Algumas semanas atrás fizemos um vídeo para mostrar como melhorou a estabilidade das APUs Ryzen após updates de placas-mãe. Como alguns internautas atentos perceberam que o consumo de VRAM estava baixo e... bem, vocês tinham razão! Após updates de BIOS, a mainboard voltou a sua configuração padrão e reduziu a quantidade de RAM dedicada ao chip gráfico Vega. Isso pode ser um responsável pelos stutterings que apareceram no teste. Será que foi? Pois é isso que vamos investigar a fundo nesse artigo!

Corrigiram as frequências nas APUs Ryzen? Colocamos o PC da Crise em ação para descobrir!

Para isso vamos rodar testes para verificar como o usuário pode influenciar na performance do sistema se muda a configuração de RAM dedicada ao iGPU. Processadores que contam com gráficos integrados trazem ajustes para o usuário definir quanto da memória RAM será dedicada ao chip gráfico, algo que traz o seguinte desbalanço: quanto mais RAM você reserva para a GPU, menos fica disponível para o resto do sistema.

Quanto mais memória você dedica ao chip integrado Ryzen,
menos sobra para o restante do sistema

Quem tiver muita RAM, isso não deve ser um problema. No PC da Crise e seus singelos 8GB, a questão é bem diferente: cada gigabyte de RAM tirado do sistema pode inviabilizar rodar alguns jogos. Mas, ao mesmo tempo, ter pouca VRAM pode ser trágico para gameplays.

Testamos quatro situações. Na primeira deixamos o modo automático definido na BIOS, e no segundo dedicamos 2GB da RAM para o chip Vega, maior valor disponível. Depois refizemos esses dois cenários, mas com muito mais confortáveis 16GB de RAM disponível.

O que é melhor? Deixar no automático ou definir manualmente?

Testamos 3 jogos pesados tanto em CPU e GPU, com o objetivo de tentar sentir o sistema "passando trabalho" tanto por gargalos em processador ou chip gráfico. A resolução usada foi o HD e a qualidade é média, algo mais compatível com o desempenho dos hardwares usados.

E o que descobrimos? Descobrimos que vocês tinham razão. Ao definir 2GB como o valor atribuído ao chip Vega, o desempenho melhora sensivelmente. Isso acontece porque se o modo automático insiste em dar apenas 1GB para o chip gráfico, mesmo na situação em que temos 16GB. A evolução fica evidente especialmente em Assassin's Creed Origins:

As médias de quadros escondem a evolução. Todas as configurações de memória entregam basicamente o mesmo desempenho, porém ir melhorando a memória disponível traz impactos importatíssimos na estabilidade de quadros. Definir 2GB para a VRAM traz melhoras mesmo na situação bastante restrita de apenas 8GB de memória total disponível. Analisando os frametimes dá para observar isso muito bem em Assassin's Creed, novamente o nosso teste mais complicado da bateria. Apesar de ainda oscilar com 2GB de VRAM (laranja) veja como deixar no automático cria um verdadeiro caos o teste inteiro, ao invés de momentos mais pontuais de stuttering:

Em gráficos de frametime, quanto menos oscilações, melhor

Então definir por 2GB é uma melhor pedida? Sim. Como pode ver, os tempos de quadro se concentram na área que entrega uma média de 30FPS (a linha verde) mas são muito erráticos em ambas as configurações. Melhor ainda é abastecer sua APU de bastante memória. Veja o que acontece quando vamos de 8 para 16 GB:

O que dizer dessa belíssima linha verde que considero pacas? A estabilidade é excelente quando servimos o sistema com muita RAM, mostrando como uma média de quadros semelhante não quer dizer o mesmo nível de experiência. Assassin's Creed Origins demanda muita memória, seja para o processador ou para o chip gráfico, e ter isso é indispensável para boa estabilidade na criação dos quadros.

O ideal é dedicar 2GB de memória ao chip integrado Vega

Então, como configurar uma APU Ryzen? Considerando os jogos modernos, mesmo os mais leves que rodam em FullHD podem acabar consumindo mais de 1GB de VRAM para uso eficiente, então o melhor é mesmo dedicar 2GB ao chip Vega. Mesmo que isso signifique apertar o sistema com apenas 6GB de RAM, um patamar que não é nem um pouco seguro, mas que se mostrou mais estável que limitar a memória para o chip gráfico.

Bastante memória e rápida são importantes
para o desempenho da APU Ryzen

Agora, se quer fazer mesmo sua APU entregar um bom desempenho, ou qualquer outro processador com gráficos integrados, não esqueça de investir em memórias rápidas e, principalmente, não economizar muito no espaço disponível. Porém é sempre bom balancear seus custos, já que games mais leves (e que fazem mais sentido de ser jogados com uma APU) estão se virando bem na configuração de 8GB, e com o custo elevado das memórias, não raro acaba valendo mais a pena comprar uma placa de vídeo (que tem memória própria dedicada) para conseguir mais desempenho.