G.SKILL é conhecida especialmente por seus modelos de memórias "gamer" que oferecem um visual muito agressivo, especialmente a linha RIPJAWS. Assim como outras fabricantes de memórias, ela decidiu expandir o seu portfólio de produtos para periféricos, incluindo o teclado G.SKILL RIPJAWS KM780 RGB da última análise e o mouse gamer G.SKILL RIPJAWS MX780, que analisaremos a seguir.

Assim como o teclado da marca, o mouse G.SKILL RIPJAWS MX780 se destaca de concorrentes pelo seu visual agressivo e design modular, sendo possível realizar a troca de suas peças e regular a altura de sua traseira. Mas a grande questão acaba sendo: será que este é um bom mouse? Será que ele consegue competir com concorrentes de diversas outras marcas? É o que veremos.

Veja as especificações técnicas na página da G.SKILL

Antes de começarmos, é bom o leitor saber que este mouse, assim como o teclado KM780 RGB​, não foi projetado pela G.SKILL e sim encomendado da designer CRE8 DESIGN, o que explica a semelhança da estética dele com outros mouses da ASUSCougarCorsair EVGA, que também tiveram muitos de seus periféricos projetados pela CRE8.

Logo, ele não é uma cópia do Cougar 700M. Podemos dizer que os dois são irmãos, mesmo sendo vendidos por marcas diferentes.


Créditos da Imagem para Steve Walton da Tech Spot.

Ergonomia e Construção Externa

É importante lembrar que existem formas que usuários podem manusear seus mouses, estas que chamamos de pegadas. As três principais são:

A ergonomia do G.SKILL RIPJAWS MX780 é um tanto... estranha.

Embora o seu tamanho possa comportar a pegada Palm, especialmente por mãos pequenas e médias, um de seus recortes faz contato com a mão:

Com isso, utilização acaba sendo desengonçada e pode tornar-se desconfortável para várias pessoas.

Na pegada Fingertip o acabamento plástico na lateral não é confortável para posicionar o dedo anelar devido a seus recortes.

Já a pegada Claw encaixa perfeitamente nele, inclusive é beneficiada pelo fato de sua traseira ter uma altura ajustável.

O G.SKILL RIPJAWS MX780 é um mouse modular e possui três opções para cada uma das laterais:

  1. Sem peças adicionais.
  2. Peça emborrachada comum.
  3. Peça emborrachada com apoio para dedão.

Pessoalmente, a melhor combinação para mim acabou sendo o apoio para dedão no lado esquerdo e a peça emborrachada comum no lado direito.

O RIPJAWS MX780 possui uma quantia razoável de teflon e um ótimo deslize, sendo que os apoios para o dedão acrescentam também teflons a ele.

Embora seus botões laterais, presentes em ambos os lados, deem a impressão que possam prejudicar alguns usuários, na prática os mesmos não atrapalham o uso pois estão deslocados, precisam um pouco de força e são pequenos.

O G.SKILL RIPJAWS MX780 utiliza um acabamento levemente emborrachado na maior parte de sua superfície, embora a sua lateral seja em plástico fosco pintado de prata, o que parece à primeira vista alumínio. Apenas a base do mouse possui alumínio, algo que veremos depois.

O mouse pesa 110 gramas sem peças adicionais, sendo possível adicionar dois pesos a ele - cada um de 4,5 gramas. Também há um peso de 5 gramas escondido dentro de sua traseira. Ele é um mouse um pouco pesado para o seu formato e tamanho, que não é muito grande.

A qualidade da Construção Externa do RIPJAWS MX780 é ótima, o plástico é de alta qualidade e o emborrachamento de suas peças excelente. Mas, ele é um mouse um pouco complicado para recomendar. Embora a ideia de "mouse modular" faça parecer com que este seja adequado para diversas pessoas, os seus recortes e o seu peso contradizem este conceito.

Construção Interna

Parabéns aos designers da CRE8 DESIGN, vocês projetaram o pior mouse para abrir que já vi até hoje. Isto, é uma excelente ideia, já que mouses nunca apresentam problemas que podem ser resolvidos ao abrir, tal como double-click ou o scroll não funcionar corretamente (atenção: ironia).

Mas, felizmente isto não me impediu de ser a primeira pessoa, além daqueles que trabalharam nele, a abrir o mouse! Inclusive consegui descobrir uma transformação secreta desse Megazord!


Mouses atuais precisam, sobretudo, ser aerodinâmicos!

Brincadeiras à parte, abrir um mouse sempre traz informações interessantes como a real quantia de alumínio deste mouse.

Apenas esse "fiapo" fino igual um papel é de alumínio, o restante é apenas plástico pintado. A princípio, não há nada errado nisso: alumínio é algo que acrescenta muito peso ao mouse e em alguns casos faz estes darem choques no usuário (ex: Corsair M60/M65). A única coisa que é errada é o marketing feito em cima de algo tão minúsculo.

Este é o resumo da qualidade dos componentes do G.SKILL RIPJAWS MX780:

Para um mouse tão difícil abrir até me decepcionei, pois não há nada para esconder aqui dentro. Nos botões principais estão os melhores switches que haviam disponíveis no momento do lançamento deste mouse, um codificador mecânico topo de linha, um botão do meio de qualidade regular e botões laterais feitos pela empresa que antes era conhecida como Zhij. A julgar pela PCB do mouse, a OEM deste fora a Dexin.

RIPJAWS MX780 é um mouse bem construído e tem componentes de melhor qualidade que seu irmão Cougar 700M, sendo que sua qualidade é apropriada ao preço.

Claro, há exageros como o Logitech G502 e o Ducky Secret na mesma faixa de preço, mas isto não faz com que mouses um pouco inferiores em componentes sejam ruins - como o MX780. Mas, será que termina por aqui? Será que este é realmente um mouse topo de linha? Em seguida, temos a resposta.

Desempenho
O G.SKILL RIPJAWS MX780 é um mouse que utiliza o sensor laser AVAGO 9800 e possui 8.200 DPIs, sendo estes valores configuráveis através de seu software.

Começando, todos os testes foram realizados utilizando um mousepad G.FalleN Major Dream, o qual possui estampas (que podem dificultar o rastreio, mas esse é justamente o objetivo) e tem um nível de qualidade similar ao Razer Goliathus Speed.

O primeiro teste é realizado no MS-Paint no modo Lápis, com as configurações do mouse no Windows com sensibilidade 6/11 (default) e a opção de "Aprimorar a precisão do cursor" desligada, pois tudo o que ela faz é maquiar os dados, algo que não queremos.

Aqui os resultados são bons, embora a quantia de jitter (distorção) aumente conforme a DPI aumenta, o que é normal em mouses e é uma das várias razões que posso dar para vocês leitores não utilizarem DPIs altas.

Continuando, temos o teste de consistência de rastreio. Basicamente, ele testa o que o nome diz, mostrando se por acaso há distorções no rastreio do mouse. Para realizar ele, é usado uma ferramenta chamada MouseTester.

E estes foram os resultados no mousepad da G.FalleN, em 1000 Hz e com o LOD padrão:

Aqui já começamos ver que há algo errado neste mouse. O RIPJAWS MX780 acabou apresentando uma quantia de distorção em seu rastreio, mas temos que tirar contraprovas quanto a isto, primeiro mudando as configurações do mouse, tal como LOD Taxa de Atualização:

Agora veremos algumas informações bem interessantes. Aumentar o valor do LOD neste mouse acrescenta distorção, algo que sinceramente nunca vi acontecer antes. Usar o mouse em 125 Hz gera gráficos mais "bonitinhos" pois as distorções são misturadas ao rastreio normal, mas isto não quer dizer que estas deixaram de existir.

Vamos então trocar o mousepad. Temos aqui um Fatality Supreme CatDucky FlipperZOWIE P-TF e a minha mesa de madeira clara.

E agora os resultados são ainda mais curiosos. No Fatality Supreme Cat e no ZOWIE P-TF, o mouse apresenta distorções, mas estas não estão presentes quando usamos ele no Ducky Flipper e diretamente na mesa. Ou seja, este mouse é muito afetado pelo mousepad usado, tendo problemas com mousepads de pano comum.

Já o próximo teste, é o teste de aceleração.

O ideal sempre, é que se o mouse for movido rapidamente 10cm para a direita, ele tenha o mesmo resultado que teria se fosse deslocado lentamente a mesma distância. 

Caso o mouse for mais longe do que o necessário no movimento rápido, é dito que o mesmo tem aceleração positiva. Caso a distância que ele percorreu seja menor no movimento rápido, ele tem aceleração negativa.

E se o mouse parou no mesmo lugar que antes, ele não tem aceleração nenhuma, o que caracteriza um resultado perfeito.

Sendo que este foi o resultado do G.SKILL RIPJAWS MX780 usando o mousepad da G.FalleN, em 1000 Hz e com o LOD padrão:

Agora há problemas gravíssimos no rastreio deste mouse, ele aparenta ser incapaz de rastrear movimentos rápidos no mousepad, caracterizando aceleração negativa. Vamos então tirar contraprovas, começando então por configurações do próprio software que podem ajudar o problema, tal como diminuir a DPI, trocar LOD e a Taxa de Atualização:

Não há muitas diferenças nos resultados, todos são horríveis, mas vamos tentar agora trocar o mousepad:

E aqui o resultado surpreende. O sensor ficou horrível no Fatality Supreme Cat, mas houve uma melhora tremenda no ZOWIE P-TF e no Ducky Flipper, havendo apenas uma quantia razoável de aceleração positiva no resultado. E quando usado diretamente na mesa, o mouse acabou apresentando o melhor resultado, que inclusive lhe faria ter uma nota muito melhor caso fosse assim em todas as superfícies.

Chega a ser irônico que a melhor superfície foi a mesa, pois sensores laser são conhecidos exatamente por terem melhor compatibilidade com qualquer superfície, enquanto o MX780 está falhando em mousepads escuros

A verdade, é que o que acabaria gerando o melhor resultado no G.SKILL RIPJAWS MX780, seriam mousepads do tipo rígido na cor branca, tal como o Razer Scarab.

Os resultados do MX780 variam bastante de acordo com o tipo de mousepad, mas não deixam de ser deprimentes. Fica evidente que não houve cuidado por parte dos responsáveis por este mouse quanto à sua precisão. Testes muito simples já demonstrariam que há problemas de compatibilidade com diversos tipos de superfícies e distorções no rastreio do mouse, sendo que um projeto neste estado nem deveria ser comercializado. Deram muita atenção para a sua estética e esqueceram a principal função de um mouse.

Partindo então para o seu software, que é uma versão simplificada do software do KM780 RGB, esta é a sua interface:

Aqui é possível configurar as funções dos botões do mouse, trocar seus perfis, definir um perfil para algum jogo/aplicativo e também fazer com que este mouse trabalhe em modo "canhoto".

Ao clicar em um de seus botões, uma nova interface abre, na qual é possível definir diversas funções para estes:

Em seguida temos a aba Settings, onde é possível configurar a taxa de atualização do mouse, suas DPIs, configurações do Windows e o seu LOD. Embora o mouse tenha um perfil na memória interna (e isso seja um ponto positivo), qualquer configuração que for feita aqui, não surte efeito imediato. É necessário clicar em "Save to Device Memory" ou então fechar o aplicativo para surtir efeito.

Prosseguindo, há a aba Lighting: onde é possível ajustar as cores ou efeitos individuais para sete diferentes LEDs do mouse.

Também é possível "criar" novos efeitos de iluminação, fazendo com que o mouse fique "respirando" ou fazendo o "ciclo" de cores de acordo com as opções escolhidas pelo usuário.

Já em Macros, é possível realizar macros simples e até avançadas, embora a interface não seja intuitiva.

O software da G.SKILL não é tão completo ou intuitivo quanto o de marcas como Corsair (o novo, não os antigos), Logitech, RazerRoccat ou Steelseries, mas com certeza faz o seu serviço e bem feito.

AVALIAÇÃO:

Construção Externa

8

Construção Interna

9

Desempenho

4

Preço

6
Conclusão

Na semana passada, verificamos que o G.SKILL RIPJAWS KM780 RGB é um excelente teclado. Nesta semana, vemos que o mouse G.SKILL RIPJAWS MX780 infelizmente não segue o mesmo nível de qualidade.

Embora este tenha um visual agressivo, uma ótima construção interna e algumas boas ideias, nada disto adianta se o mouse deixar a desejar em seu principal componente: seu sensor. A implementação do AVAGO 9800 acabou sendo a pior que já testei até hoje. Nem o Redragon Samsara, que tem distorção pra caramba, tem tantos problemas com mousepads.

O G.SKILL RIPJAWS MX780 custa R$ 289,68 na Waz e não há como recomendar ele quando há uma série de mouses melhores por valores similares ou inferiores. CM Storm Xornet II (review), Corsair Sabre Optical (review), Logitech G302 (review), Logitech G502 (review) e Razer Deathadder 2013 são apenas alguns exemplos de mouses melhores, há muitos outros também.

Sei que a CRE8 DESIGN sabe caprichar quando precisa. Ela faz os produtos sob encomenda e por isso sei que o uso do AVAGO 9800 foi uma escolha intencional com finalidade de marketing para chamar a atenção do público leigo ao fato deste ser "Laser" e ter "8.200 DPI", mas o resultado foi um desastre.

Espero que as empresas parem de fazer isso, já existem DEZ sensores melhores do que ele. Não estamos mais em 2013.

Assim como o Cougar 700M, o RIPJAWS MX780 é outro mouse projetado pela CRE8 DESIGN apenas para "combinar" com um teclado. É um mouse onde o design e marketing foram colocados à frente de outros aspectos mais importantes e o resultado é um mouse "bonitinho", mas medíocre em sua principal função.

Mas antes que crie-se uma espécie de "hate" contra a G.SKILL pelas minhas críticas na análise, quero deixar claro que quase ninguém entra no ramo de periféricos acertando tudo. Empresas como a CM Storm, Cougar e Corsair, não acertaram em vários de seus produtos iniciais, mas melhoraram muito com o tempo.

Acredito que a G.SKILL tem a capacidade de fazer mouses bem melhores, especialmente com a ajuda da CRE8 DESIGN. Basta apenas focar mais em desempenho e menos em marketing.


PRÓS
  • A ideia de um mouse modular é legal, mas poderia ser melhor explorada
  • Boa construção externa, acabamento de boa qualidade e um excelente deslize
  • Bom Software
  • Ótima construção interna
CONTRAS
  • Há diversos outros mouses mais precisos que ele na sua faixa de preço e também por valores menores
  • Seu peso não é amigável para todos
  • Sensor defasado com uma quantia considerável de aceleração positiva