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Carros autônomos irão revolucionar a indústria automotiva. Estamos preparados?

Carros autônomos irão revolucionar a indústria automotiva. Estamos preparados?





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Jacson Boeing

Backstage

Se existe uma indústria passando por uma grande transformação nesse momento é a automotiva. Via de regra, com o passar dos anos, os carros tem se tornado mais potentes, confortáveis, seguros e com design adequado as tendências de mercado. Surgiram as transmissões automáticas, freios ABS, GPS, sensores e, mais recentemente, os carros elétricos - uma grande evolução, sem dúvida! Porém nenhuma mudança foi ou será tão relevante como dispensar o motorista. Mas, em um mundo ideal, como seriam os carros autônomos?

Um carro equipado com sensores, câmeras e radares, controlado por um supercomputador executando um software capaz de analisar todas as informações obtidas pelo sistema do carro e, importante, conectado a internet! Teremos assim carros inteligentes que dispensam o motorista e que decidem suas ações com base não apenas nas informações do seu sistema, mas também considerando tudo que os cerca. Em algum momento isso será possível pois os carros terão capacidade de processar as informações localmente e estarão conectados à nuvem, tendo respostas precisas de tudo que acontece com outros veículos ao seu redor.

Corporações como Google, Microsoft, Baidu, entre outras, tem feito grande investimentos em Deep Learning, onde o computador consegue aprender sozinho, com as rotinas e situações que acontecem ao entorno do veículo. Claro que para interpretar essas informações é necessário que o carro esteja equipado com um computador capaz de analisar essas informações em frações de segundo, tomando uma decisão segura tanto para seus passageiros quanto para os demais veículos e pedestres no seu entorno. As informações captadas pelos sensores e câmeras do carro enviam essas informações para a nuvem, onde supercomputadores conseguem analisar o que acontece com todos os veículos nas imediações e todo viverão felizes para sempre. Quer dizer, quase isso, já que se todos os carros sabem o que vai acontecer ao seu entorno, acidentes podem ser evitados, filas reduzidas e podemos até dizer adeus aos faróis, conforme o vídeo ainda utópico abaixo.

Outra empresa que tem feito bastante barulho e incentivado o uso de deep learning na indústria automobilística é a Nvidia. Depois de algumas tentativas sem sucesso no mercado de telefonia móvel, com o Tegra, a empresa corrigiu sua rota e hoje está na vanguarda do desenvolvimento de soluções de processamento para veículos autônomos. No início desse ano a Nvidia lançou o Drive PX 2, um supercomputador do tamanho do seu antebraço, mas com desempenho equivalente ao de 150 MacBook Pros e capacidade de fazer 24 trilhões de operações em deep learning por segundo, suficiente para mapear tudo que acontece no trânsito ao seu redor e tomar a melhor decisão possível.

O Nvidia Drive PX2, que começa a ser adotado por inúmeras montadoras, entre elas Audi e Volvo, permite, por exemplo, aprender com as situações inusitadas e não previstas do dia-a-dia e, quando conectado a nuvem, alimenta um grande banco de dados que torna as respostas de todos os veículos com acesso a mesma rede de informações mais rápidas em situações similares.

Mas devido a custos, falta de infraestrutura e evolução da tecnologia necessária, não acredito que a primeira geração de carros autônomos surja tão eficiente assim. Sabe aquela teoria de que você nunca deve comprar um produto Apple de primeira geração? Pois bem, eu aplicaria a mesma teoria aos carros sem motorista, afinal, mesmo funcionando de forma totalmente autônoma, eles ainda devem permitir que o motorista os guie. E, mesmo que não permita, ainda teremos o compartilhamento de estradas entre homem - e sua imprevisibilidade - e máquina, o que desafia qualquer programação pré existente. Além disso, esses carros autônomos não estarão 100% do tempo conectados à nuvem, dessa forma não irão interagir com os carros ao seu redor, continuando "burros" em relação a otimização de tempo, diminuição de filas e trarão diversos dilemas morais em decisões críticas que colocam a vida do motorista e/ou de terceiros na balança. Em teoria, se o carro é autônomo, a culpa de um acidente envolvendo esse carro é de seu fabricante. Por isso as montadoras tendem a só lançar carros autônomos comerciais quando o sistema estiver muito maduro e em mercados onde haja condições favoráveis - vias propícias, educação no trânsito e cultura de obedecer as leis, por exemplo.

De qualquer forma, os carros autônomos estão cada vez mais próximos de se tornarem uma realidade, a Ford, por exemplo, fala em ter carros autônomos em escala nas ruas (para uso comercial) nos próximos 05 anos. Mas enquanto isso não chega - e, acredite, deve demorar muito para chegar aqui no Brasil -, alguns carros semiautônomos já começam a dar as caras por aqui...

Novo Fusion 2017 trás diversas tecnologias semiautônomas
Semana passada viajei até a Bahia para conhecer o novo Ford Fusion 2017, o primeiro carro semiautônomo da montadora. Após ouvir os executivos apresentarem as principais características do carro, era hora de testá-lo. Afinal, discursos são como Power Points: aceitam tudo! Porém o test drive é o que torna possível separar o marketing da realidade.

Dirigi apenas 30km entre a praia do Forte e Camaçari, onde fica a principal fábrica da empresa no país. Gostaria de ter dirigido mais, mas foi o suficiente para testar algumas das principais tecnologias presentes no veículo. Durante seu discurso, um dos executivos da empresa explicou que o novo Fusion possui alerta de detecção de pedestres, que funciona por meio de uma câmera e radar, desde que o motorista esteja em uma velocidade entre 3.6 e 80km/h. Ao testar o carro em uma situação real, apesar do susto inicial dentro do carro, pois a freada foi meio brusca, na prática a tecnologia funcionou perfeitamente. Uma vítima a menos no trânsito!

O mesmo executivo prosseguiu dizendo que o carro também possui alerta de colisão com assistência autônoma de frenagem, emitindo um alerta visual e sonoro e diminuindo a velocidade para evitar a colisão. Mais uma tecnologia autônoma testada com sucesso. O piloto automático com "stop and go", por sua vez, permite setar uma velocidade de cruzeiro e uma distância segura do carro da frente, sendo que se essa distância diminuir, o Ford Fusion freia automaticamente, podendo até parar, se necessário. Caso o carro a frente volte a se movimentar em até três segundos, o Fusion volta a andar sozinho até atingir a velocidade de cruzeiro predeterminada. Outra tecnologia controla se o motorista está dirigindo dentro da sua faixa, ou se está ziguezagueando muito, o que poderia indicar um motorista sonolento. Infelizmente não tive tempo de testar essa função.

Estas são apenas algumas das tecnologias e funções presentes no Fusion 2017, mas resolvi citá-las porque todas elas são extremamente relevantes quando falamos de carros autônomos, onde sensores, radares e câmeras detectam o que acontece a nossa volta e o software do carro decide a melhor ação a ser tomada após analisadas as variáveis, evitando assim acidentes ou diminuindo sua gravidade. Se colocarmos isso em contexto, em uma época em que as pessoas não largam seus smartphones, muitas vezes nem enquanto dirigem (10% dos acidentes de trânsito nos EUA acontecem devido smartphones), tecnologias que auxiliem na segurança no trânsito são sempre muito bem-vindas.

Não a toa, recentemente o Uber anunciou seus primeiros carros autônomos nos Estados Unidos e o Ford Fusion foi o escolhido. O modelo adotado por lá é da mesma linha, porém o escolhido foi o Fusion com motor híbrido, que também foi apresentado e chega ao país em breve. Claro, o modelo introduzido pelo Uber não é de série e possui vários aperfeiçoamentos em tecnologias que permitem dispensar o motorista, o que ainda deve levar de 05 a 10 anos para chegar em países com boa infraestrutura e educação no trânsito. Imaginem no Brasil, onde a curto prazo tanta tecnologia também deve vir acompanhada de preços proibitivos.

Ao mesmo tempo em que a evolução é importante em termos de segurança e na otimização do nosso tempo em cidades cada vez mais lotadas, é difícil não lamentar um pouco o fato de que, em um futuro nem tão distante, dirigir será privilégio de poucos e, por padrão, seremos passageiros em tempo integral. O que será que diriam Karl Benz e Henry Ford, alguns dos pioneiros do setor automobilístico, ao saber que um dia o automóvel dispensaria o motorista? Nunca saberemos. Mas enquanto esse dia não chega, sigo aproveitando meu tempo ao volante.

Jacson Boeing
Editor

Twitter: @jacsonboeing

Apaixonado por tecnologia, gadgets e pelo universo geek em geral, Jacson Boeing é sócio-fundador e Editor do Adrenaline, onde desenvolve um trabalho de bastidores, desenvolvendo parcerias e formas criativas de dominar o universo! Fora os sonhos ambiciosos, também ajuda no desenvolvimento de pautas e escreve esporadicamente sobre tecnologia, além de viajar para cobrir in-loco alguns eventos internacionais considerados importantes dentro da estratégia de expansão do Adrenaline.



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