ANÁLISE: Spider-Man: Shattered Dimensions (Xbox 360)

ANÁLISE: Spider-Man: Shattered Dimensions (Xbox 360)
"Welcome, true belivers!"

Quem é fã de carteirinha do Homem-Aranha reconhece a voz de Stan Lee, e sua tradicional entrada. Também sabe que, na sequência, virÁ mais uma aventura do amigo da vizinhança. Spiderman: The Shattered Dimensions é o mais novo jogo do personagem da Marvel, com a promessa de um recurso interessante: quatro homens-aranha (pluralzinho difícil este...) diferentes ao longo do jogo. Tudo justificado no enredo, é claro.

A aventura começa com o vilão Mysterio tentando roubar um artefato mÁgico, a pedra da Ordem e do Caos (estamos falando de um jogo de super-heróis, então vÁ se acostumando com os nomes bregas), quando o Homem-Aranha chega para impedi-lo. Na luta, o artefato se quebra, colocando em risco diversas realidades paralelas. A única forma de impedir o pior é que os homens-aranha de quatro dimensões juntem novamente as partes, espalhadas pelas realidades, senão serÁ o fim de todos os mundos. "Ok. Sem pressão então", comenta nosso protagonista.


Quebrou? Vai ter que consertar.

Os quatro heróis do jogo são o Homem-Aranha do futuro, o Spiderman 2099, a versão do passado, Noir Spiderman, a versão tradicional, o Amazing Spiderman, e um Homem-Aranha de um "presente" alternativo onde Peter Paker continuou em simbiose com o alienígena, o Ultimate Spiderman. Cada um apresenta diferenças nos golpes e no gameplay.

Isso deu dinamismo ao jogo? Talvez. Vejamos no restante da review.

{break::Gameplay}Quem jÁ jogou algum jogo do Homem-Aranha não encontrarÁ dificuldades para jogar o Shattered Dimensions. A posição dos comandos é a mesma, e a jogabilidade não muda muito, apenas com a adição de um sentido-aranha mais apurado, cortesia da Madame Teia (eu jÁ os avisei dos nomes). Este extra na habilidade sensorial do protagonista é uma mão na roda todas as vezes que você fica perdido, como quando precisa levar reféns para um ponto seguro, ou achar onde estÁ o vilão, dando a direção a seguir e evitando que você se perca ou fique sem saber o que fazer.


Com o sentido aranha o jogador ganha pistas de onde deve ir

Falando em se perder, uma diferença grande em relação aos antigos é a extensão dos cenÁrios. Esqueça aqueles passeios pela cidade, neste jogo muitos dos cenÁrios são espaços reduzidos, sem grandes deslocamentos pelas ruas como no antigo. Nada que comprometa o jogo.

As diferenças entre a maioria dos homens-aranha não são gritantes, mas trazem alguns recursos interessantes. As quatro versões do herói possuem golpes parecidos, com algum adicional, como os combos ultra-rÁpidos do Spiderman 2099.

A diferença maior estÁ na forma como devem ser derrotados os adversÁrios em cada realidade. O Ultimate Spiderman possui uma barra de fúria que, quando carregada, pode ser usada numa sequência de golpes poderosos. O nosso herói em sua versão futurista tem uma habilidade de ultra velocidade, ao estilo matrix, para tornar as esquivas mais fÁceis.

Mas é a realidade do Homem-Aranha do passado, o Noir Spiderman, que temos a jogabilidade mais "inovadora". Bastante frÁgil aos tiros dos vilões, é preciso se manter nas partes escuras do cenÁrio, e pegar pelas costas seus inimigos para vencer, numa espécide de "modo stealth" do aracnídeo. Este trecho é um pouco frustrante, jÁ que a ideia em si não era ruim, mas foi mal executada. Mesmo no hard, os vilões sofrem de um mal gravíssimo de atenção. Parecem crianças  incapazes de manter o foco por mais de cinco segundos. (Olha! O Homem-Aranha! Peguem-no! Hum..., ele sumiu. O que tem na tevê hoje?)

Dos quatro, o Amazing Spider-man é o único que não tem nada adicional. Um ou outro combo interessante, mas nenhuma habilidade diferenciada em relação aos outros. Apesar que a ultra velocidade do 2099 é tão desinteressante que poderia ser dispensada. Parece mais um "efeito maneiro" para borrar a tela do que uma habilidade útil.

{break::Para agradar os fãs}Apesar de algumas ideias mal aplicadas, o jogo tem tudo para agradar aos fãs do super-herói. O personagem ficou bastante Ágil, e muito do gameplay é baseado em esquivas precisas e contra-ataques na hora certa. Quem conhece o Homem-Aranha dos quadrinhos provavelmente acharÁ isso muito acertado, jÁ que em muitas das aventuras o cabeça-de-teia tinha que "rebolar" para derrotar inimigos mais fortes, na base do contra-ataque no ponto fraco do adversÁrio.

Assim como nos jogos anteriores, os extras incluem dezenas de desenhos conceituais do jogo, assim como biografias completas sobre cada um dos personagens da trama. Roupas adicionais e habilidades extras vão sendo desbloqueadas a medida que o jogador alcança achievements ao longo do jogo, um atrativo interessante para quem gosta de um replay. Até mesmo a versão com um uma saco na cabeça esta na lista de roupas alternativas. O Aranha Escarlate também não foi esquecido.


As batalhas contra os super-vilões (que seria do super-heróis sem eles?) tem seus altos e baixos, mas propiciam alguns momentos épicos, como a luta contra o Homem-Areia. Simplesmente "descer a porrada" não costuma resolver as lutas, e as estratégias elaboradas lembram o estilo do herói nos quadrinhos.

O visual e o enredo também remotam ao mundo dos comics. Os grÁficos não representam nada inovador, mas foram muito bem feitos e lembram os traços cartunescos. O enredo de Shattered Dimensions, com o perdão do terrível trocadilho, ficou um pouco "partido". Subdividir a aventura em quatro mundos fez com que a narrativa em cada um deles ficasse mal trabalhada, apesar de apresentar algumas ideias curiosas (sério, doutora Octopus?). A fases são repetitivas também, no estilo Power Rangers: você mata o vilão, ele acha um fragmento da pedra da Ordem e do Caos, fica grande e forte, e você tem que ganhar dele de novo. Todas as fases consistem em ir batendo em inimigos pequenos, depois nos médios, depois nos chefões (uma vez normal, e outra com ele "cheatando" com um fragmento da pedra).


Acho melhor chamar os Megazords

O game consegue por o jogador no clima dos quadrinhos, especialmente com as tiradas do escalador de paredes durante as lutas. Aí, meu caro, é uma questão de gosto. Ele não tem as melhores piadas da história, mas algumas são bem divertidas, e lembram o humor sarcÁstico do protagonista em suas histórias do gibi. Uma pena que este ponto positivo do jogo vai acabar abrindo a parte negra desta review...

{break::Defeitos}Por mais que adoremos (nós, fãs do Homem-Aranha) seu humor no calor das batalhas, o protagonista parece uma vitrola. O mecanismo é mal trabalhado, e algumas frases são ditas com uma frequência absurda. Tive que ouvir muito a sequência:

_Cuidado Homem-Aranha! - pobre refém que estou resgatando.
_Estou acostumado a lidar com estas coisas - Homem-Aranha em um acesso de modéstia.

Deu para ouvir esta frase nove vezes em um espaço de no mÁximo dez minutos. Algumas das piadas são fracas mas, sem rancor, ninguém acerta sempre. Agora ficar repetindo as mesmas coisas o tempo todo...

O mecanismo também tem lÁ seus "chiliques". Um dos mais estranhos é a animação de se levantar do herói, que usa os braços para se empurrar, e então ficar em pé. Até aí, nada de mais, jÁ que praticamente todo mundo faz assim. O problema é que este movimento é feito inclusive em queda-livre. Isso quer dizer que o herói apoia os braços no chão imaginÁrio, e se empurra, para ficar de pé enquanto estÁ caindo. E a cereja do bolo: ele não responde aos comandos até terminar seu ritual de "ficar em pé enquanto cai para a morte certa".


Outros movimentos são bem engessados também. Ao morrer, a câmera assume o ponto de vista do herói, para então mostrar ele cair morto (enquanto a Madame-Teia diz mensagens de esperança como "Toda a esperança se foi" ou "O seu destino em breve serÁ o nosso, Homem-Aranha"). O bizarro é que as vezes o protagonista toma uma pancada e é arremessado ao chão, morre, mas aí se levanta só para cair novamente com este drama todo. É como se ele acordasse morto. Isso a longo prazo irrita, jÁ que quando ele começa a se levantar, e você pensa que ainda não perdeu... aí ele cai. Este jogo adora te passar um trote.

Na verdade o Homem-Aranha tem vÁrias momentos de "vida após a morte". Algumas vezes, é preciso derrubar estruturas, ou defender pessoas até que elas consigam destravar mecanismos, para poder avançar. Diversas vezes acontece do protagonista morrer poucos segundos depois de ser destravado o último mecanismo. Quando acontece o rewspan, você ressurge jÁ na próxima parte, sem explicação nenhuma (nem mostra porta abrindo, ou como você avançou para aquele lugar).

Estes erros não são graves, e não acabam com a experiência positiva do gameplay fluído. Seu maior problema é a frequência com que acontecem, e o efeito meio cômico de alguns deles.

{break::Conclusão}Formar um enredo com quatro protagonistas de realidades diferentes deixou o enredo confuso, mas em compensação trouxe um gameplay mais dinâmico, graças a alternância entre os personagens em cada fase. Não representa um jogo inovador, mas possui algumas sacadas e bons momentos de entretenimento.

A câmera quase se transforma em um "Big Boss" adicional em alguns momentos, sendo inconveniente nos ângulos que mostra e até deixando o jogador "cheirando parede". O jeito, muitas vezes, é ajustar manualmente a câmera. Outra solução é usar o modo de esquiva do super-herói, ativado pressionado o botão "LT" (ou "L2", no Ps3). Além de facilitar esquivas rÁpidas, este modo gira a câmera automaticamente para o seu inimigo mais próximo.


O Homem-Aranha se inspirou em Matrix para esta esquiva

Fechar o jogo foi uma experiência positiva. Enquanto algumas partes não fascinam, outras são muito divertidas, com batalhas épicas e combates acirrados. Spider-man: Shattered Dimensions é um game que pode ser recomendado para qualquer um que goste de jogos de aventura, que não faz questão de um enredo muito trabalhado e curte o estilo HQ. Com certeza, gostar do escalador de paredes conta muitos pontos, jÁ que o jogo ficou a cara dele, as vezes até de mais.

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  • Redator: Diego Kerber

    Diego Kerber

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego atua no Adrenaline desde 2010 desenvolvendo artigos e vídeo para o site e canal do YouTube

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