ANÁLISE: The Walking Dead: Survival Instinct (PS3)

ANÁLISE: The Walking Dead: Survival Instinct (PS3)

O sucesso do seriado "The Walking Dead" é indiscutível: milhões de adeptos mundo afora se concentram na frente dos seus televisores e, após cada episódio assistido, inundam os fóruns da internet para discutir teorias e possíveis acontecimentos. A produtora Climax Studio, em parceria com a Activision, claramente quis aproveitar o fenômeno e recentemente lançou "Survival Instinct", jogo de tiro em primeira pessoa que visa o lucro fÁcil justamente por pertencer ao gênero que mais vende na indústria de games atualmente.

Nas pÁginas a seguir, você confere a anÁlise completa do título. Mas não se empolgue muito: nem mesmo os tais mortos-vivos, com toda a sua irracionalidade aguçada, iriam ter coragem jogÁ-lo. 

{break::Enredo e jogabilidade}Diferente do primeiro game de "The Walking Dead", um adventure  lançado em 2011 e que se baseava nas histórias contadas nos quadrinhos, "The Walking Dead: Survival Instinct" é um FPS de ação que mostra o que aconteceu antes da infestação zumbi generalizada, através da busca do caçador Daryl Dixon pelo irmão Merle através dos Estados Unidos e um lugar seguro longe dos ataques dos mortos-vivos.

De uma maneira mais geral, a história até tenta transmitir um clima mais caótico e desesperador por causa da invasão de milhões de zumbis por meio de saídas escuras em lugares apertados com improvÁvel chance de sucesso. Mas são raros os momentos em que realmente se sente algum tipo de ameaça externa, seja pela ideia de transmitir algum tipo de tensão ou medo vindo do desconhecido. O vazio da personalidade do protagonista no game, diferente do visto no seriado televiso, também não empolga e não colabora positivamente no envolvimento com os acontecimentos.

Na jogabilidade, os comandos possuem rÁpida e fÁcil assimilação. Em pouquíssimo tempo é possível estar perfeitamente familiarizado com a função de cada botão, preparando a expectativa do jogador para ações e percursos mais perigosas. O game derrapa, contudo, em apresentar uma movimentação dura e meio travada do personagem principal, que não ocorre com a fluidez esperada e as próprias animações das suas ações são bastante ultrapassadas, desanimando qualquer tipo de boa intenção do jogador em tentar continuar naquele mundo praticamente desprovido de vida inteligente.

E o que você deve fazer para sobreviver ao tal apocalipse zumbi? FÁcil: coletar suprimentos (comida, itens gerais, combustível, munição e diversos tipos de armas) ao mÁximo que conseguir e tente utilizÁ-los com muita sabedoria para aumentar suas chances de sucesso. Muitos dos mantimentos estão distribuídos não somente pelos meios dos cenÁrios, mas também em lugares menos óbvios. Algo que certamente incentiva a exploração e acaba prolongando a experiência. Além disso, é preciso selecionar quais tipos de itens você deseja levar na sua próxima missão e organizÁ-los em um inventÁrio limitado, mesmo sabendo que poderÁ encontrar outros itens mais valiosos durante a partida, adicionando também algum tipo de estratégia para prever situações diversas.

No entanto, o game falha arduamente em não deixar que o jogador interaja com os ambientes como se realmente deseja. Você até pode visitar e adentrar diversos lugares, como casas, comércios, prédios, postos de gasolina, trailers, terrenos, jardins, avenidas, pontes, acampamentos ou igrejas, mas não hÁ praticamente nada para fazer nesse locais a não ser continuar desviando ou matando zumbis ou buscando por itens que possam contribuir no progresso da aventura. Ou seja, a mecânica é precÁria, mal elaborada e não traz inovações perceptíveis. No entanto, o fato de jogador poder escolher por qual caminho seguir (rodovias ou caminhos alternativos), sendo que cada uma dessas opções apresentam suas particularidades e desafios específicos, é um ponto que torna menos ruim a experiência, embora sempre acabe desembocando no mesmo destino, que acaba sendo muito semelhante com algum outro pelo qual jÁ foi visitado.  

{break::GrÁficos e Áudio}Graficamente, "The Walking Dead: Survival Instint" é um desastre total. Os cenÁrios até tentam impressionar pela grande quantidade de materiais, lixos e estruturas destruídas pelos locais, mas não conseguem causar uma boa impressão porque as texturas de nenhum deles convence e os modelos dos zumbis, dos móveis e veículos são absurdamente repetitivos. Fora isso, ainda estão presentes chuva de serrilhados nada discretos em praticamente todos os objetos, iluminação mal executada em qualquer tipo de ambiente e simulação de física bastante singela e nem um pouco atrativa.

 

 

JÁ no Áudio, os fãs da série de TV logo reconhecerão a música-tema assim que o menu inicial aparecer na tela. E esse é um dos poucos momentos que mais irão agradar em termos de músicas ou melodias. Fora isso, não existem muitas composições ou variações que agucem o instinto de sobrevivência ou que combinem com momentos de maior desespero, como ataques surpresa em massa de zumbis sedentos por carne humana, que é muito presente na série de TV. Além disso, as dublagens (em inglês) não são exatamente as mais atraentes e não costumam traduzir a dinâmica, as emoções esperadas ou a importância dos acontecimentos.   

{break::Conclusão}"The Walking Dead: Survival Instinct" é um caso extremo de oportunismo duplo ao se apoiar no sucesso do fenômeno televisivo ao mesmo tempo em que tenta chamar a atenção de uma ampla gama de jogadores por ser um game de tiro em primeira pessoa. Tirando alguns pontos positivos, como algumas músicas do seriado original e o alto desafio, quase mais nada se salva neste jogo. O visual é extremamente ultrapassado, a jogabilidade é bastante travada e o enredo não consegue se justificar em nenhum momento. Nem mesmo os fãs mais fervorosos de zumbis e da série de TV irão se divertir por aqui. Quer uma dica? Não gaste dinheiro com este jogo. 

PRÓS
Dificuldade elevada sem ser impiedosa
Buscar mantimentos para sobreviver ao apocalipse zumbi
A música-tema da série anima - apenas - os primeiros minutos de jogo
CONTRA
Controles pesados/travados e mecânica de jogo simplória
GrÁficos bastante ultrapassados e animações toscas
Trilha sonora e efeitos praticamente inexistentes; dublagens nada emocionantes
Péssima utilização dos irmãos Dixon na trama, que também não se justifica
Assuntos
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.