Há alguns anos, os gabinetes de computadores (também conhecidos como case PCs) eram renegados ao segundo plano pelos donos de PCs, não passando de um “simples” componente do computador. Lembro que no começo de minha “vida na informática”, em meados dos anos 1990, os gabinetes eram praticamente idênticos uns aos outros, uma espécie de padrão da época em que reinavam os desktops da IBM.

O primeiro grande “salto tecnológico” no segmento veio no finalzinho do século 20, quando surgiram (ou pelo menos se popularizaram) os gabinetes verticais (até então o padrão eram os modelos horizontais, meio que servindo de suporte para os pesados monitores de CRT). Não demorou muito até que as empresas descobrissem um novo filão para o setor: a dos gabinetes diferenciados. Além disso, foi uma época onde a indústria do hardware – particularmente das CPUs e GPUs – passaram por uma grande ebulição, lançando, em períodos cada vez mais curtos, processadores e placas 3D mais poderosos. Nesta mesma época os gamers deixaram de ser vistos com olhos atravessados pela sociedade, ganhando status de descolados. 

Surgiram então os primeiros cases estilosos, com design arrojado. No momento seguinte, além de projetos elegantes ou “agressivos”, os cases ganharam também funcionalidade, trazendo uma série de recursos que, além de otimizar os funcionamentos de CPU e GPU, agregou algumas funcionalidades a mais aos usuários, sejam eles hard gamers ou entusiastas.

O mercado possui atualmente uma grande quantidade de opções para quem necessita melhorar o fluxo de ar (e, por conseguinte, reduzir a temperatura dos componentes), ou simplesmente deseja dar uma “incrementada” no visual do PC, ou mesmo ter uma facilidade a mais no uso do computador.

Antes de fechar este preâmbulo, gosto sempre de citar um caso verídico que aconteceu comigo certa vez. Tinha um PC já meio “surrado” pelo tempo de uso, e decidi então comprar um gabinete novo, após ser alvo de gozação dos amigos. Pois bem, após trocar a case (e nada mais), os mesmos amigos que zoavam comigo, passaram a me elogiar pela “máquina” que havia comprado. Diziam até que era muito mais veloz que o meu PC antigo! Resultado: está com a grana curta para trocar todos os componentes de seu computador e cansado de sofrer “bullying tecnológico”? Então troque de gabinete! 

Brincadeiras à parte, o fato é que repito o que já disse: os cases (os bons cases) deixaram de ser um componente “sem vida”, para se tornar hoje um dos grandes desejos dos proprietários de PCs.

O Adrenaline recebeu para análise, um gabinete que promete “fazer a cabeça” dos usuários brasileiros pelo design e recursos presentes, aliando um preço bastante competitivo para a categoria. Trata-se do Evolution Black Orange da Cougar.

Cougar Evolution
Para quem não conhece, a Cougar (não confundir com a empresa homônima pertencente ao grupo SONDAI Eletrônica Ltda que atua no Brasil desde os anos 90 produzindo sobretudo aparelhos de áudio e vídeo) surgiu na Alemanha em 2007, a partir do esforço de um grupo de entusiastas e profissionais da informática, que estavam até então descontentes com a estagnação pela qual passava a indústria do hardware. A empresa inicialmente passou a fabricar soluções inovadoras e robustas para o segmento de fontes de energia (PSU), para depois passar a atuar no nicho de chassis (gabinetes) para PC, ventoinhas (FANs) e congêneres. Atualmente a companhia vem passando por uma forte expansão, passando a atuar fortemente em novas fronteiras, como é o caso do Brasil.

A linha Evolution é composta por 3 modelos: “Pure Black” (ou simplesmente Black), “Orange Black” (Black Orange ou BO) e a “Galaxy White” (também conhecido como Galaxy Black/White).

Embora não esteja claro no site da Cougar, pelo que pudemos apurar, o Black Orange, é o único em que, ao invés de contar com a janela lateral em acrílico, possui uma “grelha” alaranjada – que confere, por sinal, um belo design ao conjunto. Se, por um lado, a ausência da janela acrílica impede uma visão clara dos componentes do PC (tão apreciado por boa parte dos hardgamers e entusiastas), por outra, ajuda na eliminação do ar quente (embora, facilite a entrada de poeira).

Com preço sugerido na casa dos R$ 300,00 (mais precisamente R$ 342,00 em muitas lojas eletrônicas brasileiras), o Cougar Evolution Black Orange é um produto voltado para o segmento intermediário, sobretudo para aqueles que estão iniciando na arte do overclock, ou mesmo para os gamemaníacos e apreciadores de um belo computador, e que não estão dispostos a gastar uma pequena fortuna na aquisição de um gabinete.

Recursos e Especificações
Embora seja voltado para o segmento intermediário/intermediário de alto desempenho, o Cougar Evolution Black Orange oferece uma série de recursos (bastante interessantes e úteis, por sinal) que normalmente só são encontrados em gabinetes de um segmento (e preço) mais elevado. Ou seja, ele oferece mais por menos para os usuários.

O primeiro destaque refere-se ao robusto suporte à dissipação térmica. Contando com 3 ventoinhas de fábrica (uma na parte frontal e outra na janela lateral, ambas jogando ar frio, e uma terceira na parte traseira, retirando o ar quente), o case oferece uma eficiente dissipação, para a maioria das situações. Contudo, quem tem um sistema mais parrudo (como por exemplo, processador top e múltiplas VGAs), poderá acrescentar até outras 4 FANs ao conjunto (uma segunda no painel frontal e outra na parte inferior – ambas jogando ar fresco; e duas ventoinhas na parte superior, servindo de exaustor). Quem achou “pouco”, poderá opcionalmente instalar um sistema de refrigeração a água. Para tanto, a linha Evolution facilita a vida do usuário, por meios de buracos na parte traseira superior, para a correta passagem das mangueiras do water cooler.

Outro ponto alto dos gabinetes Cougar Evolution diz respeito ao console de controle, que além de estar estrategicamente posicionado na parte superior frontal (facilitando assim o seu uso), oferece uma série de funções, como é o caso de 4 portas USB (sendo 2 do novo padrão 3.0 e outras 2 do tipo 2.0), além das entradas de fone de ouvido e microfone, luzes de HD e funcionamento, e botão de ligar/desligar. Entretanto, o que mais chama a atenção no console é o sistema de controle das ventoinhas. É possível dividir as 7 FANs em 2 grupos, e assim ter um gerenciamento de suas velocidades separadamente. Tudo através de simples toques e giros de botões.

Este recurso é particularmente interessante para o controle das FANs ao redor das áreas de maior nível de aquecimento, como, por exemplo, das placas gráficas. Assim, bastaria colocar as ventoinhas mais próximas das VGAs em um grupo, deixando as demais em outro. Com isto, os usuários podem aumentar a rotação de funcionamento de suas pás, em momentos de alta demanda por processamento, como é o caso de jogos pesados, edição de vídeo, renderização etc. Logo que voltar ao uso “normal”, a velocidade da ventoinha pode ser diminuída facilmente, maximizando assim de maneira eficiente o resfriamento de acordo com as necessidades individuais. 

Também convenientemente localizada na parte superior do gabinete, está um docking station de 3,5" estrategicamente embutido – coberto por uma tampa que oferece proteção contra poeira e até mesmo respingos de água – com a finalidade de facilitar a vida dos usuários, em termos de compartilhamento/troca de dados. É possível acoplar um HD ou SSD de 3,5” ou 2,5” ao gabinete, dispensando assim soluções “caseiras” de instalação de cases, fontes e cabos ao HD/SSD, ou ainda ter de abrir o chassi para instalar os dispositivos.

Há ainda uma série de pequenos “detalhes” que fazem a diferença para os usuários, como é o caso das coberturas de slots furadas para facilitar a dissipação térmica; dispensa de parafusos para acoplar/desacoplar os dispositivos nas bandejas de 5,25”; suporte para HD/SSD com tecnologia anti-impacto; gerenciamento de cabos/fios; filtro anti-poeira para a fonte de alimentação; dentre outros.

Abaixo encontram-se as principais especificações do Evolution Black Orange:

Placas mãe compatíveis: 
- ATX
- Micro-ATX

Fonte: 
- ATX (não inclusa)

Baias:
- 6 externas de 5.25"
- 1 externa de 3.5" (convertida de uma de 5.25')
- 4 internas de 3.5"
- 4 internas de 3.5" para HD(compatíveis com HDs/SSDs de 2.5")
- 1 externa de 3.5'/2.5' para troca rápida de dispositivos 

Slots de expansão: 
- 8

Sistema de Refrigeração:
- 1 Fan 120 x 25mm no painel traseiro (já incluso)
- 2 Fans 120 x 25mm no painel dianteiro (1 FAN já incluso)
- 1 Fan 140 x 25mm no painel Lateral (já incluso)
- 2 Fans 120 x 25mm no painel superior (não incluso)
- 1 Fan 140/120 x 25mm no painel inferior (não incluso)

Conectores I/O Frontais:
- 2 USB 2.0
- 2 USB 3.0
- 1 Microfone 
-1 Fone de ouvido

Dimensões:
 223x514x523mm

Acabamento & Design
Em relação à aparência, o Evolution Black Orange tem um ar que transparece robustez e elegância. Para tanto, destacam-se alguns elementos, como é o caso do “casamento” entre as grelhas em vermelho, com a grade externa frontal e superior em formato de colmeia na cor preta. Aliás, a combinação de cores fez muito bem ao gabinete.

O console de gerenciamento das ventoinhas, das portas USB, microfone/headphone, ajuda a reforçar a impressão de robustez do gabinete.

Outro destaque é a porta de acesso lateral. Conforme dito no início desta análise, o modelo Black Orange abre mão do uso de uma janela acrílica, por uma grelha alaranjada, fazendo um belo contraste com o preto do corpo do case.

De modo geral, a linha Evolution tem um visual bastante limpo, com cantos arredondados e bem acabados, sem “firulas” ou “engenhocas” de gostos duvidosos, reforçando o caráter de elegância do conjunto. Talvez isso possa ser um ponto negativo para alguns gamers menos ortodoxos, que gostam de um visual ainda mais diferenciado e com alguns acessórios acoplados ao corpo do gabinete. Contudo, no geral, o aspecto é bastante positivo. A única “pisada de bola” diz respeito ao nome “Evolution” em azul logo abaixo da grelha vermelha. Uma simples utilização de um tom mais neutro, como um cinza claro ou grafite, resolveria o problema. Um detalhe que talvez agregasse mais valor ao chassi, seria a presença de puxadores nas duas laterais, facilitando o deslocamento do mesmo.

A título comparativo, o case da Cougar é substancialmente maior e pouco mais largo e comprido do que o meu V4 Black Edition. Aliás, o gabinete da ThermalTake simplesmente “murchou” ao lado do Evolution Black Orange.

Em termos de acabamento, o gabinete é muito bem construído, sem rebarbas, cantos ou parafusos que possam machucar ou destoar do conjunto.

Funcionalidade e Instalação
Com uma boa dimensão (223x514x523mm), a linha Cougar Evolution possui um interior bastante “limpo” e com boa área útil. É possível instalar, por exemplo, 4 VGAs de 30,5cm em paralelo.


Na parte inferior, há a área reservada para a fonte (PSU), com boa distância para a placa mãe. Vale ressaltar a presença do filtro anti poeira, que protege não apenas a PSU, como também a área reservada para a colocação de uma FAN. Vale ressaltar o prático sistema deslizante para retirar e colocar o filtro.


Outro ponto interessante é a presença de furos na área oposta à abertura do gabinete, reservado para “esconder” e organizar os cabos e fios.

A instalação de HDs, SSDs e demais drives de 5,25” e 3,5” é bem facilitada, pelo sistema de acoplagem que dispensa parafusos, bastando para isso empurrar ou puxar uma presilha. Aliás a baia dos dispositivos de 3,5” pode ser facilmente desacoplado do gabinete, facilitando assim a instalação/desinstalação de múltiplos dispositivos.


Se por um lado, é muito fácil a colocação dos componentes dentro da case, por outro, a presença de inúmeros fios e cabos pode assustar no primeiro momento. É que além dos tradicionais conectores para a placa mãe, há ainda os para o painel central, controle das FANs, portas USB e dock station.


Ao remover a lateral oposta ao da colocação dos equipamentos, constata-se que há uma abundância de pontos de acesso e furos para amarrar cabos, além de facilitar a limpeza, ou mesmo acesso de certas partes do gabinete. Há, aliás, um recorte muito generoso para o acesso à parte de trás da montagem da CPU quando a placa-mãe é instalada, o que é uma enorme facilidade quando se é preciso alterar o cooler do processador.

Ao remover a parte da frente do chassi, tem-se acesso ao cooler de 120mm frontal (ao que parece, em alguns mercados, a presença deste FAN é opcional), além do filtro que protege a área destinada para a instalação de uma segunda ventoinha. 

O kit é composto ainda pelos seguintes acessórios: 2 cabos divisores (1:3) para o controle das FANs; parafusos anodizados pretos, manual do usuário, ilhós para watercooling, cabos plásticos de amarração e adaptador de baia de 5,25 para 3,5" (especialmente útil para uso de leitores de cartão).


Conforme já mencionado nesta análise, a linha Cougar Evolution conta com um inteligente e prático console no topo, que, além de facilitar o gerenciamento das ventoinhas e uso de HDs/SSDs de troca de dados, fica literalmente à mão dos usuários (isso, claro, se o gabinete não for posicionado em um local muito distante ou elevado em relação à posição onde se está sentado).

O lado negativo da presença do console nesta posição, é que o cabo de alimentação/controle que se conecta à placa mãe, fica em uma infeliz posição, de modo a impedir a instalação do drive óptico (CD/DVD/B-R). E não adianta forçar, pois isso acaba que forçando os pontos de solda.






Testes
Fizemos alguns testes comparando o mesmo sistema montado no Cougar Evolution e também em um Thermaltake V4 Black.A configuração testada foi a seguinte:

- Placa mãe: ECS P55H-AK Black Series;
- Processador: Intel Core i5 650 (3.2Ghz);
- Placa 3D: NVIDIA GeForce GTX 560;
- Memória: 4GB RAM DDR3 1600Mhz;
- Disco Rígido: Samsung HD154UI (1,5TB).

Abaixo os gráficos comparativos com a temperatura nos dois gabinetes.

CPU
Em relação à temperatura do CPU, o Cougar Evolution trouxe um ganho de 2 graus Celsius em relação ao Thermaltake V4 Black. A explicação é bastante simples: dimensões mais generosas, além de um eficiente e robusto sistema de refrigeração.

CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

Rodando 3DMark 11

OBS.:

  • Temperatura ambiente ou no máximo 25ºC
  • Medida em graus Celsius
  • Quanto MENOR, melhor

[ Temperatura (CPU) | Cougar Evolution ] Hardwares Comparados: 2

Evolution
52

Evolution
52

V4 Black
54

V4 Black
54



Placa de vídeo
A VGA foi outro componente que teve um ganho, ao "cair" em 2 graus Celsius sua temperatura de operação. Novamente, o maior espaço para a circulação de ar, aliado a eficientes ventoinhas que jogam ar frio ao sistema e retiram o ar quente, são os grandes responsáveis pela redução na temperatura.

CONFIGURAÇÃO PARA O TESTE:

Rodando 3DMark 11

OBS.:

  • Temperatura ambiente ou no máximo 25ºC
  • Medida em graus Celsius
  • Quanto MENOR, melhor

[ Temperatura (GPU) | Cougar Evolution ] Hardwares Comparados: 2

Evolution
61

Evolution
61

V4 Black
63

V4 Black
63



Conclusão
A linha Cougar Evolution deixou uma impressão bastante positiva pela nossa equipe. Além de seu design imponente – sem perder a elegância, o gabinete possui uma boa construção, traduzindo-se em robustez.

Outro ponto que chama a atenção são os recursos embarcados, com destaques para o console central e dock station. Enquanto que o primeiro possibilita um maior gerenciamento dos recursos, como as ventoinhas e coloca os dispositivos USB, áudio e botões de ligar/resetar em um posição ergonomicamente correta, o segundo facilita a vida do usuário no que diz respeito a troca de dados (acoplagem e desacoplagem de um HD/SSD).

O Cougar Evolution Black Orange possui dimensões generosas, facilitando não apenas a instalação dos principais componentes de um PC (como é o caso da placa mãe, CPU, GPU e HD/SSD), como também permite o uso de múltiplas VGAs TOPs (até 30,5cm).

Apesar de todos os destaques, o gabinete da Cougar possui um preço bastante convidativo para o segmento, tornando-se assim uma opção bastante interessante para quem deseja incrementar o visual de seu computador, ou mesmo para quem deseja iniciar nas artes do overclock.


PRÓS
  • Gerenciamento de FANs em 2 grupos de forma fácil
  • Design gamer sem exagero, mantando a elegância
  • Fácil organização de cabos e fios
  • Suporte aos tamanhos mais comuns de placas-mãe e múltiplas placas de vídeo de grande porte (30,5cm)
CONTRAS
  • A falta da janela lateral de acrílico pode pesar contra, na hora da escolha
  • O cabo do console de funções na parte superior atrapalha a instalação de um drive óptico