New Gundam Breaker é o mais recente jogo de uma série que já existe há alguns anos com relativo sucesso no Japão. Visando renovar a franquia e trazer novos jogadores, além do nome que não destaca em qual número de título estamos, o jogo vai vir também para o PC, fazendo deste o primeiro game sobre os robôs gigantes mais icônicos do mundo a chegar na Steam. E é por isso que decidimos dar uma olhada no game! A análise foi feita no PS4, mas ajuda a saber o que esperar do título quando ele chegar ao PC.

História e Ambientação

Antes de mais nada é importante explicar uma coisa: Gundam Breaker é uma série não exatamente focada nos robôs gigantes Gundam, mas sim nos pequenos modelos Gunpla

Gunpla é uma palavra que nasceu de "Gundam Plastic Model". São modelos baseados nos mechas dos animes que você mesmo monta, altamente customizáveis, que resultam em todo tipo de criação arrojada e maluca pelos artistas mais experientes ou até mesmo profissionais, já que existe até campeonato de Gunpla. Confira alguns exemplos:

E explico isso porque entendendo melhor o que são Gunplas, você entende melhor a proposta de New Gundam Breaker. No jogo você não pilota mechas gigantes, mas sim os pequenos modelos. Aliás, as fases mais divertidas são aquelas que nem simulam os cenários icônicos dos animes, mas sim uma sala onde você se sente numa guerra de brinquedos estilo Toy Story. O foco aqui é jogar para conseguir um número cada vez maior de partes e ir montando um Gunpla ao seu gosto. Mas discutiremos isso mais tarde, na parte de jogabilidade.

Na parte de história temos um game estilo visual novel. Aqui o jogo já mostra que ele é um produto de nicho mesmo e que não tem a intenção de agradar todo mundo. New Gundam Breaker conhece seu público alvo e vai entregar o que ele quer. É uma premissa absurda de uma escola de Gunplas cheia das conspirações e alunos fazendo o que bem entenderem, sem nunca aparecer um professor sequer. Quando a história não se leva a sério e reconhece como são tolas suas temáticas, ela é até bem divertida. Mas quando ela tenta apontar para um tom mais dramático as coisas rapidamente ficam ridículas.

Mesmo quem goste desse estilo de campanha vai concordar que a história é bem fraca. É um emaranhado de clichês emanando de personagens que são os estereótipos mais comuns de qualquer ficção japonesa. Tem a amiga de infância doce e gentil, a moça séria destaque da turma, o bully e a nerd atrapalhada, entre outros. Dá pra fazer o checklist de personagens rasos e desinteressantes.

Este formato, no entanto, funciona bem para o fator de replay para quem acabar curtindo o enredo. E este fator é muito importante para New Gundam Breaker, já que o foco principal do gameplay é colecionar as peças de Gundams. Incentivando o replay da história, que permite seguir diferentes caminhos para ficar dando risadinhas com cada moça dependendo das suas pouquíssimas escolhas, o jogo oferece novas oportunidades de missões diferentes para recolher mais e mais partes e construir o Gunpla dos seus sonhos. E o melhor é que cada cena fica bem dividida, dá pra saltar direto pras linhas diferentes da narrativa e não ter que ficar repetindo tudo que veio antes. Mas até aí aparece uma "preguiça" dos desenvolvedores. Em vez de fazer escolhas diferentes para liberar caminhos diferentes, você os libera dependendo do número de partes que juntou ou determinadas conquistas no jogo.

Jogabilidade

Como cheguei a mencionar antes, o foco de New Gundam Breaker é conseguir diversas partes diferentes e ir customizando seu Gunpla, essa é a melhor parte do jogo. Existe uma infinidade de peças, baseadas nos Gundams e mechas coadjuvantes de diferentes gerações e séries. As partes do seu modelo que podem ser customizadas são as seguintes:

- Arma de combate corpo a corpo
- Arma de fogo
- Cabeça
- Tronco
- Braços
- Pernas
- Mochila
- Escudo
- Acessórios

Fiz questão de listar todas essas partes para se ter uma boa noção de como extremamente variado pode ficar seu Gunpla. Cada parte pode ser colorida individualmente, com muitas opções de cores e texturas para colocar, além de ser possível mexer em opções de detalhamento como destaque dos contornos, efeitos de envelhecimento do metal, etc.

E claro que essas partes não têm função apenas estética, influenciando nos status do seu Gunpla para o combate e também nas habilidades que ele pode usar. É interessante destacar que algumas partes são inclusive capazes de se transformar, dando uma dose extra de customização no processo. E você pode salvar diferentes modelos para ter uma coleção completa.

Agora que falamos tanto da parte de preparação, vamos para o combate, que não é tão divertido assim. O gameplay do jogo é fortemente pensado no multiplayer, com as missões da campanha simulando mais ou menos como é a experiência do jogo online. Simplificando bastante (aliás, "simplificar" é algo que esse jogo não gosta), as partidas consistem em executar uma série de pequenas tarefas, "Quests", que pontuam de acordo com sua dificuldade. O time que juntar mais pontos de "Quests" completas vence.

Na mecânica da jogabilidade em si, o jogador percorre o cenário atrás de partes e pontos de nível. Você sempre começa no nível 0, com suas habilidades trancadas, e vai ganhando nível achando caixas no cenário e vencendo inimigos, liberando suas diferentes habilidades. Além dos Gunplas do seu time e do time adversário, há também as "unidades neutras", ou seja, inimigos NPCs correndo pelo cenário. Em algumas partidas também aparecem alguns "chefes", inimigos gigantes que geralmente dão muitos pontos de "Quest" para quem derrubar primeiro.

Com diversas habilidades diferentes e armas, o combate parece extremamente complexo e intrincado quando estamos nos preparando, mas, na prática, o que temos é um button masher que é uma bagunça incrível. O melhor jeito de jogar é tentar se afastar da muvuca e focar nas "Quests", mas isso acaba não sendo uma experiência das mais divertidas. O movimento do Gunpla é um tanto engessado e muitas vezes frustrante, tornando o gameplay menos divertido do que ele poderia ser.

O gameplay de New Gundam Breaker pode ser resumido como uma incrível bagunça, pro bem ou pro mal

Uma boa ideia que foi um tanto mal aproveitada é que sofrer um combo ou uma porrada muito poderosa pode arrancar uma parte do seu Gunpla, o que faz você perder os status e habilidade associados a ela. Dá pra recolher partes no cenário e substituir em tempo real, o que dá uma dinâmica muito interessante ao gameplay, como quando saí correndo atrás de uma cabeça nova e achei uma das mais feias do game pra terminar a partida. Mas digo que a mecânica ficou mal aproveitada porque não há uma penalidade muito grave para "morrer" na partida, pelo menos não na campanha. Seu personagem dá respawn muito rápido, então geralmente nem vale a pena correr atrás de partes para se preservar quando você está exposto. Mais vale realizar as "Quests" como pode até morrer e voltar logo em seguida, completinho.

Multiplayer deserto destaca problema do gameplay repetitivo

Um dos maiores problemas do gameplay, no entanto, é que ele é sempre o mesmo. O jogo nem tem modos diferentes, como um arcade para ir direto para as missões ou algum modo em que você customize as quests que apareçam numa dada missão. É apenas a campanha e o multiplayer, só. Se levarmos em conta ainda que o multiplayer está completamente vazio, fica só a campanha, que certamente não sustenta o jogo sozinha em termos de gameplay.

Gráficos

Os gráficos de New Gundam Breaker não estão entre os melhores. O jogo merece elogios pela sua atenção aos detalhes nos modelos. É muito interessante como eles realmente parecem o resultado que vemos nos Gunpla e não necessariamente algo saído diretamente do anime. Colocar uma cor muito metalizada numa parte, por exemplo, faz ele ficar parecendo um adesivo, não exatamente um metal em si. É um detalhe sutil, mas bem-vindo.

Já os cenários têm seus altos e baixos. A fase que se passa num tipo de escritório é divertida, cheia de detalhes e com uma boa variedade de níveis verticais, fazendo parecer uma guerra de bonecos solta pelo salão. Já outras são muito menos variadas e bem repetitivas, deixando o gameplay mais desanimado.

Os gráficos do jogo não justificam suas quedas constantes e irritantes de fps durante as partidas

Mas desânimo mesmo vem do fato do jogo estar muito mal otimizado. Em matéria de texturas, efeitos de luz, partículas, etc, temos um jogo que está na média para a geração, nada impressionante. Mesmo assim os tempos para carregar são longos e as quedas de frames chegam a dar dor de cabeça em sessões mais longas de jogatina, algo difícil de se perdoar. Há quem possa argumentar aqui que é culpa de um hardware fraco no PS4, mas para este nível de gráficos não tem desculpa. Os consoles dessa geração já mostraram que dão conta de títulos bem mais complexos com muito menos problemas.

No PS4 Pro o jogo roda um pouco melhor, mas quando temos muitas unidades no cenário a muvuca sempre derruba alguns frames, sendo que às vezes o jogo até para por alguns instantes para carregar um pouco, completamente absurdo para o nível gráfico que vemos em New Gundam Breaker.

Som

A sonoplastia do game é interessante, mas não há nada muito digno de destaque. A maioria dos sons foi retirada dos animes e mesmo não sendo fã de carteirinha das séries, é uma experiência muito bacana reconhecer algumas das faixas de áudio. Em dado momento, por exemplo, eu soube que o Gundam Wing estava no cenário só de ouvir o icônico disparo de seu rifle.

A parte das vozes é o que se espera... Temos uma dublagem feminina extremamente aguda e esganiçada e uma dublagem masculina que poderia muito bem ter sido feita totalmente pela mesma pessoa. A qualidade não é ruim, mas não é digna de destaque.

O mesmo vale pra trilha sonora. Algumas músicas são divertidas e uma ou outra até empolga, mas em sua maioria desaparecem no fundo sem chamar a atenção. E, falando assim, até parece que são diversas faixas, mas infelizmente não são. 

AVALIAÇÃO:

História

6.0

Jogabilidade

7.5

Gráficos

5.5

Som

7.0
Conclusão

Uma boa ideia não sustenta um jogo sozinha. Uma ideia original, interessante, tem que servir de ponto de partida para ser construída uma infinidade de elementos em cima para o resultado final poder ser considerado bom e fazer essa ideia alcançar seu potencial e brilhar em cima desses elementos corretamente implementados e divertidos. E New Gundam Breaker é uma tentativa de fazer um jogo com o mínimo de esforço possível em cima de uma única boa ideia.

É importante destacar aqui, novamente, que este é um jogo de nicho, com um público alvo muito bem definido. Então não dá pra dizer que usar um visual novel na campanha seja um problema conceitual. O problema é a fraqueza da história e vazio de personagens.

Montar Gunplas é divertido, mas isso sozinho não faz um jogo

Os outros elementos, mesma coisa. O estilo de missões num cenário aberto por si só não seria problema, mas temos uma experiência com gráficos mais ou menos que mesmo assim não sustentam uma contagem decente de fps em partidas extremamente repetitivas, sem nenhuma opção para tentar trazer algum diferencial, alguma novidade ao gameplay.

A parte de montar Gunplas é bem divertida. Há uma variedade incrível de opções e é fácil e intuitivo fazer o modelo do seu jeito, além de ser muito interessante escolher partes estrategicamente pelas suas habilidades também. Mas isso não é suficiente para compensar os problemas do jogo e muito menos seu salgadíssimo preço de lançamento: R$ 230. Duzentos e trinta reais. Sinceramente, o game ia pelo menos levar um selo bronze porque cheguei a me divertir em alguns trechos, mas com este preço não dá. Simplesmente não dá. Chega a ser ofensivo.


O Gundam Shirley foi montado pelos usuários durante nosso gameplay

Se você ama Gundam de paixão recomendo pegar o game por volta de R$ 40 no console ou R$ 20 no PC quando sair.