Mega Man 11 marca o retorno de uma das mais icônicas séries de jogos de plataforma do mundo. E dessa vez temos um jogo realmente pensado para os dias de hoje, não apenas algo retrô mais voltado para saudosistas como foi o 9 e o 10. A Capcom inclusive tentou criar um game que seja capaz de, ao mesmo tempo, agradar os jogadores de longa data e atrair novatos. Essa tarefa é sempre complicada e vamos ver como Mega Man 11 se sai agora, na análise!

História e Ambientação

Mega Man 11 é um dos poucos títulos de toda a franquia principal que tenta ter mais foco na história, trazendo enredo na forma de cutscenes e texto. Claro que ninguém compra um Mega Man esperando uma grande narrativa, o foco aqui é o gameplay, e a Capcom fez bem em deixar a história como um aspecto secundário do jogo.

As “cutscenes” são bem curtas e servem mais como contexto, especialmente para o Double Gear System. E isso é o aspecto mais interessante da história, porque coloca a principal nova mecânica do jogo como um aspecto central do enredo também, e é sempre interessante num jogo que a narrativa impacte no gameplay e vice-versa.

O enredo de Mega Man 11 não é dos piores, mas o jogo faz bem em não dar muito espaço pra ele

Outro aspecto positivo da história é uma tentativa de aproximar mais o Dr. Light, criador do Mega Man, do Dr. Wily, eterno antagonista da série, também carinhosamente conhecido como Doctah Wahwee. Já foi abordado em alguns jogos que os dois chegaram a trabalhar juntos no passado, mas aqui entendemos melhor o relacionamento dos dois e, sinceramente, o Dr. Light é meio que um grande babaca.

Mas, como mencionei antes, a história não é um grande destaque aqui. Não é necessário olhar com muita atenção para encontrar buracos enormes no enredo e o lore de Mega Man, no geral, quanto mais você tenta entender, mais confuso fica. Então vamos falar do que interessa!

Jogabilidade

É claro que o que importa num jogo do Mega Man é seu gameplay. E, conforme mencionei nas minhas impressões da demo que saiu há algum tempo, essa parte está muito boa!

Mega Man 11 faz um excelente trabalho em incorporar mecânicas e recursos atuais no gameplay, mas mantendo seu funcionamento central o clássico Mega Man de sempre. E o melhor exemplo disso é o Double Gear System.

Mega Man 11 faz um excelente trabalho em incorporar mecânicas e recursos atuais no gameplay sem perder a essência dos clássicos

Vamos começar logo falando da parte mais importante e da grande novidade do jogo. O Double Gear System são dois “power-ups” diferentes que você pode ativar a qualquer momento. A Power Gear deixa seus tiros mais fortes e a Speed Gear deixa o Mega Man mais rápido, que na verdade é refletido como tudo ficando em câmera lenta. A ativação é instantânea e você pode alternar entre as duas a qualquer momento, mas o sistema “superaquece” se for ativado ao mesmo tempo e é aí que está o “pulo do gato”.

A parte mais legal do Double Gear System é justamente tomar cuidado para não deixar as engrenagens superaquecerem e lhe deixarem na mão justamente num momento crítico, ao mesmo tempo em que você enfrenta os perigos do cenário e ainda tenta acertar os inimigos com seus tiros. É toda uma dinâmica nova que combina perfeitamente com o gameplay clássico de Mega Man, trazendo uma experiência nova sem sacrificar a essência do jogo.  Adicionando ainda outra dose tática ao seu pote de estratégia, as duas engrenagens podem ainda ser ativadas ao mesmo tempo, mas somente quando sua vida está muito baixa, e ativá-las assim não permite desligá-las até que superaqueçam, lhe deixando completamente vulnerável depois disso. É aquele momento do “agora ou nunca” contra um boss que pode ser tão satisfatório.

E algo que finalmente se alinhou com a série Mega Man é que controles modernos têm mais botões. O analógico direito pode ser usado como um atalho para abrir uma roda de armas conseguidas pelos chefes e o Rush Coil e Jet podem ser ativados imediatamente, sem precisar ficar selecionando, novidades muitíssimo bem-vindas.

O Double Gear System é muito divertido e a roda de armas dos chefes é muitíssimo bem-vinda

Mas incorporar novas mecânicas não é tudo que importa. O level design sempre foi e sempre será um aspecto central para um jogo de plataforma e Mega Man 11 não se sai mal nesse aspecto. Algumas fases são mais interessantes, outras são mais sem graça (ou irritantes como a do Bounce Man), e muitas reciclam elementos que já vimos em jogos anteriores. Mas a implementação dos desafios e a adição de sub-chefes em todas fases ajudam a manter a experiência variada e interessante, com um resultado final muito bom no geral.

É necessário falar um pouco também da loja nesse game, que vende itens e equipamentos que melhoram o  Mega Man. O que acontece é que os itens são muito baratos. Ou a quantidade de bolts que você consegue é muito grande, tanto faz. Isso, a princípio, não é ruim, porque ajuda principalmente no começo do jogo em que ainda não conseguimos nenhuma arma de chefe e ainda estamos pegando o jeito. Você não perde os bolts que consegue numa fase mesmo que não consiga passá-la, então dá pra ir juntando mais dinheiro a cada tentativa e ir comprando itens que ajudam na próxima, dando uma sensação maior de progresso mesmo quando a gente falha. Esses são aspectos positivos, mas o problema é que, mais pra frente, facilita demais o jogo no modo normal. É tão fácil comprar um tanque de energia que quase nunca vale a pena ficar procurando eles nas fases ou se arriscar para pegar um, é bem mais simples comprá-los logo de uma vez. Isso tira uma das mecânicas mais legais da série que era ficar voltando nas fases para se fortalecer antes de enfrentar a próxima fase difícil. E isso é triste porque seria muito fácil corrigir - era só fazer um sistema que aumentasse o preço dos itens conforme a quantidade que você já tem, ou que determinasse um máximo que a loja vende abaixo do máximo que você pode carregar, algo nesse sentido.

A loja vende itens baratos demais e tira a necessidade de tentar consegui-los nas fases

IMPORTANTE: Não estou dizendo que Mega Man precisa ser uma experiência frustrante de auto-punição para ser um game bacana, de maneira alguma. Na verdade considero muitíssimo bem-vindas as opções de dificuldade, especialmente a "novato" que realmente ajuda a galera que nunca jogou um Mega Man ou crianças, por exemplo. O problema é como a loja afeta quem busca um desafio maior. Claro que você pode simplesmente ignorar a loja pra tornar o jogo mais difícil por si próprio, mas a dificuldade de um jogo deveria ser determinada pela qualidade do seu desenvolvimento, não pelos jogadores depois inventando maneiras de aumentar o desafio próprio. É impossível não se sentir bobo tentando pegar um tanque super difícil quando você tem bolts suficientes no bolso pra comprar uns cinco deles.

Tirando essa parte, no geral, gostei do balanceamento da dificuldade do jogo. Certamente não é um dos títulos mais difíceis da franquia, mas não deixa de guardar umas surpresas, até pra veteranos. Ainda mais colocando na dificuldade Superhero, que realmente fica bem difícil.

Na dificuldade Superhero, na verdade, a situação da loja fica menos ruim porque ela é o único lugar pra conseguir itens. Nem tem tanques espalhados pelo cenário mais e você também consegue menos bolts. Mas aí já estamos falando de um modo pra quem busca o desafio supremo, não é como no Normal em que o jogo tem que ser mais perfeitamente balanceado.

Extras

Seguindo a escola das coletâneas que a Capcom usou para ressuscitar o interesse em seu pequeno mascote azul, Mega Man 11 conta também com alguns extras interessantes. Há uma série de desafios com um sistema de ranking online para instigar o pessoal que quer ser o melhor possível no jogo. Entre os desafios, inclusive, temos o modo Boss Rush, que não poderia faltar.

O jogo conta também com uma galeria muito legal dos inimigos, que oferece descrições deles e até faixas de áudio para os chefes. Diferente das coletâneas dos jogos clássicos, aqui os itens da galeria vão sendo liberados conforme se joga, o que é uma mecânica muito boa. Você derrota um Robot Master e vai na galeria aprender um pouco mais sobre ele em seguida, algo especialmente interessante para os fãs da série.

Gráficos

Os gráficos de Mega Man 11 não impressionam, de maneira alguma. Mas estão perfeitamente alinhados com o que se espera de um jogo desse estilo e, nesse sentido, cumprem muito bem o seu papel. O estilo de arte cartunesco em 3D, a riqueza de detalhes nos cenários e, principalmente, a variedade de ambientes para cada fase realmente ajudam a dar vida ao jogo e fazer dele algo especial, com um estilo próprio.

E isso sem mencionar o design dos personagens, que é o grande destaque da parte de gráficos em qualquer jogo do Mega Man. Os Robot Masters, as verdadeiras estrelas em qualquer jogo da série, são variados e exalam personalidade logo na maneira em que são concebidos. É aquele tipo de design estereotipado que você já sabe o que esperar da atitude de um chefe só de ver a postura e o estilo dele. Além disso, a Capcom não teve pudor em "emprestar" algumas ideias de Mighty No. 9 trazendo para Mega Man 11 mais mudanças no aspecto do Mega Man quando você equipa a arma de um dos chefes. É incrível como este pequeno detalhe faz muita diferença no resultado final, trazendo mais variedade pro jogo e até dando mais personalidade aos chefes, já que você lembra mais deles quando equipa cada arma.

Aliás, é nos detalhes mesmo que notamos o capricho no desenvolvimento de um jogo, principalmente nas animações que temos aqui. Mesmo para ações rápidas que poderiam passar despercebidas há um trabalho cuidadoso. Depois de usar a Power Gear, por exemplo, dá pra ver pequenos vapores saindo do Mega Man, devido ao superaquecimento da engrenagem. 

Algo que não costumo mencionar em análises, mas que me chamou a atenção aqui é o estilo dos menus. É tudo muito bem organizado, limpo, com ótimas animações e, entrando um pouco na parte de áudio, excelentes efeitos sonoros. Navegar pelas funções do jogo é tranquilo e nunca fica no seu caminho, tudo é muito rápido para você poder pular direto pro gameplay quando quiser. Um destaque extra aqui pras fases finais, na fortaleza do Dr. Wily, que contam com seu estilo próprio de seleção.

Áudio

A trilha sonora é sempre um aspecto importantíssimo em Mega Man e, neste título, não decepciona. Ela não chega a ser icônica como em outros jogos da série, mas é empolgante e divertida, além de combinar muito bem com cada fase e ajudar a estabelecer o tom da ambientação para cada cenário. 

Os efeitos sonoros também merecem destaque e ajudam a dar o ritmo do gameplay. Isso é algo consagrado nos melhores jogos de plataforma, em que você aprende o momento certo de desafiar ou atacar pegando dicas sonoras dos inimigos, especialmente dos chefes. Mega Man sempre fez isso muito bem e o décimo primeiro título da franquia principal continua fazendo.

É interessante aqui também as faixas de diálogo. A dublagem do game não vai ganhar nenhum prêmio por sua atuação, mas certamente é MUITO melhor do que já foi um dia (é só rever o Doctah Wahwee, ou este clássico do Zero). A voz do Mega Man é muito boa e os Robot Masters falam de maneira que dá pra sentir que seus dubladores se divertiram nos papéis. E aqui vai um destaque pro Dr. Wily, realmente ficou boa a voz dele, no melhor estilo de vilão de desenho matinal. Outro ponto positivo é que dá pra deixar as vozes em japonês. Só é pena que não tem localização em português, nem do texto.

AVALIAÇÃO:

História

7.5

Jogabilidade

9.0

Gráficos

9.0

Áudio

8.5
Conclusão

Mega Man 11 é um excelente retorno para uma amada série e um ótimo jogo de plataforma no geral. A Capcom conseguiu acertar uma boa linha entre o clássico e o novo, fazendo um título recomendado tanto para veteranos como para novos jogadores que querem entrar na série.

a verdadeira essências dos Mega Man clássicos é a diversão, e isso certamente aparece em Mega Man 11

O sistema Double Gear foi uma excelente adição e o jogo finalmente faz um bom uso dos controles mais atuais. Os Robot Master são bem diversificados e o design caprichado das fases, a estética e as faixas de áudio ajudam a dar muita personalidade ao jogo.

A loja precisava de um pouco mais de cuidado, dificultar um pouco a venda dos itens no modo "Normal" seria bem-vindo. Além disso, o jogo é relativamente curto, ainda mais pelo preço que está sendo cobrado - R$ 70 na Steam, R$ 150 na PSN e R$ 149 na Xbox Live. Mas realmente recomendo pegar o game assim que aparecer uma boa promoção, tanto para os fãs da icônica série como para os novos jogadores curiosos. A essência mais importante dos clássicos foi mantida: o jogo é muito divertido.


PRÓS
  • Double Gear System é muito divertido de usar
  • Enfim um uso melhor dos controles modernos
  • Gameplay responsivo e dinâmico
  • Estilo da arte e capricho no design dos personagens
  • Extras com desafios e galeria
  • Dr. Wily brilha nesse jogo
CONTRAS
  • Loja mal balanceada no modo "Normal"
  • Jogo curto em relação ao preço que cobra