ANÁLISE: The Unfinished Swan (PS3)

ANÁLISE: The Unfinished Swan (PS3)

Assim como "Journey", "Fez" e "Trine 2", "The Unfinished Swan" faz parte da safra de títulos independentes (indie) que não precisam de investimentos milionÁrios para proporcionarem experiências únicas e marcantes. O jogo se diferencia por mesclar mecânicas dos gêneros aventura, puzzle e plataforma de forma consideravelmente criativa, ao mesmo tempo em que apresenta suas próprias novidades dentro desses mesmos estilos.

Confira a anÁlise do game, disponível apenas na Playstation Network, nas pÁginas a seguir.

{break::Enredo e jogabilidade}A mãe do menino Monroe, o protagonista, é especialista em criar pinturas clÁssicas, de paisagens a animais diversos. Infelizmente, o mesmo vigor que possui ao empunhar pincel e tinta fresca jamais foi transferido totalmente à vontade de finalizar seus quadros, jÁ que nunca terminou uma obra sequer. Certo dia, a moça morre e deixa ao agora menino órfão uma coleção de 300 quadros incompletos.   

O orfanato para o qual o garoto estÁ prestes a ser enviado permite que apenas uma, entre todas as obras feitas pela sua genitora, seja levada com ele. O quadro escolhido foi o Cisne Inacabado que, além dar nome ao jogo, também era o preferido da mãe de Monroe.

Numa noite qualquer, o menino acorda durante a noite e percebe que a figura do bicho havia desaparecido do quadro. Então, decide pegar o pincel, antes pertencente à mãe, seguir umas estranhas pegadas de ave no chão e entrar por uma porta que nunca havia visto antes. Monroe acaba chegando a um reino desconhecido, totalmente desprovido de cor.  

Embora não seja tão profundo e emocionante quanto os tradicionais contos folclóricos, a história de "The Unfinished Swan" surpreende em alguns momentos. É o caso da narração feita por uma voz feminina mais madura, o que agrega um teor mais fantasioso a todos os acontecimentos. Além disso, tudo fica ainda mais interessante quando se passa pela tal porta e você não consegue enxergar absolutamente nada à sua frente: o breu é total. Mas, em vez de ser escuro, aquele universo estÁ pintado todo de branco, como se fosse uma tela de pintura virgem.

É aqui que o grande destaque do jogo, a jogabilidade, ganha atenção. Monroe é controlado em visão de primeira pessoa e deve lançar pequenas bolhas de tinta negra para definir formas, dimensões, trajetos, objetos, superfícies e armadilhas pelo caminho. É apenas dessa forma que se passa a ter noção de onde se estÁ e para onde deve seguir.

Como tudo é um pouco linear, não haverÁ dificuldades inesperadas. Mas, é inevitÁvel que se descubra passagens secretas, itens escondidos e caminhos diferentes. Tudo, é claro, com puzzles não tão óbvios de resolver, mas também nem mesmo difíceis, sendo bem balanceados e intuitivos.


Nas fases posteriores, serÁ preciso escalar paredes, construir pequenas plataformas e irrigar pequenos jardins para prosseguir, mas com diferenciação da cor da bolha de tinta (que às vezes é Água que seca rÁpido) e até mesmo iluminar locais desprovidos de luz para alcançar o próximo lugar, que também trarÁ alguma novidade não vista até aquele ponto do jogo.

EstÁ aqui o grande encanto do game: você não necessariamente irÁ sempre precisar repetir a mesma ação do estÁgio anterior para seguir pelos próximos. Existem tipos de ações complementares e mecânicas que permitem que você execute tarefas primÁrias de alguns (poucos) jeitos diferenciados para atingir o mesmo objetivo. Tudo só dependerÁ da sua percepção de como as situações podem ser resolvidas. Não espere, contudo, por grandes variações. Simplicidade e objetividade são elementos-chave em "The Unfinished Swan".

{break::GrÁficos e Áudio}Direto ao ponto: o visual de "The Unfinished Swan" não serve de referência para nenhuma outra produção independente de renome. Os grÁficos não são os mais bonitos do gênero, não trazem muitos detalhes e, em diversas das vezes, você nem mesmo consegue visualizar o que se encontra pelos cenÁrios.

Lembram-se da brancura ou escuridão total dos cenÁrios que mencionei na pÁgina anterior? É isso o que você irÁ encontrar em boa parte da experiência, ressaltada apenas com bolhas de tinta, Água ou lamparinas com luzes temporÁrias. Existem, é claro, pelo menos duas fases em que é possível identificar totalmente e ver onde se estÁ, estruturas que lembram casas, castelos, pontes, objetos, jardins, labirintos e outros tipos de obras e locais.

Mas não tenho como deixar de esclarecer que a beleza real do game não é apresentar texturas super apuradas, artifícios de iluminação extremamente realistas ou variedade absurda de cores e tonalidades. A ideia aqui é passar a conhecer aos poucos aquele mundo vazio e desprovido de vida; descobrir, a cada esquina dobrada, qual o trajeto certo para seguir, onde Monroe estÁ inocentemente chegando; que tipo de enigma, segredo ou detalhe do enredo serÁ revelado na próxima tomada.

A trilha sonora, por sua vez, é que faz tudo isso ficar bem mais agradÁvel de se jogar. A maioria das melodias são extremamente calmas e serenas, do tipo que transmitem a alegria do pequeno personagem e uma paz sem precedentes em todo aquele lugar pacífico e, ao mesmo tempo, lotado de mistérios e magia. Por vezes, lembrei-me da mesma sensação ao jogar clÁssicos como "Ico" e "Shadow of the Colossus".

Em momentos de pura penumbra, o tom pode mudar radicalmente. Ao menos que seja uma passagem um pouco mais sombria, as músicas são definitivamente menos felizes, mas também nunca se tornam exageradamente pesadas ou barulhentas. Na verdade, só continuam complementando a experiência, que jÁ terÁ fisgado sua atenção hÁ algum tempo.

{break::Conclusão}"The Unfinished Swan" é mais um ótimo exemplo de game indie que sabe agradar em todos os aspectos sem parecer clichê, repetitivo ou simples demais. Finalizar a história não significa parar de jogar: é realmente legal - e divertido - voltar à aventura para testar novos métodos de seguir pelas fases e coletar segredos que possam ter passado batido (e eles irão, pode ter certeza).

Além disso, o game também traz compatibilidade com o Playstation Move, os controles que simulam movimentos e gestos no console da Sony. As respostas são precisas, rÁpidas e sem falhas. Só causam uma certa confusão inicial em quem não estÁ acostumado a utilizar o acessório com frequência considerÁvel (meu caso). Ainda assim, vale pela experiência que sai do tradicional na forma de jogar. 

PRÓS
Trilha sonora muito envolvente
Design de fases interessante e diversificado
Puzzles bem sacados, mas fÁceis de resolver
Detalhes da história são narrados aos poucos
Controles Ágeis, fÁceis e sem falhas
ColecionÁveis bem escondidos, mas não impossíveis de achar
CONTRA
Curta duração (cerca de 3h)
Visual discreto e sem muitos detalhes
Assuntos
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.