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Jogos desconhecidos, mas que merecem uma chance

Jogos desconhecidos, mas que merecem uma chance





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João Paulo Losada

Game By Gamer

Quem gosta e acompanha o mundo dos jogos eletrônicos sabe que toda semana são lançadas dezenas de jogos para todas as plataformas, seja PC, Playstation, Xbox ou Switch. Existem jogos pra todo gosto, de corrida à ação e aventura, passando por puzzles, jogos de tabuleiro e RPGs. Alguns possuem qualidade duvidosa que chega a ser estranho conseguirem acordo para aparecer em alguma plataforma. Isso acontece muito no PC, mas ultimamente muitos jogos ruins - até malfeitos e bugados, têm surgido nos consoles, como é o caso do "lendário" Life of Black Tiger para Playstation 4.

A quantidade de jogos indies sendo lançados e as centenas que ainda estão na fila de espera, tem ajudado o crescimento das plataformas. Imaginem se o Playstation 4 e o Xbox One só tivessem jogos de grandes estúdios? Obviamente não teriam novidades toda semana, ou talvez teríamos um ou dois meses sem lançamentos. Quase 80% dos jogos lançados atualmente nos consoles são de produtoras independentes.

A Microsoft se mexeu primeiro e anunciou em 2015 um programa especifico para jogos indies chamado de ID@Xbox, onde ela daria suporte para as pequenas produtoras lançarem seu jogos em suas plataformas (Windows 10 e Xbox). O sucesso é grande, e existe uma área especifica de jogos indies em sua loja virtual, tanto no Windows quanto no Xbox.

Depois de explicar a importância dos jogos indies, ou independentes, como queiram, de hoje em diante trarei indicações de alguns games que possivelmente pouca gente conhece. Essa ideia surgiu da dificuldade de achar informações e/ou opiniões de jogos desconhecidos. Muitas vezes você vê uma imagem linda na loja, uma descrição bacana e no final das contas o jogo é horrível, malfeito e bugado.

É bom lembrar que os jogos que tratei na coluna não são necessariamente baseados no meu gosto, mas sim baseados na qualidade do jogo. Ou seja, se é bem realizado, bonito, se a ideia é boa, se condiz com a atual plataforma para qual ele foi lançado, e se o valor é justo para o que o jogo oferece.

O mais importante é dizer que jogo indie não é sinônimo de jogo pequeno ou genérico. Existem excelentes jogos indies que não devem nada aos grandes estúdios, como é o caso do consagrado Hellblade. O que dizer de CupHead? E o Inside? Que tal o belíssimo Ori and The Blind Florest?

Nesta edição trago cinco jogos lançados para PC, PS4, Xbox One e Nintendo Switch, que são Last day of June, Impact Winter, Omensight, Welcome to Hunwell e Walden.

Last Day of June
Produtora: Ovosonico
Plataforma: PS4, PC e Switch
Nota: 9.0

Para começar, trarei um que acho fundamental pra quem gosta de jogos com fundo emocional. Trata-se de Last Day of June que chegou ao PS4 e PC quase no fim do ano passado, mas que foi lançado recentemente para Nintendo Switch.

Last Day of June recebeu vários prêmios devido à sua qualidade técnica e inovação. É bom dizer que ele possui gráficos estilizados com um toque à la Tim Burton, já que a animação ficou a cargo de Jess Cope, que trabalhou na produção cinematográfica Frankenweenie.

O jogo traz a história do casal apaixonado Carl e June, que moram em um pequeno vilarejo junto com outras pessoas, que se transformarão em importantes personagens no decorrer do jogo. O game começa com um belo dia de sol, quando Carl e June estão se declarando um para o outro na beira de um lago. Tudo vai bem, até a volta para casa. Ao evitar um atropelamento, Carl bate com o carro e June morre. Para piorar tudo, Carl fica paraplégico, passando a viver em uma cadeira de rodas. Extremamente trágico, esse é o ponto de partida de Last Day of June.

O jogo dá um enorme salto no tempo e Carl se vê sozinho no vilarejo. A partir daí o jogador controla Carl em sua cadeira de rodas, onde tenta mudar o passado controlando quatro personagens, a fim de modificar os eventos do trágico dia. Obviamente que não darei mais detalhes da história. Mas é algo que faz pensar muito no fato de até que ponto você iria para ajudar alguém ou ter a chance de se despedir de um grande amor.

O trailer do game é um dos mais emocionantes, e tristes, dos últimos anos. Confira:

 


Impact Winter
Produtora: Mojo Bones
Plataforma: PC, PS4 e Xbox One
Nota: 8.0


Impact Winter é um jogo do programa de indies da Bandai Namco, que leva o gênero sobrevivência a um novo patamar devido à sua dificuldade e engenhosidade em cuidar de outros personagens e tentar sobreviver a um caótico mundo atingido por um asteroide que deixou a terra sob uma nevasca constante. Ufa!

A dificuldade do game se dá pelo fato do jogador literalmente ter que cuidar dos sobreviventes, até mesmo fazendo comida para cada um deles e dando água. Além disso o tempo corre contra: o objetivo do game é manter os sobreviventes vivos até a chegada do resgate, que só ocorrerá em trinta dias.

Para conseguir mantê-los vivos, seguros e aquecidos, o jogador precisará sair do refúgio (uma igreja) e investigar inúmeras áreas isoladas a fim de encontrar suprimentos, ferramentas, itens, mais sobreviventes e ainda achar mais locais "aparentemente" seguros. O grande problema é que há uma nevasca gigantesca, e se demorar demais na área externa, os sobreviventes podem morrer de fome, de frio, de sede, adoecer, se rebelar, etc.

É bom que se diga que o jogo é extremamente detalhado em termos de gameplay, o que pode afastar algumas pessoas. Além de procurar alimentos, cozinhar e ainda dar recursos a cada uma das pessoas, há o fato de ficarem doentes e você ter que procurar remédios e medicá-los. Alem disso há ainda as vestimentas, desde roupas até cobertores. Há também a fogueira que ajuda a manter todos aquecidos, e que, claro, precisa de lenha.

Impact Winter é extremamente estratégico. Aqui tem que pensar duas vezes se você vai mesmo ajudar o sobrevivente X, Y ou Z. Se vai fazer os favores que eles pedem em troca de algum craft especifico. Se é a hora de sair do refúgio e tentar a sorte buscando itens em outros locais. Se quer ficar no refúgio e ver no que vai dar. A escolha é do jogador.

O grande problema do jogo é que, por ter muitas opções, menus complexos, detalhes ao extremo, muita informação, não há suporte para o Português. Hoje em dia é mais comum você ver jogos em Português do que  sem suporte ao idioma, portanto não deixa de ser um ponto negativo.


Omensight
Produtora: Spearhead Games
Plataforma: PS4 e PC
Nota: 8.5

Omensight é um lançamento para PS4 e PC onde o jogador encarna um guerreiro chamado Augúrio, um Harbinger que tem o poder de prever o futuro e controlar o tempo, ou seja, o jogador poderá repetir algumas vezes o fatídico dia da destruição de Urralia afim de descobrir o que de fato aconteceu por trás de tudo, ou quem sabe reescrever seu destino.

O jogo usa um gráfico cartunesco, bem colorido, com belíssimos efeitos de iluminação e sem serrilhados aparente. E para deixar tudo ainda mais belo, a suavidade é o ponto alto do gameplay. O áudio também se destaca com a presença de renomados talentos como a dubladora Patricia Summersett de Zelda: Breath of the Wild e Julian Casey de We Happy Few e Stories.

Omensight mistura o estilo Hack and Slash com toques de RPG e investigação. Aqui o jogador vai poder lutar ao lado de personagens importantes no dia da destruição de Urralia, mas com um porém: não se sabe quem de fato está do lado do bem e do mal. Ou seja, você irá lutar contra ou a favor do reino de Urralia.

O objetivo de lutar ao lado de outros personagens (como se fosse um jogo cooperativo) é descobrir pistas sobre o "companheiro" e ao final de cada dia tentar desvendar o mistério usando o poder Omensight. É importante ficar atento ao cenários e acontecimentos para poder achar as pistas, que por muitas vezes são bem sutis.

O mais interessante é reviver a guerra que destrói Urralia em diferentes perspectivas. Você saberá os motivos e razões para a sua destruição. E ainda poderá modificar o desfecho de tudo, até mesmo evitar que o reino seja realmente destruído.

Os menus e legendas do jogo estão todos em Português, o que é um ponto alto já que ele possui vários trechos com explicações sobre a história e sobre cada um dos personagens, e ainda detalhando cada um dos poderes e upgrades que Augúrio faz no decorrer da jogatina.


Welcome to Hanwell

Produtora: Nathan Seedhouse
Plataforma: PS4 e PC
Nota: 8.0

Welcome to Hanwell é um jogo de terror pesado, nojento e grotesco. E isso é ótimo! Existem poucos jogos assim para consoles, lembrando que no PC existem dezenas e que muita gente sequer conhece. É importante dizer que além do gênero terror, ele é no estilo mundo aberto onde o jogador terá a cidade inteira de Hanwell ao seu dispor.

Hanwell é uma cidade tomada por anomalias de todo tipo, mas nem sempre foi assim. Antes a cidade era protegida pela HCPP, um órgão do governo criado especificamente para a proteção e segurança da população. Após a destituição do governo, a cidade foi tomada pelas tais anomalias, entrando em quarentena, sendo isolada do mundo exterior.

A jogabilidade é em primeira pessoa, podendo usar ou não as armas que encontrarem pelo caminho. Além de combater as criaturas (ou fugir delas!), o jogador terá o papel de também investigar os locais, lembrando que cada localidade na cidade possui uma história paralela, o que deixa o jogo mais interessante.

O visual do game tem seus altos e baixos. Por sorte, as partes altas são justamente as mais nojentas e grotescas, onde os detalhes gráficos de sangue, restos de corpos, entranhas e monstros, estão acima da média principalmente com relação às texturas e efeitos de iluminação. Já por outro lado, algumas partes da área externa são precárias, "quadradas" e sem vida, o que leva a crer que a Nathan Seedhouse priorizou os interiores dos locais.

O jogo foi lançado para PS4 no dia 18 de maio, mas já havia saído para PC ano passado. A versão PC teve vários problemas de jogabilidade e de controle no lançamento, que a fez receber várias criticas negativas por parte dos jogadores. De lá pra cá, vários patchs, hotfix, e modificações corrigiram a grande maioria dos problemas. É importante dizer que estes problemas relatados na versão PC não existem na versão do PS4.


Walden, a game

Produtora: Game Innovation Lab
Plataforma: PS4 e PC
Nota: 7.5

Walden é um jogo peculiar de fundo filosófico e educacional que, embora tenha suas qualidades, provavelmente não agradará todo mundo. O estilo usado, "walking simulator", ou simulador de caminhadas, é amado ou odiado. Aqui não há meio termo. Por ser um tipo de jogo considerado lento, feito mais para relaxar do que para divertir, muita gente torce o nariz sem ao menos testar um game desse estilo.

Em Walden você vai encarnar o filósofo e naturalista Henry David Thoreau em seu experimento autossustentável no lago Walden (Massachusetts, EUA). Com uma duração média de seis horas, a história começa no verão de 1845, quando Thoreau se muda para o lago e constrói sua cabana lá. A jogatina inicia a partir do primeiro dia, quando ele precisa sobreviver na floresta encontrando comida, madeira e outras coisas mais, afim de manter seu abrigo, seus mantimentos e suas roupas. Roupas?!? Sim! Aqui você até costura suas próprias roupas!.

Bom, ao mesmo tempo em que se esforça para sobreviver, você é encorajado a explorar a floresta e o lago, interagindo com personagens da vida de Thoreau, incluindo o mentor Ralph Waldo Emerson, a irmã Sophia Thoreau, o editor Horace Greeley, o ativista A. Bronson Alcott, o naturalista Louis Agassiz, entre outros.

É importante dizer que Walden demorou 10 anos para ser produzido e é uma adaptação de uma literatura educacional muito usada em salas de aulas. Inclusive há um programa especifico para educadores onde os produtores oferecem um serviço para usar o game em salas de aula. No Brasil ele é conhecido como A Vida nos Bosques.

Como Walden foi feito para ser usado de forma educacional, os produtores não priorizaram gráficos. É notório que o jogo usa um visual por vezes datado, mas em alguns momentos ele se torna bonito, principalmente dentro da floresta ou à noite quando se usa uma espécie de Lampião para iluminar o ambiente. Usando efeito blur juntamente com a suavidade da movimentação, o gameplay se torna prazeroso já que tudo roda extremamente liso.

Devido às suas características filosóficas, educacionais e documentais, Walden recebeu vários prêmios e dentre eles, alguns curiosos como o New Frontier do renomado Festival de Sundance, um prêmio do International Documentary Film Festival e ainda uma Menção Especial do Interactive Award Sheffield Doc Festival.


Bom pessoal, vou terminando esta primeira edição dessa série onde falo de games "menos famosos", que saem toda a semana para todas as plataformas. Alguma sugestão? Critica? Deixa nos comentários, que responderei assim que possível.

 

Abraço, e até a próxima.

João Paulo Losada
Colaborador: Redator e Colunista

Twitter: @The_DJLosada

Gamer por natureza, JP Losada, ou simplesmente DJLosada como é conhecido por toda a comunidade gamer, é um grande conhecedor de games em geral. Eventualmente analisa lançamentos e comenta sobre os sucessos e decepções relacionadas aos games que chegam ao mercado através do portal Adrenaline. Já escreveu para revistas de games, artigos para produtoras, além de ter citações em seu nome em caixas de jogos de PC lançados no Brasil. Possui parceria com algumas produtoras, principalmente de corridas, onde já participou de campeonatos Oficiais e tem seu nome imortalizado dentro de jogos da franquia GTR como Piloto Oficial.



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