"Never Alone" é um jogo independente desenvolvido pela Upper One Games que traz uma temática sobre as lendas e os mistérios dos esquimós, os indígenas nativos do Alasca, uma das regiões mais isoladas e frias do planeta. A produção foi feita em parceria com a E-Line Media, uma publicadora de conteúdos de entretenimento educativos, e o Conselho Tribal dos Nativos Norte-Americanos, que colaborou com 40 anciãos no desenvolvimento da apuração da história do game.

O resultado é um jogo de plataforma tradicional que se destaca pelo cooperativo entre dois jogadores. Os dois protagonistas, Nuna e uma raposa do Ártico, são carismáticos e devem resolver puzzles para passar pelos desafios. Os cenários são imersivos e a trilha sonora cumpre bem seu papel, mas o jogo tem algumas falhas que comprometem parte da jogabilidade e a diversão. 

Abaixo você confere a análise de "Never Alone", baseada na versão para Xbox One. 


Mitos e lendas dos esquimós

A história de "Never Alone" adapta, em forma de game interativo, uma das muitas lendas e mitos da cultura dos esquimós, os moradores nativos do Alasca. Certo dia, Nuna, uma garotinha indígena desta remota e gelada região do planeta, sai para caçar, pois precisa ajudar a alimentar seu povo. Na volta, uma tempestade de neve cruza seu caminho. A nevasca, que era para ser passageira, se torna cada vez mais forte e não dá trégua, impossibilitando as futuras caças e deixando todos da vila local famintos e os força a se mudarem para outro vilarejo. Acompanhada por uma raposa do Ártico, Nuna decide investigar o que está causando essas tempestades para tentar salvar sua família - e seu povo.

A premissa é básica, mas é o suficiente para já se envolver nos primeiros minutos de jogo. Nuna e à raposa do Ártico (que não tem nome), as protagonistas, são extremamente carismáticas e, mesmo que não falem ou conversem durante a aventura, estão sempre em sintonia. Nuna é inocente e determinada; a raposa, aparenta ter mais sabedoria e está pronta para ajudar no que for preciso. O que faz desta parte especial é que o enredo é narrado por um locutor de língua nativa e, conforme for progredindo pelas fases (num total de 8 capítulos), extras são destravados e permitem o jogador conhecer mais da cultura deste povo milenar em vídeos que contextualizam todo o game. Algo realmente interessante de acompanhar.


Cooperativo entre uma menina e uma raposa

A jogabilidade de "Never Alone" traz elementos clássicos de plataforma. Você precisa pular, se pendurar, se balançar em cipós, nadar entre passagens, evitar armadilhas e puxar ou empurrar objetos para alcançar caminhos novos ou áreas escondidas. A maioria dessas ações são feitas com Nuna. A raposa também pode executar algumas delas, mas o cooperativo do jogo apresenta habilidades únicas bem úteis para as duas personagens: Nuna pode usar uma boleadeira, que serve para quebrar objetos de madeira e paredes finas de gelo, e a raposa, por ser uma animal e ter contato intrínseco com a natureza, pode invocar ajudantes de espíritos do bem para criar novas plataformas em forma de bichos, criar ganchos e atrair galhos para perto de si.

A mecânica de parceria entre elas garante a diversão do jogo. Mas ele não está livre de problemas. Jogadores mais experientes no gênero certamente vão torcer o nariz para a simplicidade dos quebra-cabeçeas: não existem puzzles desafiadores e tudo é realizado de forma bastante óbvia e sem segredos. Entendo que esse jogo tem a proposta de ser educativo sobre a cultura dos esquimós pelo programa Games For Change, mas às vezes tudo é ativado tão automaticamente e sem desafios que chega a incomodar um pouco. Além disso, existem bugs que podem travar as personagens em determinadas áreas dos cenários, e checkpoints mal localizados que facilitam a vida do jogador em caso de morte antecipada, colocando-o à frente do trecho em que morreu. São detalhes pequenos, mas que poderia ter recebido um pouquinho mais de atenção.

Paisagens congeladas e som imersivo  

Com temática baseada na vida dos nativos que moram nas regiões frias e isoladas do Alasca, os gráficos de "Never Alone" são muito bons. O game traz cenários compostos basicamente por neve, geleiras, icebergs e cavernas congeladas. Também apresenta mares com grupos de gelo boiando, florestas (Tundra) e alguns animais selvagens (ursos polares, alguns pássaros e corujas). As texturas são condizentes com a proposta e a ambientação é bem caprichada. 


A trilha sonora também cumpre muito bem o seu papel. As composições vão da calmaria da solidão das paisagens quase sem vida à turbulência de algumas fugas desesperadas de animais selvagens e de combates um pouco mais elaborados contra dois chefes (que não vou detalhar aqui por questões óbvias). As melodias, compostas por instrumentos tribais, combinam com todos os momentos da aventura, são capazes de marcar e garantir a imersão do jogador na história. Destaque também para a narração dos capítulos em idioma nativo. 

AVALIAÇÃO:

História

7.5

Jogabilidade

8.0

Gráficos

8.0

Áudio

8.5
Conclusão

Como costuma acontecer entre os jogos independentes, que não têm equipes e orçamentos gigantescos e cujos estúdios não sofrem pressão das distribuidoras no caráter criativo das suas produções, "Never Alone" surpreende pela temática inovadora da cultura dos esquimós, com cenários bem característicos das regiões geladas do Alasca.

O grande destaque do game é a jogabilidade de plataforma cooperativa com duas personagens bem carismáticas. Quem curte o gênero certamente vai se esbaldar, mas também vai se incomodar um pouco com a simplicidade demasiada dos puzzles, com alguns bugs e com a curta duração do game


PRÓS
  • Temática inovadora (esquimós) no Alasca
  • Protagonistas super carismáticos
  • Colecionáveis completam a história
  • Trilha sonora imersiva
  • Plataforma cooperativa local (2 jogadores)
CONTRAS
  • Curta duração: entre 3h e 5h
  • Puzzles bem simplórios
  • Bugs aleatórios travam a jogabilidade