Donos de notebooks, especialmente os que jogam ou editam vídeos neles, sabem bem o quanto esses aparelhos podem aquecer. Praticamente sem exceção, estamos acostumados a ver notebooks superando os  90ºC em testes de uso intenso de processador, mesmo em notebooks "parrudos" e com ótimos sistemas de resfriamento.

CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

Rodando wPrime

OBS.:

  • Temperatura ambiente ou no máximo 25ºC
  • Medida em graus Celsius
  • Quanto MENOR, melhor

[ Temperatura (CPU) | Alienware 15 R3 (GTX 1060+i7+8GB) ] Hardwares Comparados: 6

Avell G1570 Lite (GTX 1070 Max-Q design)
88

Avell G1570 Lite (GTX 1070 Max-Q design)
88

Acer Predator Helios 300
89

Acer Predator Helios 300
89

Samsung Odyssey (GTX 1050+i7+8GB)
90

Samsung Odyssey (GTX 1050+i7+8GB)
90

Dell Inspiron Gaming 15 (GTX 1050 Ti+i7+16GB)
92

Dell Inspiron Gaming 15 (GTX 1050 Ti+i7+16GB)
92

Alienware 15 R3 (GTX 1060+i7+8GB)
93

Alienware 15 R3 (GTX 1060+i7+8GB)
93

Acer Nitro 5 (GTX 1050Ti+i7+16GB)
97

Acer Nitro 5 (GTX 1050Ti+i7+16GB)
97



Nesse contexto de tanto aquecimento, muitos optam por soluções para tentar reduzir esse problema. Mas será que as bases com ventoinhas ou outros acessórios fazem efeito? E quanto de performance dá para conseguir com elas? Vamos descobrir isso e formas gratuitas de melhorar o funcionamento do seu notebook em nossos testes!

Um pouco de teoria

Computadores usam um princípio simples para reduzir a temperatura de seus componentes: eles trocam calor entre o hardware que está aquecendo e o ambiente em torno dele. Com exceções do verão em algumas regiões do Brasil, o ar do ambiente está mais frio que o chip em alto desempenho, e é transferindo calor do chip para o ar que processadores e placas de vídeo diminuem sua temperatura. Seja um sistema de resfriamento a ar ou um líquido, o princípio é o mesmo.

O resfriamento de PCs é simples: eles trocam calor com o ambiente mais frio em torno deles

O que muda são os mecanismos usados para otimizar essa troca de calor. A solução mais utilizada é uma combinação de estruturas de metal pra propagar o calor por uma estrutura maior, aumentando a área de contato com o ar, e fans aumentando o fluxo de ar e acelerando o processo de troca de calor. E é exatamente aí que a coisa fica complicada para os notebooks.

Os laptops tem limitações de espaço e peso para entregar portabilidade. Isso impacta de três formas notáveis na capacidade desses produtos em dissipar calor: 1) o pouco espaço reduz sensivelmente a capacidade de criar um fluxo de ar e área de contato entre o ambiente e a estrutura de dissipação de calor, com a maioria dos notebooks precisando puxar o ar pela fina fresta entre o chão e abertura na parte de baixo ou, na melhor das hipóteses, pela lateral do notebook, 2) a portabilidade força a uso de estrutura menores, seja menos área metálica de dissipação do calor de forma passiva ou seja com ventoinhas menores e menos eficientes e 3) notebooks ficam próximos do consumidor e isso torna a produção de ruído em algo bem mais sensível, já que o barulho das fans é bem mais perceptível devido a proximidade do usuário e do PC. Isso faz com que muitos notebooks optem por um perfil mais discreto de rotação das ventoinhas, ao invés de acelerá-las tentando mais desempenho e melhor resfriamento.

Produtos e softwares testados

A maioria das soluções de resfriamento adicionais buscam resolver essa deficiências dos notebooks focando principalmente na melhora do fluxo de ar. Para verificar a eficiência do método, colocamos dois produtos e uma gambiarra à prova.

- Master Cooler Warrior AC292 - link oficial
- Warrior Heat Extractor AC268 - link de compra
- Apoio de porta do Adrenaline - link de compra

Usamos dois produtos da Multilaser com soluções bem diferentes. Enquato o Master Cooler Warrior AC292 (o produto verde) é uma base que melhora a circulação de ar jogando ar pela entrada na parte de baixo, o Warrior Heat Extractor AC268 (produto azul) é um cooler que "puxa" o ar pela saída. Na prática, ambos estão auxiliando o fluxo de ar e, por consequência, melhorando o resfriamento.

Já o nosso apoio de porta (a peça branca) vai cumprir outro papel. Usamos ele para levantar o notebook da mesa, facilitando a circulação de ar. Simples assim.

Nossa cobaia será o Avell G1570 Fox, um "espécime" muito interessante para os testes. Ele une componentes de alta performance (Core i7-8750H e GTX 1070) em um chassi compacto, ou seja, ele vive em um difícil equilíbrio de performance e aquecimento, em pode ficar especialmente quente e até barulhento em atividades muito intensas de processamento, mesmo contando com um total de três fans no resfriamento dos chips.

Vídeo

Resultados - temperaturas

Vamos analisar os resultados dos testes em duas frentes: aquecimento e performance.Fizemos a análise mais aprofundada em duas situações: na renderização de vídeo, por fazer uso intenso de CPU e contar com aceleração em GPU, e também no game Assassin's Creed Odyssey, que também depende de muita performance de ambos os chips.

Para facilitar os gráficos, vamos chamar cada componente da seguinte forma:

- Notebook sobre a mesa sem acessórios: nada
- Notebook sobre o suporte: levantado
- Warrior Heat Extractor AC268: cooler
- Master Cooler Warrior AC292: base

Começando pela visão externa, já fica evidente o impacto que todas as soluções que experimentamos trazem ao sistema. Comparado ao notebook na mesa sem nenhum acessório, ambos os produtos da Multilaser trouxeram evidentes reduções de temperatura, com destaque principalmente para a base. Quem impressiona já nesse primeiro teste é também a nossa gambiarra: só de levantar o notebook e melhorar a circulação de ar na parte de baixo, temos uma queda notável das temperaturas.

Render no Premiere

Assassin's Creed Odyssey

O mais notável é a região superior esquerda, onde fica a ventoinha que resfria a CPU. É bem notável o quanto aquela região está menos amarelada em todas as soluções comparadas com o notebook sendo usado sobre a mesa sem nenhum desses recursos. Lembrando que esse é só o aquecimento que está chegando a estrutura externa do notebook. Então é hora de dar uma conferida na temperatura medida pelos sensores do sistema:

O gráfico mostra claramente que o impacto nas temperaturas não é só externo. A temperatura indicada pelos sensores do CPU mostra que todas as soluções baixaram as temperaturas aferidas ao longo do render do vídeo. O Heat Extractor trouxe um resultado abaixo do desejado, já que só levantar o notebook para melhorar a circulação de ar trouxe um impacto mais notável. A base definitivamente mostrou a que veio, e reduziu em mais de 10°C a temperatura do CPU ao longo de todo o teste, e baixou uns 5°C comparado a só deixar o notebook mais levantado da mesa. Sem fazer nada, o processador quase bate os 100°C que é o teto de funcionamento do Core i7-8750H.

Olhando para as frequências ao longo do teste, se colocarmos simplesmente o gráfico dos clocks ao longo do processo o resultado é uma imagem expressionista e impossível de ser compreendida, então para ter um resultado possível de ser lido, calculamos a frequência média ao longo do teste, e a melhora nas temperaturas também impactou nas frequências do processador ao longo do teste. Detalhe importante: o clock base desse CPU é 2200MHz, ou seja, mesmo com o aquecimento alto quando não usamos nada para melhorar o resfriamento, o Core i7-8750H conseguiu um boost ao longo do teste.

Trazendo para os games, dessa vez vamos olhar tanto para a temperatura de CPU quanto de GPU, já que o chip gráfico também passa a ser bem mais exigido. Na parte do processador, que agora está um pouco menos sobrecarregado, a história ainda foi a mesma, com todos os produtos e gambiarras que colocamos em ação trazendo reduções importantes nas temperaturas:

Agora vendo a temperatura do chip gráfico, é visível um comportamento bem diferente do chip GeForce versus o Intel Core: a GPU da Nvidia aquece de forma muito mais progressiva e controlada que o processador da Intel, com muito menos instabilidade e, principalmente, com temperaturas bem mais modestas. A temperatura limite de uma GTX 1070 é na casa dos 94°C, um pouco mais baixo que os 100°C que um Intel Core pode chegar, mas mesmo sem melhorar o resfriamento dá para ver que o notebook fica longe de atingir esse grau de aquecimento.

O Heat Extractor (cooler) se sai mal nesse teste, mas isso acontece por uma limitação: você precisa definir em qual saída de ar ele será colocado. Como o processador é notavelmente o componente com o aquecimento mais ostensivo, mantivemos ele na saída de ar mais próxima do CPU. O resultado foi uma performance térmica pior que a base ou só levantar um pouco o notebook. O teste foi rodado após esperar o notebook atingir um nível de aquecimento estável, porém com o gameplay dá pra notar que lentamente o chip gráfico aquece um pouco mais.

Resultados - performance

Ok, temos uma clara evolução nas temperaturas e até nas frequências, mas o quanto isso vai impactar na performance do notebook? Colocamos em ação uma bateria de testes sintéticos, aplicações de renderização e games para ver o que muda, e tivemos os seguintes resultados.

CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

1024M (wPrime 2.10)

OBS.:

  • Resultados em segundos calculados pelo aplicativo
  • Quanto MENOR, melhor

[ wPrime | ] Hardwares Comparados: 4

Nada
150.530

Nada
150.530

Base
160.430

Base
160.430

Cooler
162.880

Cooler
162.880

Levantado
164.670

Levantado
164.670



CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

CPU

OBS.:

  • Tempo necessário para finalizar o processamento
  • Tempo medido em segundos
  • MENOS é MELHOR

[ V-Ray Benchmark | ] Hardwares Comparados: 4

Nada
139

Nada
139

Base
144

Base
144

Cooler
147

Cooler
147

Levantado
150

Levantado
150



CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

GPU

OBS.:

  • Tempo necessário para finalizar o processamento
  • Tempo medido em segundos
  • MENOS é MELHOR

[ V-Ray Benchmark | ] Hardwares Comparados: 4

Nada
91

Nada
91

Levantado
91

Levantado
91

Cooler
91

Cooler
91

Base
91

Base
91



CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

R20: Teste modo CPU (multi)

OBS.:

  • Resultados em pontos calculados pelo aplicativo
  • Quanto MAIOR, melhor

[ CineBENCH | ] Hardwares Comparados: 4

Base
2063

Base
2063

Nada
2054

Nada
2054

Cooler
2015

Cooler
2015

Levantado
1993

Levantado
1993



CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

FullHD/H264/60FPS, CC 2018: Tempo de render

OBS.:

  • Tempo necessário para finalizar o processamento
  • Tempo medido em segundos
  • Menor é melhor

[ Adobe Premiere CC | ] Hardwares Comparados: 4

Base
688

Base
688

Cooler
690

Cooler
690

Levantado
705

Levantado
705

Nada
779

Nada
779



Com exceção do Premiere, onde fez muita diferença a mudança das temperaturas, os resultados são entediantes. O motivo é óbvio: muitos do nossos testes sintéticos não duram tempo o bastante para tornar a temperatura em algo crítico, e só a renderização no Premiere, que leva mais de 10 minutos com carga de 100% no processador, conseguiu levar a situação a um extremo de impactar desempenho. Foi aí que tivemos um ganho de 10% no desempenho que resultou em uma redução de 12min59seg de renderização para 11min28sg com o uso do Heat Extractor, o melhor resultado.

Trazendo para games, as mudanças também não são tão notáveis:

Apesar de alguns momentos em que a temperatura realmente atrapalhou os games, o que parece ser o caso de Assassin's Creed Odyssey, na maior parte dos testes nós tivemos variações que ficam dentro das margens de erro (menos de 5%) mostrando que reduzir as temperaturas e os seus ganhos em frequências não impactaram muito o desempenho. Novamente o Heat Extractor (cooler) foi menos eficiente do que a base ou mesmo manter o notebook levantado, pois não auxilia no resfriamento do chip gráfico, peça mais relevante para o desempenho em jogos.

Conclusão

Bom, se não dá FPS, não tem utilidade, não é mesmo?  A história não é bem assim. O desempenho não apresentou um incremento tão alto porque o ganho em frequência nem foi tão relevante assim, especialmente se mexemos na escala para colocar em proporção total:

O ganho de performance é notável apenas em aplicações específicas

Apesar do ganho de frequências, ele é um incremento modesto sobre o que o chip gráfico já fazia quando estava mais aquecido. Usar uma solução de resfriamento para melhorar o desempenho do notebook geralmente não compensa, pois principalmente o chip gráfico se adapta bem bem às temperaturas e consegue encontrar um equilíbrio entre performance e aquecimento. 

A exceção são os longos ciclos de processamento. Se você usa seu notebooks para minutos ou até horas de renderização, melhorar o resfriamento pode impactar positivamente no tempo necessário para finalizar o trabalho. Quem faz longas sessões de jogatina também deve levar isso em conta, já que quanto mais frio o chip gráfico, há mais "um golinho" de performance.

Há um forte motivo para manter as temperaturas baixas em seu notebook: durabilidade

Mas um bom motivo para você querer usar alguma solução que melhore o resfriamento de seu notebook: durabilidade. Os chips Intel Core costumam ter o limite térmico de operação na casa dos 100°C, e mesmo que eles operem nessa casa, a durabilidade deles será mais que o suficiente. As placas de vídeo GeForce costumam ter seu teto na casa dos 90°C e, novamente, ela deve se tornar obsoleta antes de estragar. O problema é que esse nível de aquecimento não afeta apenas os chips, mas também impacta em todo o entorno dele, com múltiplos componentes em plástico como o PCB, soquetes ou trilhas da placa-mãe expandindo e contraindo junto com esses aquecimentos.

Se não quer comprar uma base, só melhorar a circulação nas entradas de ar já faz toda a diferença

Portanto eu recomendaria sem dúvidas alguma solução que melhore as temperaturas de seu notebook, pelo menos em casa quando há a oportunidade de você criar algum espaço dedicado para ele. Uma base com ventoinhas embaixo se mostrou o melhor cenário, entregando as melhores temperaturas e performance, mas mesmo que você não queria gastar nada, ao menos um suporte que levante o notebook e crie um espaço melhor para a entrada e circulação de ar nele já pode fazer bastante diferença.