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Porque a Nvidia não está permitindo modelos overclockados da GTX 1070 Ti

Porque a Nvidia não está permitindo modelos overclockados da GTX 1070 Ti

03/11/2017 15:15 | | @kerberdiego | Reportar erro





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Diego Kerber

Vida Digital

Com o lançamento oficial da Nvidia GeForce GTX 1070 Ti, um fator estranho chama a atenção: os clocks padrão das placas. Enquanto em outros lançamentos as parceiras da empresa tiveram mais liberdade para mexer em ajustes dos chips, todas as GTX 1070 Ti estão operando com o mesmo clock base: 1607MHz.

Análise: [NVIDIA GeForce GTX 1070 Ti] Placa chega com desempenho próximo ao da GTX 1080, mas preço bem mais atrativo
Notícia: Todas as GTX 1070 Ti trazem o mesmo clock de fábrica, mas suportam overclock

Isso fica bem evidente quando olhamos para o site da EVGA, por exemplo. Compare a variedade de configurações no clock base em modelos "mais modestos" da GTX 1080 até as versões com resfriamento híbrido. Projetos mais robustos de resfriamento e alimentação chegam com clock base mais alto de fábrica, indo de 1607MHz a até 1721MHz:

Já na linha GTX 1070 Ti:

Se observarmos com atenção chega a ser cômico a EVGA usar como especificação 1607+MHz como clock base. É quase como se fizesse o máximo de esforço para dizer que o clock é 1607, mas pode e deve ser usado como mais que isso.

Esse padrão não é exclusividade da EVGA, e nem um padrão que surgiu aleatoriamente.  A Nvidia não está permitindo que as fabricantes lancem os modelos overclockados, e o intuito é evitar que surgissem modelos da GTX 1070 Ti mais caros que modelos da GTX 1080, o que parece ter dado certo, já que os modelos mais caros da GTX 1070 Ti que verificamos na Newegg estava saindo por US$ 499, curiosamente o mesmo preço da mais barata GTX 1080 em promoção no momento. Obviamente as 1070 Ti se tratavam de modelos robustos da placa, enquanto a 1080 nesse valor era muito próxima do modelo referência.

Esse recurso acabou virando uma forma de artificialmente evitar que o line-up da empresa "se quebrasse", e a GTX 1070 Ti eventualmente virasse um produto acima da GTX 1080 por uma excessiva proximidade das duas. Mas, na prática, nem isso foi o bastante. Em nossos testes com a GTX 1070 Ti referência, ela em alguns momentos se sai melhor que a GTX 1080 referência. Com o mesmo sistema de resfriamento disponível para ambas, descobrimos que o GP104 da nossa GTX 1080 é mais "esquentadinho" que o da GTX 1070 Ti que chegou por aqui. A diferença de aquecimento fez com que o GPU Boost fosse mais agressivo na 1070 Ti, mantendo em alguns momentos até 100MHz a mais do que o clock em uso pela 1080. O resultado são alguns FPS a mais para o modelo que, na teoria, devia ser pior.

São tão próximas que "sorte com o chip" já basta para deixar uma GTX 1070 ti melhor que uma GTX 1080

Pra quem quer entender como chips teoricamente iguais dão resultados diferentes, deem uma olhada no nosso artigo sobre panquecas e chips.

Artigo: Chips iguais com performance diferente? Explicamos fazendo panqueca!

A falha aconteceu no excesso de proximidade entre os dois modelos, e criar essas artificialidades soa uma solução que beira ao tolo. As empresas já estão trabalhando em seus "jeitinhos" para burlar isso, com soluções como o overclock com um clique ou softwares praticamente automatizados para overclock, por exemplo, mas tem muito consumidor que não mexe nas frequências de sua placa de vídeo, e acaba perdendo esse potencial adicional de desempenho por conta dessa trivialidade. Felizmente o pior não aconteceu: a Nvidia bloquear o overclock da 1070 Ti, como indicaram alguns rumores no passado.

No fim, acho que seria mais fácil reconhecer o cadáver da GTX 1080 na sala e parar de ficar colocando limitações ou artificialidades para fazer de conta que está tudo bem. O lançamento da GTX 1070 Ti praticamente igualou o desempenho e o GDDR5X não parece ter deixado nenhuma saudade. Deixem a GTX 1080 ir em paz.

Diego Kerber
Sub-editor

Twitter: @kerberdiego

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".



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