ANÁLISE: Maxprint Dual Shock Shadow

ANÁLISE: Maxprint Dual Shock Shadow

O ato de jogar pode ser sintetizado em três passos primÁrios: ligar a TV (ou monitor), ativar o sistema no qual irÁ jogar e utilizar um joystick para começar a partida. À primeira vista, estas ações aparentam ser demasiado simplistas pela facilidade com que são executadas e, por isso, podem ser erroneamente consideradas insignificantes.

A última delas, principalmente, corresponde a uma obviedade tão comum que pode não receber atenção devida quanto à funcionalidade do produto que se tem em mãos.

Não é difícil imaginar uma situação, por exemplo, em que um controle não corresponde exatamente ao que se espera, seja por falta de precisão ou de ergonomia. A frustração, nessa hora, pode pesar e comprometer a imersão, um dos fatores que mais colaboram no fator diversão. Por outro lado, qualidade que se adapte às exigências do usuÁrio, superação de expectativas pela desenvoltura de funcionamento e fazer valer o investimento gasto são itens que agregam satisfação ao jogador.

São exatamente estes pontos que entrarão em discussão na anÁlise do Dual Shock Shadow, novo joystick para Playstation 3 distribuído pela Maxprint que acaba de ser lançado no mercado brasileiro por R$ 180. O intuito é, além do detalhamento das características técnicas e das funções bÁsicas, dialogar as impressões obtidas em variados gêneros de jogos e transcrever tais experiências nas pÁginas a seguir.



{break::Características técnicas}O conteúdo da embalagem traz, além do manual de instruções de uso frente e verso em português e espanhol, o joystick, um cabo USB para alimentação da bateria e o receptor de sinal USB para sincronizar o periférico com o Playstation 3. Detalhes técnicos do Dual Shock Shadow, incluem:

• Conexão wireles
• Receptor de sinal USB
• Duas alavancas analógicas e um direcional D-Pad
• Bateria interna recarregÁvel
• Acabamento emborrachado com manoplas antideslizantes nas laterais
• Botões R2 e L2 em forma de gatilhos
• Frequência de operação: 2.4 GHz com 16 canais
• Motores internos para função vibratória
• Bateria interna recarregÁvel (3 horas para total carregamento para 8 horas contínuas de uso)
• Dimensões do controle: 145 mm x 75 mm x 117 mm
• Peso: 260 gramas
• Cor: preto (manoplas laterais em vermelho e botões da marca Playstation com colorações correspondentes)
• Dimensões do receptor de sinal USB: 60 mm X 24 mm X 9 mm
• Comprimento do cabo de recarga de bateria USB: 1,8 m
• Distância mÁxima do controle ao console: 10 metros

{break::Impressões iniciais}Ao desembalar todo o conteúdo da caixa, o Dual Shock Shadow é o que mais chama atenção. Segurando-o pela primeira vez, é possível sentir a ergonomia do acessório: não é pesado (nem leve demais – pesa 260 gramas), se encaixa confortavelmente às mãos (pode variar de jogador para jogador) e gera segurança na "pegada" por não possuir uma superfície escorregadia.


Além disso, não demonstra ser frÁgil ou feito com material de segunda categoria, que vai se desfazer após alguns meses de uso ou se tornar "gasto" rapidamente. Baixa longevidade não é um termo que parece se encaixar com o controle.

O joystick é revestido por uma capa emborrachada negra com duas manoplas antiderrapantes na cor vermelho claro em cada uma das laterais externas. O material permite jogar por horas em sequência sem ocasionar o deslizamento brusco e inesperado das mãos em caso de sudorese.



Também aquece menos externamente enquanto segurado. Uma vez contido o aquecimento (proveniente das trocas de calor entre as mãos do jogador e o controle), ameniza-se a probabilidade de causar suor nas mãos em partidas que exigem movimento abrupto de dedos e posicionamento firme constante das mão sobre o acessório.

{break::Utilizando o controle}O Dual Shock Shadow jÁ estÁ pronto para ser utilizado assim que for desempacotado. Para tanto, é obrigatório que o receptor de sinal USB seja conectado a uma das portas USB do Playstation 3. É dessa maneira que o joystick é reconhecido pelo sistema ao fazer ponte de ligação com os sinais de transmissão provenientes do console da Sony. FÁcil e rÁpido, sem demora ou complicações imprevistas.

Para começar a jogar, entretanto, é preciso recarregar a bateria interna do controle o mínimo necessÁrio para começar a jogar. O manual indica que, para total recarga da bateria, deve-se conectar o controle utilizando o cabo USB de ligação - que vem na embalagem do produto - ao Playstation 3 por três horas. Mas não é preciso fazer isso. Pode-se deixar, por exemplo, carregando-o por 10 minutos e, assim que o sistema iniciar, jogar ao mesmo tempo que carrega.


Assim que a bateria for 100% carregada, pode-se jogar por até 8 horas ininterruptamente sem a preocupação constante de recarregamento. A margem de tempo o entre o aviso na tela de que a bateria estÁ chegando ao fim e o término de carga propriamente dita dura cerca de uma hora. Portanto, se você estiver superconcentrado e se esquecer da notificação, ainda conta com pelo menos 60 minutos pela frente para conectar o controle ao console usando o cabo de alimentação USB.

É também possível conectar o controle a entradas USB de um laptop ou um desktop para realizar a recarga enquanto joga, o que libera as portas USB do console para outros periféricos e transferência de dados provenientes de outros aparelhos eletrônicos.

Contudo, vale uma crítica ao joystick da Maxprint. O Playstation 3 permite ser ligado através do botão PS localizado no centro do DualShock 3, controle oficial disponibilizado pela Sony. O mesmo não acontece com o Dual Shock Shadow, que apesar de também possuir um botão central, chamado de Maxprint, não possibilita o mesmo serviço. Pode parecer algo banal ou que não faça diferença à primeira vista, mas pode poupar tempo e promover praticidade em ocasiões mais específicas.

Quer um exemplo? Numa situação em que o jogador se encontra afastado do videogame e, por questão de comodidade quer ir adiantando a inicialização do sistema, queira ligar o aparelho através do controle. Nesse caso, bastaria apertar o botão Maxprint que o sistema carregaria automaticamente. Como não é o que acontece, deve-se dar início no Playstation apertando a tecla POWER do console ou mesmo usar o joystick oficial da companhia para somente então conectar o Dual Shock Shadow para começar a se divertir. 


Para compensar, um aspecto bastante digno de elogio: se, uma pausa de no mínimo dois minutos durante a partida for feita e, após esse intervalo não for reiniciada, o controle irÁ desligar automaticamente. Essa vantagem é excelente para conservar e não desperdiçar a carga que a bateria interna do controle detém, o que aumenta a duração e a longevidade em que pode ser utilizado. Para efeito de comparação, o mesmo não acontece com o DualShock 3, que deve ser intencionalmente desligado através da XMB do PS3, desperdiçando a vida útil da bateria por sempre estar invariavelmente ligado, mesmo que não esteja sendo usado.

{break::Botões}O Dual Shock Shadow traz, em sua estrutura, 11 botões, um direcional em formato D-Pad e duas alavancas analógicas. 10 dos 11 botões são familiares aos jogadores dos sistemas Playstation: X, O, triângulo, quadrado, L1, L2, R1, R2, Start e Select. A posição com que esses botões se encontram no acessório é a mesma dos controles originais da Sony. O outro botão, chamado de Maxprint, permite acessar a XMB (XrossMediaBar) do PS3 e controlar todas as funcionalidades do console.


Um ponto positivo bastante considerÁvel sobre os botões do controle: ao contrÁrio dos DualShock 3, ambos L2 e R2 possuem uma leve curvatura para cima, com suave profundidade central, e que funcionam exatamente como dois gatilhos. Pode-se pressionÁ-los com força e rapidez até o limite sem o risco de ter os dedos que os pressionam escorregando a todo momento, gerando imprecisão, erros imprevistos nas partidas ou perda de paciência referente a outros desconfortos decorrentes, como dores constantes nos dedos dedicados a estes botões. 

{break::D-Pad + Analógicos}O primeiro, localizado na porção inferior esquerda da superfície central, é semelhante ao do DualShock 3 e é bastante funcional em jogos de luta pelo fato dos direcionais não estarem interligados por uma superfície coplanar circular que interfere no movimento das outras direções.

 

Em outras palavras, são "saltados", têm movimentação livre e não prejudicam as outras direções quando outra é pressionada. Também encaixam perfeitamente em jogos de RPG, ação, aventura e puzzle por permitirem a navegação por menus e escolher configurações, itens e habilidades de maneira bastante intuitiva e prÁtica.

JÁ os analógicos podem gerar considerÁvel desconforto e estranheza nas primeiras horas. Quem sempre esteve acostumado a jogar nas plataformas da linha Playstation pode confundir a localização dessas alavancas, que não mais se posicionam conforme o controle oficial do PS3, mas remete ao joystick produzido pela Microsoft para o Xbox 360 (comparação abaixo). Encontram-se alinhados em diagonal: na parte superior esquerda e desce à porção inferior direta da mesma superfície central.


Para jogos dos gêneros corrida, tiro em primeira pessoa e outros de ação e aventura, onde se controlam personagens, carros e a mira de disparos, serÁ necessÁrio se readaptar totalmente a estas condições. Isso porque, pelo controle também ser mais largo, é corriqueiro se perder e confundir com o espaçamento entre o dedo que aciona estes botões e a posição das alavancas. É um processo que leva tempo: não pense quem em menos de cinco horas você estarÁ totalmente readaptado ao Dual Shock Shadow e continuarÁ destruindo em partidas multiplayer.

Além disso, os botões e o D-Pad não demonstraram ser absolutamente sensíveis aos apertos. Por vezes, é preciso fazer força maior e pressionÁ-los com mais intensidade para que os comandos sejam devidamente executados.


Os analógicos passam pelo mesmo entrave. Não possuem sensibilidade 100% eficaz e podem prejudicar em situações que requerem agilidade e reflexo. Considerando que o jogador domine estes atributos, em um jogo de tiro em primeira pessoa, onde uma das alavancas é sempre pressionada para fazer o personagem correr mais rapidamente, por exemplo, o analógico pode, de uma hora para outra, deixar de executar essa função por passar a ser cansativo e desconfortÁvel de continuar fazendo-o por um tempo mais longo.


Mais uma vez, é preciso se acostumar com a ergonomia e a posição dos analógicos, bem como com a sensibilidade com que os botões devem ser executados e sua textura de pressionamento. E como isso leva tempo e reconhecimento de utilização, é recomendado avaliar se realmente hÁ a necessidade de adquirir o produto.

{break::Conclusão}Lançado por outras marcas em mercados estrangeiros e adaptado à realidade da Maxprint, o Dual Shock Shadow pode ser uma boa opção de consumo para os donos do Playstation 3 que estejam dispostos a se readaptarem a uma nova configuração na localização das alavancas analógicas e do D-Pad, que se posicionam diferentemente do trazido pelo DualShock 3, o controle oficial da Sony. O processo, embora não seja trabalhoso e nem difícil de ser superado, consome tempo e demanda certa determinação e persistência para não desistir logo nos primeiros trinta minutos.


Por também não serem totalmente precisos na execução de comandos que prezam por agilidade ou longo pressionamento, os analógicos podem não corresponder ao esperado e gerar impaciência justamente pelo jogador não estar devidamente acostumado com as novas posições desses botões. É, mais uma vez, questão de prÁtica, que pode compensar a longo prazo. 

Quem pode sair ganhando aqui, curiosamente, são os donos do Xbox 360. Supondo que tenham interesse em adquirir um Playstation 3, o Dual Shock Shadow pode ser extremamente útil por trazer posicionamento das alavancas e do D-Pad exatamente como consta no joystick oficial do console da Microsoft. AliÁs, o design e a ergonomia do controle da Maxprint parecem ter sido inspirados no do Xbox 360, tamanha a semelhança da sensação quando segurado, da posição dos analógicos, do D-Pad e do formato dos botões R2 e L2.


Estes dois últimos merecem atenção especial: por trazerem leve curvatura para cima, intercalada por uma ínfima – mas notÁvel - profundidade central, são extremamente funcionais como gatilhos e são perfeitos para jogos que os acionam constantemente, pois não deixam os dedos escorregarem por "prendê-los" no encaixe aos botões.

Por fim, a bateria cumpre seu papel: tem duração para partidas ininterruptas sem a necessidade de ser carregada em curtos prazos de tempo. A margem de aviso sobre o fim da carga e do fim propriamente dito é suficiente para salvar o jogo ou terminar qualquer partida multiplayer antes que a carga se esgote.

CORREÇÃO: Corrigida a procedência de produção do controle.

PRÓS
CONTRA
Assuntos
  • Redator: Andrei Longen

    Andrei Longen

    Jornalista pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrei Longen é entusiasta por videogames desde os 7 anos, quando ganhou um Odyssey 2, seu primeiro console. Hoje tem PS4, PS3 e PS Vita e adora caçar troféus em todos os jogos. Colabora no Adrenaline com notícias, análises, artigos, colunas e vídeos.