ANÁLISE: Nokia Lumia 900

ANÁLISE: Nokia Lumia 900

Depois de nossas análises dos aparelhos Lumia 710 e 800, chega a vez do aparelho topo de linha da Nokia, o Lumia 900. Assim como o 800 e o Nokia N9, a empresa aposta no design em peça única, em policarbonato.

Como já demonstrou com o Lumia 610, o Windows Phone está dando uma aula de como aproveitar o hardware, trazendo uma experiência fluída mesmo em um aparelho com especificações bem modestas. Se o sistema da Microsoft não engasga em um smartphone com  CPU de 800MHz e 256 MB de RAM, imagine o que ele é capaz de fazer em um aparelho de alto desempenho.


Apesar de ser mais potente smartphone da Nokia, o Lumia 900 parece bastante abaixo dos melhores modelos de seus concorrentes, caso especialmente do Galaxy SIII, que com seu processador quad-core e 1GB faz o Lumia e seu processador single-core e 512MB de RAM parecer limitado.

Linha Lumia


Lumia 610
Lumia 710
Lumia 800
Lumia 900
Processador
Cortex-A5 800MHz
Scorpion 1.4 GHz
Scorpion 1.4 GHz
Scorpion 1.4 GHz
Armazenamento
8GB
8GB
16GB
16GB
Memória RAM
256 MB
512 MB
512 MB
512MB
Sistema operacional
Windows Phone 7.5 (Mango)
Windows Phone 7.5 (Mango)
Windows Phone 7.5 (Mango)
Windows Phone 7.5 (Mango)
Câmeras
Traseira 5 MP
Traseira 5 MP
Traseira 8 M
Traseira 8 MP / Frontal 1MP
Tela
TFT 3.7"
TFT 3.7"
AMOLED 3.7"
AMOLED 4.3"
Dimensões
119 x 62 x 12 mm
119 x 62.4 x 12.5 mm
116.5 x 61.2 x 12.1 mm
127.9 X 68.5 X 11.5 mm
Peso
131.5g
125g
142g
160g
Bateria
Li-Ion 1300 mAh
Li-Ion 1300 mAh
Li-Ion 1450 mAh
Li-Ion 1830 mAh
LTE




HDMI




Apesar disto, vendo a capacidade do Windows Phone de rodar no Lumia 610 (não queira ter que usar um Android com especificações parecidas), não podemos considerar o Lumia 900 um cavalo fora do páreo, na disputa com o iPhone 4S e o Galaxy SIII. Mais detalhes no restante da análise!

 

{break::Especificações e video-análise}Abaixo temos um comparativo entre as principais especificações do Lumia 900 e os modelos "top" das plataformas Android e iOS.

Xperia S x Galaxy S III x Lumia 900


Xperia S
Galaxy S III
Lumia 900
Processador
Dual-core 1.5GHz
Exynos 4212 Quad 1.4GHz
Scorpion 1.4GHz
Armazenamento
32GB
16/32/64GB + slot microSD
16GB
Memória RAM
1GB
1GB
512MB
Sistema operacional
Android 2.3.7 (Gingerbread)
Anroid 4.0 (Ice Cream Sandwich)
Windows Phone 7.5 (Mango)
Câmeras
Traseira 12MP / Frontal 1.3MP
Traseira 8MP / Frontal 1.9MP
Traseira 8 MP / Frontal 1MP
Tela
LED 4.3'
Super AMOLED 4.8'
AMOLED 4.3'
Dimensões
128 x 64 x 10.6 mm
136.6 x 70.6 x 8.6 mm
127.8 x 68.5 x 11.5 mm
Peso
144g
133g
160g
Bateria
Li-Ion 1750 mAh
Li-Ion 2100 mAh
Li-Ion 1830 mAh
LTE



HDMI




Especificações completas:

Chipset Qualcomm APQ8055 Snapdragon
CPU 1.4 GHz Scorpion
GPU Adreno 205
Display: Tela multitoque capacitivo, AMOLED, 16 milhões de cores
Resolução: 480 x 800 pixels, 4.3 polegadas (aproximadamente 217 ppi)
Gorilla Glass
Nokia ClearBlack display
Slot para cartão de memória: Não
Memória: 16GB interna, 512 MB RAM
WLAN: Wi-Fi 802.11 b/g/n
Bluetooth v2.1 com A2DP, EDR
USB: microUSB v2.0

Câmera
Traseira: 8 MP, 3264x2448 pixels, objetiva Carl Zeiss, autofoco, flash dual-LED
Video: 720p@30fps
Frontal: 1 MP, VGA@15fps

Sistema operacional: Microsoft Windows Phone 7.5 Mango
Sensores: Acelerômetro, giroscópio, proximidade e compasso
Radio: Estéreo FM
GPS Sim, A-GPS support and GLONASS
Cores: preto, ciano, branco e magenta
Dimensões: 12.78 x 6.85 x 1.15 cm
Peso: 160 g
Bateria: Li-Ion 1830 mAh

{break::Design e tela}No Lumia 900, a Nokia volta a utilizar o fom factor lançado com o N9, no final de 2011. Apesar do aparelho ter feito "uma pontinha" em nosso Top 10 de maiores fails tecnológicos, a razão do fracasso foi o seu sistema  operacional, e não seu ótimo design. Na verdade, a construção do "filho único do MeeGo" era um dos pontos altos do aparelho.

O corpo inteiriço em policarbonato, presente também no Lumia 800, traz um visual bastante diferenciado em relação a maioria dos outros modelos do mercado. Com cantos arredondados, ele é muito confortável na pegada, especialmente pelo material ser fosco e aderente, ficando bem mais firme que outros aparelhos com corpo mais lustroso e liso.

O Lumia 900 é extremamente simplista em sua aparência. Não possui linhas, saliências, bordas ou qualquer outro detalhe chamativo. As únicas coisas que o destacam de ser um um retângulo de policarbonato são a tela e os acabamentos em prata na câmera traseira e nos botões das laterais. Esta simplicidade está longe de incomodar: o Lumia 900 é um dos smartphones mais bonitos desta geração.

Na base da tela ficam três botões capacitivos, com os comandos básicos do Windows Phone. Diferente do Lumia 800, que tinha um espaço muito grande dedicado a estes botões, no 900 as proporções paressem adequadas, sem pegar uma área muito grande da tela.

Na parte superior ficam a entrada para fone e a abertura para inserir o cartão micro-SIM, ambos bastante discretos e praticamente imperceptíveis. A abertura para acesso ao slot do cartão do telefone é um pouco exótica, sendo preciso usar uma pinça que acompanha o kit do aparelho, ou algum instrumento bastante pontiagudo. Não é muito prático, principalmente se compararmos com o Lumia 800, que dispensava qualquer instrumento adicional para substituir o cartão SIM. Se você pretende substituir seu chip frequentemente, vai se irritar, especialmente se esquecer onde guardou este minúsculo pedaço de metal.

Como o corpo é inteiriço, não é possível abrir o Lumia 900 para retirar a bateria, nem entrada para cartão SD. Se deseja comprar uma bateria adicional, ou gosta da versatilidade de um cartão de memória fácil de conectar e depois tirar do aparelho, pode esquecer pois não terá estes recursos neste celular.

A tela de 4.3" AMOLED entrega a mesma qualidade que vimos no Lumia 800, inclusive com a mesma resolução 480x800. A vivacidade das cores e os contrastes não chega a bater outros smartphones TOP, mas fica próximo do mesmo nível de qualidade. Um porém, neste comparativo, é a resolução mais baixa, que acaba trazendo uma densidade de pixels menor. Com aproximadamente 217 ppi (pixel per inch), perde para o Galaxy SIII (306 ppi), para o iPhone 4S (330 ppi) e até mesmo do Lumia 800 (252 ppi). Esta qualidade a menos não chega a comprometer a experiência, mas fica abaixo do nível de seus competidores. No caso do Galaxy SIII, com tela maior e com maior densidade de pixels, dá até pra ler o site sem dar o zoom, em diversos momentos.

O principal defeito deste design de alguns aparelhos Lumia é as medidas. O Lumia 900 é o mais pesados entre seus concorrentes diretos (160g) e também é o com as medidas menos enxutas, com 11 milímetros de espessura (contra 9.3 do iPhone e 8.6 do Galaxy SIII). Apesar disto, ele está longe de ser um "trambolho", e as bordas arredondadas tornam segurar o aparelho algo bastante confortável.

{break::Desempenho e funcionamento}Com o mesmo processador e a mesma quantidade de memória RAM que o Lumia 800, não é nenhuma surpresa ver que o Lumia 900 tem uma performance muito semelhante.

Olhando apenas as especificações, a CPU single-core de 1.4GHz e os 512MB de RAM soam pequenos ao lado do processador quad-core de 1.4GHz e 1GB de RAM do Galaxy SIII, mas é nesta hora que o sistema Windows Phone mostra suas virtudes. Se ele é leve o suficiente para rodar em um smartphone com 800MHz e 256MB de RAM, ele "voa" nas especificações dos Lumias 800 e 900.

Navegar na nova interface da Microsoft (ex-interface Metro) é muito ágil no Lumia 900, assim como alterar entre múltiplos aplicativos no WP ocorre sem nenhuma queda de desempenho notável. É uma pena que o sistema ainda não possua uma biblioteca de jogos maior, então ficamos sem a possibilidade de ver como o Lumia encararia alguns games mais pesados. Apesar de poucos, os games disponíveis para o sistema são bons, e já são o suficiente para ver que o smartphone se vira bem com a jogatina.

Para a execução de vídeos, novamente vemos o mesmo desempenho do Lumia 800, o que é bom, já que ambos rodam sem dificuldades vídeos em FullHD. O problema aqui é outro: o Lumia 900 ficou devendo uma saída HDMI, para dar vazão a este potencial multimídia. Que sentido há em executar um vídeo em 1080p, se a sua tela está limitada a 480x800?

Muita da experiência com o aparelho está relacionada com o sistema Windows Phone, que já esmiuçamos na análise do Lumia 800. No geral, é um sistema muito responsivo, com um design minimalista e muito bonito. Fica devendo, ainda, um bom ecossistema de aplicativos, afinal ele é o caçula na disputa com o Android e o iOS. Por mais que a biblioteca de apps para WP tenha crescido bastante, ainda é convardia compará-la aos concorrentes. Duvido que, estando de fora da atualização para o Windows Phone 8, este quadro melhore muito para esta primeira geração Lumia.

Para quem utiliza muito os serviços da Google a transição não foi nada traumatizante: o Windows Phone "puxou" meus contatos e agenda do serviço da rival de forma muito eficiente. Os serviço de e-mail do Gmail não chega a ter a mesma qualidade que o app para Android, mas também não fica devendo muito. E claro que a configuração de e-mail não se limita a este rival: o sistema tem suporte a contas do Yahoo! Mail, Nokia Mail e qualquer serviço que utilize a tencologia POP e IMAP.

A sincronização e organização das redes sociais também foi muito bem feita, e inclui suporte a serviços como Facebook, Twitter e LikedIn, sendo que todos foram muito bem adaptados a "interface metro".  Naturalmente, com as "pratas da casa", o Windows Phone se sai muito bem, com ótimos aplicativos nativos para editar documentos da suíte do Office, acessar o Xbox Live, sincronizar como Hotmail e abrir serviços como o MSN.

O mais chato, com o uso do Windows Phone, é um empecilho bem conhecido pelos usuários de iOS: a dependência de um aplicativo para sincronizar seus arquivos com o PC. Se na terra da maçã o iTunes sempre fica entre você e seus arquivos, com o WP a bola da vez é o Zune (esse sim já "brilhou" em nosso Top 10 fails). Leva um tempo para se adaptar a interface, mas após configurar tudo, ela é bastante funcional e prática. O chato é não ter a opção de simplesmente conectar o aparelho em um computador e acessar sua memória como se fosse um pendrive, apenas para copiar uns poucos arquivos.

Quanto a autonomia, tivemos uma experiência semelhante ao do Lumia 800, mostrando que o aumento no tamanho da tela não penalizou muito a bateria. Em um perfil de uso mais econômico, com uso de WiFi e aplicações esporádicas, dá para arriscar chegar no segundo dia de uso sem carregar. Se você faz uso mais intenso do celular, ou não quer correr o risco de sumir do mapa por falta de bateria, as recargas diárias são o caminho mais seguro. 

{break::Câmera e vídeos}Assim como a linha Xperia traz a força das tecnologias da Sony para a câmera de seus equipamentos, as câmeras dos aparelhos Nokia também se consolidaram como equipamentos de qualidade, desde que a empresa incorporou componetes como as lentes Carl Zeiss. O Lumia 900 não escapa desta lógica.

Com resolução máxima de 8 megapixels, a câmera do aparelho traz bastante qualidade na maioria das cenas, inclusive em cenas com situações desfavoráveis de luz. Nestes casos, os smartphones da Xperia com a tecnologia Exmor R levam vantagem, mas a qualidade da câmera da Nokia fica dentro do alcançado pelos demais "melhores concorrentes". Nesses locais escuros o flash duplo também resolve bem, em objetos não muito distantes.

A câmera de 8MP possibilita uma série de ajustes, como o uso do flash, tipo de cena, ISO, balanço de branco e forma como o foco será feito. Por sinal, é possível determinar onde a câmera deve fazer o foco, manualmente, bastando tocar na tela para indicar, ao invés de disparar a foto com o botão dedicado. Quando travado, o smartphone pode "pular" para o modo fotografia, bastando segurar o botão dedicado na lateral por uns instantes. O celular leva em torno de três a quatro segundos para estar pronto para capturar as primeiras fotos. A câmera tem agilidade para bater fotos a cada dois segundos, aproximadamente, e o foco automático tem uma resposta rápida, atrasando a foto em algo em torno de um segundo, apenas.

Apesar de ser uma boa câmera, dentro dos padrões de muitos smartphones topo de linha, o Lumia 900 não se destaca no comparativo com outros aparelhos, como em outros tempos, entregando uma experiência regular, para o segmento. 

Na hora de gravar vídeos, a câmera do Lumia 900 fica em desvantagem no comparativo com outros rivais, por filmar apenas em HD (720p), enquanto outros aparelhos já conseguem o FullHD (1080p). Apesar desta desvantagem, a qualidade de gravação não decepciona, com boas cores, captação de áudio eficiente e, apesar de fazer apenas 30 quadros por segundo, em HD, vídeos com muito movimento não apresentam uma qualidade ruim, como podemos ver no vídeo de teste abaixo. Só é um pouco estranho o tempo que a câmera leva para encontrar o foco, especialmente no começo da gravação, mas isto não chega a ser comprometedor.

{break::Conclusão}A Nokia entregou uma ótima família de celulares, em sua estreia com aparelhos Windows Phone. Os aparelhos tem um ótimo desempenho, um acabamento de qualidade e componentes muito bons, características que garantiram alguns fãs para a marca finlandesa.

A experiência com o WP 7.5 é muito positiva, com sua interface intuitiva e respostas rápidas, mas ainda perde muito para o "ecossistema" dos mais antigos Android e iOS. A quantidade de aplicativos e serviços compatíveis ainda são um ponto bastante negativo em todos os smartphones equipados com o sistema da Microsoft.

Outro sinal da falta de maturidade do sistema é a ausência de atualização. Quem comprar o Lumia 900, agora, deve estar ciente que fica de fora da atualização para o Windows Phone 8, que chega em poucos meses. A atualização para o WP 7.8 é um prêmio de consolação, que traz as evoluções feitas na interface, mas ainda vai te deixar de fora de aplicativos desenvolvidos para o WP 8.

Outro ponto que complica, para o lado deste aparelho, é seu preço. Custando 400 reais a mais que o Lumia 800, os únicos diferenciais são a tela um pouco maior (4.3" versus 3.7") que entrega a mesma resolução e a câmera frontal, coisas que talvez não convençam as pessoas a pagar quase 30% a mais (procurando bem, dá para achar o Lumia 800 por pouco mais de mil reais, aumentando mais a diferença). O comparativo com outros aparelhos também não é tão favorável. Um Xperia Arc S, que possui um hardware muito semelhante, é encontrado por em torno de R$ 1.200, e apesar da interface do Windows Phone otimizar muito bem o hardware, a performance do Arc S também é bastante interessante.

Comparando com outros modelos "topo de linha", como o Galaxy SIII e o iPhone 4S, ele entrega uma qualidade e desempenho próximo, mas perde nas especificações e ainda possui a desvantagem no número de aplicativos disponíveis e falta de atualização para o próximo sistema Windows Phone. Isto não irá incomodar usuários que se limitam as funções básicas do aparelho, como acessar e-mails, se atualiar  as redes sociais e navegar na internet, pois os principais aplicativos já possuem, na maioria dos casos, sua versão para WP. Mas para usuários avançados, que gostam de "catar um novo aplicativo" toda semana, notará a diferença no número de aplicações. A jogatina neste aparelho também fica bem atrás das várias opções disponíveis nos aparelhos Android e iOS.

Por fim, apesar da desvantagem em relação aos seus rivais diretos, o Lumia 900 é um ótimo aparelho, e entrega a melhor experiência disponível na plataforma Windows Phone, muito agradável e eficiente nas funções cotidianas. Para quem gosta do ótimo sistema da Microsoft, quer um smarthpone potente e não quer esperar pelos aparelhos com Windows Phone 8, a única dúvida que resta é decidir se faz questão da tela maior, e comprar assim o Lumia 900, ou se basta algo bastante semelhante com tela de 3.7" e medidas menores, optando pelo Lumia 800 e economizando algo entre 400 e 600 reais.

PRÓS
Design atraente
Bom desempenho
Câmera com lente Carl Zeiss
Acabamento de qualidade
CONTRA
Não é atualizável para o Windows Phone 8
Maior e mais pesado que outros aparelhos TOP
Sem entrada HDMI ou cartão SD
Depende do Zune para conectar ao PC
Windows Phone ainda não é um ecossistema forte
Assuntos
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".