ANÁLISE: Call of Duty: Black Ops (PS3)

ANÁLISE: Call of Duty: Black Ops (PS3)

O novo game da série Call of Duty é o FPS dos recordes: game com maior vendas do ano passado, produto de entreterimento com melhores vendas no lançamento, maior número de players online... O jogo contabiliza cifras como 2,6 milhões de jogadores na rede Xbox Live jogando online, que gastaram 5,9 milhões de horas jogando só no dia do seu lançamento(!).

O COD: Black Ops foi produzido pela Treyarch, na "sua vez" dentro de revezamento entre a empresa e a Infinity Ward, na produção de games para a franquia. Após as guerras contemporâneas de Modern Warfare 2, a série volta ao passado, mais especificamente a década de 60 e aos combates da Guerra Fria, e visita lugares que vão das ruas de Cuba até desertos gelados no meio da Rússia.


Mason, os números...

Tudo para descobrir o que uma sequência de números significam, e de onde serÁ lançado o comando que irÁ espalhar por vÁrios pontos dos Estados Unidos uma nova superarma, o gÁs Nova 6. Pra obter esta informação, somente visitando as memórias do solado Alex Mason, durante séries de flashbacks que ele tem durante um interrogatório. A cereja do bolo é que muitas delas podem ser falsas, jÁ que ele passou por uma lavagem cerebral...

Para muitos, Call of Duty é sinônimo de multiplayer. O novo game da série continua o desenvolvimento de recursos dos games anteriores, como a personalização de aspectos do jogador e novas "bugigangas" para as armas, para dar gÁs ao uso dos pontos acumulados nas batalhas online. Novos artefatos, como o "carrinho bomba" também agregam novidades e trazem "novos ares" a série.

Vejamos no restante da review como se sai o jogo, em nosso teste no Playstation 3, jÁ que não é só de vendas que se faz um grande game.

{break::Campanha Single-player}O forte do Call of Duty é sua legião de jogadores em partidas online, tanto que muitos simplesmente ignoram a existência de um modo história para um jogador. Se você é um destes, e quer seguir com seu direito de ignorar este modo de jogo, pode fazê-lo clicando neste link e indo para o restante da review.

Para os que continuaram nesta pÁgina, a verdade é que a "campanha solitÁria" não é o forte do jogo, e não podemos culpar os jogadores que nem sequer iniciam este modo. A campanha é, na maioria do jogo, um gigantesco "corredor disfarçado de mundo". Você tem que seguir caminhos extremamente delimitados, onde um enredo tenta disfarçar que, na verdade, tudo que você faz na maior parte jogo é se deslocar do ponto A ao ponto B.

Não hÁ livre-arbítrio nem mesmo na forma como você vai descer uma colina. Vietcongues infinitos garantem que você não saia do estreito mundo onde os programadores te permitem existir. Em alguns pontos, esta restrição toda ajuda o jogador a não se perder na missão, e vagar aleatoreamente pelo mapa, mas a sensação de "ser levado pela mão", como uma criança, aborrece.

Para compensar, a campanha single player não decepcionou em um dos elementos mais interessantes de CODs anteriores: a imersão. Saltar de aviões, cair de telhados, pilotar helicópteros e cenas como correr por uma nuvem de gÁs tóxico são feitas com maestria, e dão uma quebra de ritmo do gameplay de FPS e também "da travessia do maior corredor do mundo". Arrisco dizer que estes momentos fazem valer a pena "zerar", além do enredo.


Fuck Yeah!

A história, por sinal, apesar de composta por alguns clichês de vilões russos e nazistas com armas químicas, foi bem trabalhado e não tem furos que a comprometam. A verdade é que a série "humanizou" seus personagens, com diÁlogos bem montados entre os personagens e expressões faciais bem realistas, evoluindo a tela "seca" com uma voz de fundo, mapas e fotos com ar de briefing de missão, presente às toneladas em jogos anteriores. O encadeamento foi bem feito, de tal forma que você se sente motivado a seguir pelo calvÁrio de Mason.

Afinal "Dragovich, Kravchenko, Steiner... Eles devem morrem".

{break::Jogabilidade - Single Player}A jogabilidade é, sem dúvida, um dos motores que mantém as vendas impulsionadas, ano após ano. Neste quesito pouco foi mexido, para  felicidade de muitos. Quem jogou os games anteriores, como "Modern Warfare II", estarÁ em casa com os controles.

O que estraga um pouco do gameplay, no modo campanha, são seus companheiros durante o combate. Excessivamente engessados, muitas vezes passam do lado de um inimigo e não o matam, outras vezes estão atrÁs de você, porém não cuidam da retaguarda. São visívelmente programados para matar apenas algumas pessoas, e muitos programados para morrer a certa altura. Chega a ser engraçado ver um tiroteio infinito entre eles e os inimigos, que só é resolvido se você matar o soldado adversÁrio. Ou aquele soldado morrendo exatamente no mesmo lugar, toda vez.


Sério, PC, sai da frente.

A inteligência artificial dos seus adversÁrios, também, não é necessariamente brilhante. Não raro algum vietnamia (ou nazista, ou russo, ou outro inimigo padrão "da América") vem na sua direção, em linha reta, correndo, porque foi programado para fazer isto, e nada no mundo vai impedir-lo de fazer isto (exceto você, que provavelmente vai disparar neste alvo fÁcil).


Algumas novidades na jogabilidade estão presentes ao longo da campanha solo. Você tem a chance de pilotar de helicópteros a barcos. Nesses momentos, o jogo se sai muito bem, e é muito divertido explodir tudo ao seu redor, além de quebrar o ritmo do mecanismo de um FPS. HÁ também um curto trecho no estilo stealh, onde você precisa entrar em uma base sem ser visto. Confesso que fiquei frustrado com esta parte, que podia ser mais explorada. Resumindo, você fica executando exatamente o que é mandado a você. Não é preciso pensar qual caminho fazer, nem tentar sincronizar com o tempo que passam os helicóperos de vigia. Na verdade, não te deixam pensar.

{break::Jogabilidade - Multiplayer}No multiplayer, além da jÁ conhecida jogabilidade dos outros jogos da série, temos algumas novidades, como os COD points. Você vai acumulando estes pontos ao longo das partidas junto com a experiência (os tradicionais XPs). Agora, além de precisar um certo level para desbloquear novos equipamentos, você precisa investir os pontos acumulados para equipar seu personagem.

Isto traz um novo nível de personalização, com decisões do estilo "terei menos poder de fogo e serei mais rÁpido, ou vou com uma arma pesada e serei mais lento?", o que traz uma nova logística para a estratégia no modo multijogador. A Aparência também pode ser aterada, com direito a desenhos para a arma, diferentes roupas e rostos para o seu avatar nos campos de batalha. VÁrios dos recursos custam COD points para poderem ser habilitados.

Pra dar uma mão aos noobs de plantão, um "modo treino" ajuda o jogador a se ambientar com os competitivos modos online. O "Combat Training" possibilita jogar nos mapas do modo multijogador contra a IA. Assim, além de aprender os controles e os mapas do jogo, você pode fazer tudo isto sem ser fuzilado pelos adversÁrios "god like" por aí nas Playstation Networks da vida, nos vÁrios modos multiplayer.

O jogo não economizou nos modos disponíveis, como o Team Deathmatch, Search And Destroy, Demolition, Domination, Sabotage, e vÁrios outros liberados gradativamente, a medida que você alcança níveis mais altos de experiência. Outro modo, que estava presente em World at War, dÁ as caras novamente: o "Zombie Mode". Assim como o presente no jogo anterior, é um divertido modo multiplayer para até quatro pessoas, em que você e seus amigos devem se defender de uma horda de zumbis nazistas e outras monstruosidades (!). Diversão nonsense garantida por horas.


Nazistas... sempre eles.

{break::Vídeo e Áudio}Com certeza, estes dois pontos merecem aplausos. As imagens estão fantÁsticas, especialmente nas úmidas florestas do Vietnã. Os cenÁrios estão bem elaborados, e os graficos, desde os objetos estÁticos até as animações, foram feitos com esmero. A história é bem trabalhada, principalmente se comparada com jogos anteriores, e ganhou muito "profundidade" com as "atuações digitais" dos personagens. As expressões faciais foram feitas com detalhes, e a dublagem valorizou ainda mais toda a imersão na história.


O tio Sam gosta distribuir "justiça infinita" através da janela

A qualidade do Áudio não se restringe a dublagem. Explosões, tiros, gritos e muito sofrimento compõe a "melodia da guerra" ao longo das conturbadas memórias (ou não?) de Mason. Os sons são convincentes e apuram ainda mais a imersão ao longo dos confrontos.

E a qualidade das artes não se restringe apenas as partidas, as telas de loading possuem artes e um briefing da missão, de forma semelhante aos jogos anteriores, feitas com capricho e de uma forma que prende a atenção, tanto que em vÁrios momentos continuei vendo a animação, mesmo após terminar de carregar a fase.




As cenas entre as fases também são muito bem montadas, com diÁlogos bem produzidos e transições interessantes entre a narrativa linear do interrogatório e a "colcha de retalhos" dos flashbacks de Mason.

Todos estes elementos atuam de forma positivia na campanha single player, e o efeito não é muito diferente no multiplayer. Os avanços progressivos nestes aspectos podem ser notados, jogo após jogo, da série Call of Duty.

{break::Conclusão}A série Call of Duty se transformou em uma mina de ouro para suas produtoras e desenvolvedoras. Ano após ano são lançados novos jogos, com algumas evoluções em diversos aspectos do jogo. O game Black Ops jÁ provou que, não apenas consegue manter a série firme, como também consegue alavancar ainda mais o sucesso de vendas.

Comparado aos jogos anteriores, as evoluções foram tímidas, mantendo muito da essência dos CODs, com apenas algumas novidades muito bem-vindas, como o modo "combat training". A história é a mais bem montada da série, pena que a campanha solo tem quase a mesma interatividade de um livro e a inteligência artificial dos inimigos decepcione. Em compensação, temos cenas fantÁsticas de combate com helicópteros, fugas por telhados e muitas cenas de "quase morte" que tornam interessante ir até o final e descobrir, afinal de contas, o que significam os números.

 Do ponto de vista dos escândalos, o jogo até tentou bater seu sucessor, com uma missão em que você deve matar Fidel Castro. Sinto muito Treyarch, mas o genocídio no aeroporto russo em Modern Warfare II, na famosa missão "No Russian", ganhou neste quesito.


A série Call of Duty gosta de um escândalo

E o mais importante: novidades dão novos ares às partidas multijogador, o que vai garantir muitas horas e muitos tiros ainda para todos os fãs da série, que vão estar bem servidos até a chegada do próximo Call of Duty.

PRÓS
A imersão no modo campanha
GrÁficos e Áudio de primeira
Novos modos e recursos
A jogabilidade consolidada da série
CONTRAS
Modo campanha muito engessado
Inteligência artificial ruim
Assuntos
  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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