ANÁLISE: Nokia 808 PureView

ANÁLISE: Nokia 808 PureView

O Pureview 808 é o smartphone que balançou o mercado de smartphones ao trazer uma câmera com sensor de impressionantes 41MP de definição. Alem da câmera, o aparelho possui como principais características uma tela de 4 polegadas, e dois fatores que podem desagradar bastante: 169 gramas de peso, bastante para os padrões de smartphones atuais, e o sistema Symbian.

Com estas características, o celular é uma opção para alguém que quer deixar de lado uma câmera point-and-shoot (câmeras amadoras portáteis), carregando um equivalente, em qualidade, em seu smartphone. A verdade é que, em diversos momentos, a câmera do PureView bate a maioria das point-and-shoots no mercado.

 Para os entusiastas, porém, o sistema decepciona: os aplicativos para Symbian estão bastante defasados, muitos sem atualizações há anos, e o sistema traz as funcionalidades básicas dos "celulares inteligentes", indo pouco além disto.



Apesar da câmera revolucionária, as características do Pureview tornam ele um produto interessante para um público bastante limitado. Só faz sentido para aqueles que querem uma câmera poderosa no celular, e não fazem questão de usar muitas das funcionalidades de um smartphone, ficando apenas nas ações básicas. Outro porém: com o preço de R$ 1.999, pode ser mais interessante comprar uma point-and-shoot e um bom smartphone, ou quem sabe apenas um smartphone "topo de linha", que apesar de não entregar fotos na mesma qualidade que o Pureview 808, conseguirá ainda uma qualidade bem aceitável, com um sistema operacional e um hardware muito mais interessante. 

{break::Especificações, vídeo-análise, fotos e comparativos}

Especificações técnicas

Tela: 4", 360 x 640 pixels, AMOLED capacitive touchscreen, multitoque
Gorilla Glass
Nokia ClearBlack display
Memória: 16GB de armazenamento, 1GB de ROM, 512MB de RAM
Cartão SD: expansível até 32GB
WLAN: Wi-Fi 802.11 b/g/n, DLNA, UPnP technology
Bluetooth Yes, v3.0 with A2DP
NFC    
USB:  microUSB v2.0
Câmera traseira: 41 MP (7152 x 5368 pixels), objetiva Carl Zeiss, autofocus, flash Xenon
Vídeo câmera traseira: 1080p@30fps, LED light
Câmera frontal: VGA; VGA@30fps video recording
Sitema operacional: Nokia Belle OS
CPU: 1.3 GHz ARM 11
GPU: Broadcom BCM2763
Sensores: Accelerometro, proximidade, bússula
GPS: Sim, A-GPS support
Bateria:  Li-Ion 1400 mAh
Dimensões: 123.9 x 60.2 x 13.9 mm
Peso: 169 g

 

Na hora dos comparativos, temos um problema: o Pureview é um modelo muito diferenciado, sem nenhum equivalente em termos de enfoque na câmera. Aí vamos para outro que está entre os principais critérios, possivelmente o mais importante para a maioria, na hora de escolher um smartphone: preço. Com o preço que é pago no Pureview, dá pra comprar um Galaxy SIII e o modelo de entrada do iPhone 4S. Concorrentes escolhidos... FIGHT!

Galaxy S III x iPhone 4S x Pureview 808


Galaxy S III
iPhone 4S
Pureview 808
Processador
Exynos 4212 Quad 1.4GHz
Apple A5 dual-core 1GHz
1.3GHz ARM 11
Armazenamento
16/32/64GB (interna) + 64GB (MicroSD)
16/32/64GB
16GB (interna) + 32GB (MicroSD)
Memória RAM
1GB
512MB
512MB
Sistema operacional
Android 4.0 (Ice Cream Sandwich)
iOS 5
Symbian Belle
Câmeras
Traseira 8MP / Frontal 1.9MP
Traseira 8MP / Frontal VGA
Traseira 41 MP / Frontal VGA
Tela
Super AMOLED 4.8' (720 x 1280) 
LED Retina Display 3.5' (640x960)
AMOLED 4"
(360 x 640)
Dimensões
136.6 x 70.6 x 8.6 mm
115.2 x 58.6 x 9.3 mm
123.9 x 60.2 x 13.9 mm
Peso
133g
140g
169g
Bateria
Li-Ion 2100 mAh
Li-Po 1432 mAh
Li-Ion 1400 mAh
LTE



HDMI



Preço (28/09/2012)
R$ 1.999
R$ 1.999
R$ 2.000

{break::Design e tela}O Nokia Pureview 808 é um smartphone com um bom acabamento, seguindo a linha da empresa finlandesa de trabalhar com materiais foscos. Os componentes utilizados e a construção do aparelho dão a sensação de um dispositivo bastante resistente. O display com Gorilla Glass também contribui para dar a impressão de muita robustez ao modelo.

No formato, porém, o Pureview começa a trazer alguns problemas: com 169 gramas, seu peso está acima da média dos aparelhos mais recentes. Apesar de parecer pouco, 20/30 gramas a mais em um celular faz bastante diferença. Outro ponto importante é o formato: com 1,3cm de espessura, ele fica bem longe de ser um fino, especialmente na região da câmera, onde ele ganha alguns milímetros. O super-sensor também parece ser o culpado do "sobrepeso" do 808, já que segurando ele é possível notar que o smartphone é um pouco desbalanceado, pesando mais na extremidade onde está a objetiva.

Então a câmera "avacalha" com tudo? Não é bem assim, pois o aparelho é leve, fino e portátil se compararmos ele com câmeras do tipo point-and-shoot. Além de ser menor que a maioria das câmeras amadoras, ele consegue entregar a mesma (ou mais) qualidade nas fotos e imagens que estes aparelhos (falamos mais sobre isto na página "Câmera e vídeos").

A tela de 4 polegadas do tipo AMOLED tem ótimos contrastes e cores, e conta com tecnologias como o ClearBlack, que torna os tons escuros mais definidos e aumenta o ângulo de visão da tela. Apesar destes pontos interessantes, o display fica bem longe de impressionar por conta da resolução: 360 x 640 estão muito distante do presente em outros aparelhos. Pela pouca quantidade de pixels, os ícones arredondados da interface Symbian Belle ficam bastante serrilhados, a navegação fica bastante prejudicada e até mesmo a visualização das fotos é bastante limitada, em seus apenas 183 dpi (pontos por polegada). Isto é quase a metade do que entregam aparelhos como o Galaxy SIII (306 dpi) e iPhone 4S (330 dpi).

{break::Desempenho e funcionalidades}Analisando o hardware que equipa o Pureview 808, vemos que o aparelho possui boas especificações, com sua combinação de processador de 1.3 GHz e 512MB de RAM. O resultado destes componentes é uma experiência de uso muito fluída, com as aplicações abrindo de forma rápida, e o multitarefa bastante ágil e eficiente.

O maior problema no uso do Pureview é o seu sistema: o Symbian evolui muito com as atualizações Anna e Belle, porém ainda é evidente a diferença entre este SO e seus concorrentes, como o Android, iOS e Windows Phone. Apesar de trazer todos os elementos básicos, e funcionalidades como um multitarefa bastante eficiente, o Symbian fica bem abaixo nos recursos disponíveis.

Uma boa parcela de culpa, nesta limitação, é dos aplicativos. Apps mais recentes não estão presentes no Nokia Store, e os que estão, na maioria dos casos, lançam o usuário no túnel do tempo, diretamente para as interfaces de dois anos atrás. O aplicativo social que vem instalado, por exemplo, tem no Facebook um layout sem o menu à esquerda, e devendo alguns recursos importantes implementados mais recentemente, como os "grupos". Conseguimos melhorar o quadro instalando o aplicativo gratuito Facebook Touch Free, mas não é todo serviço que ganhou uma "ajuda de terceiros" para resolver defasagens.

Apesar de ficar longe do ideal, para usuários mais avançados, o Symbian ainda consegue entregar as funções e capacidades básicas que esperamos de um smartphone, algo que não deve incomodar usuários leigos ou pessoas que não fazem questão de ter muito mais do que acessar internet, acompanhar redes sociais, ficar de olho em seu e-mail e utilizar um ou outro aplicativo.

Um ponto positivo foi a autonomia. O Pureview 808 conseguiu segurar até três dias, quando fizemos um uso moderado de seus recursos, um resultado bastante positivo, alcançado apenas pelo Razr MAXX (que possui uma bateria com mais que o dobro de capacidade). Quando pegamos pesado, com muito uso de GPS, aplicativos e 3G, não houve jeito: durou apenas um dia.

{break::Câmera e vídeos}Chegamos ao ponto alto desta review! Claro que a expectativa, quando falamos em smartphone com um sensor de 41 megapixels, é que as fotos sejam muito acima da concorrência. O aparelho da Nokia explora seu super-sensor de duas formas: o modo "Pureview" e o modo "resolução total". Com o Pureview, a resolução fica limitada aos mais "sensatos" 8MP, mas se você "der um zoom" na imagem, ao invés ampliar a imagem via software, como é feito em muitos modelos, o celular usa seu sensor super-sensível para captar os detalhes. O resultado pode ser visto, principalmente, no vídeo de demonstração, onde é feita a aproximação da imagem no meio da gravação, sem perdas nítidas de qualidade. E isto tudo em um ambiente onde as condições de luz não são as ideias!

O Pureview interpola o sensor de 41MP, gerando imagens em resolução de 8, 5 e 3MP. Na teoria, a Nokia afirma que o poderoso sensor traz vantagens na hora de bater fotos menores, pois a riqueza de detalhes que ele captura em seus 41 megapixels de resolução tornaria as fotos em 8 megapixles "mais cristalinas" (daí o nome Pureview, algo como "vista cristalina", em português). Comparando fotos batidas na resolução máxima e em 8MP dá pra notar que, redimensionadas para caber por aqui, a qualidade final é bem próxima.

Utilizando todo o sensor, sem piedade, as fotos ganham tamanhos estratosféricos, onde beiram os 10MB de tamanho, longe do ideal para se enviar por e-mail, por exemplo. Em compensação, captam uma quantidade de detalhes impressionante. A imagem abaixo mostra muito bem a capacidade da foto de mostrar elementos menores da cena (até a marca de digitais na chave aparece!)

Abaixo temos algumas fotos capturadas no modo resolução total e, é claro, redimensionamos para não acabar com o bom-humor do pessoal ao abrí-las. Nenhuma outra edição foi feita.

Utilizando o modo "Full resolution", e comparando com outros aparelhos (no nosso caso, o iPhone 4S e o Galaxy SIII), vemos que a câmera entrega muita qualidade, mas não se sobressai tanto. Seu trunfo acontece em duas situações: na hora do zoom e quando é recortado uma região da foto, pois a capacidade do sensor em capturar detalhes das cenas deixam os concorrentes "no chinelo". 

Nos demais aspetos, pensando em um uso cotidiano (e fotos de apenas 8MP) o Pureview entrega fotos com uma boa definição, mas parece levar desvantagem na definição das cores, especialmente quando comparado com o Galaxy SIII. 


Um ponto importante: a maioria das fotos foram batidas em modo automático, mas muitos ajustes podem ser feitos antes de tirar a foto, o que é muito interessante para entusiastas da fotografia. Só não esperem um modo totalmente manual, já que você não vai chegar nem perto de definir obturador ou diafragma, mas já dá pra fazer alguns ajustes legais. Outro ponto alto é o flash de Xenon, bem mais potente que o LED presente na maioria dos aparelhos e que, apesar de não fazer milagre, é bastante superior aos flashs da maioria dos concorrentes.

A câmera do Pureview tem plenas condições de substituir a maioria das câmeras amadoras hoje no mercado, encarando bem até condições de luminosidade ruim, mas é claro que ela não fará nenhum milagre por conta de sua objetiva de pouca abertura, característica comum das câmeras de smartphone. Ainda assim, ela não se saiu nada mal na foto abaixo, em um ambiente com pouca iluminação.

Foto batida em modo "Full resolution", com duas edições: redimensionada e corrigidos olhos vermelhos

{break::Conclusão}O Pureview supreendeu o mercado duplamente: primeiro com a volta da corrida dos megapixels, algo que parecia ter acabado entre as empresas fabricantes de câmeras, e segundo pela escolha do sistema Symbian para o smartphone, um sistema que apesar de ter atualizações prometidas até 2016 já está pra escanteio desde que a Nokia e a Microsoft começaram a investir pesado na plataforma Windows Phone.

O sensor de 41 megapixels do Pureview 808 é realmente impressionante, capaz de capturar de detalhes das cenas que nenhum outro smartphone é capaz, com destaque também para as fotos com zoom. Porém, nas fotos cotidianas, seu desempenho não foi tão superior a câmeras de outros smartphones, mostrando que quando batemos fotos em 8MP ou, principalmente, quando não queremos recortar detalhes mínimos de uma cena, o Pureview fica em um patamar próximo do Galaxy SIII e o iPhone 4S. Outra situação que a câmera do aparelho levou vantagem foi em cenas de pouca luz, por conta do flash de Xenon e das melhorias da tecnologia Pureview. Ainda assim, não faz milagres, mas conseguiu encarar algumas fotos bem difíceis, como as desta notícia aqui (todas as fotos foram capturadas com o 808, em condição ruim de luz). Também usamos ele nas fotos desta e desta notícia.

Aí entra um outro problema: com preços semelhantes, e com uma câmera que tem seu diferencial e situações específicas, o smartphone esbarra em um aspecto em que ele fica muito limitado, frente a concorrência: o sistema Symbian. Como já discuti em uma coluna por aqui, o sistema recebeu diversas melhorias em suas últimas versões, mas não é capaz de fazer frente ao iOS e o Android. Você paga o mesmo valor que um SIII ou um 4S, por uma câmera um pouco melhor mas por um smartphone muito pior. Em outro cenário, dá pra pegar modelos como Xperia S  ou o Razr MAXX, que são smartphones bem mais completos, e ainda sobra para comprar uma câmera amadora adicional, tudo pelos mesmos R$ 2.000.

A conta só bate em uma situação: um entusiasta de fotografia, que quer mais uma câmera diferenciada e não está interessado em muitas funcionalidades extras para o smartphone. Neste ponto, a simplicidade do Symbian acaba sendo positivo, pois possuir menos recursos também faz com que sua interface seja menos complexa, e conseguentemente mais simples de usar, conseguindo fazer o básico como navegar na internet, ler e-mails e utilizar alguns aplicativos.

PRÓS
Bom acabamento
Melhor câmera de smartphone que existe
Boa duração de bateria
CONTRA
Um pouco pesado e mais espesso
Sistema e aplicativos defasados
Assuntos
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".