ANÁLISE: Call of Duty: Ghosts

ANÁLISE: Call of Duty: Ghosts

A Infinity Ward iniciou mais uma "sub-franquia" da série Call of Duty. Dessa vez se chama Ghosts, e a promessa é de que finalmente teremos novos grÁficos, usando tecnologias para a nova geração de consoles que serão lançados este mês.

O problema é que no PC a coisa não andou bem. Existem diversos problemas de performance que acabam acarretando outros problemas durante toda a jogatina: lentidão, travamentos, visual feio na maioria das vezes, Áudio bÁsico, multiplayer com muito lag e desbalanceado, e vÁrias outras coisas.

Ainda assim, Call of Duty: Ghosts é um bom jogo, visualmente acima dos anteriores - que jÁ possuíam visual datado mesmo nos lançamentos - mas que precisa de um patch com urgência.

Embora tenha muito problemas, o game possui também seu lado positivo, e você saberÁ de tudo mais adiante.


História

Antes é preciso dizer quem são os Ghosts, os principais personagens, mas que só aparecem mais tarde no jogo. Eles são soldados da força de operações especiais dos Estados Unidos e treinados para realizar missões clandestinas que o governo insiste em desconhecer oficialmente. Liderados por Elias Walker, um ex-capitão do Exército Americano, que recruta seus filhos Logan e David, e ainda Booth com seu pastor-alemão Riley além do Comandante Navy SEAL Thomas A. Merrick.

O jogo começa em 2013 em San Diego, Califórnia, quando ela é bombardeada por uma arma espacial norte americana conhecido como ODIN (Orbital Defense Initiative), depois que um grupo chamado "Federation" a controlou. Após esses acontecimentos, o mundo todo mudou e os Estados Unidos deixaram de ser uma superpotência, quando suas infraestruturas e indústrias foram destruídas.


O jogo dÁ um salto no tempo e recomeça em 2023, época em qual a "Federation" é uma superpotência que invade os Estados Unidos. Com o exercito americano quase derrotado, surgem os Ghosts para salvar a nação a acabar com a invasão por parte da "Federation".

O curioso nisso tudo é que o grupo "Federation" é formado por países da América Latina, incluindo o Brasil, que se juntaram e criaram uma federação única chamada de "Federation of America", onde a capital é Caracas - na Venezuela - e o idioma falado em todo continente sul-americano é o espanhol. Esses países são os maiores produtores de petróleo do mundo, após o oriente médio ser totalmente devastado.

A história é bem interessante e perfeitamente crível em um futuro não muito distante, principalmente pelos rumos que o mundo estÁ tomando com relação ao petróleo. O problema é que a história segue o estilo dos últimos games da franquia, juntando pedaços quase aleatórios, o que acaba deixando confusos alguns acontecimentos e quem não prestar muita atenção pode se perder.


Jogabilidade & Multiplayer

A franquia sempre teve uma jogabilidade única e copiada por diversos outros jogos. Recebia elogios da critica especializada e dos jogadores. Em Call of Duty: Ghosts a coisa mudou totalmente. E pra pior.

Fica difícil achar um motivo para que uma das jogabilidades mais prazerosas do mundo dos games em primeira pessoa tenha decaído bastante. Ghosts traz os piores problemas que se pode encontrar nesse tipo de jogo: lag, sensibilidade do mouse, travadas constantes para carregar cenÁrios, inimigos ridiculamente burro e uso de script em absolutamente tudo.

Por exemplo, você dÁ um tiro em um determinado lugar aleatório e ele desaba. Daí você pensa: "que bacana a física e a reação ao tiro". Passa um tempo e você resolve jogar de novo, e dessa vez não dÁ o tal tiro naquele local. Aí percebe que aconteceu a mesma coisa de quando o tiro foi dado. Você se pergunta: como pode isso? Simples, o jogo inteiro é um script. As ações e reações são pré-programadas para sempre acontecerem naquele momento, não importando o que você faça.

Existem dezenas de exemplos disso no decorrer do jogo, o que tira bastante o realismo. Chega ao ponto de apenas uma parte de uma parede poder ser destruída, e não ela toda. Ou seja, o cenÁrio é todo estÁtico, e o que é destruído é para ser destruído usando um tipo de script, e não um sistema de física que deveria ser usado em todos os objetos. Existe momentos no jogo que hÁ duas cadeiras, uma do lado da outra, e apenas uma pode ser destruída, a outra fica intacta. Isso acontece com centenas de objetos.

O "famoso" cachorro tão citado pela produtora? Ah sim! Ele aparece, mas em pouquíssimas vezes, que na verdade nem faz diferença. Uma pena, porque a ideia de usar um cachorro poderia ser bem interessante em algumas missões para distrair inimigos, invadir algum local, dentre outras coisas. A Infinity Ward não soube aproveitar.


O multiplayer traz 14 mapas, que são: Strikezone, Flooded, Chasm, Stonehaven, Overlord, Sovereign, Warhawk, Siege, Stormfront, Whiteout, Freight, Tremor, Octane e Prison Break. Os modos de jogo são os mais variados possíveis, de simples e eficientes, até modos inéditos como Squad e Extinction.

VÁrios mapas são extremamente detalhados e alguns são bem grandes, com dezenas de locais minúsculos e escondidos, facilitando a vida dos odiados "campers". O visual é acima da média se for comparar com modos multiplayer de outros jogos. Mas o problema aqui são os lags. E não são lags de servidor, mas sim de mouse em que, do nada, aparece um delay que atrapalha a ponto do jogador morrer por causa disso. Além desse problema, acontecem vÁrias travadinhas que irritam qualquer um.

Existem outros problemas no Multiplayer, como a facilidade de morrer. O jogo praticamente não permite uma reação, e por isso vence aquele que "ver" o inimigo primeiro. Basta atirar nele e pronto, o jogador não precisa se preocupar com um revide. Ou seja, é muito fÁcil matar alguém, até mesmo com uma simples pistola.

O uso do cachorro no multiplayer é mais interessante do que no single-player, mas é bastante desproporcional. Caso ele veja o inimigo antes, não tem como fugir e fica bem difícil de matar por ser extremamente rÁpido. A salvação é ele ser avistado antes de atacar, assim fica fÁcil matÁ-lo.


Apesar dos problemas, o Multiplayer tem um modo bem interessante: Extinction (imagem acima). Aqui o jogador tem que livrar uma determinada região de uma invasão alienígena, e pode ser jogado tanto sozinho quanto com os amigos. É interessante principalmente pela mecânica, em que o grupo vai avançando após destruir cada ninho dos Aliens usando uma espécie de broca, que demora alguns minutos para concluir. Enquanto isso, os Aliens vão surgindo de vÁrios locais atacando os jogadores e tentando destruir a broca. O curioso é que neste modo não ocorreram os problemas de lags e travamentos.

 

Ainda existe um outro modo inédito chamado Squads, no qual o jogador cria um esquadrão e chama seus amigos para participar tanto em modo competitivo quanto cooperativo. Dentro do Squads hÁ ainda 4 tipos de jogo: Safeguard, Squad Assault, Squad vs Squad e Wargame.

GrÁficos & Áudio

A Infinity Ward prometeu muita coisa em relação ao grÁfico do jogo. Mas ela cumpriu? Em parte sim. O jogo realmente é "next-gen", mas "next-gen" baseado em consoles, e não em PC. Isso ficou confirmado através de um vídeo comparando as versões para Xbox One e PS4 com versões para Xbox 360 e PS3. A versão PC é idêntica as versões para os novos consoles.


Porém, existem dezenas de jogos - de 3 anos pra cÁ - com grÁficos bem superiores, mais bonitos e otimizados. O que se vê em Call of Duty: Ghosts é um visual mais elaborado do que qualquer game da franquia, e isso é inegÁvel. Mas mesmo assim fica abaixo de jogos tops para PC.

O que se imaginava era que jogos da nova geração tivessem todas as texturas em alta definição, detalhes mais nítidos, animações quase reais, cenÁrios mais dinâmicos e efeitos avançados baseados em DirectX 11. Mas não é o que acontece com Call of Duty Ghosts, principalmente pela limitação da engine. Aqui as texturas são apenas razoÁveis em sua maioria, com alta definição somente em alguns soldados. Por vezes elas são péssimas à ponto de se imaginar que possa ser um erro do jogo. Mas não é, como podem ver a imagem abaixo.


A iluminação é simples e artificial demais, sem muita novidade, mas cumpre seu papel. As animações são repetitivas em excesso, o que deixa o jogo estranho em alguns momentos, onde inimigos chegam a fazer fila para morrer, caindo um por cima do outro exatamente da mesma forma. Para piorar, algumas cenas são cópias diretas de jogos antigos da franquia, mudando apenas o cenÁrio. Ou seja, não tiveram o trabalho de recriar cenas novas.

Além disso tudo, o jogo é extremamente pesado, e não deveria ser assim. Percebe-se que é muito mal otimizado a ponto de afetar até as partidas multiplayer com lags do mouse e de carregamento, além de travadinhas constantes.

Mesmo em um sistema razoÁvel usado para testar o jogo - i7 com 32Gb de Ram e VGA 560Ti - a performance ficou bem abaixo do aceitÁvel para os padrões atuais. É importante dizer que o jogo não roda com menos de 6 gigas de RAM no sistema. Caso tente rodar, aparece uma mensagem do sistema informando que necessita do mínimo de 6 gigas. Existem formas de burlar isso, mas pode acarretar banimento do modo multiplayer e do Steam, além do jogo ficar com uma performance pior ainda.


Existem missões que chegam a rodar a 92 frames em locais fechados e outras (Los Angeles) que chega a cair pra 15 frames em meio a tiroteio intenso, ficando impraticÁvel.

Obviamente que se o jogo fosse bem otimizado para o PC, vÁrios outros problemas seriam minimizados. No geral, o visual é bonito e agradÁvel e superior a qualquer jogo da franquia. Mas comparando com outros jogos do mercado, incluindo seu concorrente direto, o visual é apenas razoÁvel.

Independente dos problemas, o grÁfico tem suas qualidades. Em especificamente três missões os grÁficos se sobressaem a ponto de parecer outro jogo. As duas missões no espaço são belíssimas, com visual em alta definição, efeito de iluminação de ponta e cenÁrios bem detalhados. A outra missão é a que se passa no fundo do mar. Aqui o jogo mostra todo potencial grÁfico, com dezenas de tipos de peixe, incluindo tubarões famintos, corais realistas e bem coloridos, e uma iluminação impecÁvel que atravessa a Água. Além disso, as animações de mergulho e luta debaixo d'Água são bastante realistas.


Vale lembrar que existem inúmeras opções grÁficas para serem configuradas: texturas, sombras, SAAO (Screen Space Ambient Occlusion), Motion Blur, Distortion, AA, DOF, SMR (Specular Map Resolution) e NMR (Normal Map Resolution), dentre outras.

O mesmo não se pode dizer do Áudio. Call of Duty: Ghosts traz apenas uma única opção: volume. Não existe nenhum tipo de configuração no som do jogo, o que é quase imperdoÁvel em uma época em que a maioria dos jogadores usam sistemas de som avançado no PC. Uma pena.

Apesar disso, o som do jogo é bem reproduzido e com qualidade cristalina, mas sem suporte a hardware, o que pode causar som "picotado" em momentos que exigem mais processamento em sistemas menos robustos. Vale lembrar que a versão PC não traz dublagem em Português do Brasil e nem mesmo legendas. Enquanto isso, a versão para consoles tem dublagem e legendas em nosso idioma.

Conclusão

Call of Duty: Ghosts foi lançado em meio a vÁrias promessas da produtora. Ela cumpriu algumas coisas e deixou outras de lado, como a dublagem brasileira. Mais uma vez os fãs do PC ficaram de fora, o que é quase inaceitÁvel.

O visual do game chama atenção, apesar dos problemas e da péssima performance até mesmo em PC's top de linha. Os grÁficos são uma evolução significativa da franquia, mas ainda assim usa a velha engine dos Call of Dutys anteriores, o que não é uma surpresa.

O multiplayer melhorou em alguns aspectos e piorou em outros, como a dificuldade de reação ao levar um tiro. Além disso, hÁ um desbalanceamento perceptível, principalmente usando cachorro que por vezes parece invulnerÁvel. Ou seja, use o cachorro e você ganharÁ fÁcil.

Enfim, Call of Duty: Ghosts poderÁ ser um jogo imperdível se a produtora lançar um Patch urgentemente, corrigindo principalmente os problemas de performance. Enquanto isso, ele é apenas um bom jogo, voltado para jogadores mais casuais e/ou fãs assíduos da franquia.

PRÓS
Sendo bonito ou não, é a mesma versão do PS4 e Xbox One
Missões no espaço e no fundo o mar
Modo Extinction e Squad
A ideia de usar um cachorro é interessante
CONTRA
Péssima otimização
Cachorro mal aproveitado
Jogabilidade fora do padrão Call of Duty
Áudio somente com opção de volume
Sem dublagem e legendas em Português
Lag exagerado
Muito fÁcil morrer no Multiplayer
FOV travado em 65
Muitos e muitos bugs
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  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Já escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrid