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O maior perigo para o Nintendo Switch é tentar ser mais de uma coisa, e não ser nenhuma

O maior perigo para o Nintendo Switch é tentar ser mais de uma coisa, e não ser nenhuma

02/11/2016 15:05 | | @kerberdiego | Reportar erro





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Diego Kerber

Vida Digital

A Nintendo enfim mostrou do que se tratava o Nintendo NX, e não nos decepcionou lançando só mais um videogame: a empresa japonesa novamente ataca com uma proposta bem diferenciada das rivais com o Switch, e ao invés de trazer o "mais performance" de sempre mostrou ao mundo um console híbrido. E isso é bem perigoso.

Dispositivos híbridos não são novidade na indústria da tecnologia nem dos games. Em tempos mais recentes, os híbridos mais lembrados são os tablets/notebooks, aqueles aparelhos ultrafinos com touchscreen que seriam capazes de operar tanto como tablet quanto notebook. Não que fossem ruins, mas passaram longe de salvar a indústria dos PCs da estagnação e inclusive retração frente ao mercado realmente mobile.

Além do tablet/notebook, outra aposta foi o smarpthone/tablet, algo que vimos com o Asus PadFone 2:

Ok, nenhum deles tem muito a ver com games necessariamente. Mas tem os que foram, como o falecido Nokia N-Gage, um celular/console natimorto de 2003. O problema desse pré-smartphone é que ele conseguia ser ruim em tudo que se propunha a fazer: era um péssimo videogame portátil com poucos títulos, vários bem ruins e ports sofríveis, e pra piorar pra trocar de jogo era preciso desligar o aparelho, REMOVER A BATERIA, e então colocar o novo cartão. Como celular... bem, você precisava atender ligações assim:


Tentei achar alguém fazendo uma cara normal enquanto atendia o N-Gage, mas parece impossível

Em menor grau, os híbridos de notebooks e tablets também sofrem desse mal: são um notebook não muito potente, porque precisam ser finos e ter pouco aquecimento para ter um design enxuto o suficiente para ser um tablet, e ao mesmo tempo não conseguem brigar com os "tablets de ofício" pois eles sempre são mais finos e leves. Em geral, um notebook híbrido é de certa forma um notebook meio fraquinho e um tablet meio pesadão, ao mesmo tempo.

Voltando para o Nintendo Switch, o que temos aqui é um desafio semelhante. Ele se propõe a ser dois dispositivos: um console de mesa e um console portátil, e vai pagar o preço de tentar ser duas coisas. Quando estiver como console de mesa, vai ter que aturar todas as restrições de performance que o chip Tegra limitado ao espaço de um tablet vai conseguir oferecer, enquanto na forma de portátil precisa dar um jeito de manter os mesmos jogos que estava rodando antes na tomada, enfrentando o terrível desafio de não ficar sem energia rápido demais. Os primeiros rumores não são promissores: há estimativas de apenas 3 horas de duração de bateria.

O Switch vai ter que provar que não é um console de mesa fraquinho e um portátil ruim de bateria

Acredito que existe uma chance dele conseguir superar as limitações de hardware. A tecnologia dos chips ARM e as arquiteturas de chips gráficos chegaram a um nível que é possível ver alta performance com baixo consumo e aquecimento, e até é possível termos milagrosamente um tablet que consegue ser um bom console e um bom portátil, sabendo gerenciar bem as duas situações. Mas só solucionar os desafios técnicos não vão garantir o sucesso, pois há também outra questão: o Switch é o que queremos?

Será que alguém quer jogar em deslocamento o mesmo game que joga em casa?

No vídeo de lançamento do Switch, temos um hipotético jogador de Skyrim que sai de casa e continua jogando o game durante um voo. Eu já fiz isso: tentei continuar meu gameplay de Wolfenstein em um notebook, e acabei nunca mais me empolgado para fazer algo assim. O notebook tinha performance para rodar o game, tinha uma tomada disponível, até levei um mouse. O que me desmotivou é que percebi que deslocamento não combinava com a experiência do game, que possuía um enredo como um dos focos (por mais biruta que ele fosse). 

Acho que o Switch corre esse risco: tentar juntar duas experiências diferentes em um só console. E o resultado pode ser um console de mesa fraco com um portátil desengonçado. Se você quer algo para jogar se deslocando, um Nintendo 3DS tem mais apelo, com uma biblioteca de games claramente desenvolvida para essa experiência móvel e com um design mais leve e bateria mais convincente, enquanto em casa ter um console propriamente dito também pode acabar sendo mais interessante.

Vamos ter que esperar por mais detalhes do Switch, que devem ser divulgados até o lançamento. O hype, o primeiro estágio necessário para algo dar certo, esse pelo menos parece já estar indo bem.


Diego Kerber
Sub-editor

Twitter: @kerberdiego

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Diego Kerber é aficionado por tecnologia desde os oito anos, quando ganhou seu primeiro computador, um 486 DX2. Fã de jogos, especialmente os de estratégia, Diego colabora com a Adrenaline na produção de notícias e artigos na coluna "Vida Digital".



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