Assassin's Creed Odyssey traz a franquia da Ubisoft para a Grécia Antiga, mais especificamente durante a Guerra do Peloponeso. Esse é o 11º grande título da franquia, e visivelmente herda a amplia mudanças implementadas no título anterior, Assassin's Creed Origins, com o uso massivo de elementos de RPG no gameplay e, principalmente, uma ambição de transformar esse game em uma aventura épica, com um mundo denso e complexo cercando o jogador.

Algo interessante de destacar é que esse é o primeiro game da série Assassin's Creed que realmente peguei para jogar, então temos aqui a visão de um novato na franquia. Apesar de já ter jogado muito os jogos anteriores para fazer testes em séries como o PC Baratinho, essa é a primeira vez que realmente me dedico a ver a fundo um jogo da consolidada da Ubisoft.

O que gostei

A ambientação em Odyssey é o ponto alto do jogo, e é alcançada por vários aspectos. O primeiro é o tamanho e complexidade do mapa, digno de uma história épica, com montanhas, matas, cidades e mares para serem explorados pelo jogador. Cada novo vilarejo vai abrir novas possibilidades de missões paralelas e a variação de cenários fazem com que descobrir novas localidades seja recompensador, e dão ao jogador uma sensação de muita imersão no mundo grego.

O mundo de Odyssey é amplo e imersivo

Outro fator que torna esse mundo muito vivo são as interações entre as facções e diferentes grupos. Você pode afetar o conflito principal entre a esfera de influência ateniense e espartana, sabotando suprimentos de um lado e até atuando diretamente em conflitos para a tomada de regiões. Mas é andando pelo mapa que dá para encontrar confrontos entre soldados com bandidos, pequenos grupos atenienses e espartanos e até mesmo de civis e animais selvagens. 

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Suas ações no jogo trazem outro elemento que torna o game bastante dinâmico: os caçadores de recompensa. Na medida em que você comete assassinatos e roubos, independente do lado que está tomando partido, surgem contratos pela sua cabeça, o que atrai caçadores de recompensa que passam a te procurar pelo mapa. E eles podem aparecer nos piores momentos, como bem no meio de uma missão complicada que acaba de se tornar ainda mais difícil com a chegada de um inimigo mais poderoso.

Disputas entre facções, caçadores de recompensa, cultistas e bandidos tornam o game muito dinâmico

O enredo é interessante e a possibilidade de influenciar nas decisões, algumas alterando bastante os acontecimentos da história e modificando o final, tornam essa uma grande motivação para continuar o game. Ao longo do caminho surgem diversos personagens carismáticos como Barnabás, Sócrates e Péricles, e influenciar seus destinos e principalmente descobrir qual seria o final de Cassandra e Alexios estão entre as coisas mais legais nesse jogo.

Aqui é relevante elogiar o serviço da Ubisoft em localizar o jogo para o português, não apenas com legendas, mas também com um trabalho de dublagem de qualidade. A falta de sincronia entre os lábio e as falas pode fazer com que alguns ainda prefiram jogar em inglês, mas para quem não domina a língua estrangeira, é louvável o investimento feito pela empresa e a mostra de seu respeito por nosso mercado.

Há várias formas de jogar e evoluir o personagem

A mecânica de RPG também traz aspectos positivos ao jogo. Um deles é a grande variedade de equipamentos com muita oportunidade de melhorar suas capacidades de combate, também trazendo uma grande variação no visual de seu personagem ao longo do gameplay, o que sempre é divertido, especialmente com algumas roupas bastante exóticas que você acaba usando ao longo da jornada. A árvore de habilidades também é variada e vai servir para achar um estilo de combate que combine mais com sua forma de jogar, seja investindo mais nos ataques stealth ou nas habilidades de pancadaria, por exemplo. A qualquer momento dá para zerar as habilidades investidas, então ao longo do jogo dá para experimentar combinações até achar uma ideal.

O que não gostei

Mas é justamente na mecânica de RPG que encontrei o ponto que mais me desagradou. O ganho de nível se tornou um problema depois das 10 horas de gameplay. Havia avançado principalmente na história principal, fazendo apenas algumas missões paralelas que surgiam no caminho, como atacar acampamentos de bandidos. Foi aí que o nível de personagem ficou 3 abaixo do indicado para a próxima missão que se tornou impossível avançar, já que os inimigos se tornaram verdadeiras almofadas capazes de aguentar quantidades impraticáveis de pancada. Até mesmo atacar de forma sorrateira fica sem sentido, já que atravessar de surpresa o crânio de seu inimigo com uma adaga vai causar um dano irrisório.

Incorporar o RPG fez alguns aspectos do jogo perderem sentido

Joguei a maior parte do game no nível difícil, e quando você está no nível indicado ou no máximo um ou dois abaixo, o desafio é justo e interessante, mas o aumento de nível do personagem força você a buscar eventualmente missões paralelas para poder "upar" para as missões principais, o que para mim foi muito anti-climático e fez a aventura perder ritmo. Fica pior ainda se considerarmos a presença de uma loja dentro do jogo e que, entre os recursos disponíveis, tem ali a possibilidade de comprar aceleradores para ganhar experiência mais rapidamente. Não consigo minimizar o quanto desprezo esse conceito em um game, pior ainda em um "AAA" que não é nada barato.

O aumento de nível acaba também influenciando negativamente na exploração. Apesar do mapa ser amplo, seu nível acaba limitando a área em que realmente é possível jogar. Algumas vezes fui a uma nova ilha e descobria que não poderia fazer nada ali porque não seria capaz de derrotar os inimigos. É como se existisse sempre um cercadinho limitando onde você deve estar em cada etapa do jogo. Prefiro soluções como em Witcher 3, onde eventos específicos dão acesso à novas áreas compatíveis com novos níveis do personagem. 

A movimentação e animações também  tem seus problemas e em eventuais bugs, com inimigos ficando presos no mapa ou esbarrando em coisas. Algumas vezes encontrei pessoas e animais acidentalmente tocando em tochas ou pisando em fogueiras, entrando e chamas e morrendo. No trechinho abaixo de nosso gameplay também dá pra perceber como algumas interações parecem um pouco estranhas:

Os gráficos também têm alguns deslizes. Enquanto em geral a qualidade é ótima, especialmente na modelagem de personagens e na densidade e complexidade das cidades, algumas áreas mais florestais e rochosas não se destacam tanto assim. Os personagens também tem uma movimentação um tanto esquisita, e principalmente nos diálogos com os closes em seus rostos fica a sensação que poderia ter sido feito um trabalho melhor, nesse aspecto.

Por fim, a ambição de tornar o jogo grandioso, trazendo mecânicas de explorar o mapa, lutar por facções, combater no mar, desmantelar os membros cultistas, enfrentar os caçadores de recompensas, avançar sua história, tomar bases militares ou de bandidos... fica uma sensação que o game ganharia mais se a Ubisoft se aprofundasse em alguns desses elementos e "limasse" alguns excessos. Ajudar o lado ateniense ou espartanos parece não impactar o gameplay, já que cada vez que você chega em uma base, seus atos anteriores parecem não fazer diferença, o que é péssimo para a imersão.

Veredicto

A Ubisoft manteve a direção tomada em Origins, e o resultado é que Assassins's Creed Odyssey é um bom game, com muito a ser explorado e feito. Há uma quantidade grande de conteúdo, e não falta missões a serem descobertas, bases a serem sabotadas e embarcações inimigas a serem afundadas.

A mecânica de combate tem seus méritos, como a exploração das bases e os combates estratégicos nelas, porém o balanceamento do RPG trouxe alguns problemas. Os níveis do personagem tiram a liberdade do jogador, que precisa estar nas missões e nos lugares compatíveis com seu level, algo que sabota a liberdade de exploração, e para piorar a progressão da experiência torna obrigatório fazer missões que deviam ser opcionais, caso contrário falta nível para avançar na história principal.

Odyssey é um ótimo jogo para quem quer um amplo mundo para explorar, mas vai precisar lidar com as limitações impostas pelo aspecto RPG do jogo

Assassin's Creed Odyssey é um game altamente recomendável para quem quer um mundo para explorar e adora a temática da Grécia Antiga, e está buscando um jogo que tenha horas e horas de gameplay para ficar imerso. Para gamers mais imediatistas, ou que não querem ter que investir tanto tempo, em alguns momentos o jogo perde um pouco do ritmo e pode frustrar.


PRÓS
  • Mapa amplo e complexo
  • Mundo vivo com disputas entre diversos grupos
  • Muitas missões para fazer
  • Enredo interessante e com tomadas de decisões
CONTRAS
  • Animação dos personagens e combates estranhos
  • Trabalhoso subir de nível
  • Níveis acabaram limitando a liberdade do jogador
  • Mecânicas poderiam ter sido melhor aprofundadas
  • Loja de itens e buffs dentro de um game que você já pagou