ANÁLISE: Metal Gear Rising: Revengeance (PS3)

ANÁLISE: Metal Gear Rising: Revengeance (PS3)

"Metal Gear Rising: Revengeance" é um spin-off (um episódio paralelo, que não faz parte da cronologia central) da franquia de espionagem "Metal Gear Solid". Ainda assim, a Platinum Games, em parceria com a Konami e supervisão de Hideo Kojima (o brilhante produtor japonês), apresenta agora um jogo de ação frenético, lotado de desafios cabeludos e muitas referências à história da série original. O foco agora é no personagem Raiden, o polêmico protagonista de "Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty" que se transformou em um ciborgue-ninja mortal e agora deve destruir uma conspiração controlada por milícia militar extremamente poderosa e tecnologicamente imbatível.

Confira a anÁlise do jogo nas pÁginas  a seguir.

[+UPDATE]: Incluímos a anÁlise do recém-lançado DLC  "Jetstream" para o jogo. Acesse o conteúdo neste link ou através da aba de navegação no canto superior direito desta publicação. 

{break::Enredo e jogabilidade}"Metal Gear Rising: Revengeance" é um episódio paralelo que herda diversas referências e algumas mecânicas da consagrada franquia "Metal Gear Solid". O jogo acontece alguns anos após os eventos de "Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots" onde Raiden, um dos personagens de suporte, recebe agora um jogo totalmente dedicado às suas habilidades de ninja-ciborgue. E tudo no enredo gira em torno de como o herói se transformou no guerreiro de hoje e como a tecnologia de ponta da época atual estÁ sendo ilegalmente criada e comercializa por um grupo terrorista que usa crianças para desenvolver robôs-ciborgues extremamente letais, malignos e dotados de inteligência artificial extremamente avançada.


Um dos grandes destaques do jogo é assistir às belíssimas cenas em computação grÁfica que detalham todos os acontecimentos. A ação acontece sem parar, com muitos momentos cuja plÁstica de movimentos é belíssima de acompanhar. Não é raro ficar boquiaberto, por exemplo, com vÁrias combinações de tomadas com violência extrema sendo mostradas bem à sua frente. Se a produtora Platinum Games (mais conhecida por desenvolver os ótimos "Bayonetta" e "Vanquish") teve a intenção de impressionar com a qualidade das cenas e empolgar o jogador, é fÁcil ver que conseguiu obter êxito com bastante facilidade logo nos primeiros minutos de jogo.

  

  

Na jogabilidade, "MGR: R" traz uma configuração de botões muito bem estruturada ao joystick, com comandos e funções fÁceis de memorizar e de executar combos devastadores sem qualquer tipo de complicação. As respostas são extremamente Ágeis, precisas e funcionam de maneira perfeita, como a mecânica de um jogo deste tipo requer. Contudo, a ausência de um botão específico para defesa permanente ou um atalho que faça Raiden rolar (desviar lateralmente ou para trÁs) eleva consideravelmente a dificuldade do jogo, que pode causar irritação ou até mesmo espantar novatos no gênero.   

 

Não me entenda errado: a função Parry, ensinada no começo do jogo, apenas bloqueia temporariamente os golpes adversÁrios e, como você é obrigado a ver de que direção vêm os ataques, a taxa de sucesso do movimento para barrar a investida inimiga é bastante reduzida, levando você a tomar danos extras que poderiam ser evitados, desviados ou anulados com outras soluções mais eficazes. E a situação fica um pouco mais crítica quando hÁ aglomeração de diversos inimigos poderosos na tela. Ainda, o posicionamento da câmera muitas vezes põe sua estratégia de combate a perder, jÁ que os adversÁrios também costumam se movimentar freneticamente e a velocidade que você possui para ajustÁ-la é bem menos ligeira do que a ação necessÁria para combatê-los.

Dependendo do seu desempenho durante as fases, o jogo permite que pontos sejam acumulados e distribuídos em partes diferentes do corpo-ciborgue de Raiden, desferindo novos atributos, golpes e habilidades de ataque que possam ajudar durante os combates. Mas aqui também tem um problema: essas implementações acontecem automaticamente; ou seja, não demandam combinações de botões para executÁ-los separadamente. Por causa disso, você pode passar o jogo inteiro até sabendo que comprou recursos novos, mas que pode nem mesmo a chegar a usÁ-los ou acabar liberando-os quase sempre sem querer. E essa falta de controle sobre a frenética mecânica do título tira parte da diversão e, sobretudo, da emoção de sentir a fúria completa de um ninja tão habilidoso quanto o herói.     

  

  

Fora isso, você pode escolher como passar por alguns trechos mais específicos das missões: se quiser fazer menos barulho e bancar o espião por alguns cenÁrios, basta usar uma caixa de papelão ou um barril metÁlico para disfarçar sua presença no melhor estilo stealth da ação, algo que certamente traz lembranças aos fãs da franquia "MGS" (meu caso). Mas como esse não é o foco do jogo, não hÁ muitos momentos para você insistir na ideia, sendo que qualquer deslize numa incursão mais silenciosa jÁ faz com que vÁrios robôs letais se acumulem na tela, forçando você a perder minutos às vezes longos demais por ter que fatiÁ-los e poder prosseguir na aventura, que também não dura muito (entre 6 e 8h), mas que é compensada com batalhas criativas, épicas e inesquecíveis com os chefes, todos com padrões de ataque e estratégias diferenciadas para cada turno.  

{break::GrÁficos e Áudio}No visual, "Metal Gear Rising: Revengeance" apresenta dois momentos bem diferentes. Começando pelo melhor deles: o design do protagonista, dos inimigos e sobretudo dos chefes, é soberbo, cheios de detalhes metÁlicos que esbanjam capricho ímpar na modelagem, na iluminação e na texturização das suas partículas (armaduras, junções, etc). Durante as batalhas, é possível sentir o peso e influência de material da espada de Raiden penetrando e dilacerando qualquer parte desses mesmos inimigos, sendo que cada um deles possui uma dinâmica de movimentação e padrão de animação que adiciona ainda mais credibilidade ao que se vê na tela.

  

  

Além disso, as cenas que ligam uma missão e outra estão bastante convincentes. Na grande maioria das vezes, são feitas em CGs lotadas de explosões, momentos de ação bastante extremistas e situações praticamente impossíveis de acreditar, algo que somente ninjas-ciborgue seriam realmente capazes de fazer. Fora isso, os efeitos de luz e de atrito entre superfícies de diferentes materiais, principalmente faíscas, pedregulhos e sangue voando para todos os lados, são lindos de acompanhar.

 

Mas a parte definitivamente que deixou a desejar são os cenÁrios. Além de possuírem design muito repetitivo e, muitas vezes genérico (que não apresentam variações ao longo de toda a aventura), não trazem o mesmo rigor grÁfico visto na modelagem dos personagens e respectivos efeitos visuais. A tonalidade dos estÁgios por exemplo, é composta por uma combinação de tons de cinza com marrom. É claro que existem outras cores mais variadas, mas os detalhes também estão um pouco borrados demais e, às vezes, até escuro demais para serem notados. Não existem, contudo, problemas de serrilhados ou lentidão crônica na variação da taxa de quadros. 

  

No Áudio, o destaque vai todo para a trilha sonora. As composições são sempre muito pesadas, energéticas, variadas, barulhentas, cheias de combinações de instrumentos com batidas eletrônicas que não enjoam e, na grande maioria das vezes, exalam as doses cavalares de emoção que você é guiado a sentir nos combates do jogo, principalmente nos confrontos contra os chefes de fase. Por fim, as vozes utilizadas na dublagem (em inglês) para cada um dos personagens encaixa perfeitamente com suas personalidades, desejos e anseios. Inclusive pelo lado dos vilões: chega a ser prazeroso ouvi-los proferir ameaças constantes contra Raiden ou discursos com planos diabólicos sobre a indústria da guerra.

{break::Conclusão}"Metal Gear Rising: Revengeance" agrada em diversas frentes: ação frenética, batalhas épicas contra os chefes, narrativa bem contada e cheias de cenas incríveis, trilha sonora pesada e capricho visual na modelagem dos personagens. Mas a jogabilidade, que de fato precisa ser o foco total neste tipo de gênero, possui alguns problemas que podem comprometer parte da diversão do game. Os comandos são definitivamente bem ajustados, Ágeis e precisos, mas câmera é meio atrapalhada, a função Parry não funciona exatamente como deveria e um botão para defesa ou desvio (lateral ou vertical) definitivamente faz falta. 

 {break::DLC Jetstream}Primeiro DLC para "Metal Gear Rising: Revengeance", "JetStream" apoia sua narrativa no personagem homônimo, uma espécie de vilão do jogo original. De maneira geral, a trama não traz passagens muito aprofundadas da origem do ciborgue brasileiro. Suas motivações não parecem tão convincentes quanto outrora e não conseguem empolgar nem metade de toda a maldade e violência jÁ vistas em cenas anteriores.  

Dessa vez, Jestream "Samuel Rodrigues" tenta justificar todas as suas ações com combates que seguem exatamente a mesma dinâmica – e dificuldade – do game principal. Ou seja, prepare-se para enfrentar os mesmos inimigos, chefes e subchefes, com variações e dinâmicas de ataques idênticas e apenas alguns golpes totalmente novos. Além disso, ter realmente aprendido cada uma dessas possibilidades, em conjunto com o Árduo sistema de defesa do jogo, é absurdamente imprescindível para prosseguir. 

 As únicas novidades na jogabilidade são um golpe poderoso, cujo tempo de carregamento exige alto índice de planejamento caso utilizado em combates mais Ágeis ou que tenham vÁrios adversÁrios num mesmo campo de visão, e o tradicional pulo duplo, necessÁrio apenas para alcançar algumas Áreas mais altas dos ambientes e desviar de algumas investidas múltiplas.  Não é algo que funciona sempre, mas pode conferir alguns segundos extras de vida, a sequência ou o término da partida. AliÁs, não existe mais um sistema de evolução do personagem, por isso, é preciso (ou não) se contentar que a limitação das suas habilidades.

A estrutura dos cenÁrios e a composição de fases, por sua vez, até tentam trazer algum ar de novidade, mas falham em fazer apenas algumas conexões de Áreas anteriormente visitadas e sem muitas opções de interação. Claro, ainda é possível cortar tudo como bem entender, mas isso não é mais algo inédito, mas repetitivo e, muitas vezes, inútil, jÁ que não guardam muitos segredos, itens de suporte ou acessórios de combate.

Fora isso, os grÁficos e o Áudio continuam fiéis ao episódio-base. O destaque no visual fica mesmo com o design superealista e extremamente detalhado dos robôs e outros ciborgues, ao passo que a maioria dos cenÁrios apresentam algumas texturas "lavadas" e serrilhados mais à mostra, embora não cheguem a irritar. JÁ a trilha sonora insiste em trazer composições pesadas de rock combinadas com ritmos eletrônicos alucinantes. Algo que totalmente com a frenética do jogo.

Por fim, recomendo a compra do DLC apenas se "Metal Gear Rising: Revengeance" estÁ na sua lista de favoritos. Caso contrÁrio, deixe para gastar os US$ 9.99 cobrados na expansão em algo que considere realmente valer a pena e que esteja totalmente favorÁvel com suas exigências como jogador.

NOTA INDIVIDUAL: 6.0

PRÓS
Narrativa com cenas de tirar o fôlego 
Batalhas contra chefes são inesquecíveis
Jogabilidade frenética e muito bem adaptada ao controle
Modelagem e design detalhista do protagonista, personagens e chefes
Trilha sonora pesada, com muitas batidas e instrumentos
Formas alternativas de passar as missões aliam ação com stealth
CONTRA
Ausência de botões de defesa e rolamento lateral
Comando de parry (defesa momentânea) é eficiente, mas falha nas piores horas 
Câmera pode por tudo a perder
Dificuldade elevada pode incomodar alguns
Design de fases repetitivo e um pouco genérico
Arsenal de armas extras não faz muita falta
Assuntos
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.