Primeiro de tudo, os headsets GALAX XANOVA Juturna e GALAX XANOVA Juturna-U nada mais são do que versões modificadas do Takstar Pro 82, um fone profissional feito por uma marca chinesa bastante consagrada no ramo por oferecer excelentes fones de ouvido por preços bastante agradáveis.

Mesmo que você nunca tenha ouvido falar na Takstar, ela é uma fabricante com forte presença no mercado, mas através de outras marcas. A Arcano vende diversos produtos da marca, e os headsets HyperX Cloud/Cloud Silver/Cloud Core/Cloud II são versões de um Takstar Pro 80 modificado.

Então, mesmo a Galax sendo uma novata neste ramo de periféricos, não podemos menosprezar ela, já que na verdade ela não projetou estes fones, apenas remarcou eles. E não há nada de errado nisso, remarcações só são ruins quando é remarcado um produto ruim, o que certamente não é o caso.

Sei que o Juturna e o Juturna-U são dois fones "diferentes", mas a única coisa que os separa são os seus acessórios. Os fones em si são idênticos, por isso esta é uma análise dupla. Vamos explicar as diferenças e no que elas podem trazer vantagens ou desvantagens ao longo do texto.

Construção

Os fones Galax XANOVA Juturna são fones feitos em grande parte em plástico, mas um plástico de alta qualidade. Mesmo com o design giratório das conchas e a leveza deste fone, não há nenhuma sensação de "fragilidade" em sua estrutura como há em alguns outros fones com características similares.


Qual é o Juturna e qual é o Juturna-U? EU TAMBÉM NÃO SEI!

Fisicamente não há como saber qual fone é qual, tanto o Juturna quanto o Juturna-U são realmente 100% idênticos, mudando apenas um de seus acessórios.

Quanto às almofadas, temos aqui um courino aparentemente de alta qualidade, com excelente conforto e até o material interno é um tecido bastante confortável.

Não há como saber a durabilidade deste, mas até mesmo almofadas de courino de alta qualidade tendem a desgastar com 3-5 anos de uso. Felizmente as almofadas dos fones Galax XANOVA Juturna são removíveis, embora você deve retirar o encaixe para colocar as novas. Parecem ser almofadas ovais comuns, provavelmente é possível colocar almofadas do Brainwavz HM5, mas você terá que "furar" elas para colocar esses encaixes de plástico.

O fone possui ajustes para seu tamanho, e ele estende bastante, até mais do que eu esperava. Em headsets como o HyperX Cloud Alpha e Cloud II, eu costumo usar o fone no "máximo" pois tenho uma cabeça "XGG". Mas, no caso dos Juturna, utilizo eles confortavelmente em "5" (embora não haja nenhuma marcação) e eles possuem até 10 níveis de ajuste, o que deve comportar qualquer tamanho de cabeça.

O clamping (a força que o fone exerce na sua cabeça) é quase nulo. Combinemos isto com suas almofadas fofas e temos aqui um fone excepcionalmente confortável para quem usa óculos.

Toda o acabamento dos fones Galax XANOVA Juturna dá a impressão destes serem produtos "premium". O peso extremamente balanceado, o tipo de plástico utilizado, a qualidade e conforto do courino... Tudo, com exceção dos cabos, dá a impressão destes serem produtos de alta qualidade.

Os cabos são a parte que menos passam confiança nesses fones, é apenas um cabo de borracha aparentemente comum, fino, não muito flexível e não parece ser necessário fazer muito esforço para quebrar ele, seja propositalmente ou acidentalmente.

Claro, mil vezes um cabo dessa forma do que um exagero como o que o Acer Predator Galea 500 possui, mas acredito que seja o ideal seja o "meio-termo", ainda mais considerando que o público gamer não costuma ser muito cuidadoso com cabos.

Os headsets Galax XANOVA Juturna possuem cabo removível e acompanham um cabo adicional para uso com smartphones, para que você possa utilizar o fone em espaços públicos sem ficar estranho. Este cabo possui microfone de linha, o qual pode ser utilizado para atender chamadas em seu celular e há também um botão para usar a assistente do Google, pausar e pular músicas, atender chamadas, etc...


Também, ambos os modelos do Juturna acompanham uma pequena bolsa onde estarão estes cabos.

E agora chegamos à única diferença entre estes dois fones, o Juturna-U possui a placa de som USB 7.1 da direita, enquanto o Juturna possui esse splitter da esquerda para ser conectado em placas de som comuns.

A placa de som USB do Galax XANOVA Juturna-U é extremamente simples, leve e pequena, o que é ideal para quem quer utilizar ele no PS4 por exemplo.

Nela há apenas um botão, que liga o "Efeito 7.1" do fone, o qual adiciona um leve efeito de reverb (que aumenta a "sensação de espaço") e equaliza o áudio para haver foco nos médios e agudos, removendo completamente os graves.

A eficácia disso é questionável e o resultado pode não agradar a todos como podem imaginar, mas "Efeitos 7.1" são assim mesmo, apenas efeitos.

Enfim, os fones Galax XANOVA Juturna não gabaritam a sua construção por não serem fones "resistente a maus tratos" como é por exemplo o HyperX Cloud Alpha, mas certamente serão fones que irão durar muito nas mãos de um dono responsável que tome bom cuidado deles. O acabamento é de alta qualidade e a única peça que acredito que poderia ser reforçada sem comprometer sua portabilidade e conforto, seriam os seus cabos.

Qualidade Sonora

E aqui chegamos à questão mais interessante dos headsets Galax XANOVA Juturna.

Os headsets Galax XANOVA Juturna e o Takstar Pro 82 possuem um recurso bastante interessante: ajuste de graves através de seletores em cada alto-falante. Quanto mais "buracos" estiverem visíveis, mais ar haverá para os alto-falantes deslocarem e mais graves ele terá.

"Mas wetto, isso não é a mesma coisa que equalização?", ao que eu posso responder: não. O que este ajuste físico faz é controlar o fluxo de ar, limitando o ar disponível para os alto-falantes deslocarem.

Nunca repararam que se vocês tamparem o "Bass Port" (o buraco) de caixas de som, os graves desaparecem? O que o "controle de graves" do Takstar Pro 80/Juturna/Juturna-U faz, é justamente controlar a entrada de ar.

Como resultado, há diferenças drásticas nos graves entre cada uma de suas configurações:

O que não fica visível neste gráfico, é o quanto os graves conseguem "afogar" o restante das frequências no "Bass 3", deixar ele com "graves no máximo" o tempo todo pode não ser uma boa escolha, já que você pode acabar perdendo detalhes que ouviria caso não estivessem desta forma.

No "Bass 1", o fone fica meio que "seco" demais para meu gosto, similar ao que acontece com o Kuba Disco na primeira opção, que também utiliza um sistema similar para realizar o controle de seus graves, embora o Kuba Disco tenha um maior foco em "graves controlados" ao invés de apenas "quantidade".

Mas, este é o modo onde médios e agudos terão maior destaque, então em jogos de FPS vale a pena tentar jogar com ele nesta opção, embora os médios-agudos dele podem se tornar agressivos demais.

No "Bass 2" temos a opção que eu mais utilizei e que é bastante adequada para uso geral. Há uma puxada de graves, mas sem exagero, o som é bastante "encorpado" e há uma presença bastante agradável de todas as frequências, a agressividade dos médios é reduzida e os agudos continuam com um bom grau de nitidez.

Esta é a melhor opção do fone na minha opinião, utilizei ela para tudo, em jogos, filmes, músicas, etc... E faz um ótimo serviço para um fone desta faixa de preço.

E por último, temos a opção "Bass 3", que coloca seus graves ao máximo.

Como já comentei antes, nesta opção os graves acabam "afogando" todas as frequências, mas há alguns gêneros musicais onde isto é vantajoso, tal como diversos derivados da Música Eletrônica, Rap, Hip-Hop e seus derrivados, onde um "impacto" e a forte presença de graves é mais importante do que a nitidez dos instrumentos utilizados.


Foto por jorgejimenez @ Pixbay.com

Nestes gêneros, os graves "extra fortes" do fone conseguem ser "divertidos", e nestes gêneros "diversão" é mais importante do que outros aspectos.

Mas, em maioria dos jogos e também em diversos gêneros musicais, o "grave no máximo" acaba atrapalhando, por isso o ideal na minha opinião é deixar na opção do "Bass 2", a qual me agradou bastante.

"OK wetto, você comentou sobre o desempenho em músicas dele, mas e quanto a jogos?"

Agora a coisa fica mais complicada. Para qualquer gênero onde não seja necessário identificar com 100% de precisão de onde estão vindo sons, os headsets Galax XANOVA Juturna ficam excelentes. MOBAs, jogos de estratégia, RPGs, jogos single-player de ação, aventura, etc... A qualidade de áudio do fone garante que a experiência nestes jogos seja excelente.

Mas, quando chegamos em jogos de FPS, a coisa complica.

Primeiro de tudo, fones com acústica fechada (sem nenhum vazamento proposital de áudio), tal como os Galax XANOVA Juturna, não costumam ser muito bons em representar ambientes quanto fones com acústica aberta ou semi-aberta. Mas, há sempre exceções.

Há headsets como o HyperX Cloud Revolver, Logitech G633 e o Sennheiser GSP 600 (que é de longe o melhor nesta questão), que mesmo tendo uma acústica fechada, conseguem simular um ambiente e a profundidade de sons. E também há headphones com as mesmas características, o Creative Aurvana Live! 2 sendo um exemplo.

E não, não estou falando da Simulação de Surround 7.1, estou falando sobre a capacidade da acústica do fone de ouvido, se quiser pode-se meter Dolby Headphone 7.1 até em um headset vagabundo de 30 reais, mas não vai ser isso que vai tornar ele um bom fone.

Assim como o seu concorrente HyperX Cloud Core/Silver/II, o qual também é feito pela Takstar, o Galax XANOVA Juturna-U é bastante "seco" em simular o ambiente e apresentar "profundidade" para sons. Não chamaria ele de "ruim" neste aspecto, mas não impressiona, e para quem quer o "melhor para FPS" na sua faixa de preço, os concorrentes HyperX Cloud Revolver e Logitech G633 acabam sendo melhores opções.


Bugfield 5 sendo Bugfield 5...

Suspeito que o fato do alto-falante do fone estar apontado para "frente" ao invés de centralizado, tenha algo a ver com isto pois ele realmente dá a impressão de sons estarem "mais à frente".

Mas claro, não podemos ignorar o restante do fone e seu desempenho em todos os outros aspectos. Abomino "desclassificar" um fone completamente apenas por ele "não ter um desempenho tão bom em FPS", ainda mais quando ele possui recursos interessantes como o "ajuste de graves", além de ser superior ao Revolver, G633 e GSP600 em aspectos como portabilidade e conforto.

O foco do Takstar Pro 82 sempre foi no "uso geral", ele não foi um fone projetado para "ter o melhor palco sonoro e profundidade de sons", e os Juturna herdam esta característica pois afinal são o mesmo fone. É um headset perfeito para quem quer usar o mesmo fone no celular, no console portátil, no console de mesa e depois também no computador.

Para este tipo de "uso geral", são headsets fantásticos, mas para "usos específicos", há opções melhores no mercado.

Microfone

Antes de começarmos, os primeiros modelos dos Juturnas (ambos) tinham um problema bastante sério de crosstalk, que é quando há vazamento para o microfone, do áudio que deveria ir para os alto-falantes. Isso ocorre por problema nos cabos e não por falta de isolamento acústico, diferente do "vazamento" que alguns outros fones podem possuir.

Isso era um erro de projeto e eu reportei tal problema à Galax logo nas primeiras semanas de uso, no início de Outubro. Já no início de Dezembro, chegou em minhas mãos as novas unidades deste headset com o problema do cabo corrigido.

O que temos aqui são as novas unidades do fone, onde o problema foi amenizado. Primeiro vamos testar o Juturna-U:

O problema de crosstalk que havia na primeira unidade foi amenizado consideravelmente, ao ponto de que muitas pessoas podem não achar ele mais um problema. Mas, ele ainda existe, e para quem utiliza aplicações como o Discord o tempo todo, o ideal seria um fone onde não exista nenhum vazamento em baixos ou médios volumes, e ele acaba devendo um pouco por isto.

Claro, usar efeitos como cancelamento de eco acústico já ajudaria a amenizar este problema ainda mais:

Mas há um detalhe: o software da placa de som do Juturna-U não possui este recurso.

Já o Juturna pode ter isso, desde que a placa de som do seu computador tenha tal recurso.

Agora vamos testar o Galax Xanova Juturna. Este é um fone analógico e a qualidade do microfone pode ser gravemente afetada pela qualidade e pelos efeitos ativos na sua placa de som. No caso, utilizamos a ASUS Xonar U3, a qual consegue retirar o máximo de qualidade que este microfone é capaz de entregar. Caso o seu headset não fique com a mesma qualidade, sugiro a compra de uma placa de som externa, tal como a Sharkoon SB1.

O crosstalk parece até um pouco pior, mas isso é por ele estar sendo utilizado na ASUS Xonar U3 sem nenhum efeito de som, é posssível que a placa do Juturna-U possua algum tipo de cancelamento de ruído, mesmo que sutil.

Enfim, a qualidade do microfone de ambos os Juturnas é boa, mas caso você tenha uma placa de som ruim e/ou já teve problemas com headsets analógicos, vale a pena investir um pouco mais para comprar o Juturna-U, que consegue extrair a qualidade máxima do microfone do headset, basicamente tão bem quanto a ASUS Xonar U3.

Louvo a Galax por ter ouvido a minha reclamação quanto ao problema de crosstalk destes fones e por terem amenizado o problema. Caso ele tivesse continuado como estava na primeira unidade, certamente eu daria uma nota extremamente baixa para ele nesta parte da análise, porém, o problema foi apenas amenizado, e não resolvido.

AVALIAÇÃO:

Construção

9

Conforto

9.5

Qualidade Sonora

9.5

Microfone

6

Preço - R$ 400 / R$ 480

9
Conclusão

Conforme já foi dito milhares de vezes na análise, os headsets Galax Xanova Juturna são fones Takstar Pro 82 com microfone, e isso é bom.

Assim como o Takstar Pro 82, estes fones se destacam pelo seu desempenho em músicas e também por sua praticidade, são leves, confortáveis, possuem um design que facilita para carregar e podem ser usados em público sem constrangimento algum.

São fones que se destacam pela sua versatilidade para uso geral, embora quando usados para uso específicos, podem não ser as melhores escolhas.

Considero os Juturna superiores aos Cloud Core/Silver/2, mas não são fones "HyperX Killer", pois seu foco é diferente de alguns dos fones da HyperX.

O HyperX Cloud Alpha é focado em durabilidade e possui uma construção monstruosa, já o HyperX Cloud Revolver possui um palco sonoro considerável mesmo sendo um fone fechado, o que lhe torna um ótimo fone para jogos de FPS. Ambos são melhores em usos específicos que os Juturna, enquanto os Juturna são melhores para "uso geral" e na questão de "portabilidade".

Quem acaba tendo seu lugar tomado pelos Juturna, é o SteelSeries Arctis 3 e SteelSeries Arctis 5. Os fones Juturna oferecem algumas das mesmas vantagens, sendo excelentes fones para quem quer usar o mesmo fone no computador, celular e console, possui um conforto comparável e uma qualidade de áudio um pouco superior por um preço menor, embora sejam inferiores na questão do microfone.

Qual então escolher entre o Galax Xanova Juturna e o Galax Xanova Juturna-U? Bom, depende onde você vai conectar e/ou se a placa de som do seu computador é muito ruim ou possui algum problema. Para jogadores do PC, caso o áudio da sua placa de som, seja ela integrado ou off-board for bom, a melhor escolha é o Juturna.

Já para quem quer também conectar o headset no PS4 via USB para ter a melhor qualidade possível, ou possui algum problema no áudio de seu computador, o Juturna-U acaba se tornando a opção ideal. E se você quer que o microfone tenha a melhor qualidade possível, esta também é a opção mais segura.

Por fim, vamos chegar à questão do preço. O Juturna é encontrado na faixa dos R$ 400, enquanto o Juturna-U é vendido por R$ 480, o que é uma diferença de preço ideal, diferente de alguns concorrentes que chegam a cobrar o dobro do preço apenas pela placa de som que não vale isso (ex: Cloud II).

Mesmo se tentarmos "montar" o mesmo conjunto comprando um Takstar Pro 82 (R$ 240) e um microfone compatível (R$ 50) da China, a diferença de preço não é muito grande e não teríamos suporte e garantia, fora o atraso para tais itens chegarem. E no Brasil, o Takstar Pro 82 é vendido na faixa dos R$ 370. Tendo em vista isto e comparando sua qualidade a concorrentes da faixa de preço, considero o valor cobrado pelos fones Juturna bastante justo.

Enfim, a única coisa que acabou impedindo este fone de levar uma nota maior foi seu microfone. Como já é comum de alguns adaptadores que tornam "headphones profissionais" em "headsets gamer", temos infelizmente o problema de crosstalk, que é o vazamento do áudio do que você está escutando para o microfone.

Claro, isto pode ser diminuído utilizando efeitos como "cancelamento de eco" e/ou ajustando a sensibilidade, mas de fato, para quem passa o dia inteiro no Discord, os headsets Juturna podem não agradar tanto quanto alguns concorrentes, tal como o Sharkoon SGH3 e Corsair HS60.

E é por isto que tanto o Galax XANOVA Juturna quanto o Juturna-U acabam levando o selo prata ao invés de ouro.