Desenvolvido pela Ubisoft Montreal, "Far Cry Primal" é a novo episódio da consagrada franquia em mundo aberto de tiro em primeira pessoa. Mas em vez de armas de fogo e tecnologias militares futuristas, o jogador é transportado diretamente para a Idade da Pedra, ficando cara a cara com animais pré-históricos lendários, tribos primitivas de guerreiros canibais e equipamentos construídos a base de madeira, ossos, pedra e fogo.

PC Baratinho encara Far Cry Primal

Linha do Tempo: relembre a série Far Cry

Mas será que o game vale a pena ou fica somente numa mera nova roupagem de ideias mostrada em "Far Cry 4"? Abaixo você confere a análise de "Far Cry Primal", baseado na versão para Playstation 4. O título também está disponível para PC e Xbox One.


História

A busca pela sobrevivência na Europa Central de 10.000 A.C.

10.000 antes de Cristo: um período da História em que a humanidade começava a dar os primeiros passos. O fogo acabara de ser descoberto. As primeiras comunidades começaram a surgir. Predadores espreitam por densos matagais, esperando a oportunidade perfeita para atacar. O que de mais seguro se pode fazer no momento? Reunir os semelhantes para aumentar as suas chances de sobrevivência e, com alguma sorte, conseguir prosperar na vida. A "história de "Far Cry Primal" baseia todo o seu conteúdo nessa premissa.

No controle de Takkar, membro da tribo Wenja,o jogador deve combater os Udam, a tribo rival mais evoluída na trama, que deseja espalhar todo o seu poder e influência sobre a região do Vale de Oros, que se localiza no que se conhece hoje por Europa Central. Embora nãos seja o ponto mais forte do jogo, no geral é interessante conhecer a perspectiva dos comportamentos mais primitivos e genuínos do ser humano. Como cada grupo tem seus próprios costumes, é comum presenciar conflitos em que o lado mais bem preparado sobrevive e domina a cultura alheia. Algo que reproduz com certa precisão histórica tudo o que aconteceu nos confrontos mais decisivos durante os 12 mil anos subsequentes na história mundial.

Jogabilidade
Mecânica reciclada ganha recursos inéditos muito bem-vindos

A jogabilidade de "Far Cry Primal" traz refinamentos na mecânica bastante explorada da série ao mesmo tempo em que apresenta recursos inéditos muito bem-vindos. A fórmula consagrada da franquia está de volta: tudo acontece em mundo aberto, em que o jogador tem liberdade de exploração, precisa cumprir uma série de missões principais e paralelas, coletar mantimentos, fabricar seus próprios equipamentos e encontrar itens secretos para ir ganhando experiência e desenvolver o seu personagem de acordo com os atributos que considerar de maior urgência. Quem já gostava antes, vai continuar se divertindo bastante.

Uma das grandes novidades fica a domesticação de animais selvagens, incluindo tigres, lobos, ursos e águias, que se transformam em aliados na conquista de territórios do vasto mapa do game. Com isso, é possível combinar o aumento do poder de ofensiva como um todo, ordenando as investidas dos animais, com as estratégias coordenadas de invasão ou de defesa de propriedades importantes. Por um lado, a novidade é válida porque ameniza a fadiga da evidente repetição na fórmula da série. Por outro, traz consigo o problema de deixar a experiência demasiadamente fácil, que já não muito desafiante no padrão normal, comprometendo parte da diversão. 

Um exemplo que denuncia bem essa deficiência de balanceamento é a coruja, o primeiro animal domesticável que aparece no game. Além de apontar a localização exata de todos os inimigos em um posto de controle (áreas que servem como viagens rápidas e garantem grande quantidade de experiência), quando suas habilidades específicas são melhoradas é possível derrotar o mais forte dos guerreiros com uma única investida fulminante. Resultado: o jogador precisa esperar apenas esperar o tempo de carregamento ser completado para usar novamente o recurso, reduzindo o mais desafiante dos objetivos a meros segundos de espera na surdina, sem precisar bolar estratégias cuidadosas de aproximação.     

Outra novidade trazida por "Far Cry Primal" à franquia é a possibilidade de construir e popular vilarejos. A cada novo território conquistado ou missão paralela cumprida, o jogador ganha aliados que serão automaticamente transportados para a sede da sua tribo. Lá, pode evoluir as construções e, quanto mais for desenvolvendo o seu povoado, mais opções, recursos e experiência ganhará não apenas para confeccionar novos equipamentos, mas também para melhorar habilidades específicas de combate, deixando o seu guerreiro cada vez mais poderoso. De tempos em tempos, a própria comunidade produz seu próprio sustento, acumulando recursos essenciais que também ajudam na evolução geral do jogador pela aventura. 

Já os combates mantêm a dinâmica da série, com execuções sorrateiras e brutalidade com muito sangue à mostra. Ainda assim, a Ubisoft precisou fazer alguns ajustes em função da temática da Idade da Pedra. Uma delas é que não existem mais armas de fogo, que foram substituídas por equipamentos típicos da era primitiva da humanidade, como tacapes, arcos e flechas, lanças e estilingues. Além disso, as clássicas torres, que marcavam os territórios e simbolizavam as viagens rápidas entre áreas de longa distância, deram lugar a fogueiras e a acampamentos de descanso, permitindo acelerar a passagem do tempo e guardar itens diversos numa espécie de baú feito de restos ossos e de pele de animais selvagens. É uma nova roupagem com funções semelhantes para algo já bastante conhecido do público.      


Gráficos

A Idade da Pedra nunca foi tão bem reproduzida nos games

Ninguém tem certeza absoluta de como era a Terra durante a Idade da Pedra. Mas a Ubisoft mostra mais uma vez a sua força no que sabe fazer de melhor nas suas franquias: ambientação extremamente caprichada, recheada de detalhes e outros elementos visuais que sugam o jogador para dentro aventura. Cavernas, cachoeiras, florestas, tribos de guerreiros, fogueiras, feras selvagens, cadeias de montanhas inteiras, pinturas rupestres e esqueletos são apenas alguns dos aspectos que mais chamam a atenção num primeiro momento. 

Em termos mais gerais, os gráficos de "Far Cry Primal" não chegam a ser uma evolução marcante em relação a "Far Cry 4". Mas nem por isso podem ser considerados ultrapassados, estando perfeitamente condizentes com as capacidades das plataformas atuais. As texturas estão bem convincentes, assim como os efeitos de luz, de sombra, de partículas e a passagem do tempo, que gera belas cenas com a incidência dinâmica dos raios solares pelos cenários. Fora isso, no Playstation 4 ainda existem algumas quedas perceptíveis de quadros por segundo, mas que não comprometem a experiência como um todo.


Áudio

Os sons mais genuínos da Idade da Pedra Lascada

"Far Cry Primal" também manda bem no uso do áudio. As melodias da trilha sonora combinam com praticamente todos os momentos de jogatina. A variação das composições potencializa tanto os momentos mais agitados, de pura caçada a animais pré-históricos e batalhas sangrentas entre tribos rivais, quanto os mais calmos, em que o jogador apenas explora alguma caverna secreta ou chega pela primeira vez a algum local inédito ou sagrado.

Mas o que mais colabora na imersão pelo quesito são os efeitos sonoros. Animais selvagens rugindo ao longe, conversas entre guerreiros tribais, o vento correndo pelas densas florestas, fogueiras queimando e jorrando faíscas nos arredores, goteiras pingando no interior de uma caverna ou mesmo o ruído de uma cachoeira que provém do topo de uma montanha com neve são apenas alguns dos elementos que ressaltam o cuidado com a sonoridade, característica que já se espera de um game de grande orçamento. 

AVALIAÇÃO:

História

7.0

Jogabilidade

9.0

Gráficos

8.0

Áudio

8.0
Conclusão

"Far Cry Primal" pega o que há de melhor na franquia, adiciona novidades relevantes na mecânica e consegue entregar uma ótima aventura em primeira pessoa em mundo aberto. A fórmula é praticamente a mesma de antes: habilidades para destravar, um mapa gigantesco para explorar e muitos colecionáveis para encontrar.

Ainda assim, existem mudanças sutis e refinamentos na jogabilidade que não apenas justificam o lançamento de um novo jogo da série, mas que também conferem identidade própria ao jogo, aproveitando bem a temática da Idade da Pedra e colocando o jogador numa experiência marcada por momentos brutais e divertidos.


PRÓS
  • Mecânica de sobrevivência na Idade da Pedra
  • Armas, equipamentos e habilidades exploram bem a temática
  • Domesticar animais selvagens e gerenciar sua própria vila tribal 
  • Ambientação colossal e efeitos sonoros de primeira
  • Sistema de evolução bem balanceado e organizado
  • Idioma próprio das tribos primitivas (com legendas em português)
  • Multiplayer online não faz falta
CONTRAS
  • Missões paralelas se tornam muito repetitivas com o tempo
  • Aventura curta para mundo aberto: cerca de 20h
  • Desafio baixo na dificuldade padrão
  • Poucos momentos relevantes na história