O Motospeed CK98 Optical é, na verdade, uma versão "capada" do Motospeed CK98 RGB, tendo menos recursos, não possuindo RGB e nem software. As cores são fixas:

Mas, além de possuir um preço menor, o CK98 Optical possui outra característica diferente: switches ópticos, mais especificamente switches Light Strike (LK) MJ 1.7, projetados e produzidos pela Bloody/A4Tech e que recentemente começaram a ser vendidos e utilizados por outras empresas.

Enquanto isto, o Motospeed CK98 RGB utiliza switches Kailh Box, que também são switches de alta qualidade e talvez ele seja o "melhor teclado da marca" atualmente, mas também é um dos mais caros.

Vamos então começar a análise.

Construção Externa

Assim como o Gamdias Hermes P2 RGB que analisamos na última semana, o Motospeed CK98 Optical é um teclado bastante grande, especialmente na vertical pois seu apoio para punho não é removível, o que pode atrapalhar o uso dele em algumas mesas.

No mais, temos aqui um teclado com um design bastante interessante, uma placa de alumínio muito grande e com o destaque da iluminação lateral:

O apoio para punho do Motospeed CK98 possui um acabamento emborrachado, o qual é bastante confortável ao tato, mas mesmo assim é um tremendo ponto fraco do teclado, pois tende a ficar com marcas com o tempo e após alguns anos de uso, este acabamento começa a derreter e grudar, o que não é nada agradável.

A boa notícia, é que remover o apoio é fácil, é só retirar todos os parafusos na parte inferior do verso do teclado, incluindo os parafusos embaixo dos pés de borracha. Quando este apoio começar a ficar "grudento", basta lixar ele.

No verso do teclado, temos algo bastante estranho, a Motospeed não costuma "estilizar" a parte traseira de seus teclados, mas no CK98 Optical certamente fizeram isso. Também, os pés de ajuste dele são emborrachados.

As keycaps do Motospeed CK98 Optical são as mesmas keycaps ABS Double-Shot que vistas me outros teclados da Motospeed:

São muito melhores que qualquer keycap Laser, mas entre outras keycaps Double-Shot do mercado, a qualidade não é das melhores, mas pelo menos são bem melhores do que o que é usado por marcas como Corsair, Cooler Master, Logitech, Razer, SteelSeries... E o teclado segue o padrão de espaçamento que maioria dos conjuntos da internet utilizam, então é fácil trocar por algo melhor se o usuário quiser.

A grande vantagem deste tipo de acabamento, é que ele é completamente à prova de desgastes, pois não existe tinta para desgastar, são duas peças de plástico prensadas, diferente do acabamento dos concorrentes Sharkoon SGK1, SGK2 e SGK3 que é tinta...

Enfim, a construção externa do Motospeed CK98 Optical é caprichada, salvo o acabamento emborrachado do apoio.

Construção Interna

A Motospeed é uma das poucas empresas do mercado que realmente possuem fábrica própria, até porque ela, a Mototech, começou fazendo trabalhos de OEM e só nos últimos anos vem expandindo seus negócios e seu mercado ao invés de ficar no segundo plano.

Abrir este (e outros teclados ópticos) é um pesadelo, e o Motospeed CK98 Optical é ainda pior que o Gamdias Hermes P2 RGB. Chegar até o verso da PCB é fácil, só há um problema: não há nada lá. No verso do teclado há apenas os encaixes dos cabos e dos switches. Os componentes estão no outro lado da placa.


Diversos switches de teclados ópticos não são soldados, apenas encaixados, mas há travas de plástico para impedir que saiam do lugar. O Motospeed CK98 Optical não inclui nenhuma ferramenta e nem instruções como remover eles, apenas um pequeno adesivo acima das setas mostrando que ele possui tal recurso, mas remover eles é bem fácil, basta pressionar embaixo e no topo, há "botões" que desencaixam, bem fácil.

Também foi necessário remover os estabilizadores, entortar alguns engates de metal na placa... Para no final, chegarmos nisso:



Como já havia sido visto no Gamdias Hermes P2 RGB, em teclados com switches ópticos, não há as mesmas soldas que existem em teclados mecânicos, e as soldas existentes foram feitas de forma automatizada, sem envolvimento humano. Há resina protegendo a controladora e as soldas do cabo USB e realmente não consigo notar nada errado nesta placa, está tudo perfeito.

Quanto a controladora, o Motospeed CK98 Optical utiliza uma MCU "WTU 01", a qual eu nunca ouvi falar antes:

A construção interna do Motospeed CK98 Optical me surpreendeu e ele gabaritou este segmento, e isto vai ser uma tendência para teclados com switches ópticos, pois este tipo de switch acaba simplificando a fabricação de um teclado.

Switches Ópticos LK Optical

Primeiro, gostaria de explicar ao público o funcionamento de um switch óptico. Pensem naqueles "lasers de segurança" que são vistos em filmes, o funcionamento é basicamente o inverso disso:

Ao pressionar a tecla, uma peça desce liberando a luz para atravessar ao outro lado, entrando em contato com o sensor fotossensível e ativando a tecla. Simples.

Se você quiser entender mais sobre switches ópticos, recomendo ler este artigo: Teclados: o que são switches ópticos, como funcionam - e o que as empresas não explicam.

Ou seja, em todo e qualquer switch óptico, sempre haverá:

  1. Emissor de luz
  2. Sensor fotossensível (capaz de detectar a luz)

O que na verdade não é tão simples, são switches mecânicos que seu mouse e alguns teclados utilizam. Em switches mecânicos comuns, seja em teclados, mouses, eletrônicos ou o que for, há um efeito chamado "bounce", ocasionado pela flexibilidade do metal utilizado para a ativação. Este efeito pode variar de acordo com a qualidade dos materiais utilizados e também com o tempo e intensidade de uso.

Imaginem que exista um "trampolim" no interior de cada switch, e quando este trampolim começa a tremer demais após pular, seja por materiais de baixa qualidade ou pelo uso intenso, ele causa o "double-click".

Quando as "tremidas" após você pular se tornarem fortes demais, o "trampolim" pode pensar que você pulou duas ou mais vezes, quando na verdade pulou apenas uma. Este é o problema de "double-click".

Para evitar este problema, é aplicado um atraso chamado "debounce time", que ignora acionamentos durante um pequeno período de tempo (apenas alguns milissegundos). Todo switch mecânico tem isso.

Voltemos aos switches ópticos. Eles não utilizam peças que possam apresentar o "bounce", por isso são todos por natureza "à prova de double-click". Também, não é necessário o "debounce-time" nestes switches, então eles acabam sendo também "mais rápidos" em seu acionamento.

Pela sua simplicidade, é impossível ter o problema de "double-click" em switches ópticos


Sinal de um switch óptico na esquerda, sinal de um switch mecânico na direita

A simplicidade do switch óptico é o que permite que ele tenha estas vantagens. Também, por ser um sistema mais "encapsulado" que switches mecânicos comuns, eles também apresentam uma maior resistência contra poeira, e quando bem projetados e em conjunto com uma backplate especialmente projetada para isso, alguns também podem apresentar resistência contra líquidos.

Notem porém, que há switches mecânicos que também são capazes de ter estas resistências contra poeira e líquidos, os Kailh Box sendo um exemplo. Aliás, é este switch que o Motospeed CK98 RGB utiliza:

Agora chegamos finalmente ao switch LK Optical, ou melhor dito, Light Strike MJ 1.7, variante lançada em 2015 e que possui como diferencial sob seus antecessores e sucessores, o fato de ser um switch removível. É o único da Light Strike com esta característica.

Esta é a variante do Light Strike que está sendo utilizada por maioria das empresas que começaram a usar switches da marca, possivelmente porquê o MJ 2.0 possui um formato estranho e os MJ 3.0/MJ 4.0 embora tenham diversas vantagens, sejão mais caros e difíceis para trabalhar.

O switch Light Strike MJ 1.7 utiliza um LED infravermelho e um sensor fotossensível que são encaixados na parte inferior do switch para seu funcionamento, diferente do MJ 1.0 onde este sistema estava dentro do próprio switch.

Na imagem abaixo, "IR16" é o emissor de luz, enquanto "PT16" é o sensor fotossensível.

Quando a tecla é pressionada, um plástico que bloqueava a passagem de luz desce, permitindo que seja captada pelo sensor fotossensível. Simples.

Então, como é digitar em switches Light Strike MJ 1.7 Orange? Bastante parecido com o Kailh Box White, lembra a Cherry MX Blue, mas o switch em si é mais fluído, é "mais leve", o feedback tátil não é acentuado igual a MX Blue, e embora isso pareça ser ruim, não é, pelo contrário, é uma experiência bastante prazerosa de digitação. Mas, opiniões sobre switches são bastante subjetivas, então considere que sua opinião poderá ser diferente da minha.

A razão para a resposta ser tão parecida com a Kailh Box White é devido ao fato do sistema de acionamento e clique serem separados da mola principal, assim como também é o caso do Box White. Estes são os componentes do switch:

Na direita temos a mola principal e o stem, todo switch baseado em Cherry MX apresenta estas peças. No meio temos a carcaça do switch, enquanto na esquerda, temos o diferencial deste switch.

Ao contrário de outros switches baseados em Cherry, o Light Strike MJ 1.7 apresenta duas molas, sendo a segunda uma pequena mola com a função de exercer pressão sob esta peça de plástico, e quando pressionamos a tecla, a pressão se torna forte o suficiente para forçar este plástico para baixo, criando o clique e liberando a luz para o sensor fotossensível.



E esta é a similaridade que ele possui com o Kailh Box, pois o sistema de clique é independente da mola principal do switch, realmente muito interessante.

Outras características deste switch, é que o barulho é similar ao da MX Blue e ele possui um certo "wobble", é um pouco "frouxo" devido ao seu design removível, até mais que outros switches ópticos como o Co-Gain OKS. Isto não afeta a usabilidade, mas pode dar a "impressão" que seja inferior em construção a outros switches, quando não é.

Este switch é resistente a poeira, mas não é resistente a "respingos", diferente dos switches Light Strike MJ 2.0/3.0/4.0 que possuem esta característica, mas a resistência a respingos também pode ser alcançada de outras formas, tal como fazendo proteções ao redor do switch, vide Corsair K68.

Agora, algo polêmico é a questão da "durabilidade" destes switches. A Bloody e a Motospeed prometem uma durabilidade de "100 milhões de cliques", mas como discutimos no artigo referente a switches ópticos, esta métrica está errada, um switch óptico dura até o emissor de luz queimar ou o sensor fotossensível deixar de funcionar.

A durabilidade de um switch óptico deveria ser medida em horas, não em pressionamentos, deveria dizer algo do tipo "projetado para durar no mínimo 60.000 horas contínuas de uso".

No caso do LK Optical é usado um emissor de luz infravermelha de baixa potência e que gera uma quantia ínfima de calor, diferente do switch óptico Co-Gain OKS de semana passada que usa LEDs RGB, então a durabilidade parece realmente ser muito boa, mas quando avaliarmos a questão de longo prazo, não consigo ter certeza se switches ópticos ainda estarão funcionando após um período de, por exemplo, 20 anos de uso.

Se o teclado está ligado, os emissores dos switches ópticos estão ligados e há algum desgaste, mesmo que ínfimo, independente se você estiver usando ele ou não.

Claro, poucos manterão o mesmo teclado por um período de tempo tão grande, mas o argumento de algumas pessoas contrárias à tecnologia óptica é que enquanto switches mecânicos de alta qualidade possivelmente ainda estarão funcionando após 20 anos de uso, switches ópticos poderão estar com falhas em seus sensores ou com emissores queimados, o que faz algum sentido, mas na minha opinião, não ter double-click ainda é mais vantajoso.

Outro argumento mais sensato, é que se o emissor ou o sensor fotossensível queimar, você não encontrará eles facilmente à venda para fazer a reposição, diferente de switches mecânicos comuns.

Por esta razão, aconselho que o público sempre opte por marcas que já são conhecidas neste mercado, tal como a Light Strike e Flaretech, as quais já possuem alguns anos de experiência e confiabilidade. Ou então opte por switches ópticos onde estas peças estejam embutidas em seu interior, o que facilita a troca caso você consiga comprar os switches.

Enfim, os switches Light Strike foram os primeiros switches ópticos do mercado e são alguns dos melhores, e fico muito feliz de ver esta tecnologia em teclados além dos modelos da Bloody.

Recursos e Extras

O Motospeed CK98 Optical possui poucos recursos, até menos do que se espera de um teclado de sua faixa de preço.

Não é apenas o RGB que está ausente, mas também o suporte ao software. Ele chega a abrir, mas o software do CK98 RGB na verdade abre com qualquer teclado, mas nenhuma mudança nas suas configurações surte efeito.

O número de recursos via hardware do CK98 Optical é mais limitado do que o esperado, há apenas seis comandos multimídia mal localizados, cinco efeitos de iluminação com velocidade ajustável, cinco escolhas de teclas iluminadas não customizáveis e a trava da tecla Windows.

A única escolha que há, é nas cores da iluminação lateral pressionando FN + Insert, sendo possível escolher vermelho, verde, amarelo, azul, rosa, ciano, branco, um modo arco-íris ou desligar os LEDs laterais. É uma iluminação muito bonita, embora alguns podem não gostar do espaço que este detalhe toma nas laterais do teclado.

Mesmo entre teclados single-color como ele, os concorrentes Sharkoon SGK1, Corsair K63 e Sharkoon PureWriter que estão na mesma faixa de preço, possuem mais recursos e também possuem bons switches.

Já se olharmos para teclados RGB, o Motospeed CK108 RGB com switches Gateron e o Sharkoon SGK3 também possuem uma lista mais apreensiva de recursos, então é um pouco difícil defender a "simplicidade" do CK98 Optical, mesmo usando o argumento de switches ópticos.

AVALIAÇÃO:

Construção Externa

9

Construção Interna

10

Recursos e Extras

6

Preço - R$ 290

8
Conclusão

O Motospeed CK98 Optical é um teclado muito mais simples do que sua aparência faz parecer, em especial o esquema de cores "Rainbow", que acaba dando a errônea ideia de que seja um teclado capaz de mudar de cores, quando não é.

Aliás, ele é uma versão com menos recursos do Motospeed CK98 RGB, não tendo o RGB ou software, além de possuir um custo reduzido, dando a impressão de que seja um teclado inferior aos outros modelos da marca.

Mas a verdade, é que os switches LK Optical que ele possui, garantem uma excelente durabilidade, resposta mais rápida e não há como acontecer double-click com este modelo, sendo em termos de qualidade, superior à maioria dos teclados da Motospeed, com exceção do CK98 RGB e alguns outros.

De resto, temos pouquíssimos recursos adicionais, uma placa de alumínio como backplate e placa frontal, um apoio para punho confortável ao tato mas que irá ficar horrível e cheio de marcas após alguns anos de uso, e as mesmas keycaps double-shot que são vistas em outros teclados da Motospeed. Para seu preço, é bem feito, menos o apoio para punho.

Quanto ao seu preço, o Motospeed CK98 Optical custa na faixa de R$ 290, o que é um preço muito abaixo de concorrentes como o Gamdias Hermes P2 RGB (R$ 722), ZOWIE Celeritas II (R$ 999) e Razer Huntsman (R$ 1.099).

Mas, na verdade, estes são péssimos exemplos com preços ridículos, o mercado brasileiro ainda não possui teclados ópticos com preços justos. O CK98 Optical parece ter chegado para tentar competir neste espaço, e já considero ele o "melhor Custo x Benefício" nesta categoria, pois seus switches são mais confiáveis que os Jixian Optical do CK103 Optical, além de custar muito menos que outros concorrentes.

Porém, será mesmo que vale a pena pagar este preço, quando um Motospeed CK108 com switches Gateron, software e RGB custa o mesmo valor que o CK98 Optical? Uma boa pergunta para a qual não tenho certeza da resposta, pois os Gateron também são muito bons. Digo o mesmo para Cherry e Kailh.

É muito estranho e chega até a causar desconfiança ao público o fato destes novos teclados ópticos da Motospeed serem versões "capadas" de outros teclados, como é o caso do CK98 Optical e CK103 Optical, ambos não tendo software ou RGB. Entendo que estão ausentes para tornar o preço mais acessível, mas do ponto de vista de alguns consumidores, devido ao preço e falta de recursos, fica a imagem de que a tecnologia óptica é "inferior" a modelos mecânicos.

A estratégia correta na minha opinião, seria primeiro ter lançado um teclado "topo de linha" com este switch e com tudo que pode-se pedir, mesmo que o preço ficasse bastante elevado e vendesse pouco. Apenas após usar este "flagship" para fazer marketing, é que modelos mais acessíveis usando a mesma tecnologia e com menos recursos, como o CK98 Optical, deveriam chegar ao mercado. É o que outras empresas fazem, Nvidia sendo um exemplo.



Opinião de um membro do grupo Periféricos High End que acabou desistindo do teclado ao saber sobre seus recursos

Enfim, switches ópticos possuem um excelente futuro pela frente, mas é possível ver sinais que a tecnologia ainda está engatinhando, especialmente nesta questão de preços. Mas, acredito que com o aumento do número de empresas oferecendo esta tecnologia, vamos ver várias opções de teclados ópticos no mercado em breve.

Nota: Este teclado foi enviado para análise pela Black Falcon Store.


PRÓS
  • Boa construção externa
  • Entre teclados com switches ópticos no Brasil, possui o melhor Custo x Benefício
  • Keycaps Double-Shot
  • Switches ópticos à prova de double-click
  • Switches ópticos de alta qualidade LK Optical
  • Switches removíveis
CONTRAS
  • Apoio para pulso emborrachado vai desgastar com o tempo
  • Esquema de cores fixas "Rainbow" pode não agradar a todos
  • Poucos recursos para sua faixa de preço