ANÁLISE: Call of Duty Modern Warfare 2

ANÁLISE: Call of Duty Modern Warfare 2

Incrível como um game pode fazer um estardalhaço completo com um simples anúncio de que estava sendo produzido. Isso foi o que aconteceu com Modern Warfare 2, tornando o game mais aguardado e comentado de todos os tempos.

JÁ de cara o lançamento dele foi o maior da história em termos de entretenimento, com recordes de pré-vendas em todo o mundo. Foi noticiado nas mais importantes Redes de Televisão do mundo, como CNN, BBC, NBC, e até mesmo na Globo News, justamente pelo recorde de vendas, que bateu 4,7 milhões de cópias em apenas 1 único dia, e isso só nos Estados Unidos. O negócio foi tão absurdo que o jogo arrecadou apenas nesse dia, cerca de US$ 300.000.000, isso mesmo, trezentos milhões de dólares, batendo até filmes aclamados de Hollywood. Mas e agora, o que se esperar disso tudo? SerÁ que vale tanto estardalhaço por causa de um simples game? É o que você verÁ nesta review.

{break::História}Modern Warfare 2 começa exatamente onde terminou o primeiro, inclusive no vídeo de introdução aparecem as cenas finais do primeiro game, que claro, não irei contar aqui para não estragar a surpresa de quem ainda não jogou a primeira versão. Então serve até de aviso para quem ainda não jogou o primeiro e pretende terminÁ-lo. É extremamente importante para que se entenda o enredo dessa segunda versão.

Embora o vídeo inicial seja logo após o termino do primeiro game como dito acima, o jogo em si começa cinco anos após estes acontecimentos, ou seja, em 2016. No game anterior o jogador encarnava MacTavish, mas no Modern Warfare 2, o protagonista é Gary "Roach" Sanderson, integrante da força-tarefa 141 e que é subordinado justamente ao MacTavish, que no atual game foi promovido à Capitão.

O objetivo principal é impedir o ressurgimento dos Ultranacionalistas comandados pelo Makarov - aliado de Imran Zakhaev no primeiro game -, que foi o mesmo grupo que explodiu uma bomba nuclear no Modern Warfare 1. Para isso, o game trarÁ missões em todas as partes do mundo, como Rússia, Cazaquistão, Afeganistão, e até no Brasil, onde um terrorista fugitivo foi justamente se esconder e assim montar um pequeno império em uma favela no Rio de Janeiro.

{break::Jogabilidade}A jogabilidade da série Call of Duty sempre foi um marco. Sempre foi de altíssima qualidade, uma característica presente em toda franquia, e claro, em Modern Warfare 2 não poderia ser diferente.

De novidade é o fato do game estar extremamente realista, tanto na movimentação quanto na ambientação em termos de física, principalmente nos efeitos de "ragdoll", que agora primam pela maestria. Experimente jogar a fase do Rio de Janeiro, em meio às favelas, e observe a movimentação dos traficantes por entre os barracos e até nos telhados. As animações estão as mais perfeitas possíveis, parecendo nem usar script, tão usados em games de tiro fazendo com que as movimentações e até as mortes pareçam todas iguais.

Como dito mais acima, no geral, a jogabilidade é feita sob medida pra se usar teclado e mouse, principalmente em momentos em que você detona uma porta e por alguns segundos o jogo usa um efeito "à lÁ matrix", com câmera lenta e com o dever de matar todos os terroristas dentro do local antes que eles matem os reféns. É até interessante isso, mas é incrivelmente fÁcil demais, mesmo com dificuldade no mÁximo.

Enfim, Modern Warfare 2 tem momentos incríveis na questão de jogabilidade, como na parte onde hÁ uma perseguição com carrinhos de neve na Rússia, onde chega a ser frenética a jogabilidade devido a velocidade atingida pelos carrinhos. Pena que dure pouco. Mas tudo isso jÁ foi visto e experimentado na primeira versão de Modern Warfare. Não que seja ruim, mas poderiam inovar em algo.

Vale um comentÁrio não muito bom para os fãs mais fanÁticos: tem certas fases que são idênticas a algumas fases do primeiro Modern Warfare. Por exemplo, a segunda fase por entre as ruas de uma pequena cidade americana, onde se avança pelas ruas e por entre casas e mansões. Simplesmente é idêntico a uma fase do primeiro game, a mesma do Demo, onde o caminho percorrido é o mesmo, ou seja, mudaram apenas o cenÁrio. Quem jogou o primeiro game vÁrias vezes, vai sentir essa sensação de "deja vu". Parece que não mudaram o design de algumas fases, apenas o visual. Uma pena.

{break::GrÁficos #1}FantÁstico é o mínimo que se pode dizer. Existe uma grande diferença entre o visual da realidade e o visual de jogos eletrônicos no que diz respeito à tonalidade das cores e na paisagem em geral. Em Modern Warfare 1, a Infinity Ward chegou bem perto do que poderia ser o cenÁrio mais real em um game. Principalmente por usar tons mais pasteis, dando um ar mais realista. Que, aliÁs, foi copiado por alguns outros games lançados depois.

Agora em Modern Warfare 2, a coisa mudou um pouco e conseguiram criar uma atmosfera, juntando com o tom das cores, com efeitos de fumaça e clima, efeitos do vento, movimentação dos personagens, e caracterização dos cenÁrios, absurdamente realista à ponto do jogador parar por um momento para observar o realismo do cenÁrio em um todo. A grande decepção fica a cargo o background, aquela textura que fica no fundo do cenÁrio, onde mostra a paisagem do local onde tÁ acontecendo a fase. Em algumas ocasiões, como no Rio de Janeiro, chega a ser destoante de tão ruim que são. Chega a ser incompreensível esse tipo de coisa, que não combina em nada com o resto do cenÁrio. Coisa típica de consoles.

Os efeitos especiais são dignos de filmes Hollywoodianos, com uma perfeição incrível. Em termos de carnificina, desde a tela com "gotas" de sangue quando o jogador é atingido, até os rastros de sangue deixado pelos corpos no meio do chão, principalmente quando estão feridos e tentando de alguma forma se esconder para que consiga sobreviver, é algo assustador.

{break::GrÁficos #2}Quem tem estomago fraco, pode não aguentar certas cenas no game, e isso com certeza absoluta farÁ o game sofrer sansões de alguns países, isso se jÁ não sofreu.
Vale lembrar que umas semanas atrÁs um vídeo da fase em que o jogador encarna um terrorista russo e, com mais três comparsas, atacam um aeroporto lotado, matando todos pelo caminho, foi duramente criticado por algumas autoridades de alguns países. Isso devido ao realismo impressionante dos grÁficos, onde mostram pessoas tentando se salvar, rastejando cheias de sangue, miolos pelo chão, poças enormes de sangue pelo caminho e até escorrendo em certos locais, tudo isso embalado por uma histeria coletiva dentro do aeroporto.

Efeitos visuais também estão presentes no game de forma magistral, como partículas de fogo gerando faíscas incrivelmente realistas, como em uma fase onde um avião cai dentro de uma casa nos EUA, e o que se vê são as faíscas de metal derretido voando para todo lado de acordo com o vento. Esse efeito acontece também em Árvores, onde folhas e galhos caem pegando fogo, e nos transformadores nas favelas do Rio de Janeiro.

As texturas do game estão mais definidas do que no primeiro game, embora a engine e os grÁficos no geral, sejam o mesmo. É realmente incrível o detalhismo dos soldados, desde as armas, até o rosto de cada um deles, chegando ao ponto de se observar eles fechando um olho para poder mirar com a arma, criando uma feição real.

Resumindo, no geral os grÁficos de Modern Warfare 2 são ótimos, e isso ninguém pode negar. Mas hÁ um porém: hoje em dia, um PC razoÁvel conseguiria rodar grÁficos bem superiores, com maior interação com física em todos os objetos no cenÁrio, com visual de background em 3D, etc. O fato é que a Infinity Ward fez o jogo com uma nítida atenção voltada para os consoles, e deixou o PC de lado, até porque poderiam ser usadas novas tecnologias mais poderosas que jogos menos expressivos usam hoje em dia.

{break::Áudio}A Infinity War, produtora do game, realmente se colocou à frente das concorrentes, sem sombra de dúvida. O Áudio de Modern Warfare 2 estÁ acima da média, principalmente na questão da dublagem, onde ela consegue usar atores que realmente combinam com cada personagem do game, emprestando suas vozes.

Uma das maiores reclamações sobre Áudio de um game é a ambientação do local onde uma determinada fase se passa. Quer dizer, o idioma local usado daria mais realismo, e muitos games usam isso, mas percebe-se claramente que são atores americanos tentando falar o idioma local. Isso acontece em filmes também, como no caso do Hulk que foi filmado no Rio de Janeiro, e que foi bastante criticado nesse aspecto, o que gerou até desculpas do diretor do filme.

Em Modern Warfare 2, o que se esperava eram alguns sussurros ou até pequenas falas durante a fase nas favelas do Rio de Janeiro, o que seria normal, e com um sotaque imenso. Uns meses atrÁs tiveram vídeos divulgados onde mostravam trechos do Rio e nele podia se ouvir algumas palavras em Português, sim nada de errado, se não fosse Português de Portugal, o que gerou criticas sobre o vídeo.

Agora com o jogo jÁ finalizado e lançado, confesso que não percebi o uso frequente do idioma de Portugal, mas sim do Brasil, com um português impecÁvel, e até gírias cariocas. Ao que parece, a Infinity Ward consertou isso a tempo, jÁ que poderia tirar o realismo das cenas, principalmente para jogadores brasileiros. A única vez que ouvi um frase de Portugal foi no início da primeira fase no Rio, o resto que se ouve são coisas ditas comumente pelas ruas e favelas, algo parecido como: "Ele estÁ perdido!", " atira na cabeça porque eles estão com armadura muito forte", "não deixa esse cara escapar!", "socorro, socorro! Eles estão me cercando!", "ele entrou ali! Joga uma granada!", dentre outras dezenas de falas. Realismo incrível.

A qualidade dos efeitos sonoros, ou seja, de tiros, gritos, explosões, sirenes, dentre outros, estão logicamente, também acima da média. Tudo parece muito real, dando a impressão de ser som de um filme realmente, sem aquela coisa artificial, criado em computador.

As musicas incidentais, aquelas que aparecem em determinados momentos durante a jogatina para gerar um clima especial, estão impecÁveis e combinam perfeitamente com a ambientação realista que a produtora quis fazer no game.

Enfim, assim como toda a série Call of Duty, o som dÁ seu show a parte, e a cada novo game lançado, a sensação de "nossa, como os caras fizeram isso?" paira no ar. E isso é ótimo para uma franquia que a cada jogo lançado, concorre sempre como o melhor game do ano.

{break::Multiplayer}Antes de o jogo ser lançado, surgiram muitas criticas sobre o Multiplayer do game, devido às mudanças impostas pela Infinty Ward, principalmente de acabar com servidores dedicados e usar algo totalmente novo, como um sistema único onde tudo seria automatizado. Não vou entrar no mérito de achar se eles fizeram certo ou errado em mudar a parte Multiplayer, até porque o que poderia ser julgado é se o sistema funciona ou não funciona. Apenas isso.

Como dito acima, tudo no modo Multiplayer é automÁtico no que diz respeito a escolher e entrar num servidor. Acontece que o próprio sistema te joga num servidor que mais combina com o jogador. Para muitas pessoas isso é o inferno literalmente, mas na questão de funcionamento e praticidade, funciona perfeitamente.

No jogo existe um modo chamado Special Ops, que nada mais é do que um tipo de "missões secundÁrias", mas não menos interessante, que podem ser jogados em single e Multiplayer. A parte Multiplayer, que é justamente a mais interessante, permite o jogo online cooperativo, onde irão participar de missões de todos os tipos, variando de corridas de snowmobile, stealth, infiltrações, dentre outras, cada uma mais interessante que a outra.

Vale destacar o fato do jogo praticamente não sofrer de lags, pelo menos aqui. Até porque o sistema "inovador" da Infinity Ward te joga sempre no melhor servidor, ou seja, de ping mais baixo.

 

Como curiosidade, o jogo online permite que se jogue em terceira pessoa. Embora seja meio "estranho" a primeira vista, com o tempo o jogador vai se acostumando com essa visão nova, e até ajuda em alguns casos.

Embora o sistema seja todo novo, revolucionÁrio para a franquia, ele tem suas falhas, e a principal delas é haver muito cheatears nas partidas Multiplayer. Ou seja, a proteção que deveria funcionar 100%, o VAC da Valve, é um pouco falha. O VAC precisa detectar o programa de cheat, conhecido como Trainer, dai o usuÁrio é banido sumariamente. Mas o grande problema é que se o trainer não for detectado pelo VAC, o jogador trapaceiro continua jogando numa boa e ganhando de todo mundo. Acontece que o tal Trainer precisa estar no banco de dados do VAC para que seja detectado, sendo assim, trainers novos podem não serem detectados. Principalmente porque essa varredura por parte do VAC ocorre periodicamente, e não 24hs por dia.

É um método de detecção de cheat bastante controverso, que existe desde 2004, e hÁ muita reclamação disso nos fóruns sobre o game, mas mesmo com esse problema, o sistema jÁ baniu milhares de jogadores.

{break::Conclusão}Embora seja muito parecido com o primeiro game, Modern Warfare 2 estÁ entre os melhores games do ano, principalmente pelo realismo contido nele a ponto do jogo ser criticado por alguns países devido a intensa violência explicita em algumas fases, como por exemplo na jÁ famosa fase do aeroporto.

Com uma história envolvente, embora meio surreal demais em um primeiro momento, grÁficos de última geração, um som envolvente e espetacular quando se usa um sistema 5.1, e um Multiplayer que foi criticado exaustivamente antes mesmo do jogo ser lançado e que agora, após o lançamento, todos viram que não teria maiores problemas, Modern Warfare 2 é sem dúvida uma compra fundamental para aqueles que gostam de um bom jogo de ação com bastante realismo e de quebra com fases ambientadas em favelas do Rio de janeiro, que dÁ um charme a mais ao game.

PRÓS
CONTRA
Assuntos
  • Redator: João Paulo Losada

    João Paulo Losada

    Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Já escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corrid