ANÁLISE: Patriot Division 2 8GB 2133MHz

ANÁLISE: Patriot Division 2 8GB 2133MHz

A Patriot enviou para anÁlise o kit de memórias Viper Xtreme Division 2 Edition 8GB 2133MHz, "Part Number" PXD38G2133C11K. Desenvolvido para trabalhar com processadores Intel Core de segunda e terceira geração, o kit possui a velocidade de 2133 MHz a 1.5V e latências de 11-11-11-27.


Trata-se de um kit com clock elevado (2133 MHz), mas com latências também um pouco altas. Assim, o desempenho da memória depende do seu equilíbrio entre essas duas características, entre sua velocidade e seu tempo de resposta. A Patriot defende que se trata de memórias voltadas para o público gamer e entusiasta, dando assim maior atenção ao acabamento e detalhes e oferecendo uma garantia vitalícia. Veja a seguir como o kit se desempenha em comparação aos rivais.

{break::Especificações e características}Abaixo as especificações e principais características do kit.


Especificações

  • Certificações: RoHS
  • Dimensões: 0,76 cm (profundidade) x 13,3 cm (largura) x 4,1 cm (altura)
  • Unit UPC: 08155300111866
  • Peso: 136,4 gramas
  • Extreme Performance PC3-17000 (2133MHz)
  • Enhanced Latency (11-11-11-27)
  • Voltage: 1.5V

Características

  • XMP 1.3 Ready
  • Equipped with an extruded aluminum shield build around a copper core to provide improved cooling
  • 100% Tested and Verified
  • RoHS Compliant
  • Tested on Intel® P67 and Z77 platforms

Para maiores detalhes e informações, confira o documento oficial (em inglês) do Patriot Division 2.

{break::Explicando os tempos de memória}Primeiro, precisamos destacar que uma boa memória alia um bom clock a um bom tempo de latência. Geralmente, os melhores resultados são obtidos por um clock mais alto com tempos mais relaxados, ao invés de um clock baixo com timings muito rÁpidos.

No entanto, para entender um pouco melhor o assunto, vamos explicar algumas características importantes quando o assunto é memória e os seus tempos de latência:

O que são tempos de memória?
Latência é o tempo que leva entre um pedido ser feito e ele ser atendido. Então, a primeira coisa que você precisa saber sobre latência é que quanto menor, melhor. Por exemplo, se você estÁ em um restaurante, a latência seria aquele tempo de espera entre o momento em que você fala o que quer para o garçom e o instante em que a comida chega à mesa. Quanto mais rÁpido isso acontecer, melhor, certo?

Em termos de memória, latência é o tempo total necessÁrio antes que os dados (sua refeição) possam ser escritos ou lidos na memória. Digamos que se encontre na embalagem de um kit de memória algo como "CL9-11-11-31 1.60V (2T)". Estes números se referem aos CAS-tRCD-tRP-tRAS CMD (respectivamente) e esses valores são medidos em ciclos de clock.

A arquitetura da memória é como uma planilha com fileiras e colunas, em que cada fileira é um bank. É nesta planilha que os dados são gravados e acessados e a busca por esses dados se dÁ sempre em uma ordem. Primeiro se localiza a fileira, depois a coluna.

Assim, quanto mais rÁpida se der essa localização, melhor, mas muita aceleração pode gerar instabilidade. Voltando ao exemplo usado, é como se o garçom e a cozinha se apressassem em atender o cliente, deixando um pouco de lado a qualidade. Isso às vezes resulta em um pedido trocado, frio ou até no garçom tropeçando no meio do caminho.

Latência de CAS (Column Adress Strobe, o acesso à coluna)
Um dos tempos mais importantes é a Latência de CAS, que pode ser entendido mais facilmente pelas pessoas. Como os dados frequentemente são acessados sequencialmente (mesma fileira), a CPU precisa apenas selecionar a próxima coluna na fileira para conseguir o próximo pedaço dos dados. Em outras palavras, a Latência de CAS é o atraso entre o sinal CAS e a disponibilidade dos dados vÁlidos nos pinos de dados (DQ), ou seja, o tempo que leva para se acessar os locais em que os dados estão armazenados. Assim sendo, a latência entre os acessos nas colunas (CAS - column accesses, no original) tem um papel importante na performance da memória. Quanto menor a latência, melhor a performance. No entanto, os módulos de memória devem ser capazes de suportar configurações de latência mais baixas.

tRCD (Latência entre o RAS, o acesso à fileira, e o CAS, o acesso à coluna)
Existe um atraso entre o momento em que uma fileira é ativada e o instante em que a célula (ou coluna) é ativada através do sinal CAS e a data pode ser escrita ou lida em uma célula de memória. Este atraso é chamado de tRCD. Quando uma memória é acessada sequencialmente, a fileira jÁ estÁ ativa e o tRCD não tem muito impacto. No entanto, se a memória não é ativada de uma maneira linear, a fileira atualmente ativa deve ser desativada para que uma nova seja selecionada. É neste exemplo que um baixo tRCD pode melhorar a performance, mas, como em qualquer outro tempo de memória, deixÁ-lo muito baixo pode resultar em instabilidade.

tRP (Tempo de prepração do RAS)
tRP é o tempo necessÁrio para terminar um acesso de uma fileira e começar o acesso na próxima. Também podemos dizer que o tRP é o atraso necessÁrio entre a desativação de uma fileira e a seleção da próxima. Assim, em conjunto com o tRCD, o tempo necessÁrio (ou ciclos de clock necessÁrios) para trocar de fileiras (banks) e selecionar a próxima célula, seja para ler, escrever ou atualizar é uma combinação de tRP e tRCD.

tRAS (tempo de RAS ativo)
É recomendado que o valor do tRAS seja igual à soma dos tempos anteriores, pois ele é o tempo total em que uma fileira fica ativa. Como dissemos ali no começo, a arquitetura da memória é como uma planilha com fileiras e colunas. Para que a CPU consiga acessar a memória, primeiro precisa determinar qual fileira ou bank que serÁ acessada na memória e então ativÁ-la através de um sinal RAS. Quando ativada, a fileira pode ser acessada diversas vezes até que os dados sejam esgotados. É por isso que o tRAS tem pouco efeito sobre a performance geral do sistema, mas pode impactar a sua estabilidade se definido incorretamente.

Taxa de comando (CMD)
A taxa de comando é o tempo necessÁrio entre o envio do sinal para selecionar o chip e o momento em que os comandos podem ser emitidos ao módulo de RAM IC. Normalmente, estes são um clock ou dois.

{break::Memórias DDR3, Compatibilidade e Overclock}A CPU é mais rÁpida que a memória, então normalmente tem que esperar até que o RAM entregue os dados. Dessa forma, o processador fica ocioso enquanto espera (não é exatamente assim, mas serve para esta explicação). Em um cenÁrio perfeito com o sistema ideal, a memória teria a mesma velocidade da CPU.

Assim, quando colocadas para trabalhar em conjunto - em dois (Dual), três (Triple) ou quatro (Quad) canais - as memórias têm sua velocidade de comunicação dobradas, triplicadas ou até quadruplicadas por aumentar o número de trocas realizadas simultaneamente. Isso teoricamente melhora a performance do sistema, mas o usuÁrio dificilmente sente a diferença (como em games, por exemplo).

Um caso em que a memória pode ter mais influência seria no caso de um sistema com APU. No entanto, o alto custo de uma memória mais rÁpida pode não compensar tanto quanto o investimento em uma memória de velocidade mediana e uma placa de vídeo.

DDR3
A principal vantagem do DDR3 sobre seu predecessor imediato, o DDR2, é a sua habilidade de transferir dados com o dobro da velocidade (oito vezes a velocidade das suas matrizes internas de memória), permitindo maiores larguras de banda ou picos de transferência.


Abaixo temos uma imagem mostrando a diferença física entre os padrões de memória DDR. Vale salientar que, devido essa diferença física de pinos, não existe compatibilidade entre as versões, ou seja, memórias DDR3 são compatíveis apenas com placas-mãe com suporte a esse padrão, assim como as demais, não sendo possível conectar uma memória DDR2 em uma placa mãe mais recente com padrão DDR3, como as para processadores Intel Core i3/i5/i7 ou AMD FX.


Compatibilidade
Um problema que acontece bastante em sistemas hoje em dia estÁ associado a compatibilidade das memórias com a placa-mãe, em muitos casos impossibilitando inclusive de se ligar o computador. Esse tipo de problema na grande maioria dos casos pode ser resolvido pela empresa que desenvolve a placa-mãe, atualizando a versão de BIOS adicionando assim o suporte a um terminado modelo que apresentava incompatibilidade. No site oficial de toda placa-mãe, ao menos das marcas mais respeitadas, possui uma lista dos modelos compatíveis. No caso o modelo que estamos analisando não apresentou nenhum problema desse gênero.

Overclock
O suporte a memórias de clock muito alto (DDR3-2000 e superiores) é feito necessariamente por overclock e provoca grande stress em diversos componentes do sistema.

Um exemplo disso era o que acontecia com plataformas LGA1366, em que a controladora de memória precisava operar ao dobro do clock da memória. Com isso, para usar memórias DDR3-2000, ela precisava de um clock de 4 GHz, exigindo tensões muito altas para garantir a estabilidade do sistema. Isso provocava temperaturas muito elevadas e uma diminuição acentuada do tempo de vida útil do processador.

Este problema com memórias de alto desempenho foi praticamente resolvido nas novas plataformas (Sandy Bridge e derivados), com algumas ressalvas, como no caso de uma DDR3-2000. Como não existe multiplicador exato (existem apenas multiplicadores para DDR3-1600, 1866 e o seguinte jÁ é o 2133), é necessÁrio modificar o BCLK para que o clock da memória chegue a 2000 MHz e alterar o BCLK é sempre um assunto sensível. Placas AMD, que são mais tolerantes a esse tipo de ajuste, acabam sendo mais amigÁveis com overclocks de memória.

Placas-mãe mais recentes jÁ trazem suporte a 2400MHz, mas apenas os modelos com características avançadas em overclock, em especial placas com chipset X79 para socket LGA 2011.

{break::Fotos}Abaixo algumas fotos do kit Patriot Division 2 8GB 2133MHz, com dissipador na cor preta com detalhes prateados e bronze. 

O dissipador de alumínio é rígido e não removível, mas mais pesado do que outros modelos, dando inclusive a sensação de um produto mais forte, diferente de alguns modelos que temos no mercado, como a linha Vengeance da Corsair.


Abaixo algumas fotos de um dos módulos do kit analisado e de um módulo do kit G.Skill ARES, também com clock de 2133MHz.

{break::Sistema utilizado, CPU-Z}Abaixo trazemos mais detalhes sobre o sistema utilizado para os testes e sobre as telas do CPU-Z.

MÁquina utilizada nos testes:
- Mainboard MSI X79A-GD65 8D
- Processador Intel Core i7 3960X @ 4.6GHz
- Placa de vídeo Nvidia GeForce GTX 680
- HD 2TB 7200RPM Sata3 Seagate Barracuda (ST2000DM001)
- Fonte XFX ProSeries 1250W
- Cooler Master Hyper 212 EVO

Sistema Operacional e Drivers
- Windows 7 64 Bits 
- Intel INF 9.3.0.1019
- GeForce 301.42 WHQL

Aplicativos/Games
- AIDA64 2.50
- MaxxMEM 1.50
- Sandra Lite 2012 18.47
- CineBENCH 11.5
- x264 Full HD 1.0.1
- WinRAR 4.11

- 3DMark 11 1.0.3 (DX11) 
- Aliens vs Predator (DX11)

CPU-Z
Abaixo temos algumas telas do CPU-Z e AIDA64 mostrando características e clocks testados do kit de memória analisado.

{break::AIDA64}Começamos a anÁlise com o aplicativo AIDA64, que possui um teste de desempenho para memórias (Memory Benchmark). Capturamos três resultados do teste: read, write e copy, que podem ser vistos nos grÁficos abaixo.

A Division 2 se mantém nas primeiras colocações nos três testes, liderando no modo Write, o que apresenta maior equilíbrio entre todas os modelos. No entanto, em Read e Copy ela fica atrÁs da ARES, com o mesmo clock, por uma média de 3%.

{break::MaxxMEM}Nos modos Read e Copy, a Division 2 novamente fica atrÁs apenas da ARES com o mesmo clock, dessa vez um pouco abaixo dos 3%, seguida pela mesma ARES com clock de 1866 MHz. Em Write, novamente o modo com mais equilíbrio, ela fica entre dois clocks da ARES, ambos mais baixos - 1866 MHz e 1333 MHz. A memória da G.SKILL, também a 2133 MHz conmsegue performance 1,93% mais elevada.

{break::Sandra, Photoshop CS5}Sandra Lite 2012
Mais uma vez a Division 2 fica atrÁs apenas da ARES a 2133 MHz, mantendo a diferença na casa dos 3%. Em compensação, supera a memória da G.SKILL a 1866 MHz por mais de 12%.

{break::CineBENCH, x264 FHD, WinRAR}CineBENCH
Novo teste com grande equilíbrio entre os modelos testados, com uma diferença de 2% no desempenho entre a melhor e a pior. Assim, a Division 2 finalmente supera a ARES a 2133 MHz, em 1,29%, mas fica atrÁs de clocks mais baixos do mesmo modelo, a 1866 MHz e a 1333 MHz, em 0,6%.

x264 FULL HD Benchmark
A Division 2 se mantém bem no meio da tabela, entre a HyperX PnP e a Vengeance, ambas a 1600 MHz, com diferenças que não passam do 1%. Ela também é superada pela ARES com seus dois clocks mais elevados, e fica abaixo da de 2133 MHz por mais de 2%.

WinRAR
Outra vez a memória da Patriot se mantém abaixo apenas da ARES 2133 MHz, que dessa vez abre um pouco mais a diferença, para mais de 4%. A memória da G.SKILL também se aproxima com clock mais baixo, a 1866 MHz, diminuindo a diferença para 3%.

{break::3DMark 11, Aliens vs Predator}3DMark 11
Não poderia faltar o 3DMark 11, um dos aplicativos de benchmarks mais famosos do mundo. 

Empate técnico entre todos os resultados, mas a Division 2 amarga o menor de todos, mesmo com performance abaixo da ARES a 2133 MHz por menos de 2%.

Aliens vs Predator
Novo empate técnico entre todas as memórias e seus diferentes clocks. Novamente a Division 2 consegue os menores resultado, mesmo que menos de 1,5% abaixo da ARES a 2133 MHz, empatando com a HyperX PnP.

{break::Conclusão}Em questão de desempenho, um clock tão alto não faz tanta diferença. Acima de um certo valor, em relação a memória, podemos dizer que a performance não é tão influenciada. Ao mesmo tempo, tempos de latência muito baixos podem gerar instabilidade em algumas aplicações, tanto para a memória quanto para o sistema. Uma boa memória se dÁ a partir da combinação entre os dois fatores - clock e tempos -, em que geralmente um clock mais alto aliado a timings um pouco mais relaxadas gera um melhor resultado que um clock baixo com tempos agressivamente rÁpidos.

Como nos testes anteriores as diferentes clockagens de uma memória não influenciava tanto nos resultados, testamos a Division 2 apenas em seu clock base, mas podemos destacar aqui que sua frequência mais elevada permite maiores variações de clockagens, o que é um aspecto positivo do modelo. Nos testes, o modelo se saiu muito bem, perdendo apenas para a ARES com o mesmo clock quando se exigia mais das memórias. Isso é algo a se esperar, considerando que o modelo da G.SKILL apresenta tempos de latência mais baixos, mas não é algo que comprometa uma boa avaliação dos resultados da Division 2. Seus sete dólares abaixo da rival são compatíveis com essa diferença no desempenho e podem influenciar na hora da escolha. Existem outros modelos com as mesmas velocidades de latência por um preço mais baixo, mas a diferença não passa dos quatro dólares.

A Division 2 apresenta dissipadores mais elevados que o padrão, o que pode resultar em incompatibilidade com alguns coolers de CPUs. No entanto, existem outros modelos muito mais altos, e o acabamento da memória da Patriot é muito bom, passando sensação de robustez e resistência. O design também agrada, apesar de não fazer muita diferença para a maioria, jÁ que a memória fica grande parte do tempo fechada no gabinete ou escondida embaixo do cooler.

Gostaríamos de agradecer a Alexandre Ziebert, responsÁvel pelo Marketing Técnico da ASUS Brasil, por ter tirado diversas dúvidas, além de ajudar-nos a elaborar as explicações, visando tornÁ-las de fÁcil leitura e entendimento.

PRÓS
Acabamento muito bom com dissipador de alumínio
Clock padrão de de 2133MHz
Suporte a XMP 1.3
Voltagem de 1.5v
CONTRA
Tempos altos
Dissipadores altos podem gerar incompatibilidade com alguns coolers
Assuntos
  • Redator: Fabio Feyh

    Fabio Feyh

    Fábio Feyh é sócio-fundador do Adrenaline e Mundo Conectado, e entre outras atribuições, analisa e escreve sobre hardwares e gadgets. No Mundo Conectado é responsável pelas análise de drones e alguns gadgets relacionados a fotos e vídeo, como Action Cams.