The Division 2 é a nova interação da franquia da Ubisoft iniciada em 2016. É um game do gênero loot shooter, jogo em que você cumpre uma série de missões sozinho ou com amigos e vai adquirindo níveis e equipamentos para melhorar seu personagem. O jogo continua o enredo introduzido no primeiro game, quando uma doença destrói as estruturas da sociedade americana e que uma divisão especial, a SHD, tem a missão de reerguer a civilização.

Resumo técnico

- Plataforma: PC, pela Uplay
- Hardware usado: Ryzen 5 1600 + RX 580 + 8GB de RAM
- Tempo jogado: 33 horas
- Satus do game: 100% da história principal, nível 30 de personagem, 17 da Zona Cega. 

História e ambientação

The Division 2 começa com um pedido de socorro enviado de Washington D.C., prontamente atendido por seu personagem, um agente da SHD que atuava em Manhatam. Essa primeiro interação vai ser a base de todo o enredo do game, e também começa a mostrar a característica da história nesse jogo: ela está ali para justificar o gameplay, e raramente faz algo mais que isso.

O enrendo não é forte do jogo, e está ali só para justificar o gameplay

O pedido de ajuda faz o jogador sair do cenário do primeiro game para ser introduzido ao novo cenário, as dificuldades impostas pela anarquia e desestruturação da sociedade criam as várias coisas para você fazer pelo mapa, e as missões quase sempre envolvem ir a algum lugar, apertar um botão, ou virar uma manivela, ou resgatar alguém, e ir embora.

O nível raso do enredo foi uma das coisas que mais me incomodou no jogo: há um ou outro personagem com algum nível de desenvolvimento, mas em geral a história se resume a "você é bom e está acabando com o mal". Os vilões são totalmente assépticos, suas motivações são ignoradas e a única força motriz deles parece ser aplicar balas em seu personagem.

Não há reviravoltas interessantes ou motivação
para se importar com a história contada

Essa falta de antagonismos interessantes tornam a narrativa tão motivacional quanto um você versus a sujeira de sua casa, ou você versus a grama que precisa cortar no quintal. A sensação de ser a faxineira do mundo é uma constante, já que os inimigos do jogo não trazem um conflito interessante ao jogo.

Gráficos e performance

Se o enredo apenas serve para dar forma e justificativa a ação, em compensação a ambientação dos cenários são um show a parte. The Division 2 tem alguns dos cenários mais densos, complexos e variados que vi em jogos recentes. É impressionante como não há uma monotonia nas localidades do jogo, com ambientes que vão desde as ruas, museus, coberturas, ruelas, esgotos, laboratórios secretos, etc. Cada missão, mesmo as secundárias, se passa dentro de uma estrutura muito diferente da anterior, e se por um lado a mecânica é o monótono "vai lá, aperta o botão e volta", os cenários e os trajetos que você faz são sempre muito diferentes dos anteriores.

The Division 2 tem alguns dos mais belos
cenários que vi em games recentes

A qualidade visual está em um patamar excelente. Além do visual acima da média graças a localidades muito densas de objetos, os personagens estão modelados com detalhes e animados de forma muito competente. Destaque para a movimentação do personagem do jogador, que se movimenta de forma bastante fluida quando busca ou sai da cobertura, quando salta por objetos ou quando faz o rolamento, todas as ações fluem de forma orgânica, em um trabalho muito competente da desenvolvedora.

Os efeitos de luz e do ambiente são impressionantes, e a jogabilidade ganha muita variação graças a condições de variação do clima. O game muda muito entre jogar a noite, durante o dia com ótima visibilidade, com uma chuva dificultando ouvir os inimigos e por fim a densa névoa, que simplesmente acaba com o campo de visão dos jogadores. O clima varia de forma imperceptível e gradual, e junto com a grande variação dos cenários no mapa, dão muito dinamismo pro visual do jogo. 

Efeitos de luz e sombra, além de mudanças climáticas e
passagem do dia, dão muita variedade às cenas do jogo

Nosso gameplay foi feito em um PC, e um bem próximo às configurações do PC Ideal Adrenaline, e a performance foi excelente, com gameplay no alto em 1080p com uma taxa praticamente cravada em 60fps. Para quem quiser ver mais detalhes sobre a otimização do jogo, dá para conferir abaixo o episódio com o PC Baratinho e da Crise encarando o game. Em geral, tirando as lentas telas de carregamento do jogo, a performance está excelente.

Gameplay

O ponto forte de The Division 2 é sem dúvida o gameplay. Enquanto o enredo só está ali para dar motivação e forma ao mundo do game, se há um argumento pelo qual eu defendo a compra desse jogo é que é prazeroso o combate e atirar nele. A Ubisoft aperfeiçoou as mecânicas que introduziu no primeiro game, e o resultado é um shooter em terceira pessoa muito competente, balanceado e divertido de jogar.

O gameplay é o grande motivo para jogar The Division 2

O gameplay flui de forma tão eficiente que não é preciso muito tempo para entender as mecânicas e sair jogando. Uma das melhores provas disso foi nosso gameplay. Mesmo sem experiência, não foi difícil para o @Joao_GAN em pouco tempo se entrosar e jogar com a gente, inclusive com o nosso grupo dispersando muito nos tópicos de conversa. The Division 2 é um jogo excelente para se distrair com um grupo de amigos, e essa facilidade em que divagamos no papo é um mérito da mecânica (e um pequeno demérito do enredo, que é desinteressante).

A mecânica de tiro é consistente, divertida e fácil de se aprender

Além da consistência da mecânica de cobertura atrás de objetos, as armas tem uma ótima variedade e trazem muitas possibilidades para os jogadores, que podem optar desde aquelas com alta frequência de disparos e baixo dano até rilfes semi-automáticos para dar poucos disparos, mas de altíssimo impacto.

O RPG não ficou no caminho, pelo contrário, adicionou em um ótimo balanço na experiência combinando bem com os elementos de ação e outras mecânicas do jogo. Encontrar adversários de níveis mais altos, as vezes 3 ou 4 níveis acima do seu, tornam o duelo desafiante porém viável, enquanto mecânicas essenciais como tiros na cabeça ou acertar granadas ainda causam alto dano. Você não vai precisar ficar fazendo grinding para poder avançar em novas áreas, mas em contrapartida fazer um personagem com melhorias bem cadenciadas e usar os equipamentos com os benefícios certos fazem a diferença e recompensam o jogador a investir seu tempo e evoluir seu personagem.

Os elementos de shooter e RPG são muito bem combinados

Porém tudo que elogiamos no gameplay não quer dizer que o jogo é perfeito nesse aspecto. A inteligência artificial tem altos e baixos, com trechos em que os NPCs são excelentes em pressionar o jogador avançando pelos flancos, enquanto em outros ele simplesmente corre na sua frente de forma totalmente aleatória e se expondo em excesso. A mecânica de cover ou mesmo o deslocamento pelo cenário as vezes "enrosca" em momentos críticos, bem na hora que você esta tomando balas não consegue caminhar no mapa por causa de algum desnível mínimo no chão ou por um simples bug. Felizmente isso acontece muito raramente, então não é um problema significativo o bastante para comprometer a experiência com o game. 

Há uma grande quantidade de missões para ser realizadas, primárias ou secundárias, além de atividades adicionais como tomadas de pontos de controle, captação de recursos, ataques a comboios inimigos além das lutas aleatórias com inimigos que você encontra pelo caminho. Essa grande quantidade não significa variedade, e todas são basicamente você ir para um lugar, encher de balas os inimigos que estão lá até aparecer que o objetivo foi concluído.

A organização dos menus é péssima, e ter que dar duplo clique no PC para selecionar itens é algo sem nenhum sentido

Algo que definitivamente não ficou bem resolvido nesse jogo foram os menus. A curva de aprendizado é MUITO longa para entender como evoluir as habilidades do jogador, equipá-las, como modificar armas, obter melhorias e onde está cada coisa no inventário. Algumas opções estão em menus dentro de menus, o que aumenta ainda mais o tempo necessário para aprender onde fica tudo. Até entender que arma deve ser vendida e qual arma você está usando é confuso. Para piorar, por algum motivo a Ubisoft optou por duplo clique para a seleção de alguns objetos. Imagino que no console a interface do jogo faça mais sentido, mas muitas interações no PC simplesmente ficaram longe do ideal.

Áudio

Além dos detalhes muito caprichados dos cenários, recriando com uma quantidade gigantesca de elementos das ruas reviradas em lixo e caos pós-apocalípitco, a trilha sonora e efeitos de som também merecem elogio. As armas, que são as estrelas do gameplay, tem sons muito diferentes e bastante perceptíveis no campo, sendo possível identificar explosões e disparos para localizar os inimigos no campo (apesar que o uso intenso de HUDs inclusive marcando a posição dos inimigos do game tornam isso ser desnecessário).

O jogo está localizado totalmente em português, com direito a dublagem profissional e inclusive dá para identificar algumas vozes já famosas de outros filmes, séries e desenhos animados. A qualidade em geral está em ótimo nível, só com um ou outro NPC inimigo um pouco desanimado em pleno tiroteio. 

O jogo é totalmente localizado em português brasileiro, em um trabalho bastante competente

Em geral o game deixa por conta dos sons da cidade e dos tiroteios para povoar os fones do gamer, mas em alguns momentos entram em ação algumas trilhas sonoras discretas com um ou outro acorde de guitarra para dar uma atmosfera ao jogo, mas em geral o áudio é mesmo tomado pelos sons do ambiente. Outro momento que o jogo se sai bem são na variações e interação do áudio com os cenários, então dá para perceber uma variação no áudio quando está combatendo em locais mais abertos ou corredores mais estreitos.

Multiplayer

A Ubisoft precisa de um bom motivo para justificar os tediosos tempos de carregamento do jogo, e um deles é que além das texturas e modelos do amplo mundo do game, também temos uma comunicação constante com o servidor. O motivo é que seu mundo é compartilhado com outros agentes, e é possível encontrar com eles pelas ruas de Washington D.C. também trabalhando para tornar o mundo em um lugar melhor. É fácil pedir ajuda em um trecho que você não "está dando conta" ou fazer um matchmaking para fechar um grupo e jogar uma missão em conjunto.

Porém sem dúvida The Division 2 é um game para ser aproveitado em um grupo de amigos. Primeiro porque ter seus amigos ou conhecidos para bater um papo e trabalhar em equipe ajuda a não perceber o tédio que é a história principal, e segundo porque dá uma dinamicidade para os combates muito mais interessante, com o game escalonando o número de adversários e tornando a ação bem mais frenética. Aqui também fica bem mais interessante a combinação de habilidades, com recursos para cura em área, por exemplo, além de trabalho em conjunto, bastante necessário especialmente quando a coisa fica mais desafiante lá na frente.

Dá pra jogar sozinho, mas é muito melhor
jogar The Division 2 com amigos

O ponto positivo é que aqui novamente o RPG é um elemento bem incorporado, e que a Ubisoft tem o cuidado de não deixar "ficar no caminho" da diversão. Se há disparidade entre os jogadores, há um balanceamento automático para que todos consigam jogar. Mesmo se alguém não tenha uma missão pré-requisito para fazer outra, ainda assim dá para "forçar início" e todos jogarem juntos. O game faz o necessário para adaptar os jogadores para a experiência funcionar independente da diferença entre os jogadores na party.

Para os jogadores que preferem um combate PvP, o jogo mantém a mecânica das Zonas Cegas (ZC). Elas são regiões do mapa onde o jogador ganha a possibilidade de virar um agente renegado e brigar com outros jogadores, ou só vagar por essa área e tentar encontrar loots mais interessantes. Aqui há uma série de mecânicas buscando trazer alguns confrontos, como a remoção lenta dos itens que você achou (que precisam ser levados por um helicóptero) e que dá uma ampla janela de tempo para que outros gamers tentem roubar os itens que você achou. Na prática, minhas incursões na ZC foram bem menos interessantes do que eu achei que seriam, com raras vezes que confrontei outros jogadores, e com boa parte do tempo brigando com NPCs, apenas.

AVALIAÇÃO:

História

7.0

Jogabilidade

9.5

Gráficos

9.5

Áudio

9.5

Multijogador

9.5
Conclusão

The Division 2 aperfeiçoa muito do que a Ubisoft criou com o primeiro game, fazendo melhorias incrementais e apostas seguras para tornar o jogo melhor. Por um lado isso trouxe benefícios evidentes, como um gameplay bastante consistente e bem encaixado, uma ambientação já construída e desenvolvida e toda a experiência de erros do jogo anterior acumulada e corrigidos.

O problema é que o game não sai da zona de conforto em praticamente nenhum momento. Todas as missões seguem um molde muito semelhante, com objetivos de ir até um lugar enfrentando hordas de inimigos a cada avanço, chegar lá, e enfrentar hordas de inimigos na volta. Dá até para adivinhar quando entra em ação o próximo gatilho que dispara mais inimigos no jogo surgindo do nada. O enredo é impressionantemente insonso e apolítico apesar de estar recheado de violência e temas como terrorismo e anarquia, tudo tratado de forma indiferente e rasa.

The Division 2 é um excelente shooter para jogar e se divertir com os amigos, só fica devendo um pouco mais de criatividade ou ousadia em arriscar algo diferente

Mas em contrapartida, apostar só nas opções seguras garantiu um jogo bastante consistente e bem finalizado. Com raras exceções, as partidas são fáceis de entrar, chamar amigos, atirar em ondas de inimigos por 15 minutos e finalizar ganhando novos itens um pouquinho melhores que os anteriores. Não é inovador nem surpreendente, mas felizmente é bem executado e divertido, especialmente se jogado com amigos.


PRÓS
  • Excelentes gráficos
  • Gameplay divertido e interessante
  • Fácil de entrar e sair de missões com amigos ou desconhecidos
  • Balanceamento automático eficiente põe todo mundo junto pra jogar
  • Boa variedade de armas e habilidades
  • Inimigos desafiantes e com ponto fraco a ser explorado
CONTRAS
  • Enredo entediante e desinspirado
  • Longas telas de carregamento
  • Difícil achar alguém nas Zonas Cegas
  • Pouca inovação
  • Menus complicados demais