Hitman 2 é um jogo focado no stealth com o consagrado protagonista Agente 47 precisando estudar as oportunidades e desafios do cenário para realizar o assassinato do mais variados tipos de alvos, ficando por conta da criatividade, planejamento e técnica do jogador realizar esse crime. Ele chega dois anos após Hitman, game lançado com algumas controvérsias acerca do formato episódio, com mapas sendo lançados periodicamente, algo que não foi repetido em Hitman 2.

O que gostei

O Hitman de 2016 já havia me impressionado com a complexidade dos mapas e a quantidade absurda de NPCs, tornando muito verossímil situações como um mercado público lotado ou um desfile de moda abarrotado de gente. Hitman 2 surpreendentemente conseguiu ampliar ainda mais densidade dos mapas, com alguns cenários extremamente complexos, cheios de passagens alternativas e principalmente apinhado de pessoas para todo o lado. O grande destaque é o mapa em Mumbaim, onde a variação de localidades entrega desde latrinas da favela até prédios comerciais de alto padrão a serem explorados.

Os cenários no game são de uma diversidade impressionante

O grosso do gameplay de Hitman é a exploração. Você precisa aprender os caminhos disponíveis bem como as rotinas das pessoas que ocupam os espaços. Compreender hierarquias também é importante para saber qual é o disfarce ideal para ter acesso a determinados lugares. Em geral gastei em torno de 1 hora por mapa na primeira jogatina, sendo que uns 40 minutos desse tempo foi usado entendendo o mapa e planejando a ação, tudo isso somado a inúmeros carregamentos do save anterior quando algo deu errado. A execução de um plano em si é algo bastante rápido, mas após toda meticulosidade envolvida, com muito do tempo gasto na preparação, é muito prazeroso ver seu alvo bater o carro, ter uma estátua caindo em sua cabeça ou se explodir dentro de uma apresentação pirotecnia excêntrica.

São muitos os sub-enredos disponíveis para cada alvo,
trazendo muito potencial de replay

A IO Inteactive se dedicou a entregar múltiplas possibilidades para cada alvo, então há narrativas variadas para solucionar cada um dos contratos. Ao terminar a partida são exibidas as várias opções ainda não exploradas, e há um forte fator replay em todos os mapas para ver como transcorre as outras formas de fazer o assassinato. Dá para pegar uma escopeta e explodir o peito daquele traficante internacional em plena calçada, mas é muito mais divertido dar diversas voltas malucas e usar trajes insólitos para ter a oportunidade como a de se encontrar a sós com a vítima e matá-la usando uma fantasia de flamingo.

Ao fechar um mapa são liberados mais possibilidades dependendo da pontuação acumulada. Assim o replay do mapa pode ser feito partindo de outro ambiente, usando outro disfarce e também com itens adicionais escondidos esperando pelo jogador, algo que agrega mais um "temperinho" para quem quiser brincar mais uma vez no mesmo mapa. Mesmo se você não refizer as missões, ainda terá na casa das 15 a 20 horas de gameplay disponível, se for um jogador cauteloso tentando fazer as missões com alta pontuação.

Hitman 2 desenvolve a história do game anterior, com uma complexa relação entre um "cliente fantasma" e seu conflito contra a organização Providence. Sem aquelas interrupções forçadas pelo formato episódico, achei bastante satisfatória a progressão do enredo, mas isso também traz nossa análise para os pontos que poderiam ser melhores.

O que não gostei

O enredo é desenvolvido em cutscenes no começo e no final de cada missão. A IO Interactive optou por um formato bastante artístico: imagens estáticas dos personagens sendo dubladas, com alguns efeitos e leves movimentos para dar dinamicidade. Até ficou bonito, mas sem dúvidas algumas das principais reviravoltas do enredo ficariam ainda mais interessantes se fossem trabalhadas em cutscenes cinematográficas.

Se por um lado os mapas são complexos, não existe muita variação de itens. Em alguns momentos parece que tudo se resolve com um pé-de-cabra, ou uma chave de fenda ou uma moeda, alguns itens que se repetem à exaustão no mapa e que parecem ser as soluções menos criativas para qualquer adversidade no cenário. Também há uma certa falta de fluidez no mundo de Hitman. Os alvos e todos os personagens tem uma programação bastante clara, o que pode até parecer uma crítica tola já que é exatamente assim que NPCs funcionam, mas o que as vezes fica evidente é uma mecanização excessiva. As vezes alguns NPCs simplesmente travam em locais estranhos, ações não fluem como deveriam ou alguns personagens na tela ficam estáticos de forma totalmente não natural. Em um momento crítico, até tive que dar "um empurrãzinho" para que meu alvo saísse de uma estranha paralisia e voltasse a fazer sua ronda pelo mapa. Já há games que se saem melhor em "mimetizar" o comportamento de pessoas nos NPCs, com Red Dead Redemption 2 sendo um expoente nesse campo, e Hitman 2 não consegue deixar seus NPCs com um comportamento verossímil em vários momentos.

As interações dos NPCs são bem robóticas, falta mais naturalidade em algumas ações

Mas talvez o elemento que mais me decepcionou no jogo foi a falta de inovação. Hitman 2 atacou apenas nos pontos seguros, corrigindo coisas que deram errado no anterior, como o formato dividido em episódios, e refinou um pouco o que estava dando certo, como os mapas densos e as múltiplas formas de matar. As críticas que acusam esse game de parecer só uma DLC com mais fases para o jogo anterior não são injustas, já que na essência parece ser o mesmo jogo. 

Sniper Maps e Ghost Mode

Hitman 2 ficou confortável dentro da formula do game de 2016

Existem algumas novidades, como é o caso dos Sniper Maps, com missões curtas de matar rapidamente alvos à distância, ou o Ghost Mode, modo em que você e outro jogador correm para ver quem realiza o maior número de assassinatos com sucesso. Porém o primeiro só possui um mapa no momento e é um conteúdo adicional pago, e o segundo ainda está em fase beta, então além de não serem tão arriscados, também não são grande quantidade de conteúdo.

AVALIAÇÃO:

Jogabilidade

9.0

Gráficos

9.0

Áudio

9.0

Multiplayer

7.0
Conclusão

Hitman 2 é uma fruta que não cai longe do pé do Hitman de 2016, e isso traz seus benefícios e seus problemas. Ele mantém os trunfos do jogo anterior ao manter a presença de cenários densos e com múltiplas tramas disponíveis para serem desenroladas, tudo ali esperando a investigação do jogador e que as "cordas certas" sejam puxadas para que assassinatos dos mais diversos sejam executados com sucesso. Esse elemento central de Hitman é consistente e garante que esse seja um jogo divertido e interessante. 

Hitman 2 mantém as qualidades do jogo de 2016, mas ficou devendo mais inovação

Porém a falta de inovação e criatividade fazem com que o game tenha pouco para oferecer de diferente. As iniciativas de novos modos são modestas, e a sensação é que se você pegar muito distraído, pode confundir facilmente uma fase de Hitman 2 com Hitman (2016). Ele traz uma sensação bastante "mecânica" e "escriptada" para tudo que acontece e, por mais que isso seja algo esperado, já que jogos são basicamente programas de computador, a magia acontece quando não percebemos tanto a engenharia por trás e somos enganados por um mundo que realmente parece vivo. Hitman ainda não conseguiu essa naturalidade.

Quem curtiu o game de 2016 ou outros da franquia Hitman, ou está buscando algo diferente para jogar que envolva explorar um cenário e ficar meticulosamente invadindo áreas não permitidas, vestindo disfarces e armando planos milaborantes para executar um assassinato, Hitman 2 é uma pedida certa para agora ou para mais tarde, quando estiver com um preço mais acessível. Para o restante do público, ainda falta um pouco mais de ousadia e criatividade para trazer novos modos e variações que atraiam mais jogadores, e que façam a franquia atingir todo seu potencial.


PRÓS
  • Mapas enormes, povoados e complexos
  • Múltiplas tramas e formas de matar seus alvos
  • Enredo interessante
CONTRAS
  • História merecia cutscenes mais cinematográficas
  • Movimentação dos NPCs robótica e falta naturalidade nas ações
  • Pouca inovação