A ThunderX3 é uma marca "nova" no ramo de periféricos, mas muitos já devem ter se impressionado com a quantia de produtos que ela já possui e a presença no mercado brasileiro, especialmente no ramo de cadeiras.

Porém, não se enganem, ela não é realmente "nova". A ThunderX3 nada mais é do que uma nova subsidiária da Aerocool, com maior foco no público entusiasta e em produtos high-end.

Mas então, o que esta marca vem a trazer de diferente ao mercado de mouses? Será que o ThunderX3 TM55 não é só mais um "transformer" que possui mais aparência do que qualidade?

É o que veremos.

Construção Externa

Como já podem ver à quilômetros de distância, o ThunderX3 TM55 possui um design muito fora do convencional, mas o mais curioso disso, é que ao colocar sua mão nele, o formato nem é tão estranho quanto parece.

Pesando 170 gramas, o ThunderX3 TM55 é o segundo mouse mais pesado com o qual tive contato, perdendo apenas para as 185 gramas do Tt eSports Level 10 M. Maioria deste peso é proveniente da base sólida de alumínio que o mouse possui, a qual é a maior e mais grossa base de alumínio que já vi em um mouse. Notem que isto não é um elogio, apenas uma afirmação.

O ThunderX3 TM55 é um mouse que permite a pegada Palm, embora os recortes traseiros causem um pouco de incômodo:

Pela mesma razão dos recortes traseiros, também pode haver incômodo para a pegada Claw, embora seja usável:

E a pegada Fingertip não teria problema algum... se este mouse não pesasse 170 gramas... Como usuário desta pegada, só posso dizer que meu punho começou doer após 2 semanas de uso deste mouse.

O acabamento no topo do TM55 é feito em plástico de boa qualidade com um emborrachado "soft-touch" bastante agradável ao tato, mas que tende a sujar facilmente e ficar com marcas com o tempo, fora que há a chance deste ficar "grudento" após alguns anos de uso. Realmente não sou fã deste material.

Na lateral esquerda do ThunderX3 TM55 encontramos uma pequena área com grips de borracha para repousar o dedão. A qualidade da borracha parece ser razoável, mas não há como comprovar a resistência deste material sem que o mouse seja utilizado por mais de um ano.

Agora na lateral direita temos algo interessante, há a opção de escolher entre a lateral com plástico "soft-touch" (levemente emborrachado) ou a lateral com grips de borracha pura, ao invés de apenas emborrachado. Posso dizer que não sou fã deste segundo grip, especialmente pelo quanto de sujeira ele tende a coletar:


Também, trocar estes grips não é muito fácil, é necessário puxar com bastante força e há o risco dos engates de plástico quebrarem fazendo isto:

O ThunderX3 TM55 possui um dos maiores scrolls que já usei em um mouse, o que é um detalhe que pode agradar bastante a alguns, mas a fluidez dele não é boa e chega parecer que ele "enrosca" no plástico do mouse, mas abrir o mouse e retirar a capa superior provou que não é este o problema, o scroll que é mal projetado mesmo.

Aliás, um detalhe extremamente curioso do ThunderX3 TM55 que recebemos para análise, é que o LED do Scroll não liga, ao contrário das imagens ilustrativas do material publicitário do TM55 e de seu irmão TM50, que possui iluminação.


Ao entrar em contato com a ThunderX3 Brasil achamos que isto poderia ser algum defeito e fomos informados que seria uma incompatibilidade devido à presença do software de alguma outra marca, mas não foi o caso. Abrir o mouse acabou demonstrando qual seria o problema:

O ThunderX3 TM55 que possuímos e todo o lote vendido no Brasil, simplesmente não possui o LED no scroll.

Após apresentar estas imagens para a ThunderX3 Brasil, ela declarou que todas as unidades encomendadas para o Brasil possuem estas características, e a falta do LED no scroll não seria um "defeito" ou "erro de projeto"... OK...

Agora, algo que não gostei nem um pouco foi o cabo. O ThunderX3 TM55 utiliza um cabo de nylon extremamente grosso e pouco flexível, o qual em conjunto ao peso do mouse, acaba atrapalhando a movimentação do mesmo. Chega ser pior que os cabos que a Logitech e Motospeed usam em seus mouses.

Também, outro detalhe que desagradou, é que dependendo a forma que você levantar o mouse, os seguintes recortes demarcados em vermelho podem raspar no mousepad:

É muito difícil falar sobre a ergonomia de um mouse por isto ser algo bastante subjetivo, mas há certas questões que realmente merecem ser criticadas, tal como recortes que causam desconforto e limites que foram ultrapassados, no caso o peso do ThunderX3 TM55.

O ThunderX3 TM55 realmente passou dos limites ao utilizar uma placa sólida de alumínio em sua base, a qual é muito mais grossa e pesada do que as placas de mouses como o Corsair M65 Pro RGB ou o G.SKILL MX780, resultando em um peso de 170 gramas e fazendo dele um dos mouses gamer mais pesados do mercado.

Além disto, há falhas na fluidez do scroll, recortes que causam incômodos para a sua mão e quinas que raspam no mousepad dependendo de como você levanta o mouse. Vários problemas de design, mas considerando a aparência dele, não estou surpreso pois "transformers" no mercado de mouses costumam ser assim. Bonitos, mas cheios de falhas...

Construção Interna

A Construção Interna é a principal responsável pela durabilidade de um mouse. Se forem utilizados componentes de alta qualidade, podemos dizer que o mouse foi projetado para durar. Se forem utilizados componentes de baixa qualidade, as expectativas para o mouse não serão boas.

Alguns podem pensar "Mas wetto, se não gosta do peso, é só tirar a placa de alumínio!"

Ao que eu digo: não. Remover a placa de alumínio faz com que o compartimento no qual fica situado a lente do mouse fique exposto, deixando ele em um altura diferente do restante do mouse. Além disto, os pés originais do mouse não seriam compatíveis desta forma.

E ao abrir o mouse, encontramos mais um chumbo adicionando peso ao mouse... Como se a placa de alumínio já não o fizesse pesado o suficiente...


O ThunderX3 TM55 é um mouse caprichado por dentro. Componentes de alta qualidade onde necessários e componentes um pouco inferiores onde é possível. Minha única crítica é direcionada ao scroll. Não ao codificador usado, e sim à roda que possui pouquíssima fluidez e passa a impressão de "enroscar" na própria estrutura dela.

Desempenho

O ThunderX3 TM55 utiliza o sensor Pixart PMW 3330, um sensor relativamente recente que é o sucessor do PMW 3310 e combina algumas melhorias com tecnologias provenientes do 3360. O resultado é um sensor com menor LOD e também ocupando um espaço menor dentro do mouse:

Começando, todos os testes foram realizados utilizando um mousepad Rise M4A1, o qual possui estampas e tem um nível de qualidade similar ao Razer Goliathus Speed.

Primeiro, temos o teste de consistência de rastreio. Basicamente, ele testa o que o nome diz, mostrando se por acaso há distorções no rastreio do mouse. Para realizar ele, é usado uma ferramenta chamada MouseTester.

E estes foram os resultados mousepad RISE M4A1, em 1000 Hz:

Assim como ocorre com outros mouses com sensores topo de linha, há contagens que parecem estar erradas, mas a média está bastante concisa. Isto ocorre devido ao fato do mouse estar enviando dados o mais rápido o possível para o computador, sem maquiar eles. Também, por isso quando diminuímos a taxa de atualização para 500 Hz, as contagens acabam parecendo mais "estáveis":

Enfim, no final das contas seja em 1000 Hz ou 500 Hz, a consistência está perfeita, o que demonstra que o sensor foi bem implementado neste mouse.

Agora, o próximo teste é o teste de aceleração. O ideal sempre é que se o mouse for movido rapidamente 10cm para a direita, ele tenha o mesmo resultado que teria se fosse deslocado lentamente a mesma distância. 

Caso o mouse for mais longe do que o necessário no movimento rápido, é dito que o mesmo tem aceleração positiva. Caso a distância que ele percorreu seja menor no movimento rápido, ele tem aceleração negativa.

E se o mouse parou no mesmo lugar que antes, ele não tem aceleração nenhuma, o que caracteriza um resultado perfeito.

Sendo que este foi o resultado do ThunderX3 TM55 usando o mousepad RISE M4A1, em 1000 Hz:

Um resultado perfeito, nada de errado nisso, a única dificuldade é fazer uma linha reta quando o formato do mouse é tão estranho...

Vamos então partir agora para o software.

Realmente estou surpreso. Uma empresa "nova" de periféricos (se bem que a Aerocool não é "nova"...) fez um software que possui uma boa interface gráfica... Não vejo isso todo dia.

Enfim, na tela inicial temos as configurações básicas de um mouse, neste caso a troca de função de botões, havendo na esquerda o mouse e seus botões, e na direita os botões/funções pelas quais podem ser substituídos.

Também, nesta mesma interface temos acesso à configuração da macros do mouse, a qual infelizmente deixa a desejar:

Não é possível editar macros após estas terem sido gravadas, não é possível criar manualmente a macro e também as macros só reproduzem teclas do teclado, e não do mouse, limitando bastante a funcionalidade delas.

Além da interface inicial, ao clicar em botões no canto superior direito, temos acesso à aba Performance, onde há as configurações de DPI, aceleração e taxa de atualização do mouse.

Por último, há as configurações de iluminação. São poucas as opções, mas são todas fáceis de mexer.

O ThunderX3 TM55 possui um software bonito, organizado, legível e está de parabéns por isto. Mas, falta refazer o sistema de macros (de preferência usando uma organização similar ao que a ASUS e SteelSeries usam) e adicionar uma boa tradução para PT-BR.

O caso da ThunderX3 é quase idêntico ao da Sharkoon. Embora existam falhas no exterior do TM55, a ThunderX3 sabe como projetar o interior, o sensor e o software de mouses. Uma excelente precisão com o sensor PMW 3330 e um software, que embora seja básico em suas funcionalidades, pelo menos é bastante leve e possui uma excelente interface gráfica, algo que infelizmente é meio raro no ramo de mouses. Faltou apenas uma boa carcaça para combinar com isto.

AVALIAÇÃO:

Construção Externa

5

Construção Interna

9

Desempenho

9.5

Preço - R$ 200

8
Conclusão

Analisando apenas do ponto de vista técnico, o ThunderX3 TM55 é um ótimo mouse, com um sensor topo de linha, componentes internos de alta qualidade, um bom software e um preço adequado na faixa dos R$ 200.

Mas, ao pegar o mouse pessoalmente e sentir as suas 170 gramas, as quais são realmente exageradas quando maioria do mercado gamer costuma se situar entre 90~130 gramas, a opinião de muitas pessoas pode mudar drasticamente.

Mouses como o ThunderX3 TM55 possuem mercado, mas apenas para pessoas que realmente possuem maior foco na estética do mouse ou não se importam com um mouse bastante pesado, enquanto que jogadores comuns e principalmente jogadores competitivos, devem buscar aquilo que lhe proporciona maior conforto, algo que acaba sendo extremamente prejudicado pelo peso do ThunderX3 TM55 e pelas falhas na estrutura externa que ele possui.

O ThunderX3 TM55 tecnicamente era o melhor mouse da marca disponível no mercado quando começamos planejar esta análise, mas felizmente a própria ThunderX3 agora possui um mouse acima dele, o qual possui uma ergonomia mais ortodoxa e um peso muito menor: o ThunderX3 AM7.

Embora o ThunderX3 TM55 tenha suas falhas, esta análise mostrou que pelo menos em questões como qualidade, rastreio e software, a ThunderX3 sabe muito bem o que está fazendo, então tenho boas expectativas para futuros produtos da marca, em especial o ThunderX3 AM7.

Nota: Este mouse foi enviado para análise pela Aerocool/ThunderX3 Brasil


PRÓS
  • Bom software, leve e com uma ótima interface gráfica
  • Excelente construção interna
  • Excelente precisão graças a um sensor Pixart PMW 3330 bem implementado
  • Peças customizáveis
CONTRAS
  • Cabo extremamente grosso e pouco flexível
  • Diversos dos recortes do mouse podem causar desconforto
  • Peso exagerado de 170 gramas lhe torna inadequado para boa parte do público
  • Scroll possui problemas de fluidez