Enfim o Ray Tracing está entre nós! Com as atualizações do Windowsdrivers da Nvidia e de Battlefield V, pela primeira vez enfim temos um game disponível para brincar "à vontade" com a nova tecnologia que promete explorar os novos potenciais das GeForce série 20. Colocamos em ação dois modelos da nova geração, a RTX 2080 e a 2080 Ti, com configurações que variam do FullHD para o 4K e com os efeitos RTX desligados, na qualidade mínima e também na ultra.

Para o comparativo utilizamos o mapa em Roterdã. Apesar das dificuldades adicionais causadas por ser um mapa do multiplayer, isso é facilmente compensado pela grande quantidade de superfícies onde o efeito é bem visível, o que inclui vidros, carros, poças d'água e até pisos incrivelmente encerados. Algum teste com um 0.1% pode ser resultado de algum stuttering causado pela presença de vários jogadores no mapa, mas apesar desse contra-tempo vale a pena rodar o teste nessa localidade, como vocês vão perceber nos comparativos. Mas vamos começar falando da estética.

Visual

Ligar o Ray Tracing não é algo que afeta todo o visual do jogo. Por causa de sua altíssima carga para o hardware, como vão perceber na parte de performance, a abordagem viável hoje foi aplicar o efeito onde mais importa, que são as superfícies que refletem luz de forma mais "agressiva". No mapa de Roterdã temos vários lugares com essa característica, o que inclui alguns veículos parados pela rua, as poças d'água e vários vidros que compõem as fachadas das construções ao longo da rua. Até mesmo na arma dá para notar um efeito diferente, nas partes mais refletivas do metal.

Sem dúvidas o lugar em que isso é mais impressionante é dentro de uma sala com um chão de mármore bastante lustroso. É ali que o Ray Tracing literalmente brilha. Todas as janelas ficam vísiveis nos reflexos com o correto ângulo, e com representações fieis da paisagem do lado de fora do prédio. É possível olhar para o cenário externo com uma quantidade de detalhes surpreendente somente olhando para o reflexo no piso.

Quando comparamos essa mesma cena, fica evidente as limitações das técnicas anteriores. Sem o Ray Tracing, o reflexo no piso é um asset pronto, que aparece de forma fixa e que simplesmente desaparece dependendo do ângulo que você está olhando, diferente do efeito com Ray Tracing que é sempre consistente. 


Reflexo interagindo com personagem passando por cima

São elementos pontuais, mas dá para ficar otimista com os novos níveis de qualidade gráfica que essa técnica pode trazer para os games. Mesmo precisando ser usada com parcimônia, já tem detalhes que mudam bastante com o uso desse efeito. Mas é hora de falar porque foi preciso pegar "tão leve" no uso do Ray Tracing. Ele é muito pesado!

Performance

Com a Origin simplesmente boicotando nossos testes, tivemos que nos limitar a dois os modelos a serem analisados, já que temos duas contas com o game ativado. Um dos modelos testados será a EVGA GeForce RTX 2080 Ti FTW3 Ultra, modelo que usamos ontem em nosso gameplay, enquanto a nossa outra conta com o game ficou travada com a RTX 2080, nesse caso a Founders Edition.

Gameplay de Battlefield V no Core i9-9900K e RTX 2080 Ti! Será o melhor hardware do mundo?

Quando conseguirmos, vamos adicionar outros modelos aos testes, mas no momento essas duas placas estão vinculadas as nossas contas disponíveis, então só conseguimos testar com elas.

Hardware usado:

- Intel Core i9-9900K
- Placa-mãe Gigabyte Z390 Aorus Master
- 16GB (2x8) memória  G.SKILL TRIDENTZ 3200MHz
- Themaltake TOUGHPOWER GRAND SERIES RGB 850W

Placas
- Nvidia GeForce RTX 2080 Founder Edition
- EVGA GeForce RTX 2080 Ti FTW3 Ultra

Bom, ligar o Ray Tracing é um "baque" e tanto, em ambos os modelos:

 

 

Mesmo usando em qualidade baixa, ativar os filtros de Ray Tracing representam uma queda de performance na casa de 50%. Isso faz com que as placas RTX 2080 Ti e 2080, antes capazes de entregar um competente 4K/Ultra, passem a ter o jogo rodando na casa dos 60fps apenas na resolução FullHD. Mesmo em qualidade baixa no RTX, a RTX 2080 Ti vai conseguir apenas 45fps se você acionar os recursos de traçamento de luz. 

Ray Tracing derruba a performance das RTXs pela metade

Veredito

Apesar das limitações impostas ao Ray Tracing em games, que ainda estão longe dos patamares impressionantes implementados no cinema, já dá para ter "um gostinho" do que o recurso pode oferecer aos jogos. Mesmo limitado a detalhes, algumas superfícies ganharam outra vida com um tratamento mais realista de reflexos e do comportamento da luz. 

O problema é que temos uma queda gigantesca em performance, mesmo com o hardware das placas RTX trazendo componentes especializados em acelerar processos do traçamento de luz. Na prática, podemos estimar que o desempenho cairá pela metade, mesmo aplicando em baixa ou alta qualidade o efeito.

Ray Tracing em Battlefield V mostra todo seu potencial e
ao mesmo tempo o desafio que trará ao hardware

Isso coloca o gamer em uma situação complicada: ele basicamente tem que escolher entre o 4K e o Ray Tracing. Mesmo entregando resultados visuais bem interessantes em algumas cenas, ter que escolher entre a altíssima definição do 4K ou os belos efeitos de luz, fica difícil não preferir esse aumento na resolução que, diferente o Ray Tracing, realmente impacta a cena como um todo. Se por um lado o Ray Tracing ainda parece um desafio bastante complicado para os hardwares domésticos, essa prova inicial da tecnologia mostra que o traçamento de luz tem muito a oferecer para o ganho de qualidade gráfica em nossos jogos.