ANÁLISE: Far Cry 3 (PS3)

ANÁLISE: Far Cry 3 (PS3)
Por Andrei Longen 27/12/2012 20:03 | atualizado 11/08/2019 13:28 comentários Reportar erro

Antes de mais nada, preciso ressaltar que "Far Cry 3" é candidato fortíssimo a melhor jogo de 2012. Produzido pela Ubisoft e exaltado por uma campanha de marketing muito agressiva, tudo no game funciona de uma forma tão dinâmica, orgânica, envolvente e sem falhas de polimento que é quase impossível pensar de forma diferente. 

Da riqueza e imensidão do lugar onde a trama acontece, as dezenas de missões paralelas, os personagens super carismÁticos, mecânicas de outros gêneros na solidez dos FPS atuais e a toda a diversão proporcionada fazem o título ser recomendado aos jogadores que buscam por uma jornada densa, inesquecível e lotadas de segredos para desvendar. Confira a anÁlise de "Far Cry 3" nas pÁginas a seguir 

{break::Enredo e jogabilidade}Um grupo de amigos americanos, ricos e mimados, resolve tirar umas férias e saltar de paraquedas sobre uma ilha chamada Rook, em algum lugar isolado do Oceano Pacífico. Chegando ao local, todas as expectativas do grupo caem por terra: o local estÁ infestado de milícias piratas e traficantes que não hesitam em aprisionÁ-los em celas de tortura e fazê-los de reféns. No controle de Jason Brody, é a partir daqui que o jogador passa a conhecer Vass, o vilão maníaco e desequilibrado que irÁ fazer sua vida ser bem mais complicada e arriscada durante todo o jogo. 

Por sorte, Jason consegue escapar da prisão no meio da selva e, mesmo depois de ser perseguido pelos capangas de Vaas, acha um local sossegado e habitado por pessoas que também jÁ foram prisioneiras, mas que agora pertencem a uma organização que planeja acabar com a dominação das gangues controladas pelo vilão e Hyot Volker, a mente insana por trÁs de tudo o que acontece naquele falso paraíso. Sua missão? Tentar achar seus amigos capturados, saber se ainda estão vivos, recuperar territórios e sobreviver a uma das selvas mais hostis e mais bem produzidas nos jogos eletrônicos.

 

O ponto de partida que ajuda na imersão do jogador com os eventos do games são os personagens. Todos têm personalidades muito marcantes e cativantes. Da insanidade ilimitada de Vass ao desespero emocional dos amigos recém-capturados, é possível sentir o prazer mórbido do vilão em promover o terror nos desconhecidos, a insegurança constante e luta pela sobrevivência do grupo de amigos. Nesse meio termo, diversos outros nomes aparecem pela trama e não deixam o ritmo dos acontecimentos caírem, mantendo a ação e o interesse pelo o que se vê na tela em alta.

Sempre hÁ uma novidade (relação entre as missões), localidade (cavernas, lagos, poços abandonados, matagais densos, rios, animais diversos) e segredos (passagens secretas, atalhos, ambientes de acesso a outras Áreas, picos, comunidades) para tomar conhecimento. E esse é, também, um dos grandes destaques de "Far Cry 3". Como a jogabilidade é extremamente convidativa, ainda faz questão de adicionar elementos de peso dos gêneros ação/stealth (tiroteios desenfreados ou incursões sorrateiras aos acampamentos inimigos), aventura (caça, exploração e recolhimento de itens) e RPG (distribuição de pontos de experiência adquiridos conforme o passar das missões e realização de missões extras, como busca de artefatos, entrega de medicamentos, eliminação de bandidos específicos, ativação de torres de rÁdio e confecção de utensílios e acessórios).       

 

 

É dessa forma que você consegue sobreviver no cenÁrio imenso do game que, mesmo na dificuldade mais baixa, farÁ você pensar em estratégias de ação para não falhar nas investidas. Além disso, muitas vezes você nem vai dar tanta importância assim ao que é preciso fazer para prosseguir na história: é divertidíssimo parar por uns momentos - que podem virar horas - e explorar cada um dos cantos em busca de itens, dinheiro e tesouros, recursos necessÁrios para comprar armas, equipamentos, mapas com a localização de diversos segredos. Assim que estiver disposto a continuar a ação, procure por algum veículo mais próximo (carros, carangas velhas, jipes, quadriciclos, lanchas, jet-skis e asas-deltas) e volte para o ponto marcado para dar sequência aos eventos principais. Não tem como não sentir o peso da liberdade incomparÁvel proporcionada pelo game, e nisso a Ubisoft merece todos os elogios possíveis.

{break::Visual e Áudio}Um outro grande destaque em "Far Cry 3" são os grÁficos: a quantidade de detalhes é absurda e nenhuma paisagem é igual a outra. O design variÁvel, vívido e a escala colossal dos ambientes realmente faz você acreditar que estÁ naquele paraíso tropical sendo caçado pelos piores bandidos do mundo. E somado à variedade de vegetação (gramíneas, florestas densas, Áreas desérticas, Árvores de diversas espécies, matos litorâneos), animais (cachorros, pÁssaros, jacarés, ursos, tigres, cobras, ratos, porcos, javalis, komodos, caranguejos, macacos, peixes e tubarões) e mares (lagos, cachoeiras e grutas), a experiência se torna ainda mais única pela composição imensa e diversificada em cada local daquele paraíso tropical.

Além disso, é muito impactante o sistema de evolução climÁtica e transposição entre dias e noites no jogo. Numa hora, tudo pode estar claro e com um sol convidativo à praia. De repente, no horizonte, a tonalidade das cores vai se tornando menos brilhante e vê-se uma reunião de nuvens carregadas se aproximando da sua região. A chuva então cai, limita seu campo de visão e aguça a sua audição durante a caçadas selvagens. Esse padrão de tempestade dura o suficiente para ser revigorante e reafirmar a proposta de hostilidade do arquipélago, que também insiste em presentear o jogador com entardeceres e amanheceres belíssimos.

 

 

Entretanto, hÁ uma ressalva a ser feita: "Far Cry 3" é daqueles tipos de jogos que demonstram a necessidade de uma nova geração de consoles. Não me entenda errado: a tecnologia visual é muito bem empregada, a natureza local é riquíssima, o design de vestuÁrio e as animações dos personagens são bastante convincentes. Mas, às vezes, notam-se falhas ou lentidão no processamento de texturas, definição em algumas superfícies e menor desempenho na reprodução de feitos de luz e sombra dinâmicos entre as paisagens. Esses defeitos não chegam a incomodar ou a atrapalhar a experiência como um todo, mas reforçam pretextos importantes para o lançamento de novas plataformas.

Fora isso, o Áudio faz questão de salientar a ocasião em que o personagem se encontra. As composições sonoras aqui combinam com cada um destes momentos, desde a calmaria silenciosa das incursões sorrateiras e melodias mais serenas nas viagens pelo mapa, até a ferocidade mórbida dos tiroteios selvagens durante as missões ou nos objetivos secundÁrios. Excelentes mesmo são as dublagens em inglês (não existe opção de Áudio em português brasileiro, apenas legendas muito bem localizadas), que transparecem todo o vigor, o carÁter e as intenções de fala de cada uma das pessoas participativas no game, o que aguça ainda mais na imersão do enredo.

{break::Conclusão}"Far Cry 3" combina todos os elementos que um FPS de mundo aberto precisa ter para ser inesquecível: enredo cativante com personagens marcantes, vilões com motivações bem definidas e controles muito bem balanceados com as mecânicas de outros gêneros, como ação, aventura, stealth e até mesmo RPG. A quantidade de coisas para se fazer bloqueia qualquer resquício de tédio e, a menos que você não tenha paciência para se tornar um explorador, nunca se sentirÁ cansado ou desinteressado pelo universo tropical de Rook

Os grÁficos são lindíssimos, cheios de detalhes que ressaltam a liberdade sem limites dos cenÁrios que, juntamente com trilha sonora e dublagens caprichadas, transbordam a vida selvagem dos locais e aguçam a vontade do jogador de continuar jogando para descobrir novidades e segredos até então ocultos. E você vai querer gastar muitas horas até desenterrar todos. Se ainda quiser, é possível jogar seis mapas cooperativamente com algum amigo sentado ao lado ou pela internet. JÁ o tradicional competitivo online comporta modos jÁ conhecidos pelos fãs da jogatina em rede (mata-mata em equipe, captura e defesa de Áreas específicas, etc), trazendo o esquema tradicional de evolução de armas, habilidades de suporte e acessórios estratégicos. O pacote é completo e, a diversão, mais que garantida.

PRÓS
Paisagens paradisíacas, com escala imensa, cheias de segredos para descobrir
Enredo cativante, personagens marcantes e vilão consistente
Jogabilidade de FPS mescla mecânicas de ação, aventura, stealth e RPG
Caçar animais, criar equipamentos, customizar armas e desenvolver atributos é muito gratificante
Diversos tipos de missões paralelas complementam a liberdade da aventura
GrÁficos lindíssimos, design de cenÁrios e detalhes ressaltam a vida selvagem
Dublagens dos personagens excelentes; legendas em português bem adaptadas
Trilha sonora reveza entre calmaria e desespero das ações e cenas extras
CONTRA
O final pode desapontar a alguns
Cerca de 20h de aventura solo passam rÁpido demais ;(
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  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.