Devil May Cry 5 é um game que juntou uma quantidade de expectativa comparável à de Resident Evil 2 Remake, já que o título também conta com uma imensa quantidade de fãs das antigas que aguardavam ansiosamente pelo seu retorno. Ainda mais tempo considerando o número de pessoas que simplesmente pulou o DmC, por causa das extensivas mudanças que foram feitas naquele game. E será que DMC 5 compensa toda essa espera? Sim! E muito mais. Confira abaixo na review o porquê.

Resumo técnico

- Plataforma: Xbox One original
- Horas jogadas: 12 horas e 17 minutos
- Status do game: Campanha finalizada, sorriso no rosto

História e Ambientação

Devil May Cry é uma série de jogos que "se orgulha" de ter um estilo de ação exagerado e espalhafatoso, e a história dos jogos reflete exatamente isso. Num momento em que os games estão ficando cada vez maiores e mais ambiciosos, Devil May Cry 5 não tem medo de manter o estilo da série e não se leva a sério demais, entregando algumas cutscenes que chegam a ficar caricatas de tão absurdas que são. E tudo isso casa perfeitamente com o estilo do jogo e o torna uma excelente experiência quando você "desencana" e simplesmente se deixa levar pela sua estética "over the top".

O enredo do jogo em si, não é dos mais complexos - surge um novo demônio quase invencível com fome de poder e os heróis Nero e Dante vão ter que se unir a um novo e misterioso personagem, V, para derrotar a ameaça. Sinceramente, eu não esperava mais que isso num game hack'n'slash, mas fui positivamente surpreso neste título.

A narrativa não linear ajuda a valorizar muito o enredo do jogo

Como eu sempre digo, há dois aspectos que valorizam o enredo de um game: a história em si e a maneira que ela é contada. A história de DMC 5 é relativamente simples, mas o game usa uma narrativa não linear para contá-la, indo e voltando no tempo, mudando a perspectiva dos personagens constantemente. Isso poderia ficar confuso, mas os desenvolvedores foram cuidadosos para não deixar o jogador se perder, sempre situando os acontecimentos com data e horário e mostrando uma timeline que situa os eventos antes de cada missão.

O resultado é muito interessante. O estilo de contar a história ajuda o enredo a ser mais envolvente, conforme o jogador fica se perguntando como aconteceram diversos eventos durante todo o jogo, além de garantir que seus plot twists fiquem melhor escondidos e, ao mesmo tempo, tornando-os ainda mais satisfatórios quando acontecem. Estou sendo propositalmente vago sobre a história, recomendo entrar no jogo sabendo o mínimo possível sobre seu enredo, como foi comigo.

Minhas críticas na parte do enredo ficam mais por conta dos personagens em si. Lady e Trish estão ali só pra "bater ponto" e os três protagonistas do jogo têm, basicamente, a mesma personalidade, que é a de um ídolo dos adolescentes fãs de rock e anime. A única coisa que diferencia cada um é a idade e seu gosto por Edgar Alan Poe. Isso faz com que eles se tornem um tanto previsíveis na maior parte do tempo. Mas não significa que não tenham carisma. A qualidade do roteiro e a atitude de cada um, que passa a nítida mensagem que eles não ligam a mínima pra minha opinião sobre suas personalidades, acabam cativando ao longo do jogo. 

Resumindo, a história de DMC 5 cumpre perfeitamente sua função: manter o jogador interessado, do início ao fim.

Jogabilidade

A jogabilidade de Devil May Cry 5 é espetacular. A palavra central aqui é "variedade". Como dito no segmento anterior, o jogo conta com três protagonistas, que são três personagens jogáveis: Nero, V e Dante. Além do gameplay de cada um deles ser completamente diferente do outro, o que já seria suficiente para garantir uma boa dose de variedade ao longo do jogo, cada personagem conta com uma série de novas habilidades e equipamentos para desbloquear, fazendo com que o jogo esteja em constante evolução ao longo de toda a campanha. Fiquei literalmente impressionado com a quantidade de mecânicas novas que o jogo introduz até seus últimos momentos.

Variedade, no entanto, não é uma vantagem por si só. Não adianta nada um gameplay cheio de elementos se eles não forem divertidos. E é por isso que os desenvolvedores do game se asseguraram em criar uma jogabilidade de qualidade para cada personagem, se assegurando em manter o nível de excelência pela qual a série Devil May Cry é conhecida. Pra facilitar, vou comentar cada personagem separadamente:

Nero

Nero é o primeiro personagem que usamos. Ele tem grande mobilidade e facilita os combos aéreos, num estilo de jogo mais frenético e intuitivo, que recompensa mais a reatividade do que o planejamento. A principal mecânica dele, como ficou claro nos trailers, são seus braços artificiais, as Devil Breakers. São diversos modelos e a versão que recebemos do game pra análise vem com mais ainda, incluindo o canhão do Mega Man. E a grande "sacada" aqui é que as Devil Breakers, como dito no nome, quebram e isso é uma parte importante do gameplay.

Você pode ativar uma habilidade "carregada" da Devil Breaker segurando o botão, ou simplesmente explodir a prótese para escapar do ataque de um inimigo. Fazendo isso, Nero equipa automaticamente a próxima Devil Breaker do pente, que pode ter uma habilidade completamente diferente da que você estava usando e o jogador precisa se adaptar imediatamente a isso. Essa aleatoriedade torna o gameplay com Nero mais errático e, ao mesmo tempo, muitíssimo interessante. São liberados novos braços ao longo de toda a campanha, então sempre tem uma novidade para experimentar.

V

O gameplay com V é o mais diferenciado e estratégico. O personagem misterioso é apenas um "humano normal" (dentro das definições de "normal" desse jogo), então ele não consegue lutar por si só. Para isso ele conta com dois demônios ajudantes na maior parte do tempo, o Grifo e a Sombra. Os comandos de ataque com V fazem com que seus demônios ataquem, enquanto você usa o controle de movimentos para manter o personagem longe do perigo.

O "pulo do gato" aqui é que os demônios de V não finalizam os inimigos, deixando-os apenas atordoados quando apanham o suficiente, e você precisa finalizá-los. E é essa simples mecânica que tornou o gameplay com V o meu preferido, porque obriga o jogador a sair da retaguarda pra executar os monstros e se expor ao perigo, dando uma excelente dinâmico ao fator risco vs recompensa desse estilo de jogo. Além disso, se os seus demônios apanharem muito, eles ficam inutilizados por um tempo, para se recuperar, outra coisa que deve ser levada em conta no gameplay estratégico de V.

Há ainda o Pesadelo, um terceiro demônio que você gasta sua barra de energia demoníaca para usar. É algo como um "especial" que traz mais variedade para o personagem.

Dante

O clássico Dante está de volta para agradar os fãs de longa data da série e inclusive por isso quero fazer um elogio especial ao cuidado e ao capricho dos desenvolvedores de DMC 5. Justamente o personagem mais antigo da série é o que mais vai beneficiar os jogadores veteranos que vão saber usar melhor suas habilidades. O gameplay com Dante não é difícil, mas ele traz uma variedade de estilos e armas que serão melhor aproveitados por quem está mais acostumado com o estilo do game.

E está justamente aí o grande diferencial do personagem. Ele conta com várias armas de fogo e de combate corpo a corpo, além de estilos diferentes de luta que valorizam a mobilidade, a defesa, as armas de fogo ou as espadas. A combinação entre esses diferentes elementos para cada situação é imensamente satisfatória e, além de toda essa variedade, várias das armas de Dante contam ainda com "modos" diferentes, dando ainda mais opções. E isso tudo além da sua habilidade de virar demônio. Ele é o personagem que mais convida o jogador a dominar o gameplay e perseguir aquele ranking Smokin' Sexy Stylish nos combates.

O gameplay é variado e frenético e faz o jogador não se contentar em apenas passar de fase, mas em querer jogar bem

O excelente gameplay de cada personagem se une a uma enorme variedade de inimigos e a um gameplay frenético que instiga o jogador a dar sempre o melhor de si para entregar uma experiência incrível. Não só isso, mas o game lhe convida a repetir essa experiência em níveis mais difíceis, entregando uma quantidade suficiente de elementos novos até o fim para lhe dar vontade de recomeçar a campanha mesmo tendo acabado de terminá-la.

Gráficos

Os gráficos deste game foram uma grande surpresa. Da direção de arte à qualidade técnica, é visível o capricho no design dos personagens, inimigos e dos cenários. Os rostos, especialmente, me chamaram muito a atenção. Mesmo sem se basear na captura de atores conhecidos, temos expressões extremamente humanas e convincentes, algo que ajuda no carisma dos personagens, inclusive.

A estética dos monstros e dos cenários merecem elogios à parte. O game é um ótimo exemplo pra se falar de "a beleza no feio", criando demônios e chefes que parecem saídos dos piores pesadelos, e que são lindos exatamente por isso. O design das fases é também impressionante. Mesmo o game sendo completamente linear, não houve preguiça na hora de criar os ambientes, que se encaixam de maneira incrível. Um destaque especial para a fase em que pedaços de diferentes prédios vão caindo e se encaixando para liberar os caminhos.

O mais impressionante nos gráficos de DMC 5 é como eles mantêm sua qualidade, mesmo no Xbox One original

A parte técnica, no entanto, é tão importante quanto a estética num game como este. Não dá pra jogar um hack'n'slash frenético com uma queda constante nos frames. Por isso fico feliz em dizer que DMC 5 não tem problemas em se manter fluido, mesmo no Xbox One tradicional, raramente caindo abaixo dos 60fps. No Xbox One X o game fica ainda mais bonito, principalmente nos cabelos dos personagens, que ficam bem mais macios e sedosos, com a vantagem extra de conseguir rodar o game em 4K.  A otimização é incrível realmente, e as telas de carregamento nem demoram muito para garantir isso. A RE Engine segue impressionando.

Há também os efeitos especiais de partículas durante os ataques e no gameplay em geral, que ajudam a tornar cada combate um lindo espetáculo de violência e malabarismos espalhafatosos.

Áudio

A trilha sonora de Devil May Cry é um elemento importante para o jogo e, no quinto game da franquia principal, não decepciona. O rock "pauleira" casa perfeitamente não só com a estética do jogo, mas com a sua jogabilidade também, incentivando a movimentação frenética e o estilo agressivo do gameplay. É um toque especial também que cada personagem tenha sua trilha de combate.

A dublagem que, talvez, não segue o mesmo nível de excelência do resto do game. Não que seja ruim, longe disso, mas num jogo onde todos os outros elementos se destacam tanto, um trabalho que fica entre o médio e o bom acaba ganhando algumas críticas. As vozes em inglês muitas vezes parecem um tanto forçadas, principalmente a da Nico, e acaba levando um tempo pra acostumar e não comprometer a imersão. Até por isso, recomendo jogar com as vozes em japonês, que combinam mais com o jogo como um todo. E, pessoalmente, adoro a voz do Grifo em japonês, simplesmente adoro.

Sugiro jogar com o áudio em japonês

Infelizmente não temos as vozes localizadas em PT-BR, mas os textos sim. E o jogo fez um excelente trabalho nessa parte, inclusive tentando localizar algumas das gírias e principalmente o jeito de cada personagem falar. 

AVALIAÇÃO:

História

9.0

Jogabilidade

10.0

Gráficos

10.0

Áudio

9.0
Conclusão

Devil May Cry 5 é um game que realmente me impressionou. Eu já esperava um gameplay divertido e variado que garantissem um bom jogo, mas o título vai além e entrega muito mais que isso. Os gráficos de altíssima qualidade, a jogabilidade fluida e uma ótima trilha sonora já garantiram que este game vai ser um dos melhores do ano. Mas colocando também a história maluca, não linear e, ao mesmo tempo, tão interessante, fica impossível não dar um merecido selo de diamante para este game.

Devil May Cry 5 é um game obrigatório para os fãs do gênero

Além de todo o capricho e dedicação para entregar um game incrível desses, os desenvolvedores ainda tiveram um visível trabalho extra para tornar o título acessível mesmo para novatos na franquia. Isso torna DMC 5 uma recomendação obrigatória não para os fãs de longa data, mas para qualquer pessoa que goste do gênero. O jogo é simplesmente indispensável.


PRÓS
  • Excelente gameplay com incrível variedade
  • Gráficos e otimização impressionantes
  • Trilha sonora perfeita para o game
  • Narrativa não linear valoriza o enredo
  • Alto valor de replay
  • A cutscene do chapéu Faust
CONTRAS
  • Protagonistas têm personalidades quase idênticas
  • Lady e Trish não fazem diferença nenhuma no jogo