imbatível.

Nos demais aspectos, não consigo ver nada que este smartphone possua que não esteja no mesmo nível em modelos como o Lumia 920 e 925, o que nos leva a um problema: o preço. Se você tira a câmera de 41MP, o 1020 e o 925 são modelos praticamente idênticos, com uma vantagem de design mais fino e leve para o 925, mas a diferença de preço é gritante. O Lumia 1020 é vendido por R$ 2.399, enquanto o 925 pode ser encontrado por valores que chegam aos R$1.499. Se um design fino e leve não é tão importante para você, as coisas pioram ainda mais se colocamos o Lumia 920 na comparação: com hardware semelhante, ele vem aparecendo por preços na casas dos R$900.

Com apenas a câmera a seu favor, os R$1.000 de diferença são difíceis de justificar, exceto se você quer MUITO a câmera presente no 1020. Este comparativo fica ainda mais complicado se considerarmos que o 920 e o 925 também possuem ótimas câmeras, com direito ao sistema Pureview e estabilização ótica.

Há muitos aparelhos que podem ser adquiridos por valores na casa do R$1.600, como o Xperia Z1 e o Galaxy S4, e equipados com o sistema Android, algo que pode ser mais atrativo para quem prefere o sistema da Google. Logo, eu só recomendaria este aparelho para quem realmente se interessou em sua câmera, e quer abandonar de vez a necessidade de uma câmera point-and-shoot adicional. Mesmo que isto acarrete um considerável custo extra.

Lumia 1020 é o smartphone com a melhor câmera disponível, que pode facilmente substituir câmeras amadoras, sem perdas

 

 

PRÓS
Melhor câmera de smartphone que já testamos
Boa performance e experiência fluída
Design de ótimo acabamento e resistente
CONTRA
Grande e pesado
Biblioteca de aplicativos do Windows Phone ainda em evolução
Foco e balanço de branco automático muito "indecisos" (especialmente em vídeos)
Caro
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".